A gravidez não causa leucemia, mas pode facilitar sua descoberta precoce; a leucemia surge de alterações genéticas nas células da medula óssea
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Toda mãe sabe: o momento de abrir os resultados dos exames de sangue do pré-natal costuma ser cercado de expectativa. Você procura por alterações normais, como uma leve queda no ferro, mas, de repente, o médico nota uma contagem muito alterada de glóbulos brancos.
Receber a suspeita de uma doença onco-hematológica enquanto se espera um filho gera um turbilhão de dúvidas.. O corpo da mulher passa por intensas mudanças imunológicas e hormonais, mas nenhuma delas tem o poder de alterar o DNA das células do sangue a ponto de gerar um câncer.
O diagnóstico durante essa fase costuma ser uma coincidência de tempo. Como a mulher realiza muitos exames laboratoriais no pré-natal, doenças silenciosas acabam sendo descobertas de forma precoce.
Alterações nos glóbulos brancos, hemácias ou plaquetas durante a gravidez merecem avaliação médica individualizada. Agende uma consulta com um especialista da Rede Américas.
A leucemia é um tipo de câncer que tem origem na medula óssea, o tecido responsável por fabricar as células do sangue. Ela ocorre quando as células formadoras do sangue sofrem alterações e mutações genéticas sequenciais. Com isso, os glóbulos brancos doentes se multiplicam de forma descontrolada, atrapalhando a produção de glóbulos vermelhos e plaquetas saudáveis na medula.
Na grande maioria dos casos em adultos, não é possível apontar uma causa única ou um fator desencadeante específico. A doença está ligada a fatores biológicos e ambientais pré-existentes. Entre os principais fatores de risco conhecidos estão:
Identificar a leucemia na gravidez é um desafio médico. Muitos dos primeiros sintomas da doença se sobrepõem às queixas clássicas de uma gestação normal. O cansaço extremo, anemia e plaquetas baixas (trombocitopenia) são comuns em mulheres grávidas, o que pode atrasar a suspeita clínica.
Para facilitar a compreensão, organizamos as diferenças entre os sintomas comuns da gestação e os sinais que exigem investigação hematológica.
A investigação começa com o hemograma completo, o exame de sangue mais solicitado no pré-natal. Se o obstetra notar um aumento desproporcional de leucócitos ou uma queda brusca de plaquetas e glóbulos vermelhos, ele encaminhará a paciente para um hematologista.
Para confirmar o diagnóstico e descobrir o subtipo da leucemia (como a leucemia mieloide aguda ou crônica), o médico pode solicitar um mielograma ou uma biópsia da medula óssea. Esse procedimento retira uma pequena amostra de sangue ou osso, geralmente da região do quadril, utilizando anestesia local.
O exame é seguro para a gestante e não apresenta riscos de radiação ou danos ao feto, podendo ser realizado em qualquer fase da gravidez.
O tratamento do câncer na gravidez é viável. A decisão terapêutica depende do tipo de leucemia, da agressividade da doença e, principalmente, do trimestre gestacional.
O objetivo da equipe médica é sempre curar ou controlar a doença da mãe, garantindo o desenvolvimento seguro do bebê. Veja como é o tratamento durante a gravidez, de acordo com estudo publicado na Molecular and Clinical Oncology (2024).
Quando a doença é descoberta ainda no primeiro trimestre, o médico pode sugerir a interrupção da gestação. Entre a 13ª e 24ª semanas a recomendação é manter a gravidez e fazer o tratamento quimioterápico. Já se o câncer for descoberto após a 32ª semana, a indução do parto é sugerida e a quimioterapia deve ser administrada após o nascimento do bebê.
O tratamento deve ser acompanhado por onco-hematologistas e ginecologistas especializados para monitorar os efeitos potenciais para o feto ocasionados pela terapia. O artigo recomenda também que o tratamento seja interrompido 10 meses antes da concepção e que mulher continue após o nascimento do filho.
Quando o diagnóstico da leucemia linfoblástica aguda é feito até a 20ª semana, a paciente deve iniciar a abordagem terapêutica rapidamente. Caso seja antes, a interrupção também deve ser uma opção. Após a 20ª semana, o tratamento envolve agentes diferentes. Assim como na leucemia mieloide crônica, o tratamento também deve começar somente depois da 32ª semana, depois do parto induzido.
A terapêutica da leucemia linfocítica crônica não é muito relatado na literatura, por isso o manejo é personalizado para cada paciente. O estudo aponta que na maioria dos casos é feito somente o acompanhamento dos casos, sem tratamento até o momento do nascimento. O que ocorre caso a doença não esteja evoluindo rápido.
De maneira geral, o esquema medicamentoso costuma ser suspenso algumas semanas antes do parto planejado para permitir a recuperação da imunidade materna, reduzindo riscos de hemorragia ou infecção.
As células cancerígenas da leucemia materna não ultrapassam a barreira placentária. Portanto, o bebê não contrai a leucemia da mãe durante a gestação. A ocorrência de leucemia na infância representa aproximadamente 30% dos casos, diz a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica.
Além disso, a maioria das crianças diagnosticas possuem as causas desconhecidas. O acompanhamento pré-natal regular continua sendo a maneira mais eficiente de monitorar a saúde da mulher e do bebê.
O diagnóstico de leucemia na gravidez exige uma rede de apoio sólida. A parceria entre o hematologista, o obstetra especializado em gestação de alto risco e o apoio psicológico faz toda a diferença no sucesso do tratamento e no acolhimento da família.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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