O tratamento varia conforme sintomas e níveis de glicose; o aleitamento é prioridade em casos leves e assintomáticos
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A hipoglicemia neonatal é uma alteração metabólica dos primeiros dias de vida e ocorre quando os níveis de glicose no sangue do recém-nascido ficam abaixo do esperado. Muitos bebês não apresentam sintomas, mas a falta de açúcar pode comprometer o funcionamento do cérebro. Quando não identificada e tratada, aumenta o risco de sequelas neurológicas.
De acordo com pesquisa publicada na Children (2023) ela é a desregulação metabólica mais comum em todo o mundo. Com incidência aproximada entre 5% e 15% em recém-nascidos saudáveis. Sendo uma das principais causas de internação neonatal.
Na maioria dos casos, ela é transitória e responde bem ao tratamento. O acompanhamento médico é essencial para identificar alterações precocemente. Agende uma consulta para o seu recém-nascido.
A hipoglicemia neonatal é definida pela concentração sérica de glicose (açúcar) abaixo dos valores considerados normais para a idade e condição clínica do recém-nascido. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) aponta que a literatura científica não tem um valor fixo para defini-la e mostra quais os parâmetros estabelecidos pela American Academy of Pediatrics (AAP) e pela Pediatric Endocrine Society (PES).
Por isso, a própria SBP define a glicemia baixa em bebê como uma “condição individualizada em que a concentração de glicose plasmática é baixa o suficiente para causar sintomas e/ou sinais de disfunção cerebral”.
Muitas vezes os recém-nascidos podem não apresentar sintoma de hipoglicemia. Mas quando eles estão presentes, provocam sintomas neurogênicos (corpo avisando que precisa de açúcar) e neuroglicopênicos (cérebro falhando por falta de açúcar).
Entre as manifestações clínicas neurogênicas estão os tremores ou nervosismo, sudorese, irritabilidade, respiração rápida (taquipneia) e palidez. Já o quadro clínico neuroglicopênico envolve dificuldade na alimentação, choro fraco ou estridente e convulsões.
O paciente pode apresentar também alterações no nível de consciência como falta de energia extrema ou apatia, e paradas respiratórias.Também pode apresentar flacidez muscular (hipotonia) e coloração azulada da pele (cianose).
Alguns outros sinais inespecíficos podem estar presentes como: frequência cardíaca e temperatura corporal baixas.
A hipoglicemia neonatal é mais comum em RN’s com certos fatores de risco, que podem ser maternos ou neonatais.
O diabetes gestacional ou prévio gera risco para o bebê. Mães diabéticas podem levar a um hiperinsulinismo fetal, onde o feto produz mais insulina em resposta aos altos níveis de glicose materna.
Após o nascimento, com a interrupção do suprimento de glicose placentário, o excesso de insulina pode causar hipoglicemia transitória no bebê. A hipertensão arterial ou pré-eclâmpsia também são condições que pode afetar a saúde placentária e o desenvolvimento fetal.
O histórico familiar de hipoglicemia neonatal também aumenta o risco. Assim como o uso de betabloqueadores e antidiabéticos orais pela gestante.
Bebês nascidos antes das 37 semanas de gestação têm reservas de glicogênio inadequadas e imaturidade enzimática, por isso os prematuros são mais suscetíveis. Bem como aqueles pequenos para a idade gestacional ou que sofreram restrição de crescimento intrauterino.
O mesmo acontece em pacientes considerados grandes para a idade gestacional, eles podem apresentar hiperinsulinismo. Condições como sepse, hipotermia e policitemia (sangue grosso) aumentam o consumo de glicose ou afetam a sua produção.
O diagnóstico da hipoglicemia neonatal começa com a suspeita clínica em recém-nascidos com fatores de risco ou que apresentam sintomas. A triagem da glicemia capilar é realizada em bebês de risco, geralmente após a primeira mamada e monitorada nas primeiras 24-48 horas de vida.
Os glicosímetros de ponto de atendimento são úteis para a triagem. Mas os resultados anormais devem ser confirmados por uma amostra de sangue venoso para que seja realizada a confirmação definitiva.
Para bebês saudáveis e assintomáticos nascidos no tempo gestacional normal, a medição de glicose não é rotineiramente necessária, a menos que surjam complicações. O tratamento pode ser iniciado com base na triagem e nos valores de corte, mesmo antes da confirmação laboratorial em casos sintomáticos.
Diante da suspeita de um bebê com glicemia baixa, é preciso iniciar o tratamento. Ele é individualizado e depende diretamente da gravidade dos sintomas e da resposta da criança. O objetivo principal é normalizar os níveis de glicose no sangue para prevenir danos neurológicos.
Para recém-nascidos sintomáticos, a reposição de glicose por via intravenosa é a abordagem inicial. Já em quem estava assintomático e teve a hipoglicemia confirmada, recomenda-se a alimentação oral. O aleitamento materno deve ser priorizado sempre que possível.
Após comer, os níveis glicêmicos devem ser reavaliados em cerca de uma hora. Se os parâmetros permanecerem baixos, a correção intravenosa pode ser necessária.
Em alguns casos, pode ser administrado um gel de dextrose bucal, já que ele é eficaz para melhorar a concentração de glicose no sangue em bebês prematuros. Assim como aumenta a glicemia em bebês com hipoglicemia tardia nas primeiras 48 horas após o nascimento.
Se a disfunção persistir após as medidas iniciais, pode ser necessário aumentar a taxa de infusão de glicose. Também é possível considerar o uso de glucagon intramuscular, responsável por elevar rapidamente as taxas.
Em situações mais complexas, a hidrocortisona intravenosa pode ser utilizada. Nestes casos, uma investigação mais aprofundada para identificar alguma condição de saúde existente pode ser necessária. O bebê pode apresentar hiperinsulinismo persistente ou distúrbios metabólicos hereditários.
Leia também: Exame de curva glicêmica gestante: entenda o que é e quando fazer
O distúrbio, principalmente quando prolongado, grave ou recorrente, pode trazer consequências para o recém-nascido. O que ocorre principalmente por causa da vulnerabilidade do cérebro em desenvolvimento à falta de glicose.
O cérebro neonatal depende quase exclusivamente da glicose como fonte de energia, e a privação prolongada pode levar a danos neurológicos irreversíveis. Afetando o desenvolvimento cognitivo e motor do bebê.
Crianças que sofreram hipoglicemia neonatal grave podem apresentar atrasos no desenvolvimento da fala, da coordenação motora e de outras habilidades cognitivas. As taxas baixas de açúcar são uma causa comum de convulsões em neonatos, podendo levar ao desenvolvimento da epilepsia.
Em casos mais graves, caso não seja tratada, ela pode resultar em deficiência intelectual de diferentes graus. Além de causar danos cerebrais extensos que podem levar a distúrbios do movimento e postura.
O prognóstico está diretamente relacionado à sua causa subjacente, à duração e à gravidade, bem como à rapidez e eficácia do tratamento. Por isso, a identificação precoce e a intervenção imediata são os pilares para minimizar o risco de sequelas a longo prazo.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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