Entenda por que este antibiótico é parte do tratamento, mas por que usá-lo sozinho pode não curar a infecção e agravar o problema
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Você nota um desconforto ao urinar e uma secreção incomum. A preocupação com uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) como a gonorreia surge imediatamente, e a primeira ideia pode ser buscar uma solução rápida, como um antibiótico conhecido. A azitromicina é frequentemente lembrada, mas a questão é mais complexa do que parece.
O tratamento da gonorreia passou por mudanças importantes nos últimos anos. O aumento da resistência bacteriana tornou algumas abordagens menos eficazes, exigindo outros protocolos terapêuticos para garantir a eliminação da infecção e evitar complicações. Não coloque sua saúde em risco com a automedicação. Marque uma avaliação médica na Rede Américas.
A gonorreia é uma IST causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Ela pode infectar o trato genital, a garganta e o reto tanto de homens quanto de mulheres. A gonorreia costuma ser assintomática, principalmente em mulheres, o que facilita sua disseminação.
Quando os sintomas aparecem, eles geralmente incluem:
Se não tratada, a gonorreia pode levar a complicações sérias, como doença inflamatória pélvica (DIP) em mulheres e epididimite em homens, ambas podendo causar infertilidade.
Leia também: Gonorreia em mulher: sintomas, complicações e tratamento
A azitromicina pertence a uma classe de antibióticos que já foi eficaz contra a bactéria da gonorreia. Mas o uso disseminado e muitas vezes inadequado do medicamento levou a um grave problema: a resistência bacteriana.
Atualmente, o uso isolado da azitromicina não funciona mais para gonorreia devido à forte resistência desenvolvida pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, de acordo com estudo divulgado na Pathogens, em 2022.
Por essa razão, utilizá-la como único medicamento para tratar a infecção tem uma alta probabilidade de falha terapêutica. Isso significa que os sintomas podem até desaparecer temporariamente, mas a bactéria não é eliminada, retornando mais forte depois.
O fármaco é eficaz para tratar a coinfecção por clamídia, mas é raramente usada sozinha contra a gonorreia, considerando o alto risco de resistência bacteriana. O tratamento antibiótico combinado é fundamental para curar a inflamação causada tanto pela gonorreia quanto pela clamídia.
Diante do cenário de resistência, o Ministério da Saúde do Brasil estabeleceu novos protocolos. A recomendação padrão-ouro para a gonorreia não complicada é a terapia dupla. Esse tratamento consiste em:
A lógica por trás dessa combinação é dupla. Primeiro, a ceftriaxona ataca a gonorreia de forma direta e potente. Segundo, a azitromicina ajuda a combater qualquer resistência inicial, tratando uma possível coinfecção por clamídia, outra IST muito comum que frequentemente ocorre junto com a gonorreia e que responde bem à azitromicina.
Nesta abordagem atual o uso da amoxicilina para gonorreia não é recomendado, já que o patógeno desenvolveu resistência a esse tipo de antibioticoterapia.
A resistência bacteriana ocorre quando as bactérias se modificam de forma a reduzir ou eliminar a eficácia dos antibióticos. Isso é um processo natural, mas acelerado pelo uso excessivo e incorreto desses medicamentos.
No caso da gonorreia, o fenômeno deu origem ao termo "supergonorreia", que se refere a cepas da bactéria resistentes a múltiplos antibióticos. O tratamento é extremamente desafiador. Tomar azitromicina por conta própria, sem a associação correta, não apenas falha em curar a infecção como também contribui para fortalecer ainda mais o microrganismo.
A automedicação é o caminho mais arriscado. A única conduta segura e eficaz é procurar atendimento médico. Um profissional de saúde, como um urologista, ginecologista ou infectologista, poderá realizar o diagnóstico correto da infecção, que pode incluir exames laboratoriais para confirmar a infecção e descartar outras ISTs.
O médico prescreverá o tratamento adequado, que hoje é a terapia dupla. Além disso, é fundamental que todas as parcerias sexuais recentes também sejam informadas, testadas e tratadas, mesmo que não apresentem sintomas, para quebrar o ciclo de transmissão.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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