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Revisado em: 30/07/2026

Saiba como é a cirurgia de mioma uterino e quando ela é indicada

A cirurgia remove miomas e preserva o útero quando possível; a técnica varia conforme tamanho, número e localização dos miomas 

Resumo
  • Nem todos os miomas precisam de tratamento cirúrgico
  • Existem diferentes técnicas para remover os miomas com segurança
  • A recuperação varia conforme o procedimento realizado
  • A cirurgia pode aliviar sintomas e preservar a fertilidade em alguns casos 
  • Avaliação individualizada é essencial para definir a melhor abordagem

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A cirurgia de mioma uterino é indicada quando os nódulos provocam sintomas importantes, comprometem a fertilidade ou afetam significativamente a qualidade de vida da mulher. A escolha da técnica cirúrgica depende de fatores como o tamanho, a localização e a quantidade de miomas, além do desejo de preservar o útero e a capacidade reprodutiva. 

As manifestações clínicas mais comuns do mioma uterino são a irregularidade da menstruação, o aumento do volume do útero, complicações durante a gestação e infertilidade. A avaliação com um ginecologista é essencial para indicar o momento ideal da intervenção e escolher a técnica mais adequada. Marque uma avaliação na Rede Américas. 

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O que é o mioma uterino?

O mioma uterino é cientificamente conhecido como leiomioma. Ele consiste em um tumor sólido benigno, que surge nas células musculares lisas do útero. A sua natureza não é cancerígena. Por serem nódulos estrogênio-dependentes, têm uma maior incidência durante a fase fe´rtil da mulher, entre os 30 e 40 anos de idade.

Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB) alguns estudos mostram que a condição é de três a nove vezes mais frequente em mulheres negras do que em brancas. A depender da sua localização no útero, os miomas são classificados em três tipos principais:

  • Submucoso: abaixo do revestimento interno (endométrio). Podendo causar sangramento interno e infertilidade
  • Intramural: dentro da parede do útero. Sendo responsável por gerar aumento do volume uterino e dor pélvica
  • Subseroso: parte externa do útero. Uma de suas característica é fazer pressão em órgãos vizinhos (bexiga e reto)

Na maioria dos casos eles são assintomáticos, mas de acordo com a AMB, cerca de 20% a 50% das mulheres apresentam sintomas significativo que impactam a qualidade de vida

Quando a cirurgia de mioma uterino é indicada? 

A indicação cirúrgica não é universal, já que a maioria dos casos são assintomáticos. Ela costuma ocorrer quando há falha no tratamento medicamentoso ou quando a patologia interfere severamente na saúde da paciente.

A intervenção torna-se necessária quando há presença de sangramento uterino anormal, que se manifesta com um fluxo menstrual excessivo. O que pode levar a quadros de anemia grave.

Ela também pode ser indicada quando a mulher passa a sentir dor e pressão pélvica. Os sintomas ocorrem por causa do aumento do volume uterino que pode comprimir os órgãos adjacentes (bexiga e reto). A compressão pode levar a mulher a apresentar incontinência urinária.

A miomatose uterina pode causar riscos de abortamento de repetição e infertilidade. Dados da AMB dizem que essa última consequência ocorre em cerca de 27,5% das pessoas afetadas. Por isso, a cirurgia de mioma uterino pode ser recomendada pelo médico.

Leia também: Teste de fertilidade feminino: tipos, exames e como fazer 

Como é a cirurgia de mioma uterino​?

Saber como é a cirurgia de mioma uterino passa pelo conhecimento das diferentes técnicas disponíveis. Elas estão divididas entre a miomectomia que preserva a fertilidade, fluxo menstrual e faz a retirada apenas dos nódulos; e a histerectomia, que retira também o útero.

A miomectomia pode ser realizada pela laparotomia, laparoscopia e pela histeroscopia. A escolha do método depende do tamanho, da quantidade e da localização dos nódulos, além do desejo de preservar a fertilidade.

Laparotomia

A laparotomia é a técnica cirúrgica convencional, realizada por meio de uma incisão abdominal semelhante à de uma cesariana. É geralmente recomendada para a retirada de miomas volumosos ou múltiplos que não podem ser acessados com segurança por vias  minimamente invasivas. 

Ela permite uma visão direta e ampla do útero, mas está associada a um tempo de internação maior e a uma recuperação mais prolongada.

Laparoscopia/videolaparoscopia

Esta já é uma técnica minimamente invasiva na qual o cirurgião realiza pequenas incisões no abdômen para a inserção de uma câmera e instrumentos cirúrgicos. 

A abordagem é preferida pois resulta em uma menor perda de sangue, menor formação de aderências pélvicas e retorno mais rápido às atividades cotidianas. 

Histeroscopia

A miomectomia histeroscópica é considerada o padrão-ouro para o tratamento de miomas submucosos. O procedimento é realizado por via vaginal, sem cortes externos, utilizando um histeroscópio para visualizar e ressecar o mioma dentro da cavidade uterina.

A técnica permite que a recuperação seja mais rápida, assim a paciente retorna mais rápido a sua rotina e fica menos tempo internada no hospital. Informações colhidas em pesquisa publicada na Medicina (2024), a ressecção dos miomas submucosos através desse método aumentam em até 75% as chances de engravidar.

Histerectomia 

Diferentemente da miomectomia, a histerectomia consiste na remoção total ou parcial do útero. A via abdominal é utilizada quando o órgão apresenta volume excessivo, possui aderências ou quando o mioma uterino está associado ao câncer. 

