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Revisado em: 30/07/2026

O que a icterícia pode causar no bebê? Entenda as possíveis complicações

A icterícia neonatal é uma condição comum que deixa a pele e os olhos do bebê amarelados; casos mais graves exigem cuidados para evitar complicações e sequelas

Resumo
  • A icterícia neonatal acontece quando a bilirrubina se acumula no sangue do bebê, deixando a pele e os olhos amarelados nos primeiros dias de vida;
  • Embora seja comum e geralmente desapareça sozinha, níveis muito altos de bilirrubina podem atingir o cérebro e causar complicações graves;
  • Prematuridade, dificuldade para mamar, incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê e perda de peso excessiva aumentam o risco de agravamento do quadro;
  • Sonolência intensa, dificuldade para mamar, choro agudo e coloração amarelada que se espalha pelo corpo são sintomas que exigem avaliação médica;
  • O diagnóstico precoce e o acompanhamento com o pediatra permitem começar o tratamento no momento certo e reduzir o risco de sequelas permanentes.

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A icterícia pode causar complicações no sistema nervoso do bebê quando os níveis de bilirrubina ficam altos e não são tratados. Em casos graves, essa substância pode atingir o cérebro e provocar danos permanentes, como perda auditiva e dificuldades motoras.

A condição deixa a pele e os olhos do bebê amarelados e costuma aparecer nos primeiros dias de vida, já que o organismo do recém-nascido ainda pode ter dificuldade para eliminar a bilirrubina, uma substância produzida durante a renovação das células do sangue.

De acordo com um estudo publicado no repositório National Library of Medicine, cerca de 60% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros desenvolvem o quadro na primeira semana de vida. Na maioria dos casos, ela tende a desaparecer sozinha.

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O que é icterícia e por que acontece?

A icterícia é uma condição que deixa a pele e a parte branca dos olhos do bebê amareladas. Isso acontece quando a bilirrubina, uma substância produzida pelo corpo, se acumula no sangue em quantidade maior do que o organismo consegue eliminar.

Depois de ser produzida, a bilirrubina passa pelo fígado e é eliminada pelas fezes e pela urina. Nos recém-nascidos, esse processo ainda está em desenvolvimento, o que pode favorecer o acúmulo da substância no sangue.

Em geral, a icterícia neonatal é comum porque o corpo do bebê ainda está se adaptando à vida fora do útero. Na maioria dos casos, ela desaparece conforme o organismo passa a eliminar a bilirrubina de forma mais eficiente.

Qual é o papel da bilirrubina no organismo do recém-nascido?

A bilirrubina participa da renovação das células do sangue. Quando os glóbulos vermelhos envelhecem, o organismo quebra a hemoglobina, uma proteína presente nessas células, e transforma parte desse material em bilirrubina.

Depois de ser produzida, a bilirrubina chega ao fígado, onde passa por mudanças que permitem sua eliminação pelas fezes e pela urina. Esse processo evita que a substância se acumule no organismo.

Nos recém-nascidos, a produção de bilirrubina é maior porque eles têm mais glóbulos vermelhos e essas células são renovadas com mais frequência. Ao mesmo tempo, o fígado do bebê ainda está amadurecendo e pode levar mais tempo para processar a substância.

Leia também: Icterícia neonatal: tratamento e o que esperar durante as semanas​

Que complicações a icterícia pode causar no bebê?

A maioria dos casos de icterícia neonatal evolui sem problemas, mas níveis muito altos de bilirrubina podem afetar o cérebro do bebê. Assim, quando essa substância se acumula no sistema nervoso, pode causar alterações que comprometem algumas funções do corpo.

Nesses casos, as principais complicações da icterícia grave incluem:

  • Paralisia cerebral atetóide, uma condição que pode causar movimentos involuntários e descontrolados nos braços e nas pernas devido aos danos no sistema nervoso;
  • Alterações no desenvolvimento do esmalte dentário, que podem causar manchas amareladas ou esverdeadas nos dentes e afetar a formação da dentição definitiva da criança;
  • Kernicterus, uma forma permanente de lesão cerebral causada pelo acúmulo de bilirrubina em regiões específicas do cérebro, podendo levar a sequelas neurológicas definitivas;
  • Deficiência auditiva neurossensorial, uma alteração provocada pelo efeito da bilirrubina sobre o nervo responsável pela audição, que pode causar perda parcial da audição ou surdez completa;
  • Encefalopatia bilirrubínica aguda, uma alteração causada pelo excesso de bilirrubina no cérebro, que pode provocar sonolência intensa, choro agudo, redução dos reflexos e perda de força muscular nos primeiros dias de vida.

O risco de complicações depende da quantidade de bilirrubina no sangue e do tempo em que o bebê permanece com níveis elevados da substância. A avaliação médica permite identificar quando são necessários cuidados para evitar consequências mais sérias.

E quais são os fatores de risco para o agravamento do caso?

