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Revisado em: 28/07/2026

É possível andar com o ligamento do joelho rompido sem fazer cirurgia? 

O corpo adapta a marcha para compensar o ligamento rompido; nem toda ruptura exige cirurgia, o tratamento é individualizado 

Resumo
  • É possível caminhar após a ruptura, mas a marcha fica alterada e menos estável
  • O corpo compensa a lesão com adaptações musculares e neuromusculares
  • Dor, inchaço, estalo e sensação de falseio são sintomas frequentes
  • A fisioterapia melhora a estabilidade e reduz o risco de novas lesões
  • Nem toda ruptura exige cirurgia; a decisão depende da instabilidade e do perfil do paciente

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Os ligamentos do joelho são estruturas de tecido fibroso extremamente resistentes que conectam um osso ao outro e têm a função de manter a articulação estável durante os movimentos. 

Eles atuam como verdadeiros "estabilizadores", impedindo deslocamentos excessivos e garantindo segurança para caminhar, correr, saltar e mudar de direção. Os quatro principais ligamentos do joelho são o ligamento cruzado anterior (LCA), o ligamento cruzado posterior (LCP), o ligamento colateral medial (LCM) e o ligamento colateral lateral (LCL), cada um com um papel específico na estabilidade da articulação. 

Quando um deles se rompe é comum surgir dor intensa, inchaço e a sensação de que o joelho "falha". Geralmente o rompimento ocorre por causa de torções, mudanças bruscas de direção, impactos diretos, quedas ou acidentes esportivos. Ainda assim, muitas pessoas conseguem permanecer em pé e até caminhar após a lesão. 

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É possível andar com o ligamento do joelho rompido?

Estudo publicado no periódico Medicine & Science in Sports & Exercise (2013), mostra que é possível andar com o ligamento do joelho rompido. Mas a forma como o paciente anda muda consideravelmente. 

A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), por exemplo, priva o joelho de um dos seus principais estabilizadores mecânicos. Fazendo com que o corpo crie estratégias involuntárias de compensação para conseguir se locomover.

O trabalho analisou o padrão de caminhada de pacientes com lesão aguda do LCA e identificou alterações importantes na marcha. Os passos ficam mais rígidos e cautelosos. Os indivíduos tendem a andar dobrando menos o joelho lesionado na hora de apoiar o pé no chão. 

Eles se utilizam dessa estratégia para evitar que a articulação desloque ou "falhe". Também foi observada uma redução da força muscular defensiva. A pesquisa mostrou que o cérebro reduz temporariamente a ativação e a força aplicada tanto pelo músculo da frente da coxa (quadríceps) quanto pelos músculos de trás (isquiotibiais) ao pisar.

A redução ocorre como uma tentativa de diminuir a sobrecarga sobre a articulação instável. Além da limitação mecânica, a apreensão e a falta de confiança de que o joelho vai sustentar o peso do corpo influenciam diretamente essa caminhada assimétrica e manca.

Apesar de ser possível andar após a fase aguda inicial de dor e inchaço, é importante ter um acompanhamento adequado com um fisioterapeuta. A falta do suporte necessário pode sobrecarregar as articulações e acelerar o desgaste da cartilagem do joelho.

Leia também: Tipos de lesões ortopédicas: conheça sintomas e tratamentos 

Por que algumas pessoas conseguem andar mesmo com o ligamento rompido?

É possível ver pessoas caminhando normalmente poucos dias ou semanas após sofrerem uma ruptura total do ligamento cruzado anterior (LCA). A explicação para isso está na capacidade de adaptação neuromuscular do corpo humano.

Uma publicação da applied sciences (2022) mostra que o cérebro e os músculos reprogramam a forma de andar para substituir a função do ligamento ausente. Os músculos localizados na parte de trás da coxa agem como "freios naturais". 

Ao caminhar, eles passam a se contrair para impedir que a tíbia (osso da canela) deslize para a frente, cumprindo a função mecânica que era do LCA.

Um outro fator que também explica porque algumas pessoas conseguem andar, é que o cérebro altera os padrões de força do músculo da frente da coxa (quadríceps). Dessa maneira ele reduz a tração excessiva sobre a articulação e faz com que o joelho pise de forma mais firme e protegida.

Outras estruturas anatômicas preservadas, como o ligamento colateral medial (LCM) e os meniscos, passam a absorver e redistribuir as cargas durante o apoio do pé no chão. Tudo isso significa dizer que apesar da ruptura, o corpo busca fazer compensações musculares.

Mas o joelho continua sem a sua estabilidade rotacional original. Por isso, movimentos bruscos, mudanças de direção ou práticas esportivas sem tratamento adequado oferecem alto risco de novos episódios de instabilidade e desgaste da articulação.

Quais sintomas costumam acompanhar o rompimento do ligamento?

O rompimento de um ligamento do joelho geralmente se manifesta através de um conjunto de sintomas característicos. Dentre eles está um estalido audível ou a sensação de ‘pop’, principalmente em casos de trauma no LCA.

A dor também é uma manifestação clínica, podendo ter um nível de moderado a severo. Ela tende a piorar ao tentar colocar peso sobre a articulação afetada. O joelho incha após a lesão, devido ao acúmulo de líquido e sangue.

