Dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social, em 2025, revelam que 3,5 milhões de brasileiros entraram com pedidos de licença médica decorrentes a questões de saúde mental
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A ansiedade e o estresse são respostas naturais do corpo a situações desafiadoras, mas quando se tornam constantes, podem desencadear uma série de impactos significativos na saúde física e mental.
Diferentemente do que muitas pessoas acreditam, a ansiedade e o estresse dois estados não afetam apenas a mente, mas podem desencadear uma cascata de reações no organismo que podem comprometer funções vitais.
Psiquiatras são os médicos indicados para esse tipo de acompanhamento. Em alguns casos, o especialista pode recomendar também o tratamento terapêutico com psicólogos. A Rede Américas conta com especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
Tudo começa de forma sutil. Você pode sentir um aperto no peito, uma dificuldade para dormir ou uma sensação de preocupação constante. Depois, evolui para problemas mais sérios: queda de cabelo, alterações no apetite, dores de cabeça frequentes, ou até mesmo sintomas que você não consegue explicar facilmente.
Muitas vezes, essas manifestações passam despercebidas ou são ignoradas, mas podem indicar algo que requer atenção: os efeitos do estresse e da ansiedade crônica. Quando não controlados, esses estados podem evoluir para condições de saúde mais graves, por isso é importante entender o que ansiedade e estresse pode causar para que você possa reconhecer os sinais e buscar acompanhamento profissional adequado.
A situação no Brasil é preocupante. Nos últimos anos, os números revelam uma crise crescente de saúde mental relacionada a ansiedade e estresse, especialmente entre trabalhadores ativos. Trazemos informações importantes sobre como essas condições afetam o corpo e a mente, e por que é fundamental buscar orientação médica-psiquiátrica.
Os dados oficiais do Brasil mostram um cenário alarmante quando se trata de ansiedade e estresse. De acordo com levantamentos recentes do Ministério da Saúde e do INSS, vivemos uma crise de saúde mental que não pode ser ignorada.
Em 2024, foram registrados 671.305 atendimentos ambulatoriais relacionados à ansiedade, representando um crescimento de 14,3% em relação a 2023. Mas o número que mais chama atenção vem dos afastamentos do trabalho: foram 472.328 licenças médicas concedidas por transtornos mentais em 2024, um aumento de 68% comparado com 2023. Esse foi o maior índice dos últimos dez anos.
Entre os diagnósticos que causam esses afastamentos, a ansiedade ocupa lugar de destaque. Em 2024, foram 141.414 pessoas afastadas especificamente por transtornos ansiosos, seguidas por episódios depressivos. Historicamente, os afastamentos por ansiedade aumentaram mais de 400% em uma década, passando de 32 mil casos em 2014 para 141 mil em 2024.
Quanto ao perfil dos afastados, a maioria (64%) são mulheres e a média de idade está em torno de 41 anos, que é justamente a faixa etária mais ativa no mercado de trabalho. O impacto econômico também é considerável: com base na média de benefícios concedidos, o Brasil gastou aproximadamente R$ 3,5 bilhões com licenças relacionadas à saúde mental apenas em 2025.
Além dos afastamentos, pesquisas revelam que 31% dos brasileiros mencionam o estresse como um dos principais problemas de saúde, número que cresce de forma constante desde 2022.
Para complementar esse quadro, 31% da população convive com ansiedade de forma recorrente, e 34% se considera angustiada entre os entrevistados com menos de 35 anos.
Para compreender os danos causados pela ansiedade e estresse, é importante entender o que acontece dentro do corpo quando você está sob essas condições. A resposta não é apenas emocional, já que ela envolve uma complexa série de mudanças fisiológicas.
Quando você enfrenta uma situação percebida como ameaçadora, o organismo ativa um mecanismo chamado eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA). Esse sistema dispara a liberação de cortisol e adrenalina, hormônios do estresse produzidos pelas glândulas adrenais.
A frequência cardíaca aumenta, a respiração fica mais rápida e acelerada, a atenção se intensifica e o corpo se prepara para a ação. Essa resposta de “luta ou fuga” é natural e temporária.
O problema emerge quando esse estado de alerta deixa de ser pontual e passa a se tornar constante. Quando o estresse e a ansiedade viram crônicos, ou seja, quando estão presentes todos os dias sem espaço real para recuperação, os níveis de cortisol podem permanecer elevados por longos períodos, criando um ambiente interno de desgaste contínuo.
Essa situação desencadeia diversos impactos negativos:
Além dessas alterações, o estresse crônico pode exacerbar respostas inflamatórias, facilitando o desenvolvimento de condições inflamatórias no corpo.
O estresse crônico também pode aumentar os níveis de gordura no sangue, acelerando processos como a aterosclerose.
A falta de sono adequado compromete a recuperação do corpo e intensifica ainda mais os efeitos do estresse.
Essas flutuações, associadas ao cortisol elevado, podem facilitar o ganho de peso, especialmente na região abdominal.
A ansiedade crônica pode causar gastrite, síndrome do intestino irritável, alterações nas bactérias intestinais e outros problemas digestivos.
Em algumas pessoas, a ansiedade também pode terminar agravando condições de pele como acne e eczema, pois afeta a barreira protetora da pele.
A tensão muscular se acumula em regiões como pescoço, ombros e costas.
Em alguns casos, pode causar dificuldades de desempenho, afetando a qualidade de vida e os relacionamentos, mas também pode surtir o efeito reverso.
Os derivados do cortisol agem como sedativo, contribuindo para essa sensação constante de desânimo.
Além desses efeitos imediatos, a ansiedade e o estresse crônicos aumentam o risco de desenvolver transtornos psiquiátricos mais graves, como depressão severa, transtorno de pânico e transtorno de estresse pós-traumático.
