Doença renal aguda: o que é, como é a recuperação e quais os tratamentos
Entenda como a perda súbita da função renal acontece e por que o tratamento rápido no ambiente hospitalar é essencial.
Resumo
A doença renal aguda é a perda rápida, em horas ou dias, da capacidade dos rins de filtrar o sangue.
As causas são divididas em três grupos: problemas no fluxo sanguíneo, danos diretos aos rins ou obstruções urinárias.
Sintomas comuns incluem diminuição da urina, inchaço nas pernas, cansaço e náuseas.
O diagnóstico é feito com exames de sangue e urina para medir substâncias como creatinina e ureia.
Na maioria dos casos, a condição é reversível se a causa principal for identificada e tratada rapidamente.
Receber um diagnóstico de “doença renal aguda” sobre um familiar internado ou sobre si mesmo pode ser assustador e confuso. O termo “aguda” indica que o problema se instalou de forma súbita, diferente de uma condição crônica, que se desenvolve ao longo de anos. A boa notícia é que, em muitos cenários, essa condição pode ser revertida com o tratamento adequado.
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A doença renal aguda, também conhecida pelos médicos como Injúria Renal Aguda (IRA) ou Lesão Renal Aguda (LRA), é uma queda abrupta da função renal. Em questão de horas ou poucos dias, os rins perdem a capacidade de filtrar resíduos metabólicos, sais e excesso de líquidos do sangue.
Essa condição é uma perda súbita da função dos rins, sendo reversível na maioria dos casos quando identificada e tratada rapidamente no hospital.
Essa perda de função faz com que substâncias tóxicas, como ureia e creatinina, se acumulem no organismo.
Além disso, o equilíbrio de fluidos e eletrólitos, como potássio e sódio, fica desregulado, o que pode afetar o funcionamento de outros órgãos vitais, como o coração e o cérebro. A doença renal aguda pode ser revertida no hospital com o controle rápido da hidratação e o uso de medicamentos, muitas vezes evitando a necessidade de diálise.
Qual a diferença entre lesão renal aguda e insuficiência renal aguda?
Embora os termos sejam usados com frequência como sinônimos, há uma pequena diferença técnica. A Lesão Renal Aguda (LRA) refere-se ao dano em si que ocorre no tecido renal.
Já a Insuficiência Renal Aguda (IRA) descreve a consequência dessa lesão: a perda da função. Na prática clínica e para o entendimento do paciente, ambos os termos descrevem o mesmo quadro de piora súbita da função dos rins.
Quais são os principais sintomas da doença renal aguda?
Os sinais podem variar dependendo da causa e da gravidade do quadro. Em alguns casos, a condição é assintomática e só é descoberta por meio de exames de rotina em pacientes hospitalizados.
Quando presentes, os sintomas mais comuns são:
Diminuição drástica do volume de urina (oligúria): produzir muito menos urina que o normal.
Inchaço (edema): retenção de líquidos que causa inchaço nas pernas, tornozelos, pés e, em casos mais graves, no rosto.
Fadiga e sonolência: o acúmulo de toxinas no sangue pode causar cansaço extremo.
Falta de ar: o excesso de líquido pode se acumular nos pulmões.
Náuseas e vômitos: sintomas comuns quando os resíduos metabólicos não são eliminados.
Confusão mental: em casos severos, o desequilíbrio eletrolítico e o acúmulo de toxinas afetam o sistema nervoso.
As causas da doença renal aguda são geralmente classificadas em três categorias principais, dependendo de onde o problema se origina. Entender a causa é o primeiro passo para o tratamento eficaz.
Causas pré-renais: quando o problema é o fluxo de sangue
Neste tipo, os rins em si estão saudáveis, mas não recebem sangue suficiente para funcionar corretamente. É a causa mais comum de IRA.
Situações que levam a isso incluem:
Desidratação grave (por vômitos, diarreia ou pouca ingestão de líquidos).
Hemorragias ou perda de sangue significativa.
Insuficiência cardíaca, quando o coração não bombeia sangue com força suficiente.
Queda brusca da pressão arterial (choque circulatório), como em infecções graves (sepse).
