A acrilamida surge do calor em comidas como pão e batata frita; fritar, assar e torrar favorecem a formação da substância
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O cheiro de pão quentinho na torradeira ou daquela porção de batatas fritas douradas no almoço de domingo é quase um abraço. Essa cor e aroma tão característicos vêm de um processo químico chamado Reação de Maillard. O que pouca gente sabe é que essa mesma reação, sob certas condições, pode dar origem a uma substância chamada acrilamida.
A acrilamida se forma ao cozinhar alimentos ricos em amido sob altas temperaturas, como as batatas fritas. A substância pode gerar riscos de neurotoxicidade, afetando o sistema nervoso, e também está associada ao câncer, conforme aponta a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
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A reação de Maillard é um fenômeno químico complexo que ocorre entre aminoácidos e açúcares redutores quando aquecidos. Ela é a responsável pela cor dourada, pelo sabor e pelo aroma de "tostado" em uma vasta gama de alimentos, desde o pão assado e a carne grelhada até o café torrado.
É essa reação que torna a comida mais apetitosa. Mas, quando o aminoácido específico asparagina (presente naturalmente em alimentos como batata e trigo) reage com açúcares em alta temperatura, um dos subprodutos formados é a acrilamida.
Esta formação ocorre principalmente ao fritar ou assar alimentos sob altas temperaturas, trazendo potenciais riscos à saúde.
Para que a acrilamida se forme, três elementos principais precisam estar presentes durante o preparo do alimento. A ausência ou baixa quantidade de um deles já diminui o risco. Veja abaixo:
A acrilamida se forma acima de 120 °C pela reação de Maillard em alimentos ricos em carboidratos fritos ou assados, como os pães. É por isso que uma torrada mais escura ou uma batata frita mais amarronzada contêm níveis mais elevados da substância do que suas versões apenas douradas.
Assim, reduzir o tempo e a temperatura de cozimento é uma forma eficaz de diminuir os riscos à saúde. Métodos de cozimento que utilizam calor seco, como fritar, assar e grelhar, são os que mais favorecem essa reação. Em contrapartida, ferver ou cozinhar no vapor não costumam gerar acrilamida, pois a água limita a temperatura a 100 °C.
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A substância pode se formar em uma variedade de alimentos de origem vegetal ricos em carboidratos e asparagina. Os grupos mais comuns incluem:
De acordo com o Anvisa a acrilamida pode trazer efeitos nocivos à saúde, tendo um potencial de causar câncer e danos neurológicos. O órgão classifica a substância como "provavelmente carcinogênica para humanos" (Grupo 2A).
As crianças são consideradas o grupo de maior risco. O grupo 2A também é composto pela carne vermelha e cafeína. Essa classificação indica que há evidências suficientes em animais, mas limitadas ou inconclusivas em seres humanos.
Ainda assim, a Anvisa recomenda precaução. A orientação é adotar práticas para minimizar a exposição, já que não há um nível de consumo considerado totalmente seguro.
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A boa notícia é que pequenas mudanças nos hábitos de preparo dos alimentos podem fazer uma grande diferença. O objetivo não é eliminar, mas reduzir a formação da substância. Confira:
A fritadeira elétrica (air fryer) funciona com circulação de ar muito quente, um método de calor seco. As mesmas regras se aplicam: evite temperaturas excessivamente altas e tempos prolongados de cozimento.
Agite a cesta algumas vezes durante o processo para garantir um cozimento uniforme e busque sempre a cor dourada, nunca a marrom.
Adotar essas práticas é uma forma de equilibrar o prazer de comer alimentos saborosos e crocantes com o cuidado com a saúde a longo prazo. Conhecimento é a melhor ferramenta para uma alimentação mais segura e consciente.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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