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Revisado em: 17/06/2026

O que é ácido úrico no sangue e por que seus níveis no sangue importam?

Um resultado de exame pode gerar dúvidas. Entenda o que é essa substância e sua relação com a gota, a saúde dos rins e outros riscos metabólicos.

Resumo
  • O ácido úrico é um produto natural gerado pelo metabolismo das purinas no organismo.
  • Níveis elevados (hiperuricemia) ocorrem por excesso de produção ou por falha na eliminação pelos rins.
  • O excesso pode levar à formação de cristais nas articulações (gota) e nos rins (cálculos).
  • A hiperuricemia está associada a outros problemas, como pré-diabetes, diabetes e doença hepática gordurosa.
  • A dieta, o consumo de álcool e certas condições de saúde influenciam diretamente os níveis sanguíneos.
  • O diagnóstico correto e o acompanhamento médico são essenciais para o controle adequado.

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Você pega o resultado do seu exame de sangue e, ao lado da sigla "ácido úrico", um asterisco chama a atenção. Aquele número, um pouco acima do valor de referência, pode gerar uma série de perguntas e preocupações. Mas o que essa substância representa no nosso corpo?

De maneira primária, clínicos gerais são os médicos indicados para o acompanhamento desse tipo de exame. A depender da evolução do quadro ou necessidade, o médico pode indicar o tratamento com um especialista, como um nefrologista. A Rede Américas conta com médicos renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.

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O que exatamente é o ácido úrico?

O ácido úrico é uma substância orgânica produzida naturalmente pelo nosso corpo. Ele é o resultado final da quebra de moléculas chamadas purinas. Este é um processo biológico constante e necessário para a renovação celular.

Em níveis normais, o ácido úrico também atua como um antioxidante, ajudando a proteger as células de danos. No entanto, o ácido úrico é principalmente um resíduo da quebra de purinas e é filtrado e eliminado pelos rins. Quando se acumula e os rins não conseguem eliminá-lo eficientemente, pode lesionar esses órgãos e causar gota.

Leia também: Para fazer exame de sangue, precisa de pedido médico?

A relação entre purinas e ácido úrico

As purinas são compostos químicos fundamentais para a vida, pois fazem parte da estrutura do nosso DNA. Elas estão presentes em todas as células do corpo e também em muitos alimentos que consumimos.

Quando as células envelhecem e são destruídas, ou quando digerimos alimentos ricos em purinas, essas moléculas são metabolizadas. Esse processo de quebra gera o ácido úrico, que então cai na corrente sanguínea para ser transportado e eliminado.

Como o corpo regula os níveis de ácido úrico?

Um corpo saudável mantém um equilíbrio delicado entre a produção e a eliminação de ácido úrico. Cerca de dois terços são eliminados pelos rins, através da urina, enquanto o restante é excretado pelo intestino.

Esse sistema de regulação garante que a concentração de ácido úrico no sangue permaneça dentro de uma faixa considerada segura. Quando esse equilíbrio é rompido, seja por produção excessiva ou por dificuldade na excreção, os níveis começam a subir.

O que significa ter ácido úrico alto no sangue?

A condição de ter níveis elevados de ácido úrico no sangue é chamada de hiperuricemia. Quando o sangue fica saturado com essa substância, ela pode se cristalizar, formando pequenos cristais de urato monossódico, semelhantes a agulhas.

Esses cristais tendem a se depositar em locais com menor circulação ou temperaturas mais baixas, como as articulações. Isso pode desencadear uma intensa resposta inflamatória, causando dor e inchaço. 

O excesso de ácido úrico no sangue, além de estar ligado à gota e problemas renais, também aumenta o risco de pré-diabetes e diabetes. A formação desses cristais também pode afetar os rins, provocando cálculos renais. 

Além disso, a gota está associada à doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD), antes conhecida como esteatose hepática não alcoólica.

Mudanças simples no estilo de vida podem reduzir significativamente o risco de danos aos rins”, explica o médico Pedro Túlio Rocha, do Hospital São Lucas Copacabana.

Diferença entre hiperuricemia e gota

É fundamental entender que ter ácido úrico alto não é sinônimo de ter gota. Muitas pessoas vivem com hiperuricemia assintomática, ou seja, sem apresentar nenhum sintoma.

A gota é a manifestação clínica da deposição desses cristais nas articulações, caracterizada por crises de artrite aguda. Portanto, a hiperuricemia é um fator de risco para a gota, mas nem todos que a possuem desenvolverão a doença.

Quais são os valores de referência?

Os valores considerados normais para o ácido úrico no sangue podem variar ligeiramente entre laboratórios. Contudo, as faixas de referência geralmente utilizadas são:

  • Mulheres: entre 2,4 e 6,0 mg/dL
  • Homens: entre 3,4 e 7,0 mg/dL

Resultados acima desses limites indicam hiperuricemia, mas somente um médico pode interpretar o significado clínico desse achado com base no seu histórico de saúde completo.

