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Revisado em: 17/06/2026

O que causa peritonite: veja sintomas, tipos e quando buscar ajuda médica

Entenda por que uma dor súbita no abdômen pode indicar uma emergência médica e quais as suas principais origens.

Resumo
  • A peritonite é a inflamação do peritônio, a membrana que reveste o abdômen, e é considerada uma emergência médica.
  • A causa mais comum é a infecção bacteriana após a perfuração de um órgão abdominal, como em casos de apendicite ou úlcera.
  • Existe também a peritonite bacteriana espontânea, que ocorre sem perfuração, associada a doenças como a cirrose hepática.
  • Os sintomas de alerta incluem dor abdominal intensa e difusa, febre, náuseas, vômitos e inchaço na barriga.
  • O tratamento exige hospitalização imediata, com uso de antibióticos e, frequentemente, cirurgia para corrigir a causa base.

 

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Uma dor de barriga que começa de forma localizada e, em pouco tempo, se torna insuportável e generalizada, piorando com qualquer movimento. Esse cenário, que pode ser confundido com problemas digestivos comuns, é um dos principais sinais de alerta para a peritonite, uma condição séria que exige atenção médica imediata.

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O que é peritonite e por que é considerada uma emergência

A peritonite é a inflamação do peritônio, um tecido fino e transparente que reveste a parede interna do abdômen e recobre a maioria dos órgãos abdominais. Sua função é proteger e sustentar esses órgãos, além de facilitar seus movimentos.

Quando essa membrana inflama, geralmente por uma infecção bacteriana ou fúngica, a situação se torna uma emergência médica. Esta inflamação grave acontece quando bactérias invadem a cavidade abdominal, desencadeando a formação de pus e a rápida destruição dos tecidos. 

Frequentemente, a perfuração de órgãos abdominais é a origem dessa infecção, liberando bactérias no abdômen e tornando a peritonite uma condição ainda mais urgente. A infecção pode se espalhar rapidamente pela corrente sanguínea, levando a um quadro de sepse, uma resposta inflamatória sistêmica que pode causar falência de múltiplos órgãos e ser fatal.

Quais são as principais causas da peritonite secundária

A forma mais comum da doença é a peritonite secundária. Ela acontece quando bactérias ou fungos invadem o peritônio a partir de uma fonte de infecção dentro do abdômen. As causas mais frequentes estão ligadas a problemas em outros órgãos.

Perfuração de órgãos abdominais

A perfuração ou ruptura de um órgão é a causa mais prevalente. Quando isso acontece, o conteúdo desse órgão, rico em bactérias, vaza para a cavidade abdominal e contamina o peritônio. Exemplos incluem:

  • Apendicite supurada ou rota: a inflamação do apêndice é uma das principais causas, especialmente quando o diagnóstico e o tratamento demoram.
  • Úlcera gástrica ou duodenal perfurada: uma ferida aberta no estômago ou no início do intestino delgado pode se aprofundar até perfurar a parede do órgão.
  • Diverticulite complicada: a inflamação de pequenas bolsas na parede do intestino (divertículos) pode levar à formação de abscessos ou à perfuração.

Leia também: Quanto tempo leva para a gastrite se transformar em úlcera?

Complicações de doenças inflamatórias

Doenças que causam inflamação crônica no trato digestivo também aumentam o risco. Condições como a doença de Crohn podem enfraquecer a parede intestinal, tornando-a mais suscetível a perfurações e vazamentos.

Além disso, a pancreatite aguda grave, que é a inflamação do pâncreas, pode liberar enzimas digestivas na cavidade abdominal, causando uma intensa inflamação química que pode ser seguida por uma infecção bacteriana.

Procedimentos médicos e traumas

A peritonite também pode ser uma complicação de intervenções médicas ou lesões. As situações mais comuns são:

  • Diálise peritoneal: Pacientes com insuficiência renal que utilizam a diálise peritoneal podem desenvolver peritonite, que é uma inflamação grave e urgente. 

