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Revisado em: 29/06/2026

Fibrose pulmonar: o que é e como ela afeta a respiração e o pulmão

Fibrose pulmonar causa cicatrizes que deixam os pulmões rígidos; a doença reduz a elasticidade pulmonar e dificulta a respiração 

Resumo
  • A fibrose pulmonar é uma doença pulmonar crônica que substitui tecido saudável por cicatrizes
  • Dificulta a passagem de oxigênio e provoca falta de ar progressiva
  • Pode ser idiopática ou causada por doenças autoimunes, toxinas e medicamentos
  • Sintomas incluem tosse seca, fadiga, perda de peso e piora da respiração
  • O tratamento pode retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida

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Você já sentiu falta de ar ao subir uma escada ou percebeu um cansaço fora do comum durante atividades simples do dia a dia? Embora esses sintomas possam ter diversas causas, em alguns casos eles podem estar relacionados a alterações importantes na saúde dos pulmões.

A fibrose pulmonar é uma doença que provoca a formação de cicatrizes no tecido pulmonar, tornando os pulmões mais rígidos e dificultando a passagem do oxigênio para o organismo. Como seus sinais costumam surgir de forma lenta e progressiva, muitas pessoas demoram a procurar ajuda médica.

Elas também podem confundir os sintomas com o envelhecimento natural ou problemas respiratórios mais comuns. Nesse conteúdo, o Dr. Marcos Bethlem, pneumologista da Rede Américas, explica o que é fibrose pulmonar e explica a importância de tratá-la precocemente. Faça uma investigação completa com um pneumologista da Rede Américas.

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O que é fibrose pulmonar?

A fibrose pulmonar é uma condição crônica e progressiva caracterizada pela formação de cicatrizes no pulmão. Esse processo de cicatrização ocorre no interstício, o fino tecido que envolve e sustenta os sacos de ar (alvéolos). Quando esse tecido se recupera, ele se torna mais espesso e rígido, levando ao endurecimento dos pulmões. 

A alteração faz com que os órgãos percam sua elasticidade natural, dificultando sua expansão para encher de ar. O que pode dificultar a captação de oxigênio e sua consequente entrega aos tecidos. 

Por esse motivo, o quadro pode fazer com que o paciente apresente sintomas como dificuldade para respirar", explica o especialista. A fibrose pulmonar afeta principalmente idosos, com uma progressão que leva à perda funcional pulmonar e diminuição significativa da qualidade de vida.

O que causa a fibrose pulmonar?

Em muitos casos, a causa exata da cicatriz no pulmão não pode ser identificada. Quando isso acontece, a condição é chamada de Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), que é a forma mais comum e geralmente mais grave da doença.

No entanto, existem diversas causas e fatores de risco conhecidos que podem levar à fibrose secundária. Eles incluem:

  • Exposição a substâncias tóxicas: a inalação prolongada de certas poeiras no ambiente de trabalho, como sílica, asbesto (amianto), poeira de metais duros e pós orgânicos (mofo, fezes de aves)
  • Doenças autoimunes: condições em que o sistema imunológico ataca o próprio corpo, como artrite reumatoide, esclerodermia, síndrome de Sjögren e lúpus, podem causar inflamação e cicatrização nos pulmões
  • Tratamentos médicos: a radioterapia na região do tórax para tratamento de câncer e o uso de certos medicamentos (quimioterápicos, alguns antibióticos e antiarrítmicos) podem danificar o tecido pulmonar
  • Fatores genéticos: em uma minoria dos casos, a fibrose pulmonar pode ter um componente familiar, indicando uma predisposição genética

Covid-19 pode causar fibrose pulmonar?

“Síndrome Pós-Covid" e “Covid longa" são os nomes dados às sequelas que aparecem após a recuperação dos pacientes. Entre elas está a fibrose pulmonar, visto que a infecção pelo Sars-CoV provoca uma inflamação pulmonar que pode evoluir para fibrose. 

A maioria desses pacientes evolui com recuperação das sequelas pulmonares, mas algumas pessoas podem manter o quadro ou até mesmo apresentar progressão da fibrose. "Por esse motivo é importante manter acompanhamento com pneumologista a fim de monitorar a evolução do quadro", afirma o Dr. Marcos Bethlem.

Quais são os sintomas de fibrose pulmonar?

Os sintomas de fibrose pulmonar costumam ser inespecíficos e se desenvolver ao longo de meses ou até anos. Por isso, o seu diagnóstico inicial pode ser considerado um desafio.  Sendo indicado consultar um pneumologista caso surjam manifestações como:

  • Falta de ar (dispneia): inicialmente, ocorre durante atividades físicas, como caminhar rápido ou subir ladeiras. Com a progressão da doença, pode surgir até mesmo em repouso
  • Cansaço e fraqueza: uma sensação de fadiga desproporcional ao esforço realizado, causada pela baixa oxigenação do sangue
  • Desconforto no peito: sensação de aperto ou dor leve
  • Perda de peso não intencional: pode ocorrer devido ao esforço aumentado para respirar e à perda de apetite
  • Tosse seca persistente: uma tosse que não produz catarro e que não está ligada a infecções respiratórias comuns
  • Baqueteamento digital: em alguns casos, as pontas dos dedos das mãos e dos pés podem se alargar e arredondar
  • Dificuldade para encher o pulmão de ar

O que fazer quando sentir os primeiros sintomas de fibrose pulmonar?