O paciente também pode apresentar uma sensação de frouxidão. O joelho pode parecer que vai ‘ceder’ ou ‘dar saída’, sobretudo ao tentar mudar de direção ou apoiar o peso. Há também uma perda de amplitude de movimento, representada pela dificuldade em dobrar ou esticar completamente a área.

A articulação pode ficar rígida, limitando a movimentação e a área lesionada pode ser dolorosa ao toque. Assim como podem surgir hematoma ao redor do joelho, indicado sangramento interno. Quando o trauma é mais grave, a capacidade de locomoção costuma ser comprometida. O paciente passa a ter dificuldade não só de caminhar, como de descer escada.

É seguro continuar andando?

Na maioria dos casos, sim, desde que seja em superfícies planas, em linha reta e com cautela, aponta o estudo da Medicine & Science in Sports & Exercise. Após a fase aguda de dor e inchaço, a maioria das pessoas consegue caminhar sem a necessidade de muletas.

Mas, o corpo adota um padrão de marcha assimétrico e defensivo, travando levemente a articulação para compensar a falta do ligamento. Para garantir a segurança ao caminhar após a lesão, é importante evitar terrenos irregulares e giros bruscos.

O joelho sem o LCA perde sua estabilidade rotacional. Caminhar em superfícies acidentadas ou tentar mudar de direção rapidamente pode fazer o joelho "falsear" ou "deslocar". 

Se ao caminhar o indivíduo sentir que o joelho está "frouxo" ou saindo do lugar, o recomendado é parar imediatamente. Cada nova falha articular pode causar lesões secundárias nos meniscos e na cartilagem. A presença de dor persistente ou inchaço após curtas caminhadas indica que a articulação ainda está sobrecarregada e precisa de repouso e fortalecimento guiado.

A segurança ao caminhar aumenta à medida que a fisioterapia restabelece a força dos músculos da coxa (quadríceps e isquiotibiais). Eles passam a atuar como protetores do joelho.

Para quem não sente segurança em pisar no chão ou passa por episódios frequentes de instabilidade, o uso temporário de muletas ou estabilizadores pode ser recomendado pelo o ortopedista. É possível usar esses recursos até que a musculatura esteja devidamente reabilitada.

Leia também: Veja o tempo de recuperação de cirurgia de ligamento no joelho 

Toda ruptura precisa de cirurgia?

A indicação de cirurgia depende do perfil e da estabilidade do joelho de cada paciente. Um estudo divulgado no British Journal of Sports Medicine (2025) acompanhou pacientes com lesão do LCA tratados inicialmente sem cirurgia.

A pesquisa concluiu que 63% dos 485 pacientes que iniciaram o tratamento não cirúrgico (focado em reabilitação e fortalecimento muscular) não precisaram operar no período de 2 anos. 

Ao final do acompanhamento, os pacientes que mantiveram o tratamento conservador apresentaram qualidade de vida e função do joelho semelhantes àqueles que precisaram passar pela reconstrução cirúrgica tardia.

O procedimento cirúrgico costuma ser priorizado em perfis específicos. O trabalho observou que a necessidade de operar foi maior em:

  • Pacientes com menos de 25 anos
  • Praticantes de esportes que exigem giros bruscos e mudanças rápidas de direção 
  • Casos em que havia lesão de menisco associada

O tratamento inicial com fisioterapia direcionada é uma opção viável para muitos pacientes. A decisão por operar deve ser personalizada e tomada em conjunto com o ortopedista, considerando o grau de instabilidade do joelho e os objetivos esportivos de cada indivíduo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
  • GARDINIER,Emily. et al. Andamento e assimetrias neuromusculares após ruptura aguda do ligamento cruzado anterior. Exercício Esportivo de Ciência Médica. 2012 Ago; 44(8):1490-6. doi: 10.1249/MSS.0b013e31824d2783. PMID: 22330021; PMCID: PMC3399054. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3399054/. Acesso em: 28 jul. 2026.
  • KOOY, Caroline. et al. Tratamento não cirúrgico de lesões do ligamento cruzado anterior: dois terços evitam cirurgia em acompanhamento de 2 anos em uma coorte nacional. Br J Sports Med. 2025 29 de dezembro; 59(24):BJSPORTS-2025-109890. doi: 10.1136/bjsports-2025-109890. PMID: 41093364. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41093364/. Acesso em: 28 jul. 2026.
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  • TERNENT, A. Entorses no joelho e lesões relacionadas. Kenilworth: Manual MSD (Versão para o Lar), 2023. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/les%C3%B5es-e-envenenamentos/entorses-e-outras-les%C3%B5es-dos-tecidos-moles/entorses-no-joelho-e-les%C3%B5es-relacionadas. Acesso em: 28 jul. 2026.
  • JOHNS HOPKINS MEDICINE. Ligament injuries to the knee: causes, symptoms, diagnosis & treatment. Baltimore: Johns Hopkins Medicine, 2023. Disponível em: https://www.hopkinsmedicine.org/health/conditions-and-diseases/ligament-injuries-to-the-knee. Acesso em: 28 jul. 2026. 

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