O corpo adapta a marcha para compensar o ligamento rompido; nem toda ruptura exige cirurgia, o tratamento é individualizado
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Os ligamentos do joelho são estruturas de tecido fibroso extremamente resistentes que conectam um osso ao outro e têm a função de manter a articulação estável durante os movimentos.
Eles atuam como verdadeiros "estabilizadores", impedindo deslocamentos excessivos e garantindo segurança para caminhar, correr, saltar e mudar de direção. Os quatro principais ligamentos do joelho são o ligamento cruzado anterior (LCA), o ligamento cruzado posterior (LCP), o ligamento colateral medial (LCM) e o ligamento colateral lateral (LCL), cada um com um papel específico na estabilidade da articulação.
Quando um deles se rompe é comum surgir dor intensa, inchaço e a sensação de que o joelho "falha". Geralmente o rompimento ocorre por causa de torções, mudanças bruscas de direção, impactos diretos, quedas ou acidentes esportivos. Ainda assim, muitas pessoas conseguem permanecer em pé e até caminhar após a lesão.
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Estudo publicado no periódico Medicine & Science in Sports & Exercise (2013), mostra que é possível andar com o ligamento do joelho rompido. Mas a forma como o paciente anda muda consideravelmente.
A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), por exemplo, priva o joelho de um dos seus principais estabilizadores mecânicos. Fazendo com que o corpo crie estratégias involuntárias de compensação para conseguir se locomover.
O trabalho analisou o padrão de caminhada de pacientes com lesão aguda do LCA e identificou alterações importantes na marcha. Os passos ficam mais rígidos e cautelosos. Os indivíduos tendem a andar dobrando menos o joelho lesionado na hora de apoiar o pé no chão.
Eles se utilizam dessa estratégia para evitar que a articulação desloque ou "falhe". Também foi observada uma redução da força muscular defensiva. A pesquisa mostrou que o cérebro reduz temporariamente a ativação e a força aplicada tanto pelo músculo da frente da coxa (quadríceps) quanto pelos músculos de trás (isquiotibiais) ao pisar.
A redução ocorre como uma tentativa de diminuir a sobrecarga sobre a articulação instável. Além da limitação mecânica, a apreensão e a falta de confiança de que o joelho vai sustentar o peso do corpo influenciam diretamente essa caminhada assimétrica e manca.
Apesar de ser possível andar após a fase aguda inicial de dor e inchaço, é importante ter um acompanhamento adequado com um fisioterapeuta. A falta do suporte necessário pode sobrecarregar as articulações e acelerar o desgaste da cartilagem do joelho.
Leia também: Tipos de lesões ortopédicas: conheça sintomas e tratamentos
É possível ver pessoas caminhando normalmente poucos dias ou semanas após sofrerem uma ruptura total do ligamento cruzado anterior (LCA). A explicação para isso está na capacidade de adaptação neuromuscular do corpo humano.
Uma publicação da applied sciences (2022) mostra que o cérebro e os músculos reprogramam a forma de andar para substituir a função do ligamento ausente. Os músculos localizados na parte de trás da coxa agem como "freios naturais".
Ao caminhar, eles passam a se contrair para impedir que a tíbia (osso da canela) deslize para a frente, cumprindo a função mecânica que era do LCA.
Um outro fator que também explica porque algumas pessoas conseguem andar, é que o cérebro altera os padrões de força do músculo da frente da coxa (quadríceps). Dessa maneira ele reduz a tração excessiva sobre a articulação e faz com que o joelho pise de forma mais firme e protegida.
Outras estruturas anatômicas preservadas, como o ligamento colateral medial (LCM) e os meniscos, passam a absorver e redistribuir as cargas durante o apoio do pé no chão. Tudo isso significa dizer que apesar da ruptura, o corpo busca fazer compensações musculares.
