Conheça as principais abordagens terapêuticas, desde medicamentos anticoagulantes até mudanças no estilo de vida para prevenir tromboses
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Receber o diagnóstico de trombofilia costuma levantar muitas dúvidas. Afinal, será preciso tomar remédios por toda a vida? Quais medicamentos são indicados? É possível levar uma vida normal mesmo com maior risco de formar coágulos?
A trombofilia não tem cura, mas pode ser controlada de forma eficaz com acompanhamento médico e estratégias voltadas para a prevenção de eventos trombóticos. O tratamento varia conforme o tipo de trombofilia, o histórico clínico do paciente e situações específicas, como gravidez ou cirurgias.
Conhecer as opções terapêuticas e os cuidados necessários é fundamental para reduzir complicações, preservar a circulação sanguínea e garantir mais segurança e qualidade de vida. Nem todo paciente precisa do mesmo tratamento. Agende uma consulta na Rede Américas para avaliar os riscos e definir a melhor conduta para você.
A trombofilia é uma condição caracterizada pela maior propensão do sangue a formar coágulos. Em condições normais, a coagulação é um mecanismo de defesa do corpo para estancar sangramentos. Em pessoas com trombofilia, o sistema pode ser ativado de forma inadequada, formando trombos dentro dos vasos sanguíneos (coágulos).
Esses coágulos podem obstruir o fluxo de sangue em veias ou artérias, causando quadros graves como a trombose venosa profunda (TVP), geralmente nas pernas. Pode resultar também em embolia pulmonar (EP), quando um coágulo se desloca para o pulmão.
O tratamento é fundamental não para "curar" a predisposição, mas para prevenir ativamente a ocorrência dos eventos trombóticos. O objetivo é manter o sangue com a fluidez necessária para circular livremente, minimizando os riscos.
Leia também: Trombose nas pernas: sintomas e tratamentos
A base do tratamento medicamentoso para a trombofilia são os anticoagulantes. A escolha do fármaco, a dose e a duração do uso são decisões médicas complexas, personalizadas para cada caso. Por isso é importante jamais se automedicar.
As heparinas são frequentemente utilizadas no tratamento inicial de uma trombose aguda ou em situações de alto risco, como cirurgias e durante a gestação.
Elas agem rapidamente para impedir o crescimento de coágulos existentes e a formação de novos. A forma mais comum é a heparina de baixo peso molecular (como a enoxaparina), aplicada por via subcutânea (injeção sob a pele), o que permite o uso em casa após orientação médica.
A varfarina é o exemplo mais conhecido desta classe. Ela atua bloqueando a ação da vitamina K, essencial para a produção de fatores de coagulação no fígado. Seu efeito demora alguns dias para começar, e por isso seu uso é geralmente iniciado junto com a heparina.
O tratamento com varfarina exige monitoramento regular por meio de exames de sangue (INR) para ajustar a dose e garantir que o sangue não esteja nem muito "fino" (risco de sangramento) nem muito "grosso" (risco de trombose).
Também chamados de anticoagulantes orais diretos, os DOACs (como rivaroxabana, apixabana, edoxabana e dabigatrana) representam uma evolução na abordagem terapêutica. Eles atuam em pontos específicos da cascata de coagulação e oferecem a vantagem de doses fixas e menor necessidade de monitoramento laboratorial.
A introdução desses novos medicamentos orais tem facilitado significativamente o tratamento da trombofilia, tornando a prevenção de coágulos mais simples e conveniente para o dia a dia dos pacientes.
A indicação dos DOACs depende de uma avaliação clínica criteriosa, pois não são adequados para todos os tipos de trombofilia, como na Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide (SAF).
A trombofilia em si não tem cura, pois é uma predisposição. O que se trata é o risco de trombose associado a ela. A duração da anticoagulação é definida pelo médico hematologista ou cirurgião vascular e baseia-se em fatores como:
A gestação é um período de alto risco para eventos trombóticos, pois o corpo da mulher passa por mudanças hormonais e físicas que favorecem a coagulação. Para mulheres com trombofilia, o cuidado deve ser redobrado.
O acompanhamento da trombofilia na gravidez é feito por uma equipe multidisciplinar, incluindo obstetra de alto risco e hematologista. Na maioria dos casos, o método mais seguro e eficaz durante a gravidez é o uso de heparina de baixo peso molecular injetável, como a enoxaparina.
Pesquisa publicada na PLoS ONE, em 2019, afirma que o uso de anticoagulantes e aspirina é eficaz para evitar complicações na gravidez de mulheres com trombofilia, protegendo tanto a mãe quanto o desenvolvimento do bebê.
A terapia profilática (preventiva) ajuda a evitar complicações como abortos de repetição, pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal, além de proteger a mãe contra a trombose.
Leia também: Tratamento para trombofilia na gravidez: entenda os riscos
Além do tratamento medicamentoso, adotar hábitos saudáveis e estar atento a situações de risco é parte importante do controle da trombofilia. Essas medidas ajudam a reduzir as chances de formação de coágulos.
Ficar sentado por muitas horas, seja em um avião, ônibus ou no trabalho, diminui a circulação sanguínea nas pernas. Para pessoas com trombofilia, isso é um perigo. Recomenda-se:
Qualquer procedimento cirúrgico deve ser informado à equipe médica, incluindo o cirurgião e o anestesista. O hematologista irá orientar sobre a suspensão temporária do anticoagulante e a possível introdução de heparina (terapia de ponte) para garantir a segurança durante e após a operação.
Mulheres com trombofilia devem evitar o uso de anticoncepcionais hormonais combinados (que contêm estrogênio e progesterona), pois o estrogênio aumenta o risco de trombose.
A escolha de um método contraceptivo seguro deve ser discutida com o ginecologista e o hematologista. Opções como DIUs (hormonais com progesterona isolada ou de cobre) e métodos de barreira , como a camisinha, costumam ser mais seguras.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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