Quais são as principais causas do ácido úrico elevado?

A hiperuricemia pode ser causada por uma combinação de fatores, que vão desde o estilo de vida até predisposições genéticas.

Fatores dietéticos e de estilo de vida

O consumo excessivo de certos alimentos e bebidas é uma das causas mais conhecidas. Entre os principais vilões estão:

  • Carnes vermelhas e miúdos: fígado, rins e moela são especialmente ricos em purinas.
  • Frutos do mar: mariscos, anchovas, sardinhas e mexilhões.
  • Bebidas alcoólicas: principalmente a cerveja, que é rica em purinas e interfere na eliminação do ácido úrico.
  • Bebidas açucaradas: o xarope de milho rico em frutose, presente em muitos refrigerantes e sucos industrializados, aumenta a produção de ácido úrico.

Ainda, o padrão alimentar, especialmente dietas com alto índice inflamatório, pode contribuir para o aumento dos níveis de ácido úrico no sangue.

Condições de saúde e medicamentos

Algumas doenças e tratamentos médicos podem afetar o equilíbrio do ácido úrico. Condições como insuficiência renal, obesidade, hipertensão arterial, diabetes e hipotireoidismo estão associadas à hiperuricemia.

Além disso, estudos mostram que o índice de arredondamento corporal, uma medida da gordura abdominal, está ligado ao surgimento de níveis elevados de ácido úrico. 

Certos medicamentos, como diuréticos, também podem reduzir a capacidade dos rins de eliminar essa substância. A policitemia, um aumento de glóbulos vermelhos no sangue, e a exposição a grandes altitudes são outros fatores que podem influenciar os níveis de ácido úrico em algumas pessoas.

Fatores genéticos

A predisposição genética também desempenha um papel importante. Algumas pessoas herdam uma tendência a produzir mais ácido úrico ou a ter uma menor eficiência renal para eliminá-lo. Nesses casos, mesmo com uma dieta controlada, os níveis podem permanecer elevados.

Quais sintomas podem indicar excesso de ácido úrico?

Como mencionado, a hiperuricemia pode ser silenciosa por anos. Quando os sintomas aparecem, eles geralmente estão relacionados à deposição de cristais em tecidos do corpo.

Sinais de gota nas articulações

A manifestação mais clássica é a crise de gota. Ela se caracteriza por:

  • Dor súbita e intensa em uma articulação, frequentemente no dedão do pé.
  • Inchaço, vermelhidão e aumento da temperatura no local afetado.
  • Sensibilidade extrema, a ponto de o simples contato com um lençol ser insuportável.

Com o tempo, se não tratada, a condição pode se tornar crônica, com a formação de depósitos de cristais visíveis sob a pele, conhecidos como tofos gotosos.

Formação de cálculos renais

Os cristais de ácido úrico também podem se agrupar nos rins, formando cálculos renais (pedras nos rins). Os sintomas incluem dor lombar intensa e irradiada, dificuldade para urinar e, em alguns casos, presença de sangue na urina.

Como é feito o diagnóstico do ácido úrico alto?

O diagnóstico da hiperuricemia é simples e feito por meio de um exame de sangue que mede a concentração de ácido úrico sérico. Se houver suspeita de gota, o médico pode solicitar a análise do líquido da articulação afetada para confirmar a presença de cristais de urato.

Em alguns casos, um exame de urina de 24 horas pode ser útil para avaliar se o problema está na produção excessiva ou na dificuldade de eliminação da substância.

O que fazer ao receber um resultado de ácido úrico alto?

Um resultado alterado não deve ser motivo para pânico, mas sim um sinal de que é hora de procurar orientação profissional e, possivelmente, ajustar alguns hábitos.

A importância da avaliação médica especializada

O primeiro e mais importante passo é levar o resultado do exame a um médico. Apenas um profissional de saúde, como um clínico geral, reumatologista ou nefrologista, poderá fazer uma avaliação completa, considerar seu histórico clínico e determinar a necessidade de tratamento.

Ele investigará a causa da elevação e decidirá se é um caso de hiperuricemia assintomática, que pode exigir apenas monitoramento e mudanças no estilo de vida, ou uma condição que necessita de intervenção medicamentosa.

Medidas gerais de controle e prevenção

Independentemente da necessidade de medicamentos, algumas mudanças no dia a dia são frequentemente recomendadas para ajudar a controlar os níveis de ácido úrico:

  • Aumente a ingestão de água: beber bastante água ajuda a diluir a urina e facilita a eliminação do ácido úrico pelos rins.
  • Adote uma dieta balanceada: modere o consumo de alimentos ricos em purinas e bebidas alcoólicas. Dê preferência a vegetais, frutas e laticínios com baixo teor de gordura.
  • Controle o peso corporal: a perda de peso, quando indicada, pode reduzir significativamente os níveis de ácido úrico.
  • Pratique atividade física: exercícios regulares contribuem para a saúde geral e o controle do peso.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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