Mas o joelho continua sem a sua estabilidade rotacional original. Por isso, movimentos bruscos, mudanças de direção ou práticas esportivas sem tratamento adequado oferecem alto risco de novos episódios de instabilidade e desgaste da articulação.
O rompimento de um ligamento do joelho geralmente se manifesta através de um conjunto de sintomas característicos. Dentre eles está um estalido audível ou a sensação de ‘pop’, principalmente em casos de trauma no LCA.
A dor também é uma manifestação clínica, podendo ter um nível de moderado a severo. Ela tende a piorar ao tentar colocar peso sobre a articulação afetada. O joelho incha após a lesão, devido ao acúmulo de líquido e sangue.
O paciente também pode apresentar uma sensação de frouxidão. O joelho pode parecer que vai ‘ceder’ ou ‘dar saída’, sobretudo ao tentar mudar de direção ou apoiar o peso. Há também uma perda de amplitude de movimento, representada pela dificuldade em dobrar ou esticar completamente a área.
A articulação pode ficar rígida, limitando a movimentação e a área lesionada pode ser dolorosa ao toque. Assim como podem surgir hematoma ao redor do joelho, indicado sangramento interno. Quando o trauma é mais grave, a capacidade de locomoção costuma ser comprometida. O paciente passa a ter dificuldade não só de caminhar, como de descer escada.
Na maioria dos casos, sim, desde que seja em superfícies planas, em linha reta e com cautela, aponta o estudo da Medicine & Science in Sports & Exercise. Após a fase aguda de dor e inchaço, a maioria das pessoas consegue caminhar sem a necessidade de muletas.
Mas, o corpo adota um padrão de marcha assimétrico e defensivo, travando levemente a articulação para compensar a falta do ligamento. Para garantir a segurança ao caminhar após a lesão, é importante evitar terrenos irregulares e giros bruscos.
O joelho sem o LCA perde sua estabilidade rotacional. Caminhar em superfícies acidentadas ou tentar mudar de direção rapidamente pode fazer o joelho "falsear" ou "deslocar".
Se ao caminhar o indivíduo sentir que o joelho está "frouxo" ou saindo do lugar, o recomendado é parar imediatamente. Cada nova falha articular pode causar lesões secundárias nos meniscos e na cartilagem. A presença de dor persistente ou inchaço após curtas caminhadas indica que a articulação ainda está sobrecarregada e precisa de repouso e fortalecimento guiado.
A segurança ao caminhar aumenta à medida que a fisioterapia restabelece a força dos músculos da coxa (quadríceps e isquiotibiais). Eles passam a atuar como protetores do joelho.
Para quem não sente segurança em pisar no chão ou passa por episódios frequentes de instabilidade, o uso temporário de muletas ou estabilizadores pode ser recomendado pelo o ortopedista. É possível usar esses recursos até que a musculatura esteja devidamente reabilitada.
Leia também: Veja o tempo de recuperação de cirurgia de ligamento no joelho
A indicação de cirurgia depende do perfil e da estabilidade do joelho de cada paciente. Um estudo divulgado no British Journal of Sports Medicine (2025) acompanhou pacientes com lesão do LCA tratados inicialmente sem cirurgia.
A pesquisa concluiu que 63% dos 485 pacientes que iniciaram o tratamento não cirúrgico (focado em reabilitação e fortalecimento muscular) não precisaram operar no período de 2 anos.
Ao final do acompanhamento, os pacientes que mantiveram o tratamento conservador apresentaram qualidade de vida e função do joelho semelhantes àqueles que precisaram passar pela reconstrução cirúrgica tardia.
O procedimento cirúrgico costuma ser priorizado em perfis específicos. O trabalho observou que a necessidade de operar foi maior em:
O tratamento inicial com fisioterapia direcionada é uma opção viável para muitos pacientes. A decisão por operar deve ser personalizada e tomada em conjunto com o ortopedista, considerando o grau de instabilidade do joelho e os objetivos esportivos de cada indivíduo.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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