InícioSaúdeSaúde da criança

Revisado em: 17/06/2026

O que causa a síndrome nefrótica em crianças? Veja sintomas e cuidados

Um guia completo para entender por que os rins do seu filho podem estar perdendo proteínas e causando inchaço no corpo.

Resumo
  • A causa mais comum de síndrome nefrótica em crianças é a Doença de Lesões Mínimas (DLM), uma forma idiopática (sem causa definida).
  • É marcada por uma perda significativa de proteínas na urina e um risco aumentado de formação de coágulos sanguíneos.
  • O quadro geralmente é desencadeado por uma resposta do sistema imunológico, muitas vezes após uma infecção viral simples, como um resfriado.
  • Causas secundárias, como doenças autoimunes (lúpus) ou outras infecções (hepatites), são menos comuns na infância.
  • Formas genéticas são raras e costumam se manifestar em bebês com menos de um ano de idade.
  • A maioria dos casos de síndrome nefrótica infantil responde bem ao tratamento, que frequentemente começa com corticoides e tem um bom prognóstico.

Resuma este artigo com IA:

Acompanhe nossos conteúdos com prioridade no Google

GoogleFavoritar no Google
o que causa síndrome nefrótica em criança1.jpg

Começa de forma sutil. Você nota que os olhos do seu filho estão mais inchados pela manhã do que o normal. No dia seguinte, o inchaço parece ter descido para os tornozelos e pés. A urina na fralda ou no vaso sanitário também parece diferente, mais espumosa. Essa cena, familiar para muitos pais, pode ser o primeiro sinal da síndrome nefrótica, uma condição renal que precisa de atenção.

Também conhecida pelo termo mais antigo "nefrose infantil", a síndrome nefrótica não é uma doença única, mas um conjunto de sinais e sintomas que indicam um problema nos glomérulos, as unidades de filtração dos rins. Entender sua origem é o primeiro passo para um tratamento eficaz e para tranquilizar a família.

Pediatras são os especialistas que podem atender esse tipo de quadro de maneira primária, podendo encaminhar, de acordo com a necessidade, para nefrologistas. A Rede Américas conta com especialistas renomados em vários hospitais brasileiros.

Hospital

Endereço

Agendamento

Clínica Leforte Alphaville

Alameda Araguaia, 943

Agende sua consulta com um pediatra em São Paulo.

Hospital Brasília

SHIS QI 15

Marque sua consulta com um pediatra em Brasília.

Complexo Hospitalar de Niterói

Tv. Lasalle, 12

Consulte um pediatra em Niterói.

Encontre um pediatra perto de você.

Qual é a principal causa da síndrome nefrótica em crianças?

Em cerca de 90% dos casos em crianças entre 1 e 10 anos, a síndrome nefrótica é classificada como primária ou idiopática. Isso significa que ela ocorre por um problema restrito aos rins, sem uma causa externa claramente identificável. Dentro desse grupo, a forma mais prevalente é a Doença de Lesões Mínimas (DLM).

Estudos recentes apontam a Doença de Lesões Mínimas como a principal causa de síndrome nefrótica em crianças. Esta é uma condição que, na maioria das vezes, responde bem ao tratamento. Ela difere das síndromes causadas por infecções ou doenças como o lúpus.

Leia também: Quais são as doenças mais comuns em crianças?

Entendendo a doença de lesões mínimas (DLM)

O nome pode parecer estranho, mas é bastante descritivo. Na DLM, quando o tecido renal é observado em um microscópio comum, os glomérulos parecem normais ou com alterações muito discretas, ou seja, com "lesões mínimas". No entanto, em microscópios eletrônicos mais potentes, é possível ver alterações em células específicas chamadas podócitos, que são fundamentais para a barreira de filtração do rim.

É como se o filtro estivesse com furos invisíveis a olho nu, permitindo que proteínas importantes, como a albumina, escapem do sangue para a urina. Essa perda maciça de proteína (proteinúria) é a marca registrada da síndrome e a causa direta dos seus principais sintomas, como o edema (inchaço).

A síndrome nefrótica infantil é frequentemente idiopática, o que significa que se origina de uma disfunção própria dos rins. Nestes casos, ela não tem uma causa externa conhecida. Seu tratamento, em muitos casos, envolve o uso de medicamentos que ajudam a regular o sistema imunológico.

