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Revisado em: 15/06/2026

Sintomas da peritonite: como reconhecer os sinais de uma emergência médica

A peritonite é uma condição grave que exige diagnóstico rápido. Saiba diferenciar seus sinais de uma dor abdominal comum.

Resumo
  • A peritonite é a inflamação do peritônio, membrana que reveste a cavidade abdominal, e é considerada uma emergência médica.
  • O sintoma principal é uma dor abdominal súbita, severa e contínua, que piora com qualquer movimento.
  • Um sinal clássico e grave é a rigidez da parede abdominal, conhecida como "abdômen em tábua".
  • Febre, calafrios, náuseas e vômitos são comuns, indicando uma resposta inflamatória e infecciosa do corpo.
  • A incapacidade de eliminar gases ou fezes, associada ao inchaço abdominal, também é um sinal de alerta importante.

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Aquela dor de barriga que parece diferente de todas as outras. Não é uma cólica, não é uma pontada passageira. É uma dor constante, forte e que se espalha, fazendo com que até mesmo respirar fundo seja um esforço. Esse cenário pode indicar uma condição séria que requer atenção imediata.

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O que é peritonite e por que é uma emergência médica?

A peritonite é a inflamação do peritônio, uma fina camada de tecido que reveste internamente a parede do abdômen e recobre a maioria dos órgãos abdominais. Essa condição causa uma inflamação grave com rápido acúmulo de células inflamatórias e danos ao peritônio. A membrana que reveste o abdômen é estéril, ou seja, livre de micro-organismos. 

Quando bactérias ou fungos chegam a essa área, geralmente por uma perfuração em algum órgão como o apêndice ou o intestino, ocorre uma infecção séria que exige atenção urgente.

Essa inflamação pode se espalhar rapidamente, levando a uma infecção generalizada, conhecida como sepse. A sepse é uma condição com risco de vida que pode causar falência de múltiplos órgãos. 

Por isso, identificar os sintomas da peritonite, como a dor abdominal súbita que pode indicar uma perfuração de órgão, é importante para evitar complicações graves como o choque séptico. Procurar ajuda médica sem demora é fundamental.

Leia também: Quais são os sintomas de rompimento da vesícula

O que causa a inflamação do peritônio?

A peritonite quase sempre é secundária a outro problema médico que permite a entrada de bactérias na cavidade abdominal. As causas mais comuns incluem:

  • Perfuração de órgãos: apendicite supurada, úlcera gástrica ou duodenal perfurada, diverticulite complicada.
  • Complicações pós-cirúrgicas: vazamento de uma sutura no intestino após uma cirurgia.
  • Doença inflamatória pélvica: em mulheres, uma infecção dos órgãos reprodutivos pode se espalhar para o peritônio.
  • Trauma abdominal: ferimentos por arma de fogo ou acidentes que perfuram órgãos.

Quais são os sintomas clássicos e mais urgentes da peritonite?

Os sinais de peritonite costumam ser intensos e de início rápido. A combinação de alguns deles cria um quadro clínico muito característico que deve acionar um alerta máximo para buscar um pronto-socorro.

Dor abdominal súbita, intensa e generalizada

Este é o sintoma cardinal. A dor da peritonite não se parece com um desconforto comum. Geralmente, ela apresenta as seguintes características:

  • Início: pode começar de forma localizada, como no caso de uma apendicite, mas rapidamente se torna difusa, afetando todo o abdômen.
  • Intensidade: é descrita como severa, constante e aguda.
  • Piora: qualquer movimento, como tossir, andar ou até mesmo a palpação leve do abdômen, piora a dor drasticamente. A pessoa tende a ficar imóvel, encolhida, para evitar qualquer estímulo doloroso.

Rigidez abdominal ou "abdômen em tábua"

Este é um dos sinais mais específicos e graves. A musculatura da parede abdominal se contrai de forma involuntária e persistente como um mecanismo de defesa para proteger os órgãos inflamados. 

Ao tocar a barriga do paciente, ela está endurecida, rígida como uma prancha de madeira. A presença desse sinal indica irritação peritoneal significativa e é um forte indicativo de peritonite.

