Tipos de leucemia: guia para entender as principais diferenças
Saiba como as leucemias são classificadas e o que caracteriza as formas agudas, crônicas, mieloides e linfoides.
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Receber o resultado de um exame de sangue pode ser um momento de ansiedade, especialmente quando palavras como "alteração nos leucócitos" aparecem no laudo. Quando o diagnóstico aponta para leucemia, um tipo de câncer que afeta as células do sangue, uma das primeiras dúvidas é entender que não existe apenas uma forma da doença. Compreender os diferentes tipos é o primeiro passo para assimilar o diagnóstico e o plano de tratamento.
Oncologistas são os especialistas que atendem esse tipo de quadro e fazem o devido acompanhamento. A Rede Américas conta com especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
Como a leucemia é classificada?
A leucemia ocorre quando células-tronco anormais na medula óssea começam a se multiplicar de forma descontrolada, substituindo as células sanguíneas saudáveis. Essa doença é considerada agressiva porque as células malignas conseguem reter sua capacidade de se mover, invadir outros tecidos e sobreviver na circulação, enquanto se dividem rapidamente e sem controle.
Para organizar os diferentes quadros, os médicos, especialmente os onco-hematologistas, usam dois critérios principais de classificação, conforme orienta o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Essa classificação considera a linhagem celular afetada e atributos clínicos dominantes, como a velocidade de progressão da doença, que pode ser aguda (rápida) ou crônica (lenta).
Leia também: Como identificar a leucemia?
Classificação pela velocidade de progressão (aguda vs. crônica)
O primeiro critério avalia a rapidez com que a doença evolui. Isso está diretamente ligado ao estágio de maturidade das células cancerosas.
- Leucemias agudas: caracterizam-se pelo crescimento rápido de células muito jovens e imaturas, chamadas blastos. Essas células não conseguem desempenhar suas funções normais. O quadro clínico tende a piorar rapidamente, exigindo tratamento imediato.
- Leucemias crônicas: nelas, as células malignas são mais maduras e conseguem, inicialmente, realizar parte de suas funções. A progressão da doença é mais lenta, e os sintomas podem demorar a aparecer ou ser mais brandos no início.
Classificação pelo tipo de célula afetada (linfoide vs. mieloide)
O segundo critério define qual linhagem de células sanguíneas deu origem ao câncer. Na medula óssea, as células-tronco se dividem em duas grandes famílias.
- Leucemias linfoides (ou linfocíticas): afetam as células da linhagem linfoide, que normalmente se transformam em linfócitos, um tipo de glóbulo branco crucial para o sistema imunológico.
- Leucemias mieloides (ou mieloblásticas): atingem as células da linhagem mieloide. Essas células são precursoras dos glóbulos vermelhos (hemácias), das plaquetas e de outros tipos de glóbulos brancos, como os neutrófilos.
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Quais são os 4 principais tipos de leucemia?
Ao combinar os dois critérios de classificação, chegamos aos quatro tipos mais comuns de leucemia. Cada um possui características, prognósticos e abordagens de tratamento distintas.
Leucemia linfoide aguda (LLA)
É o tipo de câncer mais comum na infância, mas também pode ocorrer em adultos. As células malignas se multiplicam rapidamente na medula óssea, interferindo na produção de outras células sanguíneas. O tratamento costuma ter altas taxas de sucesso, especialmente em pacientes pediátricos.
Leucemia mieloide aguda (LMA)
Mais comum em adultos, a LMA avança de forma agressiva. É um tipo de câncer do sangue caracterizado pela rápida multiplicação descontrolada de células mieloides imaturas (prematuras) na medula óssea.
Essa produção descontrolada de mieloblastos compromete a fabricação de glóbulos vermelhos, plaquetas e glóbulos brancos saudáveis. Existem vários subtipos de LMA, o que influencia a escolha do tratamento.
A leucemia mieloide aguda (LMA) é considerada uma das formas mais agressivas da doença. Apesar dos avanços recentes no tratamento, mais da metade dos pacientes diagnosticados com LMA infelizmente falecem em decorrência dela.
Leucemia linfoide crônica (LLC)
Esta forma progride lentamente, e muitas pessoas são diagnosticadas em exames de rotina, antes mesmo de apresentarem sintomas. Afeta principalmente idosos. Em alguns casos, o tratamento pode não ser necessário imediatamente, optando-se por um acompanhamento vigilante.
Leucemia mieloide crônica (LMC)
A LMC também tem um desenvolvimento lento em sua fase inicial. É caracterizada por uma anormalidade genética específica, o cromossomo Philadelphia. O avanço da medicina, com terapias-alvo, transformou o tratamento da LMC, permitindo que muitos pacientes vivam com qualidade de vida por muitos anos.
Leia também: Leucemia aparece no exame de hemograma?
Existem outros tipos de leucemia?
Embora os quatro tipos principais representem a maioria dos casos, existem formas mais raras da doença. Algumas delas incluem a leucemia de células pilosas, a leucemia pró-linfocítica e as leucemias mielomonocíticas.
Entre os subtipos mais complexos, encontra-se a Leucemia Eritroide Aguda (LEA). Ela é considerada um subtipo de alto risco da leucemia mieloide, possuindo características genéticas únicas que justificam sua classificação distinta dentro do espectro de distúrbios mieloides.
Esses subtipos mais raros possuem características biológicas únicas e podem exigir abordagens de tratamento especializadas. Por isso, a investigação diagnóstica detalhada é tão importante.
Quais sintomas podem indicar os diferentes tipos?
Os sintomas da leucemia costumam ser resultado da falta de células sanguíneas saudáveis. Muitos sinais são comuns a todos os tipos, especialmente nas formas agudas.
- Anemia: cansaço, palidez e falta de ar, devido à baixa de glóbulos vermelhos.
- Infecções recorrentes: pela diminuição de glóbulos brancos funcionais.
- Sangramentos e hematomas: manchas roxas na pele, sangramento no nariz ou gengiva, causados pela baixa de plaquetas.
- Outros sinais: febre, suores noturnos, perda de peso sem motivo aparente e aumento de gânglios ou do baço.
Nas leucemias crônicas, os sintomas podem ser leves ou inexistentes por um longo período.
Como é feito o diagnóstico para diferenciar os tipos?
O diagnóstico começa com a avaliação clínica e um hemograma completo, que pode mostrar alterações na contagem das células sanguíneas. Para confirmar e, principalmente, classificar a leucemia, são necessários exames mais específicos.
O principal deles é o mielograma, que consiste na coleta de uma amostra da medula óssea para análise. Testes genéticos e moleculares também são realizados para identificar marcadores específicos de cada tipo de leucemia, o que ajuda a guiar o tratamento de forma personalizada.
Quando procurar um médico?
Sintomas persistentes como fadiga extrema, infecções frequentes ou o aparecimento de hematomas sem causa aparente devem ser investigados. Um clínico geral ou um hematologista pode solicitar os exames iniciais e, se necessário, encaminhar para um especialista em onco-hematologia.
O diagnóstico precoce, especialmente nas leucemias agudas, é um fator determinante para o sucesso do tratamento. Portanto, não ignore os sinais que seu corpo apresenta.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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