O transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica crônica, marcada por oscilações intensas de humor entre episódios de mania (ou hipomania) e depressão
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Ouvir falar em transtorno bipolar costuma vir acompanhado de uma série de ideias equivocadas: a de que é só uma “variação de humor”, a de que a pessoa é “instável” ou “dramática”, ou até a de que não tem jeito. Nenhuma dessas afirmações reflete o que a ciência já sabe sobre a condição.
O transtorno bipolar é um transtorno de humor com base biológica, associado a alterações na neurotransmissão e, muitas vezes, a fatores genéticos. Ele afeta cerca de 140 milhões da população mundial, segundo estimativas citadas em estudos (2025) sobre neuromodulação na área. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo inteiro.
Esse quadro costuma se manifestar entre o fim da adolescência e o início da vida adulta, embora o diagnóstico às vezes demore anos para ser fechado.
A questão da saúde mental ainda é um problema que exige atenção não só dos órgãos públicos, mas das empresas como um todo. Um levantamento realizado pelo Ipsos Health Report, em 2025, apontou que 52% da população brasileira tem a saúde mental como a maior preocupação. Em 2018, esse número era 18%. Dentro desse montante, 60% são mulheres.
O adoecimento social deixou de ser um tabu e passou a ser uma epidemia, mas silenciosa. Números reportados pelo Ministério do Trabalho revelam que somente em 2024, 472.328 pessoas foram afastadas por transtornos mentais. Em relação a 2023, o aumento foi de 67%.
Trouxemos algumas informações importantes sobre os sintomas, os mitos mais comuns e, principalmente, sobre como funciona o tratamento hoje. Incluindo o que já é consolidado na prática clínica e o que ainda está em fase de pesquisa.
Psiquiatras são os especialistas indicados para o diagnóstico, acompanhamento e tratamento do transtorno bipolar. A Rede Américas conta com médicos renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
Antes de falar sobre tratamento, vale desfazer alguns mitos que ainda rondam o tema:
“É frescura” ou falta de controle emocional. Na realidade, trata-se de uma condição médica reconhecida, com critérios diagnósticos bem definidos e base neurobiológica.
“Bipolar é quem muda de humor de um minuto para o outro”. Os episódios de mania, hipomania ou depressão costumam durar dias, semanas ou até meses. As variações não dependem de minutos.
“Não tem tratamento, é para sempre daquele jeito”. Com acompanhamento adequado, boa parte das pessoas consegue estabilizar o humor e reduzir bastante a frequência e a intensidade das crises.
“Todo mundo que tem oscilação de humor é bipolar”. O diagnóstico exige avaliação psiquiátrica cuidadosa, já que outros quadros podem se confundir com o transtorno bipolar.
De forma rápida, os sintomas do transtorno bipolar costumam se dividir conforme a fase do transtorno:
Geralmente, no período de mania ou hipomania a euforia ou irritabilidade costumam ser fora do padrão. Há um aumento de energia, uma menor necessidade de sono, a fala pode ficar ainda mais acelerada, além de ser acompanhada por períodos de impulsividade. Em casos mais graves, sintomas psicóticos podem ser observados.
Já no período depressivo, há uma tristeza que é persistente. É notória a perda de interesse nas atividades que a pessoa costumava fazer ou gostar de fazer. Fadiga, alterações no sono e no apetite e dificuldade de concentração também são pontos críticos. Em quadros mais intensos, pensamentos de morte podem surgir, o que inspira um maior cuidado nesse período por parte de familiares e outras pessoas do ciclo social.
Durante os episódios, muitas pessoas vivem períodos de estabilidade (conhecido como eutimia). Nesses casos, a pessoa consegue lidar com os sintomas quando o tratamento está bem ajustado.
Esses sinais variam bastante de pessoa para pessoa, tanto em intensidade quanto em duração, e só um profissional de saúde mental pode avaliar se correspondem, de fato, ao transtorno bipolar.
Hoje, o lítio (carbonato de lítio) ainda é considerado o padrão-ouro no tratamento do transtorno bipolar, posição que ocupa há mais de 50 anos.
Ele é um estabilizador de humor eficaz tanto no controle de episódios maníacos quanto depressivos, e é o único medicamento com evidências consistentes de redução do risco de suicídio nessa população. Esse dado é sumariamente relevante, já que o transtorno bipolar está entre as condições psiquiátricas com maior risco de comportamento suicida.
Mesmo sendo o tratamento de referência, o lítio exige acompanhamento rigoroso: a margem entre a dose terapêutica e a dose tóxica é estreita, o que torna indispensável o controle periódico dos níveis sanguíneos e da função renal e tireoidiana.
Efeitos adversos como tremores, alterações renais e problemas na tireoide podem surgir, principalmente com o uso prolongado. Esse é um dos fatores que dificulta a adesão ao tratamento por ser um dos maiores desafios no manejo da condição.