Alterações no funcionamento do intestino

A inflamação intensa do peritônio paralisa os movimentos normais do intestino, uma condição chamada íleo paralítico ou íleo reativo. Entre os graves sintomas, destacam-se a distensão abdominal e a paralisia intestinal. 

A distensão abdominal ocorre porque a barriga fica visivelmente inchada e estufada, principalmente devido ao acúmulo de gases e líquidos inflamatórios. Consequentemente, a pessoa sente uma parada na eliminação de gases e fezes, ficando incapaz de soltar gases ou evacuar.

Que outros sinais gerais podem indicar peritonite?

Além dos sintomas abdominais clássicos, o corpo reage à infecção sistêmica com uma série de outros sinais. Eles reforçam a gravidade do quadro e a necessidade de uma avaliação médica urgente.

Febre alta e calafrios

A febre, geralmente acima de 38°C, e os calafrios são respostas diretas do organismo à invasão bacteriana na corrente sanguínea. São indicadores claros de que o corpo está lutando contra uma infecção importante.

Náuseas e vômitos persistentes

A paralisia intestinal e a irritação dos órgãos abdominais frequentemente causam náuseas e vômitos. Diferente de um mal-estar gástrico comum, esses vômitos podem ser persistentes e não trazem alívio.

Sinais de infecção sistêmica grave (sepse)

Quando a peritonite avança, podem surgir sinais de que a infecção está se tornando generalizada. Estes são sinais de extrema gravidade:

  • Aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia): o coração bate mais rápido para tentar compensar a queda de pressão.
  • Queda da pressão arterial (hipotensão): um sinal de choque séptico iminente.
  • Respiração rápida e curta (taquipneia).
  • Confusão mental ou desorientação: indica que a infecção pode estar afetando o sistema nervoso central.
  • Redução do volume de urina.

Existem sintomas específicos para certos casos?

Embora a maioria dos casos de peritonite tenha origem em problemas gastrointestinais, um grupo específico de pacientes precisa ficar atento a um sinal particular.

Sinais em pacientes que fazem diálise peritoneal

Pacientes com insuficiência renal que realizam diálise peritoneal em casa utilizam o peritônio como um filtro. Nesses casos, a peritonite pode ser causada pela contaminação durante o procedimento.

Na diálise peritoneal, a peritonite manifesta-se pela perda rápida da capacidade de filtrar líquidos e pelo aumento de células inflamatórias no abdômen. O principal sinal de alerta é a alteração no líquido drenado, que se torna turvo, opaco ou com flocos de fibrina, em vez de sua aparência normal transparente e amarelada.

Como o diagnóstico de peritonite é confirmado?

O diagnóstico é baseado principalmente no exame físico, onde o médico identifica a dor intensa e a rigidez abdominal. Exames de imagem, como radiografias e tomografia computadorizada do abdômen, são essenciais para identificar a causa, como ar livre na cavidade (indicando perfuração) ou a presença de abscessos. 

Exames de sangue são realizados para avaliar o grau de infecção e a função dos órgãos. Nesses exames, a gravidade da peritonite é sinalizada por uma forte reação inflamatória, com aumento de leucócitos e da proteína C-reativa no sangue. Em alguns casos, uma punção do líquido abdominal pode ser necessária para análise.

Quando devo procurar um pronto-socorro imediatamente?

A peritonite não é uma condição que permite esperar. Atrasar o tratamento aumenta significativamente o risco de complicações graves e morte. 

Procure atendimento de emergência se você ou alguém próximo apresentar a seguinte combinação de sintomas:

  • Dor abdominal súbita, severa, contínua e que piora ao se mover.
  • Abdômen sensível ao toque e visivelmente rígido ou duro.
  • Febre alta acompanhada de calafrios.
  • Inchaço abdominal com incapacidade de eliminar gases ou fezes.
  • Vômitos que não cessam.

Não tente tratar esses sintomas em casa com analgésicos comuns, pois isso pode mascarar a gravidade do quadro e atrasar o diagnóstico correto. O tratamento da peritonite geralmente envolve cirurgia de urgência para corrigir a causa base e o uso de antibióticos potentes.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
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