Sangue na diarreia: o que pode ser e quando procurar um médico
Um sintoma que gera preocupação e indica a necessidade de atenção médica para um diagnóstico preciso.
A cena é desconfortável e, para muitos, assustadora: após um episódio de diarreia, você percebe a presença de sangue no vaso sanitário ou no papel higiênico.
A primeira reação é de alarme, mas é importante entender que, embora o sintoma possa ter diversas origens, a presença de sangue visível nas fezes durante a diarreia é um sinal de infecção intestinal grave e invasiva, exigindo avaliação médica imediata.
Hospital
Localização
Agendamento
Hospital Paraná
Av. Dr. Luiz Teixeira Mendes, 1929 - Zona 05, Maringá - PR, 87015-000
A presença de sangue misturado às fezes líquidas é clinicamente conhecida como disenteria. Este quadro indica que existe algum tipo de lesão, inflamação ou irritação na mucosa do trato gastrointestinal que está causando sangramento.
A diarreia com sangue visível nas fezes é classificada como diarreia invasiva. É um forte sinal de infecção intestinal que requer atenção médica, especialmente quando acompanhada de cólicas abdominais e febre.
Nesses casos, a diarreia com sangue é um forte indício de que a infecção é causada por bactérias invasoras ou outros patógenos que danificam a parede intestinal. Portanto, nunca deve ser ignorado, pois pode ser um sinal de condições mais sérias que necessitam de investigação e tratamento específico.
Quais são as principais causas da diarreia com sangue?
As causas são variadas e podem ser agrupadas em algumas categorias principais. Desde problemas localizados na região anal até doenças que afetam todo o intestino.
Condições anorretais comuns
Frequentemente, a origem do sangue é mais simples e localizada perto do ânus. Nessas situações, o sangue costuma ser vermelho vivo e não aparece misturado às fezes.
Hemorroidas: são veias dilatadas na região anal ou no reto. Quando inflamadas, podem sangrar durante ou após a evacuação, especialmente se as fezes estiverem ácidas devido à diarreia.
Fissura anal: um pequeno corte ou rasgo na pele do ânus, geralmente causado pela passagem de fezes duras, mas que pode sangrar e doer intensamente durante um quadro diarreico.
Infecções gastrointestinais
Agentes infecciosos são uma causa muito comum de disenteria, pois podem invadir e danificar o revestimento intestinal.
A diarreia com sangue, ou disenteria, é frequentemente causada por patógenos como vírus, bactérias e protozoários. Estes são transmitidos principalmente pela rota fecal-oral, ressaltando a importância de medidas de saneamento e higiene adequadas para a prevenção.
Bacterianas: cepas de bactérias como Shigella, Salmonella, Campylobacter e Escherichia coli entero-hemorrágica podem causar colite (inflamação do cólon), levando a cólicas severas e diarreia sanguinolenta.
Parasitárias: a amebíase, causada pelo parasita Entamoeba histolytica, é uma causa clássica de diarreia com sangue e muco.
Virais: embora menos comum, alguns vírus, como o rotavírus em casos mais graves, podem levar a sangramentos.
Doenças inflamatórias intestinais (DII)
Estas são condições crônicas em que o sistema imunológico ataca o próprio trato digestivo, causando inflamação persistente.
Doença de Crohn: pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, causando úlceras profundas que podem sangrar.
Retocolite ulcerativa: a inflamação e as úlceras se concentram no intestino grosso (cólon) e no reto, sendo a diarreia com sangue um dos seus sintomas mais característicos.
Outras condições do trato digestivo
Outras doenças e alterações estruturais do intestino também podem estar por trás do sintoma.
Doença diverticular: divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do cólon. Se inflamarem (diverticulite) ou se um vaso sanguíneo dentro deles se romper, pode ocorrer sangramento significativo.
Pólipos intestinais: são crescimentos anormais na parede interna do cólon. Embora muitos sejam benignos, podem sangrar e, alguns tipos, têm potencial para se tornarem malignos.
