A acrilamida pode se formar em alimentos preparados em altas temperaturas; classificada como provavelmente cancerígena pela OMS, é estudada pelos possíveis riscos à saúde
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A acrilamida pode representar um risco para a saúde das pessoas quando existe exposição frequente a níveis altos desse composto químico, que é formado em alimentos preparados em altas temperaturas.
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica a acrilamida como provavelmente cancerígena para humanos, principalmente com base em estudos feitos com animais.
A substância é gerada durante uma reação química entre açúcares e um aminoácido presente nos alimentos. Esse processo, chamado de reação de Maillard, também é responsável pela cor e pelo sabor de alimentos fritos, assados e torrados.
Nutrólogos são os médicos que podem auxiliar pacientes que têm dúvidas sobre o consumo e o preparo de alimentos. A Rede Américas conta com profissionais renomados atendendo em vários hospitais do País.
A acrilamida não é um ingrediente adicionado aos alimentos pela indústria. Ela é uma substância que se forma naturalmente durante o preparo de alguns pratos em altas temperaturas por meio de uma reação química chamada reação de Maillard.
Esse processo acontece quando a asparagina, um aminoácido presente nos alimentos, entra em contato com açúcares e é aquecida. Alimentos como batatas e grãos podem passar por esse processo durante métodos de preparo como fritura, assamento e torra.
Quanto maior a temperatura e o tempo de cozimento, maior pode ser a formação de acrilamida. Por isso, alimentos mais escuros ou queimados costumam apresentar concentrações mais altas da substância.
A acrilamida é formada principalmente em alimentos de origem vegetal ricos em carboidratos que foram preparados em altas temperaturas. Sendo assim, os principais grupos incluem:
É importante saber que o cozimento em água ou no vapor não forma acrilamida, pois esses métodos usam temperaturas mais baixas, que não favorecem a reação responsável pela produção do composto químico.
A principal preocupação relacionada à acrilamida é o seu potencial cancerígeno. Como a substância pode se formar em alimentos durante a fritura, o assamento ou a torra, a recomendação é evitar a exposição frequente a grandes quantidades da substância.
Um estudo publicado na revista científica Food and Chemical Toxicology avaliou os efeitos da exposição prolongada à acrilamida em ratos e camundongos. A pesquisa identificou aumento de tumores em vários órgãos dos animais depois do contato com doses altas.
Com base em evidências como essas, a IARC, uma agência de pesquisa ligada à OMS, classificou a acrilamida no Grupo 2A, como “provavelmente carcinogênica para humanos”, o que indica que há indícios de risco à saúde.
A classificação “provavelmente carcinogênica” significa que existem evidências de que a acrilamida pode causar câncer em estudos com animais, mas os resultados em humanos ainda são limitados ou não apresentam uma conclusão definitiva.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanha o tema e segue orientações de órgãos internacionais, com recomendações para reduzir a exposição à substância, com o desafio de medir a quantidade de acrilamida consumida por uma pessoa ao longo da vida.
Como a substância pode estar presente em diferentes alimentos e variar conforme o preparo, a orientação geral é adotar hábitos que reduzam sua formação durante o cozimento, como evitar temperaturas muito altas e alimentos queimados.
Enquanto isso, os estudos feitos em humanos apresentam resultados diferentes. Uma pesquisa que acompanhou mais de 85 mil adultos não encontrou relação entre o consumo diário de acrilamida e cânceres no sangue.
Outro estudo também não identificou associação direta entre a ingestão da substância e o risco de câncer de próstata. Por outro lado, algumas pesquisas apontam uma possível relação entre a acrilamida e o câncer de ovário, mas essa associação ainda é investigada.
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) aponta que as crianças podem ter uma exposição maior à acrilamida quando a quantidade da substância é comparada ao peso corporal, já que os alimentos que podem conter acrilamida, como batatas fritas e biscoitos, fazem parte da alimentação de muitos pequenos.
A redução da exposição à acrilamida não significa eliminar totalmente alimentos presentes na rotina, mas adotar formas de preparo que diminuam a formação da substância, como:
Essas medidas ajudam a reduzir a formação de acrilamida, mas não impedem completamente a presença da substância nos alimentos. A quantidade formada varia conforme o tipo de alimento, os ingredientes usados e a forma de preparo.
Antes de fritar ou assar batatas cortadas, deixá-las de molho em água por 15 a 30 minutos pode ajudar a reduzir a formação de acrilamida. Esse processo remove parte dos açúcares presentes na superfície da batata, que participam da formação da substância no preparo.
A fritadeira elétrica sem óleo também usa altas temperaturas e pode favorecer a formação de acrilamida. Para reduzir essa possibilidade, o cesto deve ser preenchido sem excesso, mantendo os alimentos em uma só camada para que o calor seja distribuído uniforme.
Durante o preparo, também é recomendado pausar o processo para virar ou agitar os alimentos, evitando que algumas partes fiquem muito escuras. Outra medida é ajustar a temperatura, optando por valores mais baixos e aumentando o tempo de preparo.
A exposição à acrilamida por meio dos alimentos faz parte da rotina de muitas pessoas e, em geral, não indica a necessidade de uma avaliação médica. A orientação profissional pode ser importante em casos de dúvidas ou necessidades individuais de saúde.
Pessoas com doenças crônicas, alterações nutricionais ou restrições alimentares podem se beneficiar do acompanhamento de um profissional de saúde. Nesse sentido, nutrólogos e nutricionistas podem orientar escolhas alimentares adequadas para cada situação.
A prevenção da exposição à acrilamida está relacionada principalmente aos hábitos de preparo e à variedade na alimentação. Assim, a adoção de algumas na cozinha já são suficientes para ajudar a reduzir a formação da substância nos alimentos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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