Uma coceira insistente entre os dedos, uma pequena picada de inseto que não cicatriza bem ou um arranhão superficial na perna. Situações comuns do dia a dia podem, em certas condições, abrir caminho para uma infecção de pele conhecida como erisipela.
Ela se manifesta como uma mancha vermelha, brilhante e dolorosa que se expande rapidamente. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no controle da erisipela. Procure uma avaliação médica na Rede Américas.
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Hospital Samaritano Higienópolis
R. Conselheiro Brotero, 1486 - Higienópolis, São Paulo - SP
A erisipela é um processo infeccioso que atinge a derme e os vasos linfáticos da pele. Ela é causada principalmente pela bactéria estreptococo, que penetra no organismo através de pequenas aberturas ou feridas na barreira protetora da pele.
Os microrganismos, que normalmente habitam a superfície da nossa pele sem causar problemas, encontram uma barreira cutânea rompida. Através dessa falha, se multiplicam e desencadeiam uma resposta inflamatória intensa, resultando nos sintomas característicos da doença.
O que causa erisipela?
A causa direta da erisipela é a infecção bacteriana. No entanto, para que ocorra o patógeno precisa de uma oportunidade para invadir o organismo, através das chamadas "portas de entrada".
A bactéria por trás da infecção
A principal responsável é a Streptococcus pyogenes, também conhecida como estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Outras bactérias como a Staphylococcus aureus podem estar envolvidas, especialmente em feridas abertas. Sendo a contaminação menos frequente.
Quando elas vivem na região próxima ao ânus podem se deslocar e entrar no organismo por pequenas feridas na pele, causando a erisipela nas pernas.
Como a bactéria invade a pele?
Qualquer lesão que comprometa a integridade da pele pode servir como um ponto de acesso. Essas portas de entrada incluem micoses, picadas de insetos, feridas ou rachaduras na pele. Problemas circulatórios também podem aumentar a vulnerabilidade. As mais comuns incluem:
Micoses interdigitais (frieiras): a pele úmida e macerada entre os dedos dos pés é considerada a "porta de entrada" mais comum, principalmente em casos que afetam as pernas
Ferimentos e cortes: arranhões, cortes de depilação, bolhas de calçados ou qualquer trauma que quebre a barreira da pele
Picadas de insetos: ao coçar a picada, pequenas fissuras podem se formar, permitindo a entrada de patógenos
Úlceras de pele: feridas crônicas, como úlceras venosas comuns em pessoas com má circulação, são pontos de vulnerabilidade constante
Outras condições de pele: eczemas, dermatites e outras doenças que causam fissuras ou ressecamento extremo também podem facilitar a infecção
Quem tem maior risco de desenvolver erisipela?
Embora qualquer pessoa possa ter a doença, algumas condições aumentam significativamente a vulnerabilidade do organismo. Esses fatores de risco dificultam a capacidade do corpo de combater o quadro infeccioso ou criam um ambiente propício para a proliferação bacteriana.
Os principais grupos de risco são:
Pessoas com insuficiência venosa crônica: varizes e inchaço nas pernas (edema) comprometem a circulação e a saúde da pele
Diabéticos: o diabetes pode afetar a circulação e a cicatrização, além de diminuir a sensibilidade nos pés, fazendo com que feridas passem despercebidas
Obesos: a obesidade está associada a um maior risco de problemas circulatórios e linfáticos
Pacientes com linfedema: o acúmulo de linfa (líquido) nos tecidos, seja após cirurgias (como a remoção de linfonodos no tratamento do câncer de mama) ou por outras causas, torna a região mais suscetível a infecções
Imunossuprimidos: pessoas com sistema imunológico enfraquecido por doenças ou medicamentos têm menor capacidade de defesa
Como reconhecer os sinais e sintomas da erisipela?
O quadro clínico geralmente começa de forma súbita. Os sintomas mais comuns afetam a pele e podem ser acompanhados de mal-estar geral.
Sintomas Locais (na pele)
Sintomas Gerais
Mancha vermelha intensa e brilhante
Febre alta (acima de 38°C)
Inchaço (edema) na área afetada
Calafrios e tremores
Dor e sensação de calor local
Mal-estar, náuseas e vômitos
Bordas da lesão bem definidas e elevadas
Dor de cabeça
Pode haver formação de bolhas ou feridas (erisipela bolhosa)
As pernas são a localização mais comum, mas a erisipela também pode ocorrer nos braços, no rosto ou em outras partes do corpo.
Erisipela é contagiosa?
A erisipela não é transmitida de uma pessoa para outra por contato. A infecção ocorre quando as bactérias que já vivem na pele do próprio indivíduo aproveitam uma lesão para invadir o corpo. Portanto, não há necessidade de isolar a pessoa com o diagnóstico.
Como é feito o diagnóstico e qual o tratamento?
O diagnóstico é clínico, baseado na avaliação das lesões de pele e nos sintomas apresentados pelo paciente. Em geral, não são necessários exames complexos para confirmar a condição.
O tratamento é fundamental para o controle e para evitar complicações graves, como abscessos ou sepse (infecção generalizada). A base do tratamento inclui:
Antibióticos: prescritos por um médico para combater a bactéria causadora
Repouso: manter o membro afetado elevado para ajudar a reduzir o inchaço e a dor
Cuidados locais: limpeza adequada da área e tratamento da porta de entrada, como a micose
A automedicação é perigosa e pode agravar o quadro. Apenas um profissional de saúde pode indicar a terapia correta.
É possível prevenir a erisipela?
A prevenção é a melhor estratégia, especialmente para quem tem fatores de risco. As medidas se concentram em manter a pele saudável e tratar as possíveis portas de entrada. As principais recomendações são:
Tratar micoses: mantenha os pés, especialmente os vãos entre os dedos, sempre limpos e secos. Use medicamentos antifúngicos conforme orientação profissional se tiver frieiras
Hidratar a pele: usar cremes hidratantes diariamente evita o ressecamento e a formação de fissuras, principalmente nas pernas e pés
Cuidar de ferimentos: limpe qualquer corte, arranhão ou picada de inseto com água e sabão e proteja com um curativo
Inspecionar os pés: pessoas com diabetes ou má circulação devem examinar os pés todos os dias em busca de pequenas lesões que possam passar despercebidas
Controlar doenças de base: manter o diabetes sob controle e seguir o tratamento para insuficiência venosa ou linfedema é crucial para reduzir o risco
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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