Uma lesão persistente na boca ou um desconforto na garganta que não melhora. Entenda por que é fundamental investigar esses sinais.
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Uma pequena ferida que insiste em não cicatrizar dentro da bochecha. Talvez um incômodo constante na garganta, que não parece melhorar com remédios comuns. Muitos podem associar esses sinais a problemas simples, como uma afta ou um resfriado. No entanto, esses sintomas podem indicar uma condição mais séria, cuja incidência tem aumentado: o câncer de orofaringe associado ao Papilomavírus Humano (HPV).
Oncologistas são os médicos indicados para o acompanhamento de tipos de cânceres. A Rede Américas conta com especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
O HPV é um vírus extremamente comum, com mais de 200 tipos diferentes. A maioria das infecções é eliminada naturalmente pelo sistema imunológico sem causar problemas. Certos tipos, classificados como de alto risco oncogênico, podem persistir no organismo e provocar alterações celulares que levam ao desenvolvimento de câncer.
Historicamente, o câncer de boca era ligado principalmente ao consumo de tabaco e álcool. Hoje, estudos epidemiológicos, como os destacados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), mostram uma mudança nesse perfil.
A infecção pelo HPV, de maneira especial o subtipo 16, tornou-se um dos principais fatores de risco para o carcinoma de orofaringe. Este subtipo do vírus está diretamente ligado ao surgimento desses tumores, sendo responsável por até 96% dos casos de câncer de orofaringe que afeta a parte posterior da garganta, incluindo a base da língua e as amígdalas.
A principal via de transmissão do HPV para a região oral é o contato direto pele a pele ou mucosa com mucosa, sendo a prática de sexo oral uma das formas mais comuns de contágio. É por essa transmissão que o câncer de boca relacionado ao HPV atinge a garganta.
Para a médica oncologista do Hospital da Bahia, Dra. Stella Dourado, as pessoas não relacionam o HPV com câncer bucal. “As pessoas não associam o câncer de boca ao HPV. Todo mundo tem essa associação muito clara com o câncer de colo uterino. Por exemplo, tem diversas campanhas, mas é um câncer que pode estar relacionado a esse vírus por conta do sexo oral desprotegido”, explica.
O câncer de boca relacionado ao HPV pode ser silencioso em seus estágios iniciais. Quando os sintomas aparecem, é crucial não ignorá-los. A detecção precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento.
Fique atento a:
É fundamental reforçar que a presença desses sinais não confirma um diagnóstico de câncer, mas indica a necessidade urgente de uma avaliação por um médico ou cirurgião-dentista.
O diagnóstico começa com um exame clínico detalhado da cavidade oral e do pescoço. O profissional de saúde irá procurar por lesões suspeitas, áreas endurecidas ou nódulos.
Se uma área anormal for identificada, o próximo passo é geralmente uma biópsia. Nesse procedimento, um pequeno fragmento do tecido é removido e enviado para análise laboratorial (exame histopatológico). É esse exame que confirma a presença de células cancerígenas e pode também identificar a presença do DNA do HPV no tumor, por meio de técnicas como a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR).
“São tumores que têm altíssima chance de cura quando diagnosticados precocemente. Então, por isso que a gente reforça que qualquer alteração, a pessoa deve buscar um otorrino, um odonto ou um cirurgião de cabeça e pescoço. Fazer uma biópsia precocemente ajuda a identificar, porque na grande maioria dos casos, a gente acaba descobrindo e têm altas chances de cura”, reforça a médica oncologista, Dra. Stella Dourado, do Hospital Bahia, sobre a importância do diagnóstico.
A prevenção é a estratégia mais importante. As medidas de proteção se concentram em evitar a infecção pelo vírus e em adotar hábitos saudáveis que reduzem os riscos gerais de câncer.
A vacina contra o HPV é a forma mais eficaz de prevenção primária, pois protege contra os principais tipos do vírus causadores de câncer, incluindo o tipo 16. Este subtipo é responsável por até 96% dos tumores de orofaringe. A vacinação é uma prevenção indispensável, especialmente porque o câncer de boca relacionado ao HPV atinge a garganta devido à transmissão por sexo oral.
Disponível no Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, a imunização é mais efetiva quando administrada antes do início da vida sexual. Pessoas fora dessa faixa etária também podem se beneficiar e devem conversar com um médico.
“É importantíssimo a gente vacinar, principalmente, os jovens. Crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, porque o ideal é que eles sejam vacinados antes do início da vida sexual. Depois, não é que não tenha eficácia; a gente deve sim, deve vacinar pessoas adultas, não é contraindicado, pelo contrário, a gente estimula que vacine. Mas uma vez que você já iniciou a vida sexual, a chance de ter tido contato com algum subtipo do HPV é muito grande, porque é um vírus extremamente prevalente na nossa na nossa população”, conclui a dra. Stella Dourado, do Hospital Bahia.
Além da vacina, outras ações são importantes:
Qualquer pessoa sexualmente ativa pode ser infectada pelo HPV. No entanto, o câncer de orofaringe associado ao vírus mostra uma prevalência maior em homens, geralmente a partir dos 40 anos. É importante ressaltar que o avanço desse câncer pode afetar principalmente pacientes jovens, manifestando-se em áreas como as amígdalas e a base da língua.
A combinação de fatores de risco eleva drasticamente as chances. Uma pessoa que fuma, consome álcool e está infectada com um tipo de HPV de alto risco tem uma probabilidade muito maior de desenvolver a doença em comparação com alguém que não possui esses fatores.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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