Causas renais: quando o dano é direto nos rins
Aqui, o problema está no próprio tecido renal, que foi danificado por alguma agressão direta. Exemplos incluem:
Medicamentos: uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), certos antibióticos e contrastes de exames de imagem podem ser tóxicos para os rins (nefrotóxicos).
A doença renal aguda pode ser frequentemente causada por medicamentos, sendo essencial o tratamento hospitalar rápido para recuperação.
Infecções: algumas infecções graves podem atacar diretamente os rins. Além de medicamentos, infecções são uma causa comum, e a condição é reversível com o tratamento correto.
Inflamações: doenças autoimunes, como o lúpus, podem causar inflamação nos glomérulos (as unidades de filtração dos rins).
Causas pós-renais: quando há uma obstrução
Nesses casos, a urina é produzida normalmente, mas não consegue sair do corpo devido a um bloqueio no trato urinário. A pressão gerada pelo acúmulo de urina danifica os rins.
As obstruções podem ser causadas por:
Cálculos renais ("pedras nos rins") que bloqueiam os ureteres.
Aumento da próstata em homens (hiperplasia prostática benigna).
Tumores na bexiga ou na região pélvica.
Como a doença renal aguda é diagnosticada no hospital?
O diagnóstico é geralmente rápido, especialmente em ambiente hospitalar. A equipe médica se baseia na combinação da avaliação clínica do paciente e em exames laboratoriais.
Os principais são:
Exames de sangue: medem os níveis de creatinina e ureia. Um aumento rápido desses marcadores é o principal indicador de que a função renal piorou.
Exames de urina: ajudam a identificar a causa, mostrando a presença de sangue, proteínas ou sinais de infecção.
Exames de imagem: uma ultrassonografia dos rins e do trato urinário é frequentemente usada para verificar se há obstruções.
A insuficiência renal aguda tem cura?
Na maioria dos casos, a insuficiência renal aguda é uma condição reversível. A chave para a recuperação é identificar e tratar a causa subjacente de forma rápida e eficaz.
Se uma desidratação causou o problema, a reposição de fluidos pode restaurar a função renal. Se um medicamento foi o culpado, sua suspensão é fundamental. Com tratamento hospitalar precoce, é possível evitar a diálise em muitos casos.
O tempo de recuperação varia. Em alguns casos, a função renal volta ao normal em poucos dias ou semanas. Em situações mais graves, pode levar meses. Durante esse período, é crucial dar suporte ao organismo enquanto os rins se recuperam.
Como funciona o tratamento para a doença renal aguda?
O tratamento foca em dois objetivos principais: tratar a causa base e dar suporte ao corpo enquanto os rins se recuperam. Isso acontece, em geral, no ambiente hospitalar.
As estratégias incluem:
Tratamento da causa: administrar antibióticos para sepse, remover uma obstrução urinária ou suspender um medicamento nefrotóxico, por exemplo.
Equilíbrio de fluidos: controlar a quantidade de líquidos que o paciente recebe para evitar sobrecarga no coração e nos pulmões.
Controle de eletrólitos: monitorar e corrigir os níveis de potássio e sódio no sangue é vital para prevenir complicações cardíacas.
Diálise: em casos mais graves, quando os rins param completamente, a diálise pode ser necessária. Ela funciona como um "rim artificial" temporário, filtrando o sangue para remover toxinas e o excesso de líquido, dando tempo para que os rins se recuperem.
O que fazer para prevenir a doença renal aguda?
Embora nem sempre seja possível evitar a IRA, especialmente em casos de acidentes ou doenças graves, algumas medidas ajudam a proteger os rins:
Hidrate-se adequadamente: beber água é fundamental para o bom funcionamento renal.
Cuidado com medicamentos: evite o uso indiscriminado de anti-inflamatórios. Sempre informe seu médico sobre todos os medicamentos que utiliza.
Controle doenças crônicas: manter a diabetes e a hipertensão arterial sob controle reduz o risco de danos renais.
Atenção em hospitais: se estiver internado, a equipe médica já monitora a função renal, mas é importante relatar qualquer sintoma novo.
É fundamental reforçar que o manejo da doença renal aguda é complexo e deve ser conduzido por uma equipe de saúde especializada.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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