Saiba como interpretar os resultados do seu exame de sangue e entenda por que os valores ideais mudam conforme o perfil de saúde de cada paciente.
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Você abre o aplicativo do laboratório ou desdobra o papel impresso com os resultados do seu exame de sangue recente. Os olhos vão direto para a seção do perfil lipídico, buscando os números associados ao colesterol. É comum sentir dúvida ao tentar decifrar se os valores representam algum risco à saúde ou se está tudo sob controle.
O perfil lipídico mede a quantidade de gordura circulante no sangue, expressa em miligramas por decilitro (mg/dL). Esses lipídios são fundamentais para a produção de hormônios e a formação das células. Fatores como genética, idade e sexo influenciam diretamente as taxas de colesterol e glicose no organismo. O excesso de algumas gorduras, no entanto, favorece o acúmulo de placas nas artérias.
Compreender os números do laudo exige observar mais do que apenas o colesterol total. O exame divide a gordura em frações, conhecidas popularmente como colesterol bom, ruim e triglicerídeos. Cada uma delas possui diretrizes específicas estabelecidas por sociedades médicas para nortear o diagnóstico.
O colesterol total representa a soma de todas as frações de gordura presentes na corrente sanguínea. Durante muitos anos, esse foi o principal indicador avaliado nos consultórios. Em análises clínicas, um nível abaixo de 5,20 mmol/l (equivalente a 200 mg/dL) é usado como referência saudável. Hoje, entende-se que esse número é apenas o ponto de partida para avaliar o coração.
Para adultos saudáveis, os valores de referência seguem um padrão claro na maioria dos laboratórios clínicos. Veja a classificação geral:
Muitas pessoas se assustam ao ver um colesterol total acima de 200 mg/dL no laudo. Estar acima dessa marca aumenta o risco de desenvolver problemas cardíacos graves, como a doença cardíaca isquêmica. Contudo, um valor elevado pode acontecer quando a fração do colesterol bom (HDL) está alta. Por isso, é indispensável analisar as outras métricas do exame.
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O LDL é a lipoproteína de baixa densidade, responsável por transportar o colesterol do fígado para as células. Ele recebe o apelido de colesterol ruim porque, em excesso, deposita-se nas paredes das artérias. Esse acúmulo contínuo causa a aterosclerose, condição que aumenta as chances de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
A interpretação do LDL não possui um valor único universal. Níveis considerados adequados variam conforme a idade e o histórico de saúde de cada pessoa, exigindo metas personalizadas. Quanto maior a probabilidade de desenvolver problemas no coração, mais baixo deve ser o nível dessa gordura no sangue.
Os médicos calculam o risco cardiovascular baseados em fatores como idade, histórico familiar, tabagismo, pressão alta e presença de diabetes. Com essa avaliação, o especialista estabelece limites individuais para proteger a saúde cardiovascular. Os alvos terapêuticos geralmente se dividem da seguinte forma:
Portanto, um LDL de 110 mg/dL pode ser adequado para um adulto jovem e ativo, mas inadequado para um paciente diabético com histórico cardíaco.
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O HDL atua como um limpador do sistema circulatório. Essa lipoproteína de alta densidade recolhe o excesso de colesterol das artérias e o devolve ao fígado para eliminação. Manter o HDL elevado ajuda a proteger os vasos sanguíneos contra a formação de placas de gordura.
Diferente do LDL, o objetivo aqui é manter os números elevados. Os valores recomendados apresentam variação entre os sexos devido a fatores hormonais.
Resultados abaixo desses limites indicam menor proteção contra o acúmulo de gorduras ruins nas artérias. Praticar exercícios físicos regularmente e reduzir o consumo de gorduras trans são atitudes que auxiliam na elevação dessa fração.
Alguns laudos laboratoriais incluem siglas adicionais que costumam gerar dúvidas. O VLDL é a lipoproteína de densidade muito baixa, ligada ao transporte de triglicerídeos. O valor normal do VLDL costuma ser abaixo de 30 mg/dL. Níveis elevados nessa métrica costumam estar associados a dietas com excesso de carboidratos refinados e açúcares.
O colesterol não-HDL é calculado subtraindo o valor do HDL (o bom) do colesterol total. O resultado representa todas as frações de colesterol que podem causar danos às artérias. A meta do não-HDL deve ser 30 mg/dL acima da meta estipulada para o seu LDL. Esse indicador é muito utilizado por médicos para ajustar o tratamento de quem tem triglicerídeos elevados.
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A alteração das gorduras no sangue também pode afetar os mais jovens. As faixas de referência e metas terapêuticas em crianças precisam levar em conta a idade e o histórico familiar para garantir proteção adequada. Para pacientes de 2 a 19 anos, as taxas recomendadas costumam ser mais rigorosas.
Nessa faixa etária, o cenário ideal exige que o colesterol total fique abaixo de 170 mg/dL. O LDL deve se manter inferior a 110 mg/dL, enquanto o HDL precisa estar acima de 45 mg/dL.
Caso os exames do jovem apontem números elevados, o médico deve investigar a família. Essa avaliação ajuda a identificar condições genéticas como a hipercolesterolemia familiar, que eleva o colesterol desde os primeiros anos de vida.
Receber um laudo com valores fora da faixa exige acompanhamento e orientação profissional. O diagnóstico preciso depende de uma consulta detalhada. O profissional de saúde avaliará os dados do exame junto com seu estilo de vida, pressão arterial e idade.
As primeiras orientações costumam focar em mudanças na rotina diária. Adoção de alimentação equilibrada, rica em fibras e gorduras boas, aliada à prática regular de atividades físicas, traz ótimos resultados. Quando necessário, o médico prescreverá medicamentos específicos para ajustar o perfil de gorduras e proteger a saúde.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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