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Revisado em: 28/09/2026

O que causa leucemia na gravidez? Veja sintomas, diagnóstico e tratamento 

A gravidez não causa leucemia, mas pode facilitar sua descoberta precoce; a leucemia surge de alterações genéticas nas células da medula óssea 

Resumo
  • A gravidez não é a causa da leucemia; a doença surge por mutações genéticas no DNA das células da medula óssea
  • A leucemia provoca anemia, mas um quadro de anemia gestacional não evolui para leucemia
  • Os sintomas iniciais, como fadiga e manchas roxas, podem ser confundidos com alterações normais da gestação
  • O diagnóstico é feito por exames de sangue e biópsia da medula óssea, procedimentos seguros para o feto
  • O tratamento é possível e adaptado de acordo com o trimestre da gravidez, exigindo uma equipe multidisciplinar

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Toda mãe sabe: o momento de abrir os resultados dos exames de sangue do pré-natal costuma ser cercado de expectativa. Você procura por alterações normais, como uma leve queda no ferro, mas, de repente, o médico nota uma contagem muito alterada de glóbulos brancos. 

Receber a suspeita de uma doença onco-hematológica enquanto se espera um filho gera um turbilhão de dúvidas.. O corpo da mulher passa por intensas mudanças imunológicas e hormonais, mas nenhuma delas tem o poder de alterar o DNA das células do sangue a ponto de gerar um câncer. 

O diagnóstico durante essa fase costuma ser uma coincidência de tempo. Como a mulher realiza muitos exames laboratoriais no pré-natal, doenças silenciosas acabam sendo descobertas de forma precoce.

Alterações nos glóbulos brancos, hemácias ou plaquetas durante a gravidez merecem avaliação médica individualizada. Agende uma consulta com um especialista da Rede Américas.

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O que causa a leucemia?

A leucemia é um tipo de câncer que tem origem na medula óssea, o tecido responsável por fabricar as células do sangue. Ela ocorre quando as células formadoras do sangue sofrem alterações e mutações genéticas sequenciais. Com isso, os glóbulos brancos doentes se multiplicam de forma descontrolada, atrapalhando a produção de glóbulos vermelhos e plaquetas saudáveis na medula.

Na grande maioria dos casos em adultos, não é possível apontar uma causa única ou um fator desencadeante específico. A doença está ligada a fatores biológicos e ambientais pré-existentes. Entre os principais fatores de risco conhecidos estão:

  • exposição prévia a altos níveis de radiação
  • contato prolongado com substâncias químicas industriais, como o benzeno e o formaldeído
  • Infecção por vírus da hepatite B e da hepatite C
  • Tabagismo
  • Idade avançada: o risco aumenta com o passar dos anos
  • tratamentos anteriores com certos tipos de quimioterapia
  • predisposição genética ou síndromes hereditárias

O que causa leucemia na gravidez?

Identificar a leucemia na gravidez é um desafio médico. Muitos dos primeiros sintomas da doença se sobrepõem às queixas clássicas de uma gestação normal. O cansaço extremo, anemia e plaquetas baixas (trombocitopenia) são comuns em mulheres grávidas, o que pode atrasar a suspeita clínica.

Para facilitar a compreensão, organizamos as diferenças entre os sintomas comuns da gestação e os sinais que exigem investigação hematológica.

Sintoma

Na gravidez normal

Sinal de alerta para leucemia 

cansaço e fadiga

Ocorre devido ao peso extra e variações hormonais, melhorando com repouso

Exaustão extrema e persistente, acompanhada de palidez intensa e taquicardia

manchas na pele

Pequenos vasinhos ou melasmas no rosto decorrentes dos hormônios

Surgimento de hematomas sem pancadas prévias e petéquias (pontos vermelhos na pele).

sangramentos

Gengiva levemente sensível ao escovar os dentes

Sangramentos nasais frequentes, gengivais intensos ou presença de sangue na urina

imunidade

Pequena queda de resistência, resultando em resfriados esporádicos

Infecções graves, persistentes e febre sem causa aparente

Como é feito o diagnóstico seguro para a mãe e o bebê?

A investigação começa com o hemograma completo, o exame de sangue mais solicitado no pré-natal. Se o obstetra notar um aumento desproporcional de leucócitos ou uma queda brusca de plaquetas e glóbulos vermelhos, ele encaminhará a paciente para um hematologista.

Para confirmar o diagnóstico e descobrir o subtipo da leucemia (como a leucemia mieloide aguda ou crônica), o médico pode solicitar um mielograma ou uma biópsia da medula óssea. Esse procedimento retira uma pequena amostra de sangue ou osso, geralmente da região do quadril, utilizando anestesia local. 

O exame é seguro para a gestante e não apresenta riscos de radiação ou danos ao feto, podendo ser realizado em qualquer fase da gravidez.

É possível tratar a leucemia durante a gravidez?

O tratamento do câncer na gravidez é viável. A decisão terapêutica depende do tipo de leucemia, da agressividade da doença e, principalmente, do trimestre gestacional. 

O objetivo da equipe médica é sempre curar ou controlar a doença da mãe, garantindo o desenvolvimento seguro do bebê. Veja como é o tratamento durante a gravidez, de acordo com estudo publicado na Molecular and Clinical Oncology (2024).

Leucemia mieloide aguda

Quando a doença é descoberta ainda no primeiro trimestre, o médico pode sugerir a interrupção da gestação. Entre a 13ª e 24ª semanas a recomendação é manter a gravidez e fazer o tratamento quimioterápico. Já se o câncer for descoberto após a 32ª semana, a indução do parto é sugerida e a quimioterapia deve ser administrada após o nascimento do bebê.

Leucemia mieloide crônica

O tratamento deve ser acompanhado por onco-hematologistas e ginecologistas especializados para monitorar os efeitos potenciais para o feto ocasionados pela terapia. O artigo recomenda também que o tratamento seja interrompido 10 meses antes da concepção e que mulher continue após o nascimento do filho. 

Leucemia linfoblástica aguda

Quando o diagnóstico da leucemia linfoblástica aguda é feito até a 20ª semana, a paciente deve iniciar a abordagem terapêutica rapidamente. Caso seja antes, a interrupção também deve ser uma opção. Após a 20ª semana, o tratamento envolve agentes diferentes. Assim como na leucemia mieloide crônica, o tratamento também deve começar somente depois da 32ª semana, depois do parto induzido.

Leucemia linfocítica crônica

A terapêutica da leucemia  linfocítica crônica não é muito relatado na literatura, por isso o manejo é personalizado para cada paciente. O estudo aponta que na maioria dos casos é feito somente o acompanhamento dos casos, sem tratamento até o momento do nascimento. O que ocorre caso a doença não esteja evoluindo rápido.

De maneira geral, o esquema medicamentoso costuma ser suspenso algumas semanas antes do parto planejado para permitir a recuperação da imunidade materna, reduzindo riscos de hemorragia ou infecção.

O bebê pode nascer com leucemia?

As células cancerígenas da leucemia materna não ultrapassam a barreira placentária. Portanto, o bebê não contrai a leucemia da mãe durante a gestação. A ocorrência de leucemia na infância representa aproximadamente 30% dos casos, diz a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica.

Além disso, a maioria das crianças diagnosticas possuem as causas desconhecidas. O acompanhamento pré-natal regular continua sendo a maneira mais eficiente de monitorar a saúde da mulher e do bebê.

O diagnóstico de leucemia na gravidez exige uma rede de apoio sólida. A parceria entre o hematologista, o obstetra especializado em gestação de alto risco e o apoio psicológico faz toda a diferença no sucesso do tratamento e no acolhimento da família.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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