InícioSaúdeSaúde da criança

Revisado em: 10/08/2026

O que não comer na amamentação para evitar cólicas no bebê? Entenda

Entenda a relação entre a dieta materna e o choro do recém-nascido para garantir o bem-estar e a nutrição de ambos.

Resumo
  • As cólicas do recém-nascido estão ligadas à imaturidade do sistema digestivo, não apenas à dieta materna.
  • Alimentos que causam gases na mãe, como feijão e brócolis, não passam gases para o leite materno.
  • O excesso de cafeína e alimentos ultraprocessados pode deixar o bebê mais agitado e dificultar a digestão.
  • O choro excessivo associado a outros sintomas exige investigação pediátrica para alergia à proteína do leite de vaca (APLV).
  • Dietas muito restritivas prejudicam a saúde da mulher e a produção de leite, devendo ser evitadas.

Resuma este artigo com IA:

Acompanhe nossos conteúdos com prioridade no Google

GoogleFavoritar no Google
o que não comer na amamentação para evitar cólicas1.jpg

Toda mãe conhece a cena. O relógio marca altas horas da madrugada e o recém-nascido chora de forma inconsolável, encolhendo as perninhas contra o abdômen. A angústia toma conta do ambiente. Imediatamente, a primeira suspeita costuma recair sobre a própria dieta: será que foi o café da tarde ou o feijão do almoço?

A privação de sono e a vontade de aliviar a dor do bebê levam muitas mulheres a cortar dezenas de alimentos do prato. Restringir grupos alimentares inteiros sem orientação, no entanto, gera fadiga e deficiências nutricionais na lactante. Compreender como a digestão materna afeta o leite é o primeiro passo para uma amamentação mais tranquila.

Hospital

Localização

Agendamento

Hospital Leforte Liberdade

Rua Barão de Iguape, 209

Marque uma consulta com um pediatra em São Paulo

Complexo Hospitalar de Niterói

Tv. Lasalle, 12

Encontre um pediatra perto de você em Niterói

Hospital Brasília

SHIS QI 15

Agende um horário com um pediatra em Brasília

A Rede Américas conta com pediatras renomados.

Encontre um especialista perto de você!

A alimentação da mãe causa cólicas no recém-nascido?

A ciência demonstra que não existe uma lista universal de alimentos proibidos durante o aleitamento. Estudos indicam que o aleitamento materno ajuda a proteger o bebê contra o desconforto, sem haver indícios de que a comida consumida pela mulher cause diretamente esse sintoma. 

As cólicas ocorrem com a mesma frequência em bebês que recebem leite materno exclusivo e naqueles que não o recebem, mostrando que a amamentação não é a culpada pelas dores.

Esse desconforto está ligado à imaturidade natural do organismo infantil. Pesquisas apontam que o problema relaciona-se a um desequilíbrio na flora intestinal própria do bebê, e não ao leite fornecido pela mãe. Além disso, pequenas dificuldades do recém-nascido para coordenar a sucção, a deglutição e a postura durante a mamada também contribuem para o surgimento da cólica.

O leite materno é produzido a partir dos nutrientes presentes na corrente sanguínea da mulher. O sistema digestivo materno processa a comida, e apenas vitaminas, minerais, proteínas e gorduras quebradas chegam ao sangue e, posteriormente, às glândulas mamárias. Assim, a comida em si não vai diretamente para o estômago da criança.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que as lactantes mantenham uma dieta variada e equilibrada. A mulher pode comer de tudo, observando sempre o comportamento da criança. O corpo do recém-nascido está aprendendo a digerir, e as dores tendem a diminuir gradativamente após o terceiro mês.

Leia também: Quem tem silicone pode amamentar? Saiba se os implantes atrapalham

Feijão e brócolis passam gases para o bebê pelo leite materno?

O maior mito da amamentação envolve as leguminosas e os vegetais crucíferos. Alimentos como feijão, lentilha, brócolis, couve-flor e repolho possuem carboidratos complexos que fermentam no intestino grosso da mãe. Esse processo produz gases que causam desconforto abdominal apenas na mulher.

