Um resultado de exame pode gerar dúvidas. Entenda o que é essa substância e sua relação com a gota, a saúde dos rins e outros riscos metabólicos.
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Você pega o resultado do seu exame de sangue e, ao lado da sigla "ácido úrico", um asterisco chama a atenção. Aquele número, um pouco acima do valor de referência, pode gerar uma série de perguntas e preocupações. Mas o que essa substância representa no nosso corpo?
De maneira primária, clínicos gerais são os médicos indicados para o acompanhamento desse tipo de exame. A depender da evolução do quadro ou necessidade, o médico pode indicar o tratamento com um especialista, como um nefrologista. A Rede Américas conta com médicos renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
O ácido úrico é uma substância orgânica produzida naturalmente pelo nosso corpo. Ele é o resultado final da quebra de moléculas chamadas purinas. Este é um processo biológico constante e necessário para a renovação celular.
Em níveis normais, o ácido úrico também atua como um antioxidante, ajudando a proteger as células de danos. No entanto, o ácido úrico é principalmente um resíduo da quebra de purinas e é filtrado e eliminado pelos rins. Quando se acumula e os rins não conseguem eliminá-lo eficientemente, pode lesionar esses órgãos e causar gota.
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As purinas são compostos químicos fundamentais para a vida, pois fazem parte da estrutura do nosso DNA. Elas estão presentes em todas as células do corpo e também em muitos alimentos que consumimos.
Quando as células envelhecem e são destruídas, ou quando digerimos alimentos ricos em purinas, essas moléculas são metabolizadas. Esse processo de quebra gera o ácido úrico, que então cai na corrente sanguínea para ser transportado e eliminado.
Um corpo saudável mantém um equilíbrio delicado entre a produção e a eliminação de ácido úrico. Cerca de dois terços são eliminados pelos rins, através da urina, enquanto o restante é excretado pelo intestino.
Esse sistema de regulação garante que a concentração de ácido úrico no sangue permaneça dentro de uma faixa considerada segura. Quando esse equilíbrio é rompido, seja por produção excessiva ou por dificuldade na excreção, os níveis começam a subir.
A condição de ter níveis elevados de ácido úrico no sangue é chamada de hiperuricemia. Quando o sangue fica saturado com essa substância, ela pode se cristalizar, formando pequenos cristais de urato monossódico, semelhantes a agulhas.
Esses cristais tendem a se depositar em locais com menor circulação ou temperaturas mais baixas, como as articulações. Isso pode desencadear uma intensa resposta inflamatória, causando dor e inchaço.
O excesso de ácido úrico no sangue, além de estar ligado à gota e problemas renais, também aumenta o risco de pré-diabetes e diabetes. A formação desses cristais também pode afetar os rins, provocando cálculos renais.
Além disso, a gota está associada à doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD), antes conhecida como esteatose hepática não alcoólica.
“Mudanças simples no estilo de vida podem reduzir significativamente o risco de danos aos rins”, explica o médico Pedro Túlio Rocha, do Hospital São Lucas Copacabana.
É fundamental entender que ter ácido úrico alto não é sinônimo de ter gota. Muitas pessoas vivem com hiperuricemia assintomática, ou seja, sem apresentar nenhum sintoma.
A gota é a manifestação clínica da deposição desses cristais nas articulações, caracterizada por crises de artrite aguda. Portanto, a hiperuricemia é um fator de risco para a gota, mas nem todos que a possuem desenvolverão a doença.
Os valores considerados normais para o ácido úrico no sangue podem variar ligeiramente entre laboratórios. Contudo, as faixas de referência geralmente utilizadas são:
Resultados acima desses limites indicam hiperuricemia, mas somente um médico pode interpretar o significado clínico desse achado com base no seu histórico de saúde completo.
A hiperuricemia pode ser causada por uma combinação de fatores, que vão desde o estilo de vida até predisposições genéticas.
O consumo excessivo de certos alimentos e bebidas é uma das causas mais conhecidas. Entre os principais vilões estão:
Ainda, o padrão alimentar, especialmente dietas com alto índice inflamatório, pode contribuir para o aumento dos níveis de ácido úrico no sangue.
Algumas doenças e tratamentos médicos podem afetar o equilíbrio do ácido úrico. Condições como insuficiência renal, obesidade, hipertensão arterial, diabetes e hipotireoidismo estão associadas à hiperuricemia.
Além disso, estudos mostram que o índice de arredondamento corporal, uma medida da gordura abdominal, está ligado ao surgimento de níveis elevados de ácido úrico.
Certos medicamentos, como diuréticos, também podem reduzir a capacidade dos rins de eliminar essa substância. A policitemia, um aumento de glóbulos vermelhos no sangue, e a exposição a grandes altitudes são outros fatores que podem influenciar os níveis de ácido úrico em algumas pessoas.
A predisposição genética também desempenha um papel importante. Algumas pessoas herdam uma tendência a produzir mais ácido úrico ou a ter uma menor eficiência renal para eliminá-lo. Nesses casos, mesmo com uma dieta controlada, os níveis podem permanecer elevados.
Como mencionado, a hiperuricemia pode ser silenciosa por anos. Quando os sintomas aparecem, eles geralmente estão relacionados à deposição de cristais em tecidos do corpo.
A manifestação mais clássica é a crise de gota. Ela se caracteriza por:
Com o tempo, se não tratada, a condição pode se tornar crônica, com a formação de depósitos de cristais visíveis sob a pele, conhecidos como tofos gotosos.
Os cristais de ácido úrico também podem se agrupar nos rins, formando cálculos renais (pedras nos rins). Os sintomas incluem dor lombar intensa e irradiada, dificuldade para urinar e, em alguns casos, presença de sangue na urina.
O diagnóstico da hiperuricemia é simples e feito por meio de um exame de sangue que mede a concentração de ácido úrico sérico. Se houver suspeita de gota, o médico pode solicitar a análise do líquido da articulação afetada para confirmar a presença de cristais de urato.
Em alguns casos, um exame de urina de 24 horas pode ser útil para avaliar se o problema está na produção excessiva ou na dificuldade de eliminação da substância.
Um resultado alterado não deve ser motivo para pânico, mas sim um sinal de que é hora de procurar orientação profissional e, possivelmente, ajustar alguns hábitos.
O primeiro e mais importante passo é levar o resultado do exame a um médico. Apenas um profissional de saúde, como um clínico geral, reumatologista ou nefrologista, poderá fazer uma avaliação completa, considerar seu histórico clínico e determinar a necessidade de tratamento.
Ele investigará a causa da elevação e decidirá se é um caso de hiperuricemia assintomática, que pode exigir apenas monitoramento e mudanças no estilo de vida, ou uma condição que necessita de intervenção medicamentosa.
Independentemente da necessidade de medicamentos, algumas mudanças no dia a dia são frequentemente recomendadas para ajudar a controlar os níveis de ácido úrico:
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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