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Tratamentos para Alzheimer: o que realmente retarda a doença?

Lidar com o diagnóstico de Alzheimer é uma jornada complexa para pacientes e familiares. Entender as opções de tratamento é o primeiro passo

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A chave que some de novo. A palavra que foge no meio da frase ou o esquecimento de um evento importante recente. Para muitas famílias, esses são os primeiros sinais que acendem o alerta para a Doença de Alzheimer. 

Receber o diagnóstico é um momento de grande impacto, mas é fundamental saber que existem caminhos para gerenciar a condição e preservar a funcionalidade pelo maior tempo possível. 

Para um diagnóstico preciso, é essencial que a presença dos biomarcadores da doença seja acompanhada por manifestações clínicas, ou seja, sintomas cognitivos perceptíveis. A simples detecção de biomarcadores, sem sintomas claros, não confirma o desenvolvimento da condição, reforçando a importância de uma avaliação clínica completa.

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Quais são os principais objetivos dos tratamentos para Alzheimer?

Como ainda não existe uma cura definitiva para a Doença de Alzheimer, toda a estratégia terapêutica se concentra em metas realistas e focadas no bem-estar do paciente. 

A abordagem é sempre individualizada, considerando a fase da doença, os sintomas predominantes e o estado geral de saúde da pessoa. Os principais pilares do tratamento são:

  • Retardar a progressão dos sintomas: especialmente os cognitivos, como perda de memória, dificuldade de raciocínio e desorientação.
  • Manter a autonomia e a qualidade de vida: permitir que o paciente realize suas atividades diárias com independência pelo maior tempo possível.
  • Gerenciar alterações de comportamento: controlar sintomas como agitação, agressividade, insônia e depressão, que são comuns em fases mais avançadas.
     

Leia também: Primeiros sintomas de Alzheimer: quando o esquecimento vira um alerta? 

Quais são os tratamentos medicamentosos disponíveis?

A terapia farmacológica é uma das principais ferramentas nos tratamentos do Alzheimer. Os medicamentos atuam para corrigir desequilíbrios químicos no cérebro causados pela doença, ajudando a melhorar a comunicação entre os neurônios. É essencial que a prescrição e o acompanhamento sejam feitos por um médico especialista, como um neurologista ou geriatra.

Medicamentos para as fases leve a moderada: inibidores da colinesterase

Esta classe de medicamentos, que inclui a donepezila, a rivastigmina e a galantamina, age aumentando os níveis de acetilcolina no cérebro. A acetilcolina é um neurotransmissor para a memória e o aprendizado. 

Ao preservar sua disponibilidade, esses fármacos ajudam a estabilizar ou a retardar o declínio das funções cognitivas. É importante destacar que os inibidores de colinesterase são uma das poucas terapias medicamentosas com eficácia comprovada no tratamento da doença de Alzheimer. 

Eles atuam especificamente para aumentar a disponibilidade dessa substância química cerebral vital para a memória, auxiliando no manejo dos sintomas cognitivos.

Medicamentos para as fases moderada a grave: antagonistas de NMDA

A memantina pertence a essa classe de medicamentos. Ela funciona de maneira diferente, regulando a atividade do glutamato, outro neurotransmissor importante.

Em pacientes com Alzheimer, o excesso de glutamato pode danificar as células cerebrais. A memantina ajuda a proteger os neurônios desse dano, sendo frequentemente utilizada em combinação com os inibidores da colinesterase nas fases mais avançadas.

Novas terapias: os anticorpos monoclonais

A pesquisa científica tem avançado rapidamente, trazendo novas esperanças. Medicamentos biológicos, como o lecanemab e o donanemab, representam uma nova fronteira no tratamento. Eles são anticorpos projetados para remover as placas de proteína beta-amiloide do cérebro, uma das marcas patológicas do Alzheimer. 

Estudo publicado no Brain, em outubro de 2022, indica que seu uso, principalmente em fases iniciais, pode retardar a progressão da doença de forma significativa. A disponibilidade e indicação desses tratamentos devem ser discutidas com a equipe médica.

É relevante notar que, apesar das diferentes apresentações, esse mesmo trabalho mostra que as formas raras e as formas mais comuns da doença de Alzheimer compartilham mecanismos biológicos fundamentais. 

Essa compreensão é fundamental, pois significa que os avanços e as novas descobertas em tratamentos têm o potencial de beneficiar a grande maioria dos pacientes afetados pela condição.