Já a via vaginal é considerada a mais segura para a remoção do útero, desde que o tamanho do órgão permita a passagem pelo canal vaginal. Aproximadamente um terço desse procedimento cirúrgico no mundo inteiro acontece em decorrência do leiomioma, diz o estudo da Medicina.

Leia também: Saiba qual a diferença entre cirurgia robótica e laparoscopia​ 

Quanto tempo dura o procedimento? 

A duração da cirurgia de mioma uterino varia de acordo com a técnica utilizada, a quantidade e o tamanho dos miomas a serem removidos. Em média, o procedimento cirúrgico leva entre 1 e 2 horas. 

Um levantamento clínico publicado na Cureu (2020) comparou os diferentes métodos cirúrgicos e registrou tempos médios distintos para cada um deles. A videolaparoscopia apresentou a menor duração média, sendo concluída em aproximadamente 57 minutos.

Isso porque as pequenas incisões costumam deixar o procedimento mais ágil. Para a laparotomia tradicional foi registrado um tempo médio de 103 minutos (cerca de 1 horas e 40 minutos). Já a diferença de tempo entre ela e a histeroscopia foi pequena. A técnica sem cortes abdominais durou em média 104 minutos.

Recuperação pós-cirúrgica

O tempo de recuperação após a remoção dos miomas varia significativamente de acordo com a técnica cirúrgica empregada. As abordagens minimamente invasivas oferecem um retorno bem mais ágil às atividades diárias quando comparadas à cirurgia aberta tradicional.

O mesmo levantamento clínico da Cureu (2020) analisou o tempo de internação e as taxas de complicações de pacientes submetidas à miomectomia, destacando as diferenças no pós-operatório.  Veja a seguir:

  • Cirurgia por videolaparoscopia: apresentou um menor tempo de internação hospitalar, foram em média quase 2 dias. Ela está associada a menos dor pós-operatória e a uma menor taxa de complicações
  • Cirurgia aberta (laparotomia): as pacientes tiveram um período maior de internação, por volta de 3,5 dias. Por envolver um corte abdominal maior, exige mais cuidado com a cicatrização e um tempo de repouso mais prolongado
  • Cirurgia histeroscópica: a internação ocorreu por mais ou menos 3,1 dias

De modo geral, o retorno completo às rotinas de trabalho e exercícios físicos costuma levar de 2 a 3 semanas para cirurgias minimamente invasivas. Ele é um pouco maior para a cirurgia aberta, sendo de 4 a 6 semanas.

Durante o período de recuperação, é fundamental seguir rigorosamente as orientações médicas. O que pode incluir repouso relativo, evitar carregar peso ou realizar esforços físicos intensos e manter o acompanhamento para monitorar a cicatrização.

Quais as possíveis complicações e riscos?

Como em qualquer intervenção cirúrgica, a cirurgia de mioma uterino apresenta riscos. A hemorragia está entre as intercorrências mais comuns durante o procedimento. O risco de perda de sangue acentuada está presente principalmente em caroços muito vascularizados.

Também há riscos inerentes ao ambiente cirúrgico, como as infecções. Durante a operação órgãos como a bexiga, ureteres ou intestino podem ser lesionados. Pós-cirurgia, uma das possíveis complicações são as aderências pélvicas, formação de tecidos cicatriciais que podem se unir a órgãos vizinhos.

Anos após a retirada, é possível que o leiomiomas retornem, mas em locais diferentes daqueles iniciais. A AMB diz ainda que a gestação após a cirurgia é um fator de proteção. Os procedimentos minimamente invasivos proporcionam uma recuperação mais rápida, mas toda intervenção exige avaliação individualizada e acompanhamento médico para reduzir os riscos e garantir os melhores resultados. 

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
  • Alharbi AA, Alshadadi F, Alobisi A, Alsobai A, Felimban O, Hudairi H, Ammar S, Alzahrani S, Abuzaid A Sr, Oraif A Sr. Complicações intraoperatórias e pós-operatórias após miomectomias abertas, laparoscópicas e histeroscópicas na Arábia Saudita. Cureu. 1º de março de 2020; 12(3):e7154. doi: 10.7759/cureus.7154. PMID: 32257698; PMCID: PMC7108673. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7108673/. Acesso em: 30 jul. 2026.
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  • INSTITUTO NACIONAL DE SAÚDE DA MULHER, DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE FERNANDES FIGUEIRA. Principais questões sobre miomatose: quando a cirurgia é indicada? Rio de Janeiro: Portal de Boas Práticas IFF/Fiocruz, 2021. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-miomatose-quando-a-cirurgia-e-indicada/. Acesso em: 30 jul. 2026.
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  • MEDIX. Current management strategies and therapeutic options for uterine fibroids. Medicina, v. 60, n. 6, art. 868, p. 1-15, 2024. Disponível em: https://www.mdpi.com/1648-9144/60/6/868. Acesso em: 30 jul. 2026.
  • MAYO CLINIC. O mioma uterino pode afetar a gravidez? Especialista da Mayo Clinic explica. Rochester: Mayo Clinic News Network, 2022. Disponível em: https://newsnetwork.mayoclinic.org/pt/2022/06/02/o-mioma-uterino-pode-afetar-a-gravidez-especialista-da-mayo-clinic-explica/. Acesso em: 30 jul. 2026.

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