Essa complicação é frequentemente causada por infecções bacterianas ou fúngicas que danificam a membrana abdominal. Geralmente, ocorre se o cateter inserido no abdômen for contaminado durante as trocas, sendo uma das complicações mais sérias desse tratamento.

  • Cirurgias abdominais: embora raras, complicações pós-operatórias podem levar a vazamentos e infecções.
  • Trauma abdominal: lesões penetrantes, como ferimentos por arma de fogo ou faca, ou traumas contusos severos podem causar a ruptura de órgãos internos.

O que é a peritonite bacteriana espontânea (PBE)

Diferente da secundária, a peritonite bacteriana espontânea (PBE) ocorre sem uma perfuração ou fonte óbvia de infecção no abdômen. Ela é uma complicação grave e comum em pacientes com doença hepática avançada, como a cirrose.

Nesses casos, o paciente geralmente apresenta ascite, que é o acúmulo de líquido na cavidade abdominal. Acredita-se que bactérias do próprio intestino consigam atravessar a parede intestinal e contaminar esse líquido, desencadeando a inflamação do peritônio. A PBE também exige tratamento hospitalar urgente.

Quais são os sinais e sintomas de alerta

Os sintomas da peritonite costumam ser intensos e de início súbito. Reconhecê-los é fundamental para buscar ajuda rapidamente. Fique atento a:

  • Dor abdominal súbita, contínua e que piora com o toque ou movimento (até mesmo a tosse).
  • Sensibilidade e rigidez da parede abdominal ("barriga de tábua").
  • Febre alta e calafrios.
  • Inchaço ou distensão abdominal.
  • Náuseas e vômitos.
  • Perda de apetite.
  • Diminuição da produção de urina e sede intensa.

Como a peritonite é diagnosticada

O diagnóstico é baseado na avaliação clínica e em exames complementares. O médico realizará um exame físico detalhado, focando na sensibilidade abdominal. Para confirmar o quadro e identificar a causa, podem ser solicitados:

  • Exames de sangue: para verificar sinais de infecção, como o aumento do número de glóbulos brancos.
  • Exames de imagem: radiografias, ultrassonografia ou tomografia computadorizada do abdômen podem revelar ar livre na cavidade (sinal de perfuração) ou a fonte da inflamação.
  • Paracentese: em casos de ascite, uma amostra do líquido abdominal é retirada com uma agulha para análise laboratorial, buscando identificar a presença de bactérias.

Qual é o tratamento para a peritonite

O tratamento da peritonite é sempre hospitalar e focado em dois objetivos principais: combater a infecção e corrigir sua causa. A abordagem geralmente envolve:

  1. Antibióticos: administrados diretamente na veia para combater a infecção bacteriana de forma rápida e eficaz.
  2. Cirurgia: na maioria dos casos de peritonite secundária, a intervenção cirúrgica é necessária para remover o tecido infectado, lavar a cavidade abdominal e reparar a causa base, como suturar uma úlcera perfurada ou remover um apêndice inflamado.
  3. Cuidados de suporte: incluem hidratação venosa, controle da dor e monitoramento das funções vitais.

O sucesso do tratamento depende diretamente da rapidez com que ele é iniciado. A demora pode levar a complicações graves e aumentar significativamente o risco de mortalidade.

A peritonite pode ser prevenida

Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco. A principal forma de prevenção é o tratamento adequado e precoce das condições que podem causá-la. Isso inclui buscar avaliação médica para dores abdominais persistentes, seguir o tratamento para úlceras e doenças inflamatórias intestinais e, para pacientes em diálise peritoneal, manter uma higiene rigorosa durante o procedimento.

Quando procurar ajuda médica imediatamente

A peritonite é uma condição que não permite espera. Procure um serviço de emergência imediatamente se você ou alguém próximo apresentar:

  • Dor abdominal súbita, severa e que se espalha.
  • Abdômen rígido e muito sensível ao toque.
  • Febre alta acompanhada de dor abdominal.
  • Vômitos persistentes e incapacidade de se alimentar.

Agir rapidamente é o fator mais importante para um desfecho favorável e para evitar as complicações potencialmente fatais dessa grave condição abdominal.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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