No horizonte da pesquisa, a farmacologia de precisão surge como uma tendência promissora para os tratamentos do Alzheimer. Essa abordagem busca identificar o medicamento ideal para cada paciente, o que pode aumentar a eficácia do tratamento, minimizar efeitos colaterais e tornar a terapia mais segura e personalizada. 

Além disso, o entendimento detalhado de como o estresse oxidativo afeta o cérebro é visto como importante para o desenvolvimento de novas estratégias farmacológicas capazes de retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Controle de sintomas comportamentais e psicológicos

Conforme a doença avança, é comum o surgimento de sintomas como depressão, ansiedade, agitação e delírios. 

Para esses casos, o médico pode prescrever, de forma criteriosa e por tempo limitado, antidepressivos, ansiolíticos ou antipsicóticos para garantir o conforto e a segurança do paciente e dos cuidadores.

O tratamento para Alzheimer está disponível no SUS?

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para a Doença de Alzheimer por meio do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). O protocolo inclui a dispensação gratuita de medicamentos essenciais, como:

  • Donepezila
  • Rivastigmina
  • Galantamina
  • Memantina

Para ter acesso, o paciente precisa ter o diagnóstico confirmado e receber a prescrição de um médico da rede pública ou de um serviço conveniado, seguindo os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

E as terapias não medicamentosas, qual o seu papel?

O tratamento vai muito além dos remédios. As abordagens não farmacológicas são igualmente importantes e devem ser integradas ao plano de cuidados desde o início. Elas ajudam a manter o cérebro ativo, o corpo saudável e o bem-estar emocional.

Estimulação cognitiva e social

Manter a mente ativa é fundamental. Atividades como jogos de memória, leitura, quebra-cabeças, palavras-cruzadas e até mesmo o aprendizado de novas habilidades simples podem ajudar a preservar as funções cognitivas. A interação social, seja com a família, amigos ou em grupos de apoio, também combate o isolamento e a depressão.

Atividade física adaptada

Exercícios físicos regulares, sempre com orientação profissional, trazem benefícios imensos. Caminhadas, hidroginástica ou fisioterapia ajudam a melhorar o equilíbrio, prevenir quedas, controlar o humor e a qualidade do sono. A atividade física é benéfica para a saúde cardiovascular, o que impacta diretamente a saúde cerebral.

Terapia ocupacional e fonoaudiologia

O terapeuta ocupacional pode adaptar o ambiente e as atividades diárias para promover a independência e a segurança do paciente. Já o fonoaudiólogo atua nas dificuldades de comunicação e deglutição (engolir), que podem surgir em fases mais avançadas da doença.

Adequação nutricional

Uma dieta balanceada, rica em antioxidantes e nutrientes, como a Dieta do Mediterrâneo, tem sido associada a uma melhor saúde cerebral. 

É importante garantir uma boa hidratação e, com a ajuda de um nutricionista, ajustar a alimentação para as necessidades específicas do paciente, que podem mudar ao longo do tempo.

Leia também: Como prevenir o Alzheimer: hábitos que protegem o cérebro ao longo da vida

Qual o papel da família e dos cuidadores no tratamento?

O sucesso de qualquer plano de tratamento para o Alzheimer depende do suporte e da dedicação da família e dos cuidadores. A jornada pode ser desgastante, por isso é vital que os cuidadores também busquem apoio, seja por meio de grupos, terapia ou dividindo as tarefas. 

Um cuidador bem amparado consegue oferecer um cuidado de melhor qualidade, com mais paciência e afeto, elementos indispensáveis para o bem-estar de quem vive com a doença.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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MORRIS, J. C. et al. Autosomal dominant and sporadic late onset Alzheimer's disease share a common pathophysiology. Brain, 2022. DOI: https://doi.org/10.1093/brain/awac181. Disponível em: https://academic.oup.com/brain/article/145/10/3594/6587090. Acesso em: 02 fev. 2026. 

PERLUIGI, M.; DI DOMENICO, F.; BUTTERFIELD, D. A. Oxidative damage in neurodegeneration: roles in the pathogenesis and progression of Alzheimer disease. Physiological Reviews, jul. 2023. DOI: https://doi.org/10.1152/physrev.00030.2022. Disponível em: https://journals.physiology.org/doi/full/10.1152/physrev.00030.2022. Acesso em: 02 fev. 2026. 

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