O que causa a síndrome nefrótica em crianças? Veja sintomas e cuidados
Um guia completo para entender por que os rins do seu filho podem estar perdendo proteínas e causando inchaço no corpo.
Resumo
- A causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças é a Doença de Lesões Mínimas (DLM), uma forma idiopática (sem causa definida).
- É marcada por uma perda significativa de proteínas na urina e um risco aumentado de formação de coágulos sanguíneos.
- O quadro geralmente é desencadeado por uma resposta do sistema imunológico, muitas vezes após uma infecção viral simples, como um resfriado.
- Causas secundárias, como doenças autoimunes (lúpus) ou outras infecções (hepatites), são menos comuns na infância.
- Formas genéticas são raras e costumam se manifestar em bebês com menos de um ano de idade.
- A maioria dos casos de síndrome nefrótica infantil responde bem ao tratamento, que frequentemente começa com corticoides e tem um bom prognóstico.
Resuma este artigo com IA:
Acompanhe nossos conteúdos com prioridade no Google

Começa de forma sutil. Você nota que os olhos do seu filho estão mais inchados pela manhã do que o normal. No dia seguinte, o inchaço parece ter descido para os tornozelos e pés. A urina na fralda ou no vaso sanitário também parece diferente, mais espumosa. Essa cena, familiar para muitos pais, pode ser o primeiro sinal da síndrome nefrótica, uma condição renal que precisa de atenção.
Também conhecida pelo termo mais antigo "nefrose infantil", a síndrome nefrótica não é uma doença única, mas um conjunto de sinais e sintomas que indicam um problema nos glomérulos, as unidades de filtração dos rins. Entender sua origem é o primeiro passo para um tratamento eficaz e para tranquilizar a família.
Pediatras são os especialistas que podem atender esse tipo de quadro de maneira primária, podendo encaminhar, de acordo com a necessidade, para nefrologistas. A Rede Américas conta com especialistas renomados em vários hospitais brasileiros.
Qual é a principal causa da síndrome nefrótica em crianças?
Em cerca de 90% dos casos em crianças entre 1 e 10 anos, a síndrome nefrótica é classificada como primária ou idiopática. Isso significa que ela ocorre por um problema restrito aos rins, sem uma causa externa claramente identificável. Dentro desse grupo, a forma mais prevalente é a Doença de Lesões Mínimas (DLM).
Estudos recentes apontam a Doença de Lesões Mínimas como a principal causa de síndrome nefrótica em crianças. Esta é uma condição que, na maioria das vezes, responde bem ao tratamento. Ela difere das síndromes causadas por infecções ou doenças como o lúpus.
Leia também: Quais são as doenças mais comuns em crianças?
Entendendo a doença de lesões mínimas (DLM)
O nome pode parecer estranho, mas é bastante descritivo. Na DLM, quando o tecido renal é observado em um microscópio comum, os glomérulos parecem normais ou com alterações muito discretas, ou seja, com "lesões mínimas". No entanto, em microscópios eletrônicos mais potentes, é possível ver alterações em células específicas chamadas podócitos, que são fundamentais para a barreira de filtração do rim.
É como se o filtro estivesse com furos invisíveis a olho nu, permitindo que proteínas importantes, como a albumina, escapem do sangue para a urina. Essa perda maciça de proteína (proteinúria) é a marca registrada da síndrome e a causa direta dos seus principais sintomas, como o edema (inchaço).
A síndrome nefrótica infantil é frequentemente idiopática, o que significa que se origina de uma disfunção própria dos rins. Nestes casos, ela não tem uma causa externa conhecida. Seu tratamento, em muitos casos, envolve o uso de medicamentos que ajudam a regular o sistema imunológico.
Leia também: Veja os sintomas de virose em crianças
O papel do sistema imunológico como gatilho
Embora a causa exata da DLM seja desconhecida, fortes evidências sugerem um desequilíbrio no sistema imunológico. Não se trata de uma doença autoimune clássica, mas de uma resposta imune desregulada.
Frequentemente, o primeiro episódio da síndrome surge algumas semanas após uma infecção viral comum, como uma gripe ou um resfriado, ou até mesmo após uma reação alérgica.
A infecção funciona como um gatilho que ativa células de defesa (linfócitos T), que por sua vez liberam substâncias que danificam a barreira de filtração dos rins. É fundamental entender que a infecção não "causa" a síndrome, mas apenas "desperta" uma predisposição do sistema imune da criança.
Leia também: Quais doenças afetam o crescimento infantil
Existem outras causas para a síndrome nefrótica primária?
Embora bem menos comuns que a DLM, outras doenças renais primárias podem causar a síndrome nefrótica. A principal delas é a Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF). Na GESF, ocorrem cicatrizes (esclerose) em algumas partes (segmentar) de alguns glomérulos (focal).
Diferente da DLM, a GESF pode ter uma evolução mais complexa e uma resposta mais variável ao tratamento padrão. O diagnóstico preciso entre as formas primárias geralmente depende do quadro clínico e, em alguns casos, de uma biópsia renal.
E quando a síndrome nefrótica é consequência de outra doença?
Quando a síndrome nefrótica surge como resultado de outra condição médica, ela é chamada de secundária. Essa forma é mais comum em adultos, mas também pode ocorrer em crianças. O tratamento, nesses casos, foca tanto no controle da síndrome renal quanto na doença de base.