O Dr. Marcos recomenda que “caso surja algum dos sintomas mencionados acima, é indicado consultar um pneumologista, visto que um diagnóstico preciso e o início do tratamento precoce, quando indicado, ajuda a retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida".

Como é o diagnóstico de fibrose pulmonar?

O profissional destaca ainda que a fibrose pulmonar é um termo genérico para o surgimento de cicatrizes no pulmão. Sendo assim, é importante identificar o que está causando o problema para então tratá-lo. 

Dentre as doenças mais comuns, a fibrose pulmonar idiopática aparece como uma das principais condições que levam ao aparecimento progressivo das cicatrizes.

Para o diagnóstico, é importante que se monte um 'quebra-cabeça' de informações coletadas por meio da escuta do histórico do paciente (anamnese), exame físico e análises complementares. 

Dentre os exames que podem contribuir para o diagnóstico estão a tomografia, provas de função respiratórias e exames de sangue. "Em algumas ocasiões também pode ser necessário realizar uma biópsia pulmonar", detalha o médico. Veja mais detalhes abaixo:

Exame

Objetivo

Tomografia Computadorizada de Alta Resolução (TCAR)

É o principal exame de imagem, capaz de mostrar o padrão de cicatrização característico da fibrose, muitas vezes descrito como "faveolamento"

Testes de função pulmonar (Espirometria)

Medem a capacidade dos pulmões, a quantidade de ar que conseguem reter e a velocidade com que o ar é inspirado e expirado

Oximetria de pulso

Mede o nível de saturação de oxigênio no sangue, que tende a ser mais baixo em pacientes com a doença, especialmente durante o exercício

Biópsia pulmonar

Em casos onde o diagnóstico não é claro, pode ser necessária a remoção de uma pequena amostra de tecido pulmonar para análise microscópica

Fibrose pulmonar tem cura?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) “não existe nenhum tratamento capaz de curar a fibrose pulmonar idiopática”. No entanto, existem tratamentos que podem ajudar a controlar a progressão da doença, aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Tratamento para fibrose pulmonar

O tratamento da fibrose pulmonar varia de acordo com o agente causador, e deve ser individualizado. O objetivo principal é controlar os sintomas e diminuir a velocidade com que a doença avança.

De modo geral, parar de fumar, aderir à reabilitação respiratória, alimentação saudável e atividades físicas ajudam o paciente a respirar melhor.

A depender da causa do problema, podem ser prescritas medicações como corticóide e imunossupressores para reduzir a inflamação e a formação de novas cicatrizes pulmonares.  Além de promover essa redução, os medicamentos antifibróticos ajudam a preservar a função pulmonar por mais tempo.

Programas de reabilitação, conduzidos por fisioterapeutas, são essenciais. Eles incluem exercícios físicos supervisionados, técnicas de respiração e educação sobre a doença para ajudar o paciente a gerenciar melhor sua condição no dia a dia.

"Para casos avançados, o uso de oxigênio e o transplante de pulmão podem ser considerados", finaliza o especialista em pneumologia da Rede Américas. Quando os níveis de oxigênio no sangue ficam muito baixos, o uso de oxigênio suplementar se torna necessário. 

A oxigenoterapia alivia a falta de ar, melhora o sono, o humor e permite que o paciente se mantenha mais ativo.

Apresentou algum sintoma? Procure o médico! 

A fibrose pulmonar é uma condição crônica que pode ser controlada com um diagnóstico precoce e um tratamento adequado. 

O acompanhamento constante e a adesão às abordagens terapêuticas podem ajudar a melhorar a qualidade de vida e retardar a progressão da doença. O que reforça a importância de um cuidado contínuo e personalizado. 

O que uma pessoa com fibrose pulmonar deve evitar?

Adotar um estilo de vida saudável é essencial para o manejo da doença. Algumas medidas são importantes:

  • Parar de fumar: o tabagismo acelera a progressão da doença e aumenta o risco de complicações
  • Evitar infecções: manter as vacinas em dia, sobretudo contra pneumonia e gripe, é fundamental. Isso porque as infecções respiratórias podem causar piora aguda do quadro
  • Controlar o refluxo gastroesofágico: a acidez do estômago que sobe para o esôfago pode ser aspirada para os pulmões, agravando a fibrose
  • Evitar exposição a poluentes: ficar longe de fumaça, poeira e outros irritantes pulmonares

Viver com fibrose pulmonar exige acompanhamento médico contínuo e uma abordagem multidisciplinar. Com o suporte correto, é possível controlar os sintomas e levar uma vida ativa e significativa.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
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