O que causa peritonite: veja sintomas, tipos e quando buscar ajuda médica
Entenda por que uma dor súbita no abdômen pode indicar uma emergência médica e quais as suas principais origens.
Resumo
- A peritonite é a inflamação do peritônio, a membrana que reveste o abdômen, e é considerada uma emergência médica.
- A causa mais comum é a infecção bacteriana após a perfuração de um órgão abdominal, como em casos de apendicite ou úlcera.
- Existe também a peritonite bacteriana espontânea, que ocorre sem perfuração, associada a doenças como a cirrose hepática.
- Os sintomas de alerta incluem dor abdominal intensa e difusa, febre, náuseas, vômitos e inchaço na barriga.
- O tratamento exige hospitalização imediata, com uso de antibióticos e, frequentemente, cirurgia para corrigir a causa base.
Resuma este artigo com IA:
Acompanhe nossos conteúdos com prioridade no Google

Uma dor de barriga que começa de forma localizada e, em pouco tempo, se torna insuportável e generalizada, piorando com qualquer movimento. Esse cenário, que pode ser confundido com problemas digestivos comuns, é um dos principais sinais de alerta para a peritonite, uma condição séria que exige atenção médica imediata.
Gastroenterologistas são os especialistas indicados para esse tipo de quadro. A Rede Américas conta com médicos renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
O que é peritonite e por que é considerada uma emergência
A peritonite é a inflamação do peritônio, um tecido fino e transparente que reveste a parede interna do abdômen e recobre a maioria dos órgãos abdominais. Sua função é proteger e sustentar esses órgãos, além de facilitar seus movimentos.
Quando essa membrana inflama, geralmente por uma infecção bacteriana ou fúngica, a situação se torna uma emergência médica. Esta inflamação grave acontece quando bactérias invadem a cavidade abdominal, desencadeando a formação de pus e a rápida destruição dos tecidos.
Frequentemente, a perfuração de órgãos abdominais é a origem dessa infecção, liberando bactérias no abdômen e tornando a peritonite uma condição ainda mais urgente. A infecção pode se espalhar rapidamente pela corrente sanguínea, levando a um quadro de sepse, uma resposta inflamatória sistêmica que pode causar falência de múltiplos órgãos e ser fatal.
Quais são as principais causas da peritonite secundária
A forma mais comum da doença é a peritonite secundária. Ela acontece quando bactérias ou fungos invadem o peritônio a partir de uma fonte de infecção dentro do abdômen. As causas mais frequentes estão ligadas a problemas em outros órgãos.
Perfuração de órgãos abdominais
A perfuração ou ruptura de um órgão é a causa mais prevalente. Quando isso acontece, o conteúdo desse órgão, rico em bactérias, vaza para a cavidade abdominal e contamina o peritônio. Exemplos incluem:
- Apendicite supurada ou rota: a inflamação do apêndice é uma das principais causas, especialmente quando o diagnóstico e o tratamento demoram.
- Úlcera gástrica ou duodenal perfurada: uma ferida aberta no estômago ou no início do intestino delgado pode se aprofundar até perfurar a parede do órgão.
- Diverticulite complicada: a inflamação de pequenas bolsas na parede do intestino (divertículos) pode levar à formação de abscessos ou à perfuração.
Leia também: Quanto tempo leva para a gastrite se transformar em úlcera?
Complicações de doenças inflamatórias
Doenças que causam inflamação crônica no trato digestivo também aumentam o risco. Condições como a doença de Crohn podem enfraquecer a parede intestinal, tornando-a mais suscetível a perfurações e vazamentos.
Além disso, a pancreatite aguda grave, que é a inflamação do pâncreas, pode liberar enzimas digestivas na cavidade abdominal, causando uma intensa inflamação química que pode ser seguida por uma infecção bacteriana.
Procedimentos médicos e traumas
A peritonite também pode ser uma complicação de intervenções médicas ou lesões. As situações mais comuns são:
- Diálise peritoneal: Pacientes com insuficiência renal que utilizam a diálise peritoneal podem desenvolver peritonite, que é uma inflamação grave e urgente.
Essa complicação é frequentemente causada por infecções bacterianas ou fúngicas que danificam a membrana abdominal. Geralmente, ocorre se o cateter inserido no abdômen for contaminado durante as trocas, sendo uma das complicações mais sérias desse tratamento.
- Cirurgias abdominais: embora raras, complicações pós-operatórias podem levar a vazamentos e infecções.
- Trauma abdominal: lesões penetrantes, como ferimentos por arma de fogo ou faca, ou traumas contusos severos podem causar a ruptura de órgãos internos.
O que é a peritonite bacteriana espontânea (PBE)
Diferente da secundária, a peritonite bacteriana espontânea (PBE) ocorre sem uma perfuração ou fonte óbvia de infecção no abdômen. Ela é uma complicação grave e comum em pacientes com doença hepática avançada, como a cirrose.
Nesses casos, o paciente geralmente apresenta ascite, que é o acúmulo de líquido na cavidade abdominal. Acredita-se que bactérias do próprio intestino consigam atravessar a parede intestinal e contaminar esse líquido, desencadeando a inflamação do peritônio. A PBE também exige tratamento hospitalar urgente.
