Pseudomonas aeruginosa pode causar infecções leves ou graves; a bactéria afeta pulmões, pele, ouvidos, olhos e trato urinário
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Pseudomonas aeruginosa é o nome dado para uma bactéria oportunista, conhecida por ser resistente aos antibióticos. Muitas pessoas descobrem o nome dela em exames laboratoriais e ficam imediatamente preocupadas, sem entender ao certo o significado do resultado.
Mas a presença do microrganismo não significa que exista uma infecção grave. A gravidade depende do tipo de contato que o indivíduo teve com o microrganismo e da capacidade do sistema imunológico em combatê-lo.
O patógeno tem a capacidade de se adaptar a diferentes ambientes e atingir diversas regiões do corpo. Em determinadas situações, pode permanecer sem causar problemas. Enquanto em outras é capaz de desencadear infecções que exigem tratamento especializado e acompanhamento rigoroso.
Exames laboratoriais devem sempre ser avaliados por um médico. Agende seu atendimento na Rede Américas e esclareça suas dúvidas
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria classificada como bacilo gram-negativo e aeróbio. Ela é considerada onipresente, o que significa dizer que pode ser encontrada facilmente no meio ambiente, principalmente no solo, na água e nas plantas.
Falando especificamente de ambientes hospitalares, ela também pode estar presente em superfícies úmidas, como pias e equipamentos médicos. Uma característica marcante desse patógeno é a sua capacidade de formar biofilmes.
O biofilme é uma espécie de camada protetora que o torna altamente resistente às defesas do organismo humano e à ação de muitos antibióticos. Sendo conhecido por produzir um pigmento esverdeado chamado piocianina e por ter um odor adocicado.
A exposição a Pseudomonas é comum, sendo ela considerada uma bactéria oportunista. Sendo assim, na maioria das vezes não causa doenças em pessoas saudáveis, mas pode levar a sérios problemas em pacientes com o sistema imunológico enfraquecido.
O microrganismo é capaz de infectar diversas partes do corpo humano, dependendo de como ocorre o contato e das condições de saúde do paciente. Veja a seguir as principais infecções causadas.
As infecções respiratórias estão entre as complicações mais graves. Sendo ela uma das principais responsáveis pela pneumonia nosocomial (adquirida no hospital) e pela pneumonia associada à ventilação mecânica em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A bactéria é extremamente perigosa para pacientes com fibrose cística em ambiente hospitalar. Nesses pacientes, ela se aloja de forma crônica causando inflamação persistente, produção de muco espesso e declínio progressivo da função pulmonar.
A Pseudomonas aeruginosa costuma ser uma causa frequente de infecções do trato urinário. De acordo com estudo publicado no pubmed, em 2021, ela é responsável por cerca de 10% de todas as infecções urinárias associadas ao uso de cateteres (sonda). Os sintomas incluem dor ao urinar, necessidade frequente e urgente de ir ao banheiro e dor na região pélvica.
As manifestações clínicas da pele podem ir desde problemas leves até infecções severas. A foliculite é um aparecimento comum, sendo associada ao uso de banheiras de hidromassagem ou piscinas mal higienizadas, por exemplo.
Em pacientes com queimaduras graves, o patógeno se aproveita do tecido lesionado e do ambiente úmido para se espalhar rapidamente. O que pode resultar em uma infecção sistêmica (sepse) com alto risco de mortalidade.
A bactéria é a principal causa da otite externa (“ouvido de nadador”), que ocorre quando a água contaminada fica retida no canal auditivo.
Quando ocorre em pacientes diabéticos ou imunossuprimidos, a infecção pode evoluir para uma forma muito mais grave chamada de otite externa maligna. Ela afeta os ossos do crânio e requer tratamento intensivo.
Ao entrar em contato com os olhos, pode gerar infecções como a ceratite (inflamação da córnea). O quadro inflamatório é associado ao uso inadequado ou à má higienização de lentes de contato.
Dentre os sintomas estão: vermelhidão intensa, dor e secreção amarelada ou esverdeada. Em alguns casos também pode haver perda súbita de visão.
Quando a Pseudomonas aeruginosa atinge a corrente sanguínea, ocorre um quadro conhecido como bacteremia. Que pode evoluir rapidamente para sepse. Essa é uma emergência médica na qual o sistema imune reage de forma exagerada ao quadro infeccioso, podendo causar falência múltipla dos órgãos.
O microrganismo raramente afeta indivíduos com o sistema de defesa saudável. Então atinge pessoas imunossuprimidas como quem vive com HIV, aquelas em tratamento contra o câncer ou com doenças autoimunes.
O risco é maior também entre os pacientes hospitalizados, sobretudo aqueles internados em UTI’s por longos períodos. Também é aumentado entre as pessoas que necessitam de ventiladores mecânicos ou cateteres urinários.
Portadores de doenças pulmonares crônicas e vítimas de queimaduras graves são mais suscetíveis. Essas últimas são mais vulneráveis devido a perda da barreira protetora da pele.
A gravidade depende do local afetado e do estado de saúde do paciente. Uma foliculite adquirida em uma banheira costuma ser leve e de fácil resolução. Já as infecções pulmonares em pacientes de UTI ou infecções na corrente sanguínea são extremamente graves.
O maior desafio no tratamento é a resistência antimicrobiana. Ela é conhecida por sua capacidade de resistir a múltiplos antibióticos.
O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica dos sintomas e do histórico do paciente. A presença da bactéria é confirmada através de exames laboratoriais. Um deles é a cultura de fluidos, sendo coletadas amostras de sangue, urina, escarro ou secreção de feridas para identificar o crescimento da bactéria em laboratório.
Também pode ser realizado o teste de suscetibilidade antimicrobiana (antibiograma). Ele é feito para determinar a quais antibióticos a cepa específica é resistente ou sensível. O exame é responsável por guiar a escolha do medicamento correto para tratar a infecção.
Quando causa infecções pulmonares ou ósseas, radiografias ou tomografias computadorizadas podem ser solicitadas para avaliar a extensão do processo infeccioso.
O tratamento se baseia no uso de antibióticos, mas por causa da alta taxa de resistência bacteriana, a escolha do medicamento deve ser criteriosa. Os médicos geralmente optam por uma terapia combinada, utilizando mais de um medicamento simultaneamente para garantir a eficácia.
As classes de antibióticos mais utilizadas são as penicilinas, cefalosporinas, fluoroquinolonas e carbapenêmicos. É fundamental que o paciente siga rigorosamente a prescrição médica, respeitando horários e a duração total do tratamento. É necessário seguir a prescrição mesmo que os sintomas desapareçam antes do fim da medicação, para evitar a resistência bacteriana.
A busca por avaliação médica é necessária quando o indivíduo apresenta sinais sugestivos de infecção, principalmente se fizer parte de algum grupo de risco. Então é importante ficar atento a sinais de alerta como:
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria oportunista que pode causar diferentes tipos de infecção, desde quadros leves na pele e ouvidos até infecções severas nos pulmões e na corrente sanguínea.
O que ela causa é variável, mas a gravidade da doença depende sempre do local afetado e das condições prévias de saúde da pessoa. O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico especializado são fundamentais, principalmente devido à alta capacidade desta bactéria de resistir aos antibióticos comuns.
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