Leia também: Veja os sintomas de virose em crianças

O papel do sistema imunológico como gatilho

Embora a causa exata da DLM seja desconhecida, fortes evidências sugerem um desequilíbrio no sistema imunológico. Não se trata de uma doença autoimune clássica, mas de uma resposta imune desregulada.

Frequentemente, o primeiro episódio da síndrome surge algumas semanas após uma infecção viral comum, como uma gripe ou um resfriado, ou até mesmo após uma reação alérgica. 

A infecção funciona como um gatilho que ativa células de defesa (linfócitos T), que por sua vez liberam substâncias que danificam a barreira de filtração dos rins. É fundamental entender que a infecção não "causa" a síndrome, mas apenas "desperta" uma predisposição do sistema imune da criança.

Leia também: Quais doenças afetam o crescimento infantil

Existem outras causas para a síndrome nefrótica primária?

Embora bem menos comuns que a DLM, outras doenças renais primárias podem causar a síndrome nefrótica. A principal delas é a Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF). Na GESF, ocorrem cicatrizes (esclerose) em algumas partes (segmentar) de alguns glomérulos (focal).

Diferente da DLM, a GESF pode ter uma evolução mais complexa e uma resposta mais variável ao tratamento padrão. O diagnóstico preciso entre as formas primárias geralmente depende do quadro clínico e, em alguns casos, de uma biópsia renal.

E quando a síndrome nefrótica é consequência de outra doença?

Quando a síndrome nefrótica surge como resultado de outra condição médica, ela é chamada de secundária. Essa forma é mais comum em adultos, mas também pode ocorrer em crianças. O tratamento, nesses casos, foca tanto no controle da síndrome renal quanto na doença de base.

É importante diferenciar a síndrome nefrótica idiopática, como a doença de lesões mínimas, de causas secundárias que podem surgir de infecções ou doenças sistêmicas. Compreender essa distinção ajuda a direcionar o tratamento mais adequado para cada criança.

As principais causas secundárias incluem:

  • Doenças sistêmicas:Lúpus Eritematoso Sistêmico é um exemplo clássico de doença autoimune que pode afetar os rins e levar à síndrome nefrótica.
  • Infecções: infecções virais como hepatite B, hepatite C e HIV podem estar associadas ao quadro, embora sejam causas raras em crianças no Brasil.
  • Medicamentos: o uso de certos anti-inflamatórios não esteroides e outras drogas pode, em casos raros, lesionar os glomérulos.
  • Alergias: reações alérgicas graves, como picadas de insetos, podem atuar como gatilhos.

A síndrome nefrótica infantil pode ser genética?

É uma situação rara e corresponde a uma pequena fração dos casos. As formas genéticas são mais suspeitas quando a síndrome se manifesta muito cedo, especialmente em bebês com menos de um ano de vida, ou quando há histórico familiar da doença.

Mutações em genes que codificam proteínas essenciais para a estrutura dos podócitos, como a nefrina (gene NPHS1) e a podocina (gene NPHS2), podem causar a síndrome nefrótica. Geralmente, essas formas são resistentes ao tratamento com corticoides e exigem abordagens terapêuticas diferentes.

Como a causa da síndrome nefrótica é investigada?

A investigação é conduzida pelo pediatra ou, idealmente, por um nefrologista pediátrico. O processo diagnóstico geralmente segue estes passos:

  1. Análise clínica: o médico avalia os sintomas, como o inchaço, e o histórico de saúde da criança.
  2. Exames de laboratório: exames de urina são feitos para confirmar a perda maciça de proteínas (proteinúria) e exames de sangue para verificar os níveis baixos de albumina (hipoalbuminemia) e o aumento do colesterol.
  3. Biópsia renal: na maioria das crianças com quadro típico de DLM, a biópsia não é necessária inicialmente. Ela é considerada se a criança estiver fora da faixa etária usual (menor que 1 ano ou maior que 12 anos), se não responder bem ao tratamento inicial com corticoides ou se houver sinais de uma causa secundária.

A síndrome nefrótica infantil tem um bom prognóstico?

Para a grande maioria das crianças, especialmente aquelas com Doença de Lesões Mínimas, a resposta é sim. Essa forma da doença é altamente sensível ao tratamento com corticoides, com mais de 90% das crianças entrando em remissão (desaparecimento da proteinúria).

O tratamento inicial para a síndrome nefrótica na infância, especialmente para a Doença de Lesões Mínimas, geralmente envolve o uso de corticoides. Felizmente, a maioria das crianças com a forma idiopática da doença responde bem a essa terapia.

