A fratura interna é aquela em que o osso quebra sem romper a pele. Também chamada de fratura fechada, ela pode parecer menos grave à primeira vista, mas exige tanto cuidado quanto qualquer outra quebra óssea.
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Nosso corpo pode ser imaginado como em um copo de vidro dentro de uma caixa fechada. Se você agita essa caixa com força suficiente, o copo racha, mas por fora ninguém percebe nada. É mais ou menos assim que funciona uma fratura interna: o osso se rompe, mas a pele ao redor permanece intacta, sem ferimento visível.
Na linguagem médica, esse tipo de lesão é chamado de fratura fechada, sendo uma das classificações opostas à fratura exposta, que fica com o osso à mostra e traz risco de infecção. Na fratura interna, o osso quebra, mas não há perfuração da pele nem lesão nos tecidos ao redor. Fratura óssea fechada: implica apenas o osso, não há perfuração da pele e nem lesão em tecidos ao redor.
Ortopedistas são os médicos indicados para o acompanhamento emergencial desse tipo de quadro. A Rede Américas conta com especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
O que provoca uma fratura interna
Uma fratura pode acontecer por dois caminhos bem diferentes. O primeiro é o trauma direto: uma queda, uma pancada, um acidente. O segundo é o desgaste silencioso do próprio osso, que vai enfraquecendo até ceder sozinho, mesmo diante de um esforço pequeno.
Uma fratura no osso pode ser causada tanto por fatores externos como internos.
No dia a dia, os acidentes domésticos respondem por uma fatia enorme dos casos. Escorregar no banheiro, tropeçar em um tapete, cair da escada ou de uma cadeira ao tentar alcançar algo mais alto são situações comuns que levam muita gente ao pronto-socorro, sem que ninguém esperasse por isso naquele dia comum.
O problema é mais frequente do que possa imaginar. Estima-se que cerca de 40% dos casos acontecem na própria casa do paciente ou em ambientes domésticos em geral, de forma aleatória e ocasional.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade do Trauma Ortopédico revelam que entre 2023 e 2024 foram registrados mais de 11 mil óbitos decorrentes por acidentes domésticos.
Além dos traumas, existem aqueles tipos de fraturas que nascem de dentro para fora. A osteoporose é a principal delas: o osso perde densidade aos poucos, torna-se poroso como um biscoito ressecado, e chega a quebrar sozinho, sem nenhum impacto relevante.
Pode não haver história de trauma, ou apenas trauma mínimo (por exemplo uma pequena queda, flexão súbita, elevação, tosse). Esse tipo de fratura é mais comum em mulheres após a menopausa e em pessoas idosas, cuja estrutura óssea e muscular já vem mais fragilizada.
A maior ocorrência de casos de fraturas ósseas está em grupos específicos, como: mulheres após a menopausa (pela maior incidência de doenças como a osteoporose, que diminuem a densidade do osso), e pessoas da terceira idade.
Há ainda as fraturas por estresse, que aparecem depois de repetidos pequenos impactos sobre o mesmo osso. Praticantes de exercícios físicos, como corrida ou que tem uma rotina de exercícios intensos sem o devido descanso também podem sofrer fraturas internas.
Esses tipos de fratura, por estresse, são mais comuns em atletas, militares e dançarinos. No geral, esses profissionais têm uma sobrecarga constante nos ossos que envolvem suas atividades que são mais intensas.
Leia também: O que é a fratura exposta, tratamento e quando buscar atendimento médico
Aqui está o ponto que mais surpreende. Não, nem toda fratura dói, pelo menos não da forma dramática que a gente imagina.
O exemplo mais claro está na coluna. As fraturas vertebrais, causadas por osteoporose, costumam passar quase despercebidas. Cerca de dois terços delas não trazem nenhum sintoma evidente e acabam sendo descobertas por acaso, em um raio-x pedido por outro motivo qualquer.
Quando esse tipo de fratura silenciosa se acumula, o corpo vai dando pistas indiretas, que muita gente atribui apenas ao envelhecimento. As perdas de altura ao longo dos anos, uma curvatura progressiva das costas, os famosos arqueamentos que empurram os ombros para frente podem ser entendidos como fraturas.
A longo prazo o paciente pode apresentar perda de altura e uma curvatura progressiva anormal da coluna. Esses casos, em geral, são conhecidos como cifose, que é o termo usado para a corcunda.
Ou seja, a fratura pode estar mascarada por trás de sintomas que parecem banais para a maioria das pessoas. Um cansaço maior nas costas, uma postura que muda aos poucos, uma dor que some sozinha depois de algumas semanas são sinais que quase ninguém associa a um osso quebrado.
Já nos ossos longos, como braço, perna ou punho, o quadro costuma ser mais evidente. Há muita dor intensa, inchaço, hematomas e dificuldade de movimentar a região. Esses são os sinais mais comuns da dor intensa na área afetada. Ela pode ser intensa e localizada e piorar com o movimento ou pressão sobre o osso fraturado.
Nesses casos, ignorar a dor raramente é uma opção, o corpo grita para ser ouvido.
De forma geral, vale prestar atenção a:
Caso você detecte algum desses sintomas ou sinais, é imprescindível que busque atendimento médico de emergência.
O tratamento varia conforme o tipo e a localização da fratura, mas em geral envolve imobilização com gesso ou tala, controle da dor com medicação. Em alguns casos, pode ser realizada uma cirurgia para o realinhamento dos fragmentos com placas, parafusos ou hastes.
A fisioterapia costuma entrar depois, para recuperar força e movimento na região.
Deixar uma fratura sem cuidado adequado, seja por não procurar o médico, seja por interromper a imobilização antes da hora, tem um preço. O osso pode cicatrizar torto, numa posição diferente da original, o que chamamos de consolidação viciosa.
A consolidação viciosa é quando o osso cicatriza em uma posição anatômica incorreta. Essa situação pode ter implicação apenas estética ou até provocar a limitação ou perda da função do membro afetado.
Essa situação ainda pode gerar dor persistente, sobrecarregar as articulações vizinhas e até comprimir nervos e vasos sanguíneos próximos, mantendo o desconforto vivo muito depois de o osso já estar “curado”.
O calo ósseo, que é o tecido formado durante a cicatrização, quando se consolida de forma incorreta, comprime os nervos e os vasos sanguíneos, o que mantém a dor persistente.
Existe ainda o risco de o osso simplesmente não se unir. Esse quadro é chamado de pseudartrose, que é quando a fratura fica ali, sem se consolidar, mesmo passados os meses esperados para a cicatrização. A pseudartrose se caracteriza, basicamente, pela não consolidação óssea após uma fratura.
Nos idosos, negligenciar uma fratura carrega um peso ainda maior. A recuperação já é mais lenta por natureza e a imobilidade prolongada aumenta o risco de trombose e perda funcional. Esse tipo de situação pode custar a independência de uma pessoa.
Nos idosos, além de terem uma menor densidade óssea e recuperação um pouco mais lenta (o que contribui para a imobilidade prolongada), essa população tende a enfrentar um maior risco de trombose e perda funcional. Nesses casos, as probabilidades de aumentar as complicações a longo prazo são bem maiores.
Por isso, mesmo quando a dor não é gritante, ou nem aparece, vale a regra de ouro: qualquer suspeita de fratura merece avaliação médica. O osso não avisa sempre com dor, mas o corpo sempre paga a conta de um cuidado adiado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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