Rouquidão e dor ao engolir podem indicar a doença; tabagismo, álcool e HPV aumentam o risco do câncer
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Assim como o câncer de boca, o câncer de garganta também tem origem na mucosa de revestimento do órgão e é mais frequente nos homens. O tabagismo é a causa principal dessa doença, ainda mais quando associado ao consumo excessivo de álcool.
Os sintomas do câncer de garganta geram problemas na voz, fortes dores de garganta e, até mesmo, dificuldades para respirar. Muitas vezes, manifestações iniciais podem ser confundidas com infecções comuns, como resfriados ou amigdalites, levando a um atraso no diagnóstico.
Tumores malignos que se desenvolvem em diversas partes da garganta, incluindo a faringe (nasofaringe, orofaringe e hipofaringe) e a laringe, são considerados como câncer de garganta. A faringe é um tubo muscular que se estende da parte posterior do nariz até o pescoço.
Enquanto a laringe contém as cordas vocais e está localizada logo abaixo da faringe. O tipo mais comum deste tipo de neoplasia é o carcinoma de células escamosas, que se origina nas células planas que revestem o interior da garganta.
O desenvolvimento do câncer de garganta está ligado a uma combinação de fatores de risco, sendo os mais comuns o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. Nesses casos, o tabagismo é considerado a principal causa evitável, segundo o doutor Marcos André Costa, oncologista do Hospital Nove de Julho.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, a combinação de tabaco e álcool multiplica consideravelmente o risco. Ela pode aumentar em até 20 vezes as chances de um indivíduo saudável desenvolver o câncer de cabeça e pescoço.
Outro fator é a infecção pelo Papiloma Vírus Humano (HPV), quando o contágio ocorre via sexo oral, diz o médico. Informações da Agência Brasil mostram que os cânceres provocado pelo vírus resultam em 29 mil hospitalizações por ano no Brasil. Com o maior número de registros entre as mulheres (85%).
Os homens precisam ter mais atenção ao câncer de garganta, assim como as pessoas mais velha. Isso porque o risco aumenta com a idade, com as pessoas acima dos 65 anos sendo mais predispostas a doença. Mas ela também pode atingir pessoas mais jovens.
A probabilidade de desenvolver a disfunção também é aumentada quando há histórico familiar da doença, alimentação pobre em frutas e vegetais e a doença do refluxo gastroesofágico.
O câncer de garganta pode ser classificado de várias maneiras, a depender do seu local de origem. Veja a seguir:
Os sintomas de câncer de garganta podem variar dependendo da localização e do estágio do tumor, mas alguns sinais costumam ser mais comuns. Por isso é importante ficar atento a qualquer manifestação clínica que não melhore.
Veja quais são os principais sintomas que podem levar ao diagnóstico:
Ao perceber a presença e persistência desses sintomas, é necessário procurar atendimento com o médico especialista. Mas vale dizer que eles não são exclusivos do câncer de garganta e podem ser causados por outras condições menos graves.
A diferenciação entre uma dor de garganta comum e uma possível neoplasia está na persistência e na natureza dos sintomas. Uma dor de garganta comum, tende a melhorar em poucos dias ou semanas com o tratamento adequado e repouso. Podendo vir acompanhada de febre, coriza e mal-estar geral.
Já os sintomas de câncer de garganta são persistentes e progressivos. A rouquidão que dura mais de duas semanas e a dificuldade de engolir que piora não devem ser ignorados. Além da presença de um caroço no pescoço ou uma ferida na boca/garganta que não cicatriza, são sinais de alerta.
Para que seja estabelecido um diagnóstico, é preciso que o paciente passe por uma série de exames. Um deles é o exame físico, quando o médico examina a boca, garganta e pescoço em busca de caroços, feridas ou outras anormalidades.
A endoscopia também pode ser realizada, para visualizar a garganta e as cordas vocais (nasofibrolaringoscopia). A confirmação da presença de células cancerosas só é feita através da biópsia.
Para a realização do procedimento é feita a remoção de uma pequena amostra de tecido da área suspeita para análise laboratorial. Isso porque, na laringe, podem ocorrer diversos tipos de lesões que nem sempre são malignas.
Há duas maneiras de fazer a biópsia: uma delas é com uso de anestesia local e utilizando aparelhos chamados de endoscópios flexíveis, que possuem um canal de biópsia.
O segundo método é com anestesia geral e por meio de um procedimento conhecido como laringoscopia direta. Além de determinar se o paciente está com o câncer de garganta, a biópsia também vai mostrar a dimensão da doença. Com isso, será possível definir como será o tratamento.
Em casos de confirmação diagnóstica, o médico pode solicitar uma tomografia computadorizada, ressonância magnética ou tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT). Os exames podem ser usados para determinar o tamanho do tumor, sua localização e se houve disseminação para outras partes do corpo.
A cirurgia costuma ser a base do tratamento, principalmente para tumores em fases iniciais. O objetivo é fazer a sua remoção.
Os pacientes normalmente respondem bem ao tratamento de câncer de garganta com quimioterapia e radioterapia. Na quimioterapia, medicamentos são utilizados para matar as células cancerosas. Geralmente ela é combinada à radioterapia para aumentar a eficácia.
A radioterapia utiliza a radiação de alta energia para destruir a neoplasia. Ela pode ser usada isoladamente ou após a cirurgia para eliminar possíveis traços do câncer que tenham sobrado. Uma outra alternativa é a imunoterapia, que estimula o sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater as células cancerígenas.
A terapia-alvo também pode ser recomendada. Ela utiliza medicações que atacam características específicas do câncer, resultando em menos danos às células saudáveis.
O sucesso do tratamento oncológico exigem o comprometimento do paciente com as orientações médicas e a supervisão de toda a equipe multiprofissional.
A prevenção do câncer de garganta envolve a modificação de fatores de risco e a adoção de hábitos de vida saudáveis, como exercícios físicos, alimentação balanceada e hidratação constante.
Parar de fumar ou nunca começar é a medida preventiva mais eficaz. Além de limitar a ingestão de bebidas alcoólicas. A consulta com um especialista no início dos sintomas promove o diagnóstico precoce, aumentando as chances de cura e diminuindo a probabilidade de desenvolvimento de sequelas.
A vacinação contra o HPV também é uma importante ferramenta preventiva. A prática de sexo oral seguro, com o uso de preservativos, pode reduzir o risco de transmissão do patógeno.
Manter uma boa higiene bucal e a ida regular ao dentista para exames de rotina, que podem ajudar na detecção precoce de lesões também são necessários.
Os sintomas de câncer de garganta podem ser sutis no início, mas a atenção à sua persistência e a compreensão dos fatores de risco são importantes para estabelecer um diagnóstico precoce.
Embora o tabagismo e o álcool sejam causas tradicionais, a crescente incidência de casos relacionados ao HPV ressalta a importância da vacinação e da prevenção.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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