Contudo, é uma condição de caráter crônico, marcada por recidivas. É comum que a criança apresente novos episódios de proteinúria, geralmente associados a novas infecções virais. O acompanhamento com o nefrologista pediátrico é crucial para manejar essas recaídas e ajustar o tratamento, garantindo um desenvolvimento e uma qualidade de vida normais para a criança.

Quando devo procurar um médico?

A avaliação médica é fundamental e urgente ao notar qualquer um dos sinais clássicos da síndrome nefrótica. Procure um pediatra imediatamente se seu filho apresentar:

  • Inchaço (edema), principalmente ao redor dos olhos, nas pernas, tornozelos ou barriga.
  • Urina com aparência espumosa.
  • Aumento de peso rápido e sem explicação.
  • Fadiga, irritabilidade ou perda de apetite.

O diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são essenciais para controlar os sintomas, prevenir complicações e garantir o bem-estar da criança.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
  • CAFCARELLI, C. et al. Advances in paediatrics in 2016: current practices and challenges in allergy, autoimmune diseases, cardiology, endocrinology, gastroenterology, infectious diseases, neonatology, nephrology, neurology, nutrition, pulmonology. Italian Journal of Pediatrics, [S. l.], set. 2017. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1186/s13052-017-0401-9. Acesso em: 17 jun. 2026.
  • CHAN, E. Y. H.; BOYER, O. Childhood idiopathic nephrotic syndrome: recent advancements shaping future guidelines. Pediatric Nephrology, Berlin, dez. 2024. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1007/s00467-024-06634-9. Acesso em: 17 jun. 2026.
  • EHREN, R. et al. Initial treatment of steroid-sensitive idiopathic nephrotic syndrome in children with mycophenolate mofetil prednisone: protocol for a randomised, controlled, multicentre trial (INTENT study). BMJ Open, [S. l.], out. 2018. Disponível: https://bmjopen.bmj.com/content/8/10/e024882. Acesso em: 17 jun. 2026.
  • TRAUTMANN, A. et al. IPNA clinical practice recommendations for the diagnosis and management of children with steroid-resistant nephrotic syndrome. Pediatric Nephrology, Berlin, maio 2020. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1007/s00467-020-04519-1. Acesso em: 17 jun. 2026.
  • ZUROWSKA, A. et al. Rituximab-associated hypogammaglobulinemia in children with idiopathic nephrotic syndrome: results of an ESPN survey. Pediatric Nephrology, Berlin, abr. 2023. Disponível: https://link.springer.com/article/10.1007/s00467-023-05913-1. Acesso em: 17 jun. 2026.

UNIDADES ONDE ESPECIALISTAS ATENDEM

NAVEGUE PELAS NOSSAS UNIDADES

Foto do Hospital Samaritano Higienópolis

Hospital Samaritano Higienópolis

Localização

R. Conselheiro Brotero, 1486 - Higienópolis, São Paulo - SP, CEP 01232-010

Telefone(11) 3821-5300

Foto do Hospital da Bahia

Hospital da Bahia

Localização

Av. Prof. Magalhães Neto, 1541 - Pituba, Salvador - BA, CEP 41810-011

Telefone(71) 4020-0057

Foto do Hospital Santa Paula

Hospital Santa Paula

Localização

Av. Santo Amaro, 2468 - Brooklin Paulista, São Paulo - SP, CEP 04556-100

Telefone(11) 3040-8000

Foto do CHN - Complexo Hospitalar de Niterói

CHN - Complexo Hospitalar de Niterói

Localização

Tv. Lasalle, 12 - Centro, Niterói - RJ, CEP 24020-096

Telefone(21) 2729-1000

Foto do Hospital Nossa Senhora do Carmo

Hospital Nossa Senhora do Carmo

Localização

R. Jaguaruna, 105 - Campo Grande, Rio de Janeiro - RJ, CEP 23080-160

Telefone(21) 3316-2900

Foto do Hospital São Lucas Copacabana

Hospital São Lucas Copacabana

Localização

Tv. Frederico Pamplona, 32 - Copacabana, Rio de Janeiro - RJ, CEP 22061-080

Telefone(21) 2545-4000

Foto do Maternidade Brasília

Maternidade Brasília

Localização

QMSW 4 - Sudoeste,  Brasília - DF

Telefone(61) 2196-5300

Ícone do WhatsAppÍcone médicoAgende sua consulta