Receber um resultado de exame com um valor alterado pode gerar preocupação, mas nem sempre indica um problema grave. Saiba mais.
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Receber o resultado de um hemograma e encontrar um asterisco ao lado da contagem de plaquetas costuma gerar preocupação. Ao perceber que o valor está acima do intervalo de referência, é comum surgir uma série de dúvidas: isso é grave? Pode ser um sinal de câncer? Preciso começar um tratamento imediatamente?
Na maioria das vezes ele representa apenas uma resposta temporária do organismo a situações como infecções, inflamações, deficiência de ferro ou recuperação após uma cirurgia. Mas às vezes o aumento das plaquetas pode estar relacionado a doenças que exigem acompanhamento especializado.
As plaquetas desempenham um papel essencial na coagulação do sangue e na cicatrização dos tecidos. Quando sua quantidade aumenta, esse achado laboratorial recebe o nome de trombocitose, uma condição que pode ter diferentes causas e significados clínicos.
Por isso, interpretar esse resultado de forma isolada pode levar a conclusões equivocadas. O valor das plaquetas precisa ser analisado em conjunto com os sintomas, o histórico de saúde e outros exames laboratoriais para identificar a origem da alteração. Um resultado alterado no hemograma merece avaliação individualizada. Marque uma consulta na Rede Américas com um especialista.
As plaquetas, também conhecidas como trombócitos, são pequenos fragmentos de células produzidos na medula óssea. Elas circulam no sangue e têm um papel central na coagulação. Quando um vaso sanguíneo é lesionado, elas se agrupam no local para formar um tampão inicial, estancando o sangramento e iniciando o processo de cicatrização.
Os valores de referência para a contagem de plaquetas podem variar um pouco entre laboratórios, mas geralmente situam-se entre 140.000 e 400.000 por microlitro (µL) de sangue, de acordo com estudo publicado na Revista Brasileira de Análises Clínicas (2019). Um resultado acima desse limite caracteriza a trombocitose.
O aumento no número de plaquetas pode ser dividido em duas categorias principais, sendo uma delas muito mais comum que a outra. Entender essa diferença é o primeiro passo para direcionar a investigação.
Este é o cenário mais frequente. Aqui, a medula óssea funciona normalmente, mas aumenta a produção de plaquetas como uma resposta (reação) a outra condição no organismo. É um mecanismo de defesa ou compensação do corpo.
Geralmente, o aumento indica apenas uma reação temporária do corpo a situações como infecções, inflamações comuns ou cirurgias recentes, normalizando-se após a recuperação. É importante ressaltar que esse aumento de plaquetas geralmente não significa um diagnóstico de gravidade imediata e pode ser apenas uma resposta natural do organismo.
As principais causas reativas incluem:
Quadros agudos causados por vírus ou bactérias, como pneumonia, infecções urinárias ou mesmo uma gripe forte, podem elevar temporariamente as plaquetas.
A falta de ferro é uma das causas mais comuns de trombocitose reativa. O organismo tenta compensar a anemia estimulando a medula óssea. A deficiência é uma das condições que podem levar ao aumento de plaquetas como uma reação natural do corpo.
Doenças crônicas como artrite reumatoide, doença de Crohn ou retocolite ulcerativa mantêm o corpo em um estado inflamatório, o que pode aumentar aos trombócitos. O aumento muitas vezes reflete a inflamação presente no corpo, e não significa um diagnóstico grave por si só.
Depois de uma hemorragia ou de um procedimento cirúrgico, o corpo aumenta a produção para auxiliar na recuperação e prevenir novos sangramentos. Nesses casos, a elevação das plaquetas é vista como uma resposta temporária do organismo e tende a se resolver com a cicatrização e recuperação.
O baço é responsável por remover plaquetas mais velhas da circulação. Sem ele, a contagem tende a aumentar.
De forma bem menos comum, o problema pode estar na própria "fábrica" do sangue. Na trombocitemia essencial, uma mutação nas células da medula óssea faz com que ela produza plaquetas de forma descontrolada e excessiva, sem nenhum outro estímulo externo.
Esta condição faz parte de um grupo de doenças chamadas neoplasias mieloproliferativas e exige o acompanhamento de um hematologista para controle e prevenção de complicações, como a trombose.
Na maioria dos casos, sobretudo na trombocitose reativa, não há nenhum sintoma e a descoberta ocorre por acaso em um hemograma de rotina. Os sintomas, quando presentes, costumam aparecer em contagens muito elevadas e estão ligados ao risco aumentado de formação de coágulos.
Alguns sinais de alerta podem incluir:
Não existe um número mágico. A preocupação do médico não está apenas no valor absoluto, mas sim no contexto clínico do paciente. Um aumento discreto em alguém com uma infecção ativa é esperado e tende a se normalizar após a resolução do quadro.
Contudo, contagens persistentemente elevadas ou valores muito altos, exigem uma investigação mais aprofundada para descartar condições primárias da medula óssea. A avaliação médica é indispensável para interpretar o resultado corretamente.
Alguns tipos de câncer podem causar um aumento reativo dos trombócitos como parte da resposta inflamatória do corpo à doença. Por exemplo, em casos de câncer de endométrio, o aumento de plaquetas antes do tratamento tem sido observado com relevância clínica e prognóstica, de acordo com pesquisa publicada no Cancer Management and Research (2019).
Além disso, as já mencionadas neoplasias mieloproliferativas, como a trombocitemia essencial, são consideradas um tipo de câncer do sangue. Apesar disso, é fundamental reforçar que o câncer não é a causa mais comum de plaquetas altas.
Condições benignas como anemia ferropriva e infecções são muito mais frequentes, por isso não se deve presumir o pior diagnóstico antes de uma investigação médica completa.
Se o seu hemograma mostrou plaquetas altas, o próximo passo é levar o resultado a um clínico geral ou hematologista. O profissional geralmente costuma fazer a seguinte investigação:
Caso a trombocitose persista e as causas reativas sejam descartadas, uma investigação mais específica pode ser necessária. Ela pode incluir testes genéticos e até mesmo uma biópsia.
O tratamento depende inteiramente da causa. O foco é sempre corrigir o problema de base, não apenas baixar o número de plaquetas.
O resultado é um ponto de partida para uma investigação, e não um diagnóstico final. A colaboração com seu médico é essencial para esclarecer o quadro com segurança e tranquilidade.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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