O gás carbônico e o metano gerados nessa fermentação não entram na corrente sanguínea. Sem chegar ao sangue, essas moléculas não têm como alcançar as glândulas mamárias. O leite materno não fica com gases por conta do prato escolhido pela mãe.

Se a mãe sente vontade de comer feijão, ela pode manter o alimento na rotina. Uma dica para reduzir o desconforto intestinal materno é deixar os grãos de molho na água por cerca de 12 horas antes do cozimento. Isso ajuda a diminuir os compostos que provocam a fermentação local.

Quais alimentos merecem moderação na dieta materna?

Embora não existam proibições estritas de alimentos naturais, alguns itens consumidos em grande quantidade alteram sutilmente a composição do leite ou deixam resíduos que agitam a criança. A moderação é fundamental para evitar episódios de choro que se confundem com cólica.

Veja os itens que exigem atenção redobrada durante os primeiros meses:

  • Cafeína: presente no café, chás escuros, refrigerantes e energéticos. O organismo do bebê demora mais para metabolizar a substância, o que causa insônia, irritabilidade e agitação.
  • Chocolate: além de conter traços de cafeína, possui teobromina, um estimulante que também afeta o sono da criança.
  • Alimentos ultraprocessados: biscoitos recheados, embutidos e comida rápida possuem gorduras ruins e excesso de açúcares. Esses componentes prejudicam a qualidade nutricional da dieta e a saúde da mulher.
  • Condimentos artificiais: pimentas e temperos industrializados podem alterar levemente o sabor do leite e irritar estômagos mais sensíveis.

 

Leia também: Quem amamenta pode tomar pílula do dia seguinte? Veja os riscos

O leite de vaca na dieta da mãe afeta o bebê com cólica?

A única restrição alimentar severa comprovada no manejo de cólicas intensas envolve a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Diferente da intolerância à lactose, que é raríssima em bebês, a APLV é uma reação do sistema de defesa do organismo. As proteínas do leite e seus derivados consumidos pela mãe passam em pequenas quantidades para o leite materno.

Quando a criança possui essa alergia, o contato com a proteína gera um processo inflamatório intenso. As cólicas comuns se tornam episódios de choro prolongado. Nesses casos, tirar o leite da alimentação da mãe traz alívio perceptível após algumas semanas.

No entanto, a ciência reforça que cortar apenas o leite da dieta materna sem acompanhamento não reduz a cólica comum. Restrições alimentares severas só devem ocorrer sob orientação médica quando existe suspeita clara de alergia. A exclusão desnecessária de laticínios prejudica a saúde óssea da mulher sem trazer benefícios ao bebê.

Procure um pediatra imediatamente se a cólica vier acompanhada dos seguintes sinais:

  • manchas avermelhadas ou aspereza na pele do bebê;
  • diarreia frequente ou presença de sangue e muco nas fezes;
  • vômitos intensos e dificuldade para ganhar peso;
  • chiado no peito e sintomas respiratórios sem causa aparente.

 

Leia também: Quem está amamentando pode tomar dipirona? Cuidados e alternativas

O que é estritamente proibido enquanto você amamenta?

A flexibilidade da dieta na amamentação tem um limite claro quando se trata de bebidas alcoólicas. O álcool consumido pela mãe passa rapidamente e de forma direta para o leite materno, na mesma concentração presente no sangue.

O fígado do recém-nascido não consegue processar o álcool. O consumo afeta o desenvolvimento do bebê, altera o padrão de sono e diminui a produção de leite. Não existe uma quantidade segura de álcool estabelecida para lactantes.

Outra prática perigosa são as dietas altamente restritivas para perda de peso rápida. A produção de leite demanda um gasto energético elevado. Privar o corpo de nutrientes gera fraqueza, queda de cabelo e pode comprometer o volume de leite oferecido à criança.

Como aliviar o desconforto abdominal do recém-nascido em casa?

