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Revisado em: 11/08/2026

O que dá cólica no bebê na amamentação? Saiba o que fazer para evitar

Entenda por que o choro inconsolável acontece e descubra que o leite materno raramente é o causador do desconforto.

Resumo
  • A cólica é uma fase normal decorrente da imaturidade do sistema digestivo e nervoso do recém-nascido.
  • A condição afeta na mesma proporção bebês alimentados com leite materno ou fórmula infantil.
  • Pequenas falhas de coordenação ao sugar, engolir e respirar favorecem a ingestão de ar durante as mamadas.
  • Restrições alimentares severas para a mãe não têm comprovação científica na prevenção das cólicas comuns.
  • O desconforto tende a passar espontaneamente por volta dos quatro meses de vida do bebê.

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Toda mãe conhece bem a cena: o fim do dia se aproxima, o bebê começa a se contorcer, encolher as perninhas e chorar de forma inconsolável. Imediatamente, surge a culpa e a dúvida sobre o próprio cardápio. Você se pergunta se aquele café ou o feijão do almoço causaram dor no seu filho.

A verdade é que a cólica do lactente é um processo fisiológico e transitório. O leite materno é o alimento mais seguro e completo para o recém-nascido, atuando até como fator de proteção. Compreender as reais origens desse desconforto ajuda a tranquilizar a família e a focar em medidas de alívio que realmente funcionam.

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Por que a cólica do lactente acontece?

O choro prolongado costuma aparecer por volta da segunda semana de vida e atinge o pico no segundo mês. A medicina pediátrica aponta que esse quadro não é uma doença. Trata-se de um processo natural de adaptação do corpo do bebê à vida fora do útero.

Pesquisas indicam que as cólicas surgem na mesma frequência em bebês amamentados no peito e naqueles que consomem fórmula infantil. Isso demonstra que o tipo de leite não é o vilão do problema. Os fatores biológicos explicam melhor esse desconforto:

  • Imaturidade intestinal e da flora: o sistema digestivo do recém-nascido ainda está aprendendo a realizar os movimentos de digestão. Há também um desequilíbrio temporário nas bactérias benéficas do intestino, gerando contrações dolorosas.
  • Imaturidade neurológica e sensibilidade: o sistema nervoso ainda não processa bem os estímulos do ambiente. Luzes, ruídos e manipulação excessiva causam sobrecarga sensorial e maior sensibilidade à dor.

À medida que o organismo amadurece, a flora intestinal se estabiliza. Por conta dessa evolução natural, o quadro de cólicas tende a se resolver sozinho por volta dos quatro meses de idade.

Leia também: Como aliviar cólica de bebê recém-nascido: o que realmente ajuda

O que dá cólica no bebê na amamentação?

Embora o leite materno raramente seja a causa da dor, a forma como a mamada acontece influencia a formação de gases. A mecânica da sucção exige um aprendizado complexo por parte do bebê. Imaturidades sutis na coordenação entre sugar, engolir, respirar e manter a postura no peito facilitam a entrada de ar no organismo.

A ingestão excessiva de ar é uma das principais razões para a distensão abdominal. Isso costuma ocorrer nos seguintes cenários:

  • Pega incorreta: quando o bebê abocanha apenas o mamilo, sem selar os lábios na aréola, ele suga ar junto com o leite.
  • Dificuldades de coordenação: falhas temporárias no ritmo entre engolir e respirar fazem a criança engolir ar durante a mamada.
  • Fluxo de leite muito intenso: mamas muito cheias liberam leite de forma rápida. O recém-nascido engole com pressa, perde o ritmo e acumula gases.
  • Choro antes da mamada: oferecer o peito quando a criança já está chorando forte faz com que ela inale ar antes mesmo de mamar.

 

Leia também: Massagens para aliviar cólica de bebê: um guia para pais

A alimentação da mãe causa cólica no bebê?

Existe um mito persistente de que os alimentos consumidos pela mãe provocam gases no bebê. No entanto, os gases do intestino materno não passam para o sangue e não chegam ao leite. Estudos científicos confirmam que alergias alimentares associadas ao leite materno são causas extremamente raras de cólica.

Dietas muito restritivas para quem amamenta não previnem dores no bebê e podem causar deficiências de nutrientes na mãe. Contudo, em casos específicos e investigados por profissionais, alguns pontos exigem atenção:

  • Proteína do leite de vaca: em quadros raros de alergia à proteína do leite de vaca, componentes podem passar pelo leite materno e gerar inflamação.
  • Excesso de cafeína: doses altas de café ou chás podem deixar o bebê mais agitado e irritado, aumentando as crises de choro.

Qualquer suspeita de sensibilidade ou alergia deve ser investigada por um pediatra. Nunca elimine grupos alimentares do seu cardápio sem orientação médica adequada.

Como saber se é cólica, gases ou disquesia?

É comum confundir os desconfortos do recém-nascido. Entender a diferença ajuda a escolher a melhor forma de aliviar o bebê.

Condição

Características principais

Duração típica

Cólica

choro agudo, pernas encolhidas, rosto avermelhado, punhos fechados. Costuma ocorrer no mesmo horário, geralmente no fim do dia.

resolve-se espontaneamente por volta do terceiro ou quarto mês de vida.

Gases

barriga endurecida e distendida. O bebê solta pum com frequência e parece sentir alívio imediato após a eliminação.

ocorre em qualquer horário, muito associado à pega incorreta na amamentação.

Disquesia

esforço intenso para evacuar. O bebê geme, faz força, fica vermelho por cerca de 10 minutos, e depois evacua fezes amolecidas.

desaparece quando o bebê aprende a relaxar o esfíncter enquanto contrai o abdômen.

O que fazer para aliviar o desconforto?

A paciência e o acolhimento são fundamentais durante as crises. Manter a calma ajuda a reduzir a ansiedade dos cuidadores e do próprio bebê.

Algumas medidas práticas ajudam a diminuir as dores e a acalmar a criança:

  • Ajuste a pega e a postura: garanta que o bebê abocanhe boa parte da aréola e mantenha uma posição firme e confortável para facilitar a deglutição.
  • Promova a eructação: coloque o bebê para arrotar após cada mamada, mantendo-o em posição vertical.
  • Faça compressas mornas: o calor relaxa a musculatura do abdômen. Use bolsas mornas sobre a roupa da criança.
  • Movimente as pernas: faça movimentos suaves de "bicicleta" com as perninhas para ajudar a soltar os gases.
  • Reduza os estímulos: diminua luzes e ruídos no fim do dia para evitar o cansaço excessivo.

Leia também: Como saber se o bebê está com cólica ou gases: um guia para pais

Quando procurar avaliação pediátrica?

A cólica comum afeta o bebê saudável, que se desenvolve e ganha peso normalmente. No entanto, o choro excessivo pode indicar outras situações que exigem cuidado.

Procure ajuda médica se o choro vier acompanhado destes sinais:

  • febre, recusa para mamar ou vômitos intensos;
  • presença de sangue ou muco nas fezes;
  • dificuldade para ganhar peso;
  • choro contínuo que não melhora com nenhum consolo ao longo do dia.

O médico avaliará a saúde do bebê para descartar outros problemas. Medicamentos só devem ser administrados mediante prescrição e orientação médica.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
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