É importante diferenciar a síndrome nefrótica idiopática, como a doença de lesões mínimas, de causas secundárias que podem surgir de infecções ou doenças sistêmicas. Compreender essa distinção ajuda a direcionar o tratamento mais adequado para cada criança.
As principais causas secundárias incluem:
- Doenças sistêmicas: o Lúpus Eritematoso Sistêmico é um exemplo clássico de doença autoimune que pode afetar os rins e levar à síndrome nefrótica.
- Infecções: infecções virais como hepatite B, hepatite C e HIV podem estar associadas ao quadro, embora sejam causas raras em crianças no Brasil.
- Medicamentos: o uso de certos anti-inflamatórios não esteroides e outras drogas pode, em casos raros, lesionar os glomérulos.
- Alergias: reações alérgicas graves, como picadas de insetos, podem atuar como gatilhos.
A síndrome nefrótica infantil pode ser genética?
É uma situação rara e corresponde a uma pequena fração dos casos. As formas genéticas são mais suspeitas quando a síndrome se manifesta muito cedo, especialmente em bebês com menos de um ano de vida, ou quando há histórico familiar da doença.
Mutações em genes que codificam proteínas essenciais para a estrutura dos podócitos, como a nefrina (gene NPHS1) e a podocina (gene NPHS2), podem causar a síndrome nefrótica. Geralmente, essas formas são resistentes ao tratamento com corticoides e exigem abordagens terapêuticas diferentes.
Como a causa da síndrome nefrótica é investigada?
A investigação é conduzida pelo pediatra ou, idealmente, por um nefrologista pediátrico. O processo diagnóstico geralmente segue estes passos:
- Análise clínica: o médico avalia os sintomas, como o inchaço, e o histórico de saúde da criança.
- Exames de laboratório: exames de urina são feitos para confirmar a perda maciça de proteínas (proteinúria) e exames de sangue para verificar os níveis baixos de albumina (hipoalbuminemia) e o aumento do colesterol.
- Biópsia renal: na maioria das crianças com quadro típico de DLM, a biópsia não é necessária inicialmente. Ela é considerada se a criança estiver fora da faixa etária usual (menor que 1 ano ou maior que 12 anos), se não responder bem ao tratamento inicial com corticoides ou se houver sinais de uma causa secundária.
A síndrome nefrótica infantil tem um bom prognóstico?
Para a grande maioria das crianças, especialmente aquelas com Doença de Lesões Mínimas, a resposta é sim. Essa forma da doença é altamente sensível ao tratamento com corticoides, com mais de 90% das crianças entrando em remissão (desaparecimento da proteinúria).
O tratamento inicial para a síndrome nefrótica na infância, especialmente para a Doença de Lesões Mínimas, geralmente envolve o uso de corticoides. Felizmente, a maioria das crianças com a forma idiopática da doença responde bem a essa terapia.
Contudo, é uma condição de caráter crônico, marcada por recidivas. É comum que a criança apresente novos episódios de proteinúria, geralmente associados a novas infecções virais. O acompanhamento com o nefrologista pediátrico é crucial para manejar essas recaídas e ajustar o tratamento, garantindo um desenvolvimento e uma qualidade de vida normais para a criança.
Quando devo procurar um médico?
A avaliação médica é fundamental e urgente ao notar qualquer um dos sinais clássicos da síndrome nefrótica. Procure um pediatra imediatamente se seu filho apresentar:
- Inchaço (edema), principalmente ao redor dos olhos, nas pernas, tornozelos ou barriga.
- Urina com aparência espumosa.
- Aumento de peso rápido e sem explicação.
- Fadiga, irritabilidade ou perda de apetite.
O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são essenciais para controlar os sintomas, prevenir complicações e garantir o bem-estar da criança.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
- CAFCARELLI, C. et al. Advances in paediatrics in 2016: current practices and challenges in allergy, autoimmune diseases, cardiology, endocrinology, gastroenterology, infectious diseases, neonatology, nephrology, neurology, nutrition, pulmonology. Italian Journal of Pediatrics, [S. l.], set. 2017. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1186/s13052-017-0401-9. Acesso em: 17 jun. 2026.
- CHAN, E. Y. H.; BOYER, O. Childhood idiopathic nephrotic syndrome: recent advancements shaping future guidelines. Pediatric Nephrology, Berlin, dez. 2024. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1007/s00467-024-06634-9. Acesso em: 17 jun. 2026.
- EHREN, R. et al. Initial treatment of steroid-sensitive idiopathic nephrotic syndrome in children with mycophenolate mofetil prednisone: protocol for a randomised, controlled, multicentre trial (INTENT study). BMJ Open, [S. l.], out. 2018. Disponível: https://bmjopen.bmj.com/content/8/10/e024882. Acesso em: 17 jun. 2026.
- TRAUTMANN, A. et al. IPNA clinical practice recommendations for the diagnosis and management of children with steroid-resistant nephrotic syndrome. Pediatric Nephrology, Berlin, maio 2020. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1007/s00467-020-04519-1. Acesso em: 17 jun. 2026.
- ZUROWSKA, A. et al. Rituximab-associated hypogammaglobulinemia in children with idiopathic nephrotic syndrome: results of an ESPN survey. Pediatric Nephrology, Berlin, abr. 2023. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1007/s00467-023-05913-1. Acesso em: 17 jun. 2026.






