A compatibilidade HLA é o principal critério para a doação; o cadastro no REDOME ajuda pacientes a encontrar doadores
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Você já deve ter ouvido falar que doar medula óssea pode salvar vidas, mas muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre como esse processo realmente funciona. Na prática, a compatibilidade para o transplante vai muito além dos grupos sanguíneos e envolve características genéticas bastante específicas.
Por isso, encontrar um doador adequado pode ser um grande desafio, tornando o cadastro nos registros de doadores muito valioso. O tipo sanguíneo não é o principal fator para a doação de medula óssea. A compatibilidade ABO é o pilar das transfusões diárias. Mas no universo dos transplantes de tecidos, a compatibilidade genética (HLA) é o elemento principal.
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A medula óssea é um tecido líquido e gelatinoso que ocupa o interior dos ossos, sendo popularmente conhecida como “tutano”. Ela desempenha um papel vital no organismo dos seres humanos, funcionando como uma fábrica do sangue.
É nela onde são produzidos componentes essenciais que compõem a circulação sanguínea. Dentre eles estão as hemácias (glóbulos vermelhos), responsáveis por fazer o transporte de oxigênio. Além dos leucócitos (glóbulos brancos), que atuam na defesa do organismo, e as plaquetas, que promovem a coagulação sanguínea.
Diferente da medula espinhal, a medula óssea está localizada dentro da coluna vertebral. Estando distribuída por diversos ossos do corpo, com maior concentração nos ossos da bacia e no esterno.
Quando um paciente é acometido por doenças como a leucemia ou linfomas, a “fábrica” passa a produzir células defeituosas. Nesses casos, o transplante de medula óssea é utilizado como um meio de substituir o sistema doente por um saudável.
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O Ministério da Saúde estabelece critérios técnicos rigorosos para o cadastro no REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea). As especificações são realizadas com o objetivo de garantir a segurança do doador e a eficácia do tratamento para o receptor. Sendo elas:
Para realizar o cadastro é preciso estar dentro dos critérios de doação e comparecer ao hemocentro mais perto com um documento original de identificação oficial com foto.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são colhidos 5 ml de sangue, com o objetivo de fazer a verificação das características genéticas do doador. Depois disso, o resultado do exame e os dados pessoais são incluídos no REDOME.
Enquanto a transfusão sanguínea se baseia no sistema ABO, o transplante de medula óssea é regido pelo sistema HLA (Antígenos Leucocitários Humanos). O HLA é um conjunto de proteínas localizadas na superfície das células, que funciona como um “código de barras” genético exclusivo de cada indivíduo.
As características genéticas de cada pessoa são herdadas metade do pai e a outra metade da mãe. O sistema imunológico utiliza essas proteínas para identificar o que pertence ao próprio corpo e o que é um agente invasor.
Para que o transplante seja bem-sucedido, o código do doador e do receptor devem ser o mais idênticos possível. A compatibilidade é necessária para evitar que o sistema imune do paciente rejeite as novas células.
A busca por compatibilidade começa geralmente dentro da família, mas a probabilidade de ser compatível com algum familiar é pequena, afirma o Hemocentro de Goiás (HEMOGO).
A probabilidade de encontrar um irmão compatível do mesmo pai e da mesma mãe é de apenas 25%. Por isso, 60% dos pacientes não conseguem encontrar um doador adequado na família, aponta o Instituto Américas.
O HEMOGO diz ainda que as chances de encontrar uma medula adequada ao perfil do receptor é de uma a cada 100 mil habitantes. Quando não há doador na família, a busca se estende ao REDOME, o terceiro maior registro de doadores do mundo. São mais de 6 milhões de pessoas cadastradas, segundo informações do próprio Registro Nacional.
Por causa da raridade, a busca também é realizada em bancos internacionais, permitindo que um brasileiros receba medula de um doador de outro continente. Mas sempre observando a compatibilidade HLA necessária.
Estudos de 2001 (Ciência News) e de 2018 (Pubmed) mostram que não é necessário que doador e receptor compartilhem o mesmo tipo sanguíneo (A, B, AB ou O) para que o procedimento ocorra.
A pesquisa do Pubmed diz que: “a incompatibilidade ABO entre doador e receptor é observada em 30% a 40% dos pacientes submetidos aos transplante de células-tronco hematopoiéticas.” Se o match genético for confirmado, a equipe médica prossegue com o transplante. O foco médico está na “fábrica” (células-tronco) e não no “produto final” (sangue circulante no momento).
O transplante de medula óssea é um tratamento complexo que substitui a medula óssea doente por células-tronco saudáveis. Ele pode ser realizado por duas maneiras: punção direta ou aférese (coleta por veia).
A punção direta é realizada no centro cirúrgico, sob anestesia. Nela, a medula é aspirada do interior dos ossos da bacia com agulhas especiais. O procedimento costuma durar de 60 a 90 minutos. Quem está fazendo a doação pode sentir um desconforto de leve a moderado por alguns dias, semelhante a uma dor muscular.
Geralmente, ele consegue retornar às atividades habituais em uma semana, e a medula óssea se recompõe em poucas semanas. Já na aférese, quem está doando recebe um medicamento por cinco dias, que estimula a medula a liberar células-tronco para a corrente sanguínea.
A coleta é feita por uma máquina de aférese, que filtra o sangue e separa as células necessárias, devolvendo o restante ao quem vai receber. A intervenção dura cerca de duas a três horas e não requer anestesia. O efeito colateral mais comum é dor no corpo, semelhante a uma gripe.
Os riscos para os doadores são mínimos, e normalmente relacionados à anestesia. Manifestações passageiras como dor local, fraqueza temporária e dor de cabeça podem estar presentes, e podem ser controladas com analgésicos simples.
Após a coleta, o receptor passa por uma fase de preparação com altas doses de quimioterapia, ou pode fazer radioterapia. O processo deve ser realizado para destruir as células doentes e suprimir o sistema imunológico.
Em seguida, as células-tronco doadas são infundidas na veia, de forma semelhante a uma transfusão de sangue. Essas células migram para a medula óssea, onde se alojam e começam a se desenvolver, produzindo novas células sanguíneas.
Durante o período de recuperação, o indivíduo permanece internado em isolamento, pois fica mais vulnerável a infecções e hemorragias. A recuperação completa da medula doada pode levar de duas a quatro semanas, período em que ela começa a funcionar. Depois da alta, o acompanhamento ambulatorial deve ser contínuo, para monitorar possíveis complicações.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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