Quais são os sinais e sintomas de alerta
Os sintomas da peritonite costumam ser intensos e de início súbito. Reconhecê-los é fundamental para buscar ajuda rapidamente. Fique atento a:
- Dor abdominal súbita, contínua e que piora com o toque ou movimento (até mesmo a tosse).
- Sensibilidade e rigidez da parede abdominal ("barriga de tábua").
- Febre alta e calafrios.
- Inchaço ou distensão abdominal.
- Náuseas e vômitos.
- Perda de apetite.
- Diminuição da produção de urina e sede intensa.
Como a peritonite é diagnosticada
O diagnóstico é baseado na avaliação clínica e em exames complementares. O médico realizará um exame físico detalhado, focando na sensibilidade abdominal. Para confirmar o quadro e identificar a causa, podem ser solicitados:
- Exames de sangue: para verificar sinais de infecção, como o aumento do número de glóbulos brancos.
- Exames de imagem: radiografias, ultrassonografia ou tomografia computadorizada do abdômen podem revelar ar livre na cavidade (sinal de perfuração) ou a fonte da inflamação.
- Paracentese: em casos de ascite, uma amostra do líquido abdominal é retirada com uma agulha para análise laboratorial, buscando identificar a presença de bactérias.
Qual é o tratamento para a peritonite
O tratamento da peritonite é sempre hospitalar e focado em dois objetivos principais: combater a infecção e corrigir sua causa. A abordagem geralmente envolve:
- Antibióticos: administrados diretamente na veia para combater a infecção bacteriana de forma rápida e eficaz.
- Cirurgia: na maioria dos casos de peritonite secundária, a intervenção cirúrgica é necessária para remover o tecido infectado, lavar a cavidade abdominal e reparar a causa base, como suturar uma úlcera perfurada ou remover um apêndice inflamado.
- Cuidados de suporte: incluem hidratação venosa, controle da dor e monitoramento das funções vitais.
O sucesso do tratamento depende diretamente da rapidez com que ele é iniciado. A demora pode levar a complicações graves e aumentar significativamente o risco de mortalidade.
A peritonite pode ser prevenida
Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco. A principal forma de prevenção é o tratamento adequado e precoce das condições que podem causá-la. Isso inclui buscar avaliação médica para dores abdominais persistentes, seguir o tratamento para úlceras e doenças inflamatórias intestinais e, para pacientes em diálise peritoneal, manter uma higiene rigorosa durante o procedimento.
Quando procurar ajuda médica imediatamente
A peritonite é uma condição que não permite espera. Procure um serviço de emergência imediatamente se você ou alguém próximo apresentar:
- Dor abdominal súbita, severa e que se espalha.
- Abdômen rígido e muito sensível ao toque.
- Febre alta acompanhada de dor abdominal.
- Vômitos persistentes e incapacidade de se alimentar.
Agir rapidamente é o fator mais importante para um desfecho favorável e para evitar as complicações potencialmente fatais dessa grave condição abdominal.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
- FUKUI, S. et al. Peritoneal expression of membrane complement regulators is decreased in peritoneal dialysis patients with infected peritonitis. International Journal of Molecular Sciences, Basel, v. 24, n. 11, p. 9146, maio 2023. Disponível: https://www.mdpi.com/1422-0067/24/11/9146. Acesso em: 17 jun. 2026.
- KAMEGAI, N. et al. Complement terminal pathway inhibition reduces peritoneal injuries in a rat peritonitis model. Clinical and Experimental Immunology, [s. l.], ago. 2023. Disponível: https://academic.oup.com/cei/article/214/2/209/7238379. Acesso em: 17 jun. 2026.
- NGUYEN, M. et al. Intra-abdominal lipopolysaccharide clearance and inactivation in peritonitis: key roles for lipoproteins and the phospholipid transfer protein. Frontiers in Immunology, [S. l.], maio 2021. Disponível: https://www.frontiersin.org/journals/immunology/articles/10.3389/fimmu.2021.622935/full. Acesso em: 17 jun. 2026.
- YAKYMENKO, O. et al. Macroscopic and histopathological features of acute peritoneal infection in diabetic and euglycemic Wistar rats. Pediatric Endocrinology, Diabetes, and Metabolism, [S. l.], jan. 2022. Disponível: https://www.termedia.pl/Macroscopic-and-histopathological-features-of-acute-peritoneal-infection-r-nin-diabetic-and-euglycemic-Wistar-rats,138,46149,0,1.html. Acesso em: 17 jun. 2026.
- ZHANG, Y. et al. PPAR-γ agonist rosiglitazone ameliorates peritoneal deterioration in peritoneal dialysis rats with LPS-induced peritonitis through up-regulation of AQP-1 and ZO-1. Bioscience Reports, [s. l.], jun. 2018. Disponível: https://portlandpress.com/bioscirep/article/38/3/BSR20180009/57923/PPAR-agonist-rosiglitazone-ameliorates-peritoneal. Acesso em: 17 jun. 2026.