Entre os efeitos adversos do lítio estão:
Nesses casos, o acompanhamento dos níveis de TSH é necessário para que não afete o tratamento primário de hipotireoidismo no paciente. O acompanhamento dos níveis de ureia e creatinina também são recomendados.
Ainda assim, é importante destacar um dado que a própria pesquisa reconhece: uma parte significativa dos pacientes não responde de forma satisfatória ao lítio isoladamente. Nesses casos, o tratamento costuma ser individualizado e combinado com outras estratégias medicamentosas e psicoterapeutas.
Além do lítio, a psiquiatria conta com outras classes de medicamentos e abordagens já consolidadas na prática clínica:
Anticonvulsivantes com ação estabilizadora de humor. O valproato de sódio (indicado sobretudo em quadros de ciclagem rápida) e a lamotrigina (mais associada à prevenção de episódios depressivos) podem ser indicados pelo psiquiatra.
Antipsicóticos de segunda geração. A quetiapina, olanzapina e aripiprazol podem ser usados tanto em episódios agudos de mania quanto, em alguns casos, como parte da manutenção.
A psicoterapia, com destaque para a psicoeducação, a terapia cognitivo-comportamental e a terapia focada na família, tendem a ajudar o paciente a reconhecer os sinais precoces de crise e a melhorar a adesão ao tratamento medicamentoso.
Não menos importante, a regularidade de rotina é parte imprescindível no tratamento. Controlar hábitos de sono, com horários definidos e hábitos que antecedem o período de descanso, ainda que pareçam medidas simples a serem adotadas, têm papel comprovado na prevenção de novos episódios.
Na prática, o tratamento costuma combinar mais de uma dessas frentes, ajustadas ao longo do tempo conforme a resposta de cada pessoa. Não existe um protocolo único que sirva para todos os casos.
Como nem todos os pacientes respondem bem às opções tradicionais, a pesquisa científica segue investigando alternativas. A maioria ainda em fases iniciais ou restrita a casos de difícil controle. Entre as pesquisas estão:
Neuromodulação: técnicas como a estimulação magnética transcraniana (EMT), a estimulação transcraniana por corrente contínua e a estimulação cerebral profunda vêm sendo estudadas principalmente para depressão bipolar resistente a medicamentos.
Os resultados vindos da neuromodulação são considerados promissores, mas ainda dependem de estudos com amostras maiores e protocolos mais padronizados.
Cetamina: originalmente um anestésico, tem sido pesquisada por seu efeito antidepressivo rápido e por uma possível redução da ideação suicida. Por outro lado, ela é geralmente associada a outros tratamentos e sua prescrição ainda deve ser feita sob supervisão médica rigorosa. Ela não é ainda uma terapia de primeira linha.
Eletroconvulsoterapia (ECT): já é utilizada há décadas em quadros graves e refratários, mas segue sendo estudada em combinação com outras técnicas de neuromodulação.
Terapias adjuvantes anti-inflamatórias: substâncias como ômega-3, N-acetilcisteína e alguns anti-inflamatórios têm sido investigadas como coadjuvantes. A hipótese é que processos inflamatórios possam estar envolvidos em parte dos casos de resistência ao tratamento.
Pesquisa genética e de biomarcadores: estudos recentes têm buscado entender por que uma parcela dos pacientes não responde ao lítio. Nesses casos, o que pode abrir caminho, no futuro, para estudos de tratamentos mais personalizados.
Vale reforçar: nenhuma dessas abordagens substitui o acompanhamento psiquiátrico regular. A decisão sobre incluir qualquer uma delas deve ser sempre feita em conjunto com o médico responsável, caso a caso. Em hipótese nenhuma faça o uso de automedicação.
O tema se insere em um cenário mais amplo. O Brasil segue como o país com maior prevalência de depressão da América Latina, e levantamentos recentes apontam que uma parcela relevante da população convive com quadros de depressão ou ansiedade.
Esses números indicam que, segundo a Organização Mundial da Saúde, esses quadros vêm crescendo globalmente nos últimos anos, com mais de um bilhão de pessoas no mundo hoje convivendo com algum transtorno mental.
Já dados coletados de uma pesquisa (2025) apontam que entre março de 2016 e dezembro de 2023 foram identificadas 4.290.165 prescrições e dispensações de medicamentos para o tratamento de Transtorno Afetivo Bipolar no Brasil. Sendo a maioria dos casos registrados nas Regiões Sudeste (43,67%) e Sul (30,42%).
O panorama reforça um ponto importante: buscar ajuda especializada não é exagero nem fraqueza, nem motivo de sentir vergonha. Quanto antes um transtorno de humor é identificado e tratado, maiores são as chances de estabilidade a longo prazo, seja ele o transtorno bipolar, a depressão ou a ansiedade.
Alguns sinais indicam que é hora de buscar avaliação profissional:
O diagnóstico e o plano de tratamento devem ser sempre feitos por um psiquiatra, com base na avaliação individual de cada pessoa. Este texto tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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