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O público trabalhador ativo enfrenta pressões particulares que amplificam os efeitos de ansiedade e estresse.
A dinâmica moderna do trabalho, com prazos apertados, comunicação constante fora do horário, competição, insegurança no emprego, assédio moral, ambientes hostis, microgerenciamento de atividades e demandas crescentes terminam criando um ambiente praticamente ideal para o desenvolvimento de estresse crônico, podendo desencadear quadros de ansiedade e até depressão.
Dados de 2025 revelam que os afastamentos por saúde mental no Brasil se concentram principalmente em pessoas ativas no mercado de trabalho. A faixa etária entre 35 e 54 anos, onde se concentra o maior número de profissionais com responsabilidades financeiras e familiares, é uma das mais afetadas.
As consequências são multifacetadas. Além do sofrimento pessoal, trabalhadores com ansiedade e estresse crônicos apresentam redução de produtividade, aumento de erros, dificuldade de concentração e frequentes faltas ao trabalho.
Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente devido à depressão e ansiedade, resultando em um custo de aproximadamente US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade.
O ciclo é prejudicial: quanto mais o trabalho piora a saúde mental, menor a capacidade de desempenho, o que aumenta ainda mais a pressão e ansiedade. Por isso, organizações começam a reconhecer que cuidar da saúde mental dos colaboradores não é apenas uma questão humanitária, mas também de eficiência organizacional.
Embora o acompanhamento médico-psiquiátrico seja necessário para diagnosticar e tratar corretamente ansiedade e estresse, existem técnicas cientificamente comprovadas que podem ajudar no manejo dessas condições.
Importante ressaltar: essas técnicas devem complementar, nunca substituir, o acompanhamento profissional.
Veja quais estratégias podem ajudar no manejo da ansiedade e do estresse.
A respiração profunda ativa o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo relaxamento. Diferente da respiração superficial e acelerada que acompanha a ansiedade, a respiração diafragmática (aquela quando você respira pelo abdômen) reduz os níveis de adrenalina e cortisol.
Você pode praticar inspirando lentamente pelo nariz, segurando o ar por alguns segundos e expirando lentamente pela boca. A prática regular, mesmo que por apenas 5 a 10 minutos diários, pode fazer diferença significativa na regulação do sistema nervoso.
Estudos comprovam que a prática regular de mindfulness reduz a ansiedade, a depressão e a irritabilidade. Essa técnica envolve focar intencionalmente no momento presente, sem julgamento, observando seus pensamentos e emoções sem se envolver neles.
A mindfulness ajuda a interromper o ciclo de preocupações futuras que alimentam a ansiedade, trazendo a atenção para o agora. Pode ser praticada de forma formal (através de aplicativos e vídeos guiados) ou informalmente ao longo do dia.
O exercício físico é uma das ferramentas mais poderosas contra ansiedade e estresse. Quando você se exercita, o corpo reduz os níveis de cortisol, aumenta a produção de endorfinas (neurotransmissores do bem-estar) e de serotonina.
Estudos demonstram que apenas 30 minutos de atividade física moderada, alguns dias por semana, pode reduzir significativamente os sintomas de ansiedade. Atividades como caminhada, natação, yoga e pilates são bastante benéficas porque integram o movimento corporal com técnicas de respiração.
Específico para reduzir tensão acumulada no corpo. A prática de yoga combina posturas físicas (asanas), técnicas de respiração e meditação, oferecendo um pacote completo para o alívio de ansiedade.
Mesmo o alongamento suave de grupos musculares tensos, como pescoço, ombros e costas, onde a ansiedade frequentemente se manifesta, pode aliviar tanto a tensão física quanto mental.
Essa técnica envolve tensionar deliberadamente cada grupo muscular do corpo por alguns segundos e depois relaxá-lo. Isso ajuda a reconhecer a diferença entre tensão e relaxamento, dando ao seu corpo a capacidade de se desativar voluntariamente.
É muito útil para pessoas que carregam estresse na musculatura.
Práticas simples como garantir que você dorme bem, se alimenta de forma saudável, evita excesso de cafeína (que agrava a ansiedade) e limita o uso de redes sociais (que aumentam a ansiedade) fazem diferença significativa.
Ter uma rotina previsível oferece ao corpo a segurança de que não há ameaças constantes, reduzindo a ativação do sistema de estresse.
Importante reforçar: todas essas técnicas têm eficácia comprovada em pesquisas científicas, mas seu sucesso depende da prática consistente, assim como com os exercícios físicos e a alimentação saudável. A mudança não acontece da noite para o dia.
Embora as técnicas de manejo de estresse sejam úteis, é importante entender que ansiedade e estresse crônicos requerem avaliação e acompanhamento profissional.
Você deve procurar um médico psiquiatra ou psicólogo se:
Um profissional de saúde mental pode realizar uma avaliação adequada, diagnosticar se existe um transtorno de ansiedade específico e recomendar o tratamento mais apropriado para seu caso, que pode incluir terapia cognitivo-comportamental, medicação ou uma combinação de tratamentos e abordagens.
Ansiedade e estresse são condições reais que afetam milhões de brasileiros, principalmente os trabalhadores em idade ativa. Os impactos na saúde física e mental são significativos e documentados cientificamente.
Enquanto técnicas de manejo de estresse podem ajudar, o acompanhamento profissional médico-psiquiátrico é imprescindível para diagnosticar e tratar adequadamente essas condições.
Se você está experimentando ansiedade ou estresse crônico, não demore em buscar ajuda. Essa ação é um ato de autocuidado e responsabilidade com sua saúde.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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