Em vez de buscar culpados no prato de comida, a família pode adotar medidas físicas para ajudar o sistema digestivo do bebê a amadurecer com menos dor. O acolhimento e o contato físico são recursos valiosos para enfrentar as crises diárias.

Tente as seguintes abordagens durante os episódios de choro:

  • Contato pele a pele: o calor do corpo dos pais relaxa a musculatura abdominal do bebê.
  • Movimento de bicicleta: deite o bebê de costas e movimente as perninhas dele em direção ao abdômen, de forma suave, para facilitar a eliminação de gases.
  • Massagem shantala: movimentos circulares no sentido horário na barriga da criança ajudam no trânsito intestinal.
  • Banhos mornos: a água morna na banheira ajuda a acalmar o sistema nervoso e aliviar a tensão do bebê.

As cólicas testam a paciência e a resistência física da família, mas são uma fase passageira. Manter-se nutrida, hidratada e com apoio médico adequado garante que a mulher enfrente os primeiros meses da maternidade com mais segurança e saúde.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
  • DEGENAAR, H.; KRITZINGER, A. Suck, swallow and breathing coordination in infants with infantile colic. The South African Journal of Communication Disorders, [S. l.], v. 62, n. 1, 2015. DOI: https://doi.org/10.4102/sajcd.v62i1.115. Acesso em: 10 ago. 2026.
  • NOCERINO, R. et al. The controversial role of food allergy in infantile colic: evidence and clinical management. Nutrients, v. 7, n. 3, 2015. DOI: https://doi.org/10.3390/nu7032015. Acesso em: 10 ago. 2026.
  • SOMMERMEYER, H. et al. Infantile colic: the perspective of German and Polish pediatricians in 2020. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 17, n. 19, p. 7011, set. 2020. DOI: https://doi.org/10.3390/ijerph17197011. Acesso em: 10 ago. 2026.
  • STOKHOLM, J. et al. Infantile colic is associated with development of later constipation and atopic disorders. Allergy, 2024. DOI: https://doi.org/10.1111/all.16274. Acesso em: 10 ago. 2026.
  • SUÁREZ-FRAGA, C. et al. Labor induction with synthetic oxytocin and infantile colic: a case–control study. Medicina, v. 61, n. 11, art. 1908, 2025. DOI: https://doi.org/10.3390/medicina61111908. Acesso em: 10 ago. 2026.

UNIDADES ONDE ESPECIALISTAS ATENDEM

NAVEGUE PELAS NOSSAS UNIDADES

Foto do Hospital Nossa Senhora do Carmo

Hospital Nossa Senhora do Carmo

Localização

R. Jaguaruna, 105 - Campo Grande, Rio de Janeiro - RJ, CEP 23080-160

Telefone(21) 3316-2900

Foto do Hospital da Bahia

Hospital da Bahia

Localização

Av. Prof. Magalhães Neto, 1541 - Pituba, Salvador - BA, CEP 41810-011

Telefone(71) 4020-0057

Foto do Maternidade Brasília

Maternidade Brasília

Localização

QMSW 4 - Sudoeste,  Brasília - DF

Telefone(61) 2196-5300

Foto do Hospital Santa Paula

Hospital Santa Paula

Localização

Av. Santo Amaro, 2468 - Brooklin Paulista, São Paulo - SP, CEP 04556-100

Telefone(11) 3040-8000

Foto do Hospital São Lucas Copacabana

Hospital São Lucas Copacabana

Localização

Tv. Frederico Pamplona, 32 - Copacabana, Rio de Janeiro - RJ, CEP 22061-080

Telefone(21) 2545-4000

Foto do Hospital Samaritano Higienópolis

Hospital Samaritano Higienópolis

Localização

R. Conselheiro Brotero, 1486 - Higienópolis, São Paulo - SP, CEP 01232-010

Telefone(11) 3821-5300

Foto do CHN - Complexo Hospitalar de Niterói

CHN - Complexo Hospitalar de Niterói

Localização

Tv. Lasalle, 12 - Centro, Niterói - RJ, CEP 24020-096

Telefone(21) 2729-1000