A prematuridade é um dos principais fatores de risco para o agravamento da icterícia em recém-nascidos, pois o fígado do bebê ainda está em desenvolvimento e pode ter mais dificuldade para eliminar a bilirrubina.

Além disso, recém-nascidos que têm dificuldade para mamar ou recebem pouco leite podem apresentar maior risco de agravamento, já que a baixa ingestão de leite reduz a eliminação da bilirrubina pelas fezes e pode favorecer o aumento da substância no sangue.

A incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê é outro fator de risco. Nessa situação, os anticorpos da mãe podem destruir parte das células vermelhas do sangue do bebê, o que aumenta a produção de bilirrubina.

Outras situações, como perda de peso excessiva depois do nascimento, hematomas causados pelo parto e histórico de irmãos que precisaram de tratamento para icterícia, também exigem acompanhamento médico próximo.

Leia também: Desenvolvimento do bebê prematuro mês a mês: como acompanhar?

Como saber se a icterícia do bebê é grave?

A gravidade da icterícia pode ser avaliada pela aparência do bebê, pela evolução do quadro e pelos níveis de bilirrubina no sangue. Sendo assim, existem alguns sinais que mostram que a condição pode estar mais séria, como:

  • Irritabilidade intensa ou falta de interação;
  • Choro mais agudo ou diferente do habitual;
  • Febre, rigidez no corpo ou movimentos diferentes do normal;
  • Dificuldade para mamar ou redução da frequência das mamadas;
  • Coloração amarelada que se espalha para a barriga, braços e pernas;
  • Pele e olhos amarelados nas primeiras 24 horas depois do nascimento;
  • Sonolência intensa, dificuldade para acordar ou pouca reação aos estímulos.

A presença desses sinais indica a necessidade de avaliação do pediatra para verificar os níveis de bilirrubina e a evolução da icterícia. Nesses casos, o acompanhamento com o especialista é importante para definir o tratamento e diminuir o risco de complicações.

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De que forma o pediatra faz o diagnóstico do quadro?

O diagnóstico da icterícia neonatal começa com a avaliação do bebê pelo pediatra. O médico observa a pele e os olhos da criança e considera informações como o tempo de vida, a idade gestacional e as condições do nascimento.

Para confirmar a presença da icterícia e avaliar a intensidade, o especialista pode pedir exames que medem a quantidade de bilirrubina no sangue, e o resultado ajuda a identificar se os níveis estão dentro do esperado ou se precisam de acompanhamento.

A medição da bilirrubina pode ser feita por exame de sangue ou por um aparelho que avalia a substância pela pele do bebê. Nesse sentido, quando existe suspeita de valores altos, o exame de sangue permite uma análise mais precisa.

O pediatra também avalia fatores que podem influenciar a evolução do quadro, como a alimentação do bebê e possíveis condições associadas. Com essa análise, o médico define se é necessário só acompanhar ou começar algum tratamento.

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Quais são os tratamentos da icterícia neonatal?

O tratamento da icterícia depende da quantidade de bilirrubina no sangue, do tempo de vida do bebê e dos fatores que podem aumentar o risco de complicações. Alguns casos precisam só de acompanhamento, enquanto outros exigem medidas específicas, como:

Tratamento

Como funciona

Fototerapia

Usa uma luz especial que ajuda a transformar a bilirrubina em uma forma que o corpo do bebê consegue eliminar com mais facilidade pela urina e pelas fezes

Exsanguineotransfusão

É um procedimento usado em casos graves, no qual parte do sangue do bebê é substituída para reduzir rapidamente os níveis altos de bilirrubina

Tratamento da causa associada

Quando a icterícia está ligada a outros problemas, como incompatibilidade sanguínea, o médico pode indicar cuidados específicos para tratar a condição

Acompanhamento da alimentação

O pediatra analisa a amamentação e a quantidade de leite que o bebê recebe, pois uma alimentação adequada nessa idade ajuda na eliminação da bilirrubina

A escolha do tratamento depende da avaliação do especialista e das características de cada bebê. O acompanhamento regular permite observar a resposta ao cuidado indicado e fazer ajustes quando necessário para evitar que o quadro se agrave.

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Dá para prevenir as complicações da icterícia?

A prevenção das complicações da icterícia começa com a identificação precoce do problema e o acompanhamento do bebê. Quando os níveis de bilirrubina são avaliados no momento certo, o tratamento pode ser iniciado antes que o quadro se torne mais grave.

A atenção dos pais também é importante nesse período. Por isso, alterações na cor da pele e dos olhos, dificuldade para mamar, sonolência excessiva ou outros sinais diferentes do habitual devem ser sempre informados ao pediatra.

As consultas depois do nascimento, principalmente nos primeiros dias de vida, permitem acompanhar a evolução do bebê e verificar se existe a necessidade de tratamentos. Com esse cuidado, é possível reduzir o risco e favorecer o desenvolvimento saudável.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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