Tumores: o câncer colorretal pode causar sangramento oculto ou visível nas fezes. Em estágios mais avançados, a diarreia com sangue pode ser um dos sintomas.
Como a cor do sangue pode ajudar no diagnóstico?
A aparência do sangue pode fornecer pistas importantes para o médico sobre a possível localização do sangramento. Vale dizer que apenas um profissional pode confirmar o diagnóstico.
Cor do sangue
Possível origem
Características comuns
Vermelho vivo
Trato intestinal inferior (cólon, reto, ânus)
O sangue não teve tempo de ser digerido. Típico de hemorroidas, fissuras, diverticulite ou retocolite.
Vermelho escuro ou vinho
Início do cólon ou final do intestino delgado
O sangue já passou por um processo parcial de digestão. Pode indicar DII ou doença diverticular.
Preto (melena)
Trato intestinal superior (estômago, duodeno)
O sangue foi completamente digerido, resultando em fezes escuras e com odor forte. Geralmente associado a úlceras ou sangramento gástrico.
Quando a diarreia com sangue é um sinal de alerta?
É crucial reconhecer que a presença de sangue nas fezes durante a diarreia é um sintoma de alerta que exige investigação médica aprofundada. Essa análise é fundamental para descartar causas potencialmente graves, como Doença Inflamatória Intestinal (DII) ou câncer colorretal, que podem manifestar-se com esse sintoma.
Embora qualquer sangramento deva ser comunicado a um médico, alguns sinais e sintomas associados indicam a necessidade de procurar atendimento de urgência:
Diarreia com sangue que persiste por mais de 48 horas.
Febre alta (acima de 38,5 °C).
Dor abdominal intensa, contínua ou que piora.
Sinais de desidratação, como boca seca, sede excessiva, urina escura ou ausente, fraqueza e tontura.
A partir daí, podem ser solicitados exames para identificar a causa, como:
Exames de fezes: para detectar a presença de bactérias, parasitas ou marcadores inflamatórios.
Exames de sangue: para avaliar sinais de infecção, anemia ou inflamação.
Exames de imagem: como a colonoscopia, que permite visualizar o interior do intestino grosso e retirar amostras de tecido (biópsias) se necessário.
O tratamento depende inteiramente da causa diagnosticada. Pode incluir desde antibióticos para infecções bacterianas, anti-inflamatórios para DII, até mudanças na dieta e procedimentos específicos para tratar hemorroidas ou pólipos. A automedicação, especialmente com antidiarreicos, pode ser perigosa e mascarar um quadro grave.
O que fazer para aliviar os sintomas enquanto aguarda a consulta?
Enquanto aguarda a avaliação médica, o foco principal deve ser a prevenção da desidratação, um risco comum em qualquer quadro de diarreia.
Hidrate-se intensamente: beba bastante água, água de coco, chás claros e soluções de reidratação oral, disponíveis em farmácias.
Faça uma dieta leve: opte por alimentos de fácil digestão, como arroz branco, batata cozida, banana, maçã sem casca e frango grelhado.
Evite certos alimentos: comidas gordurosas, frituras, laticínios, doces e alimentos ricos em fibras podem piorar a diarreia.
Repouse: permita que seu corpo use a energia para se recuperar.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
BASHAR, S. J. et al. Antibiotic use prior to attending a large diarrheal disease hospital among preschool children suffering from bloody or non-bloody diarrhea: A cross-sectional study conducted in Bangladesh. PLOS ONE, 26 nov. 2024. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0314325. Acesso em: 9 dez. 2025.
BAUZA, V. et al. Interventions to improve sanitation for preventing diarrhoea. The Cochrane Database of Systematic Reviews, 25 jan. 2023. Disponível em: https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD013328.pub2/full. Acesso em: 9 dez. 2025.
IHARA, E. et al. Evidence-Based Clinical Guidelines for Chronic Diarrhea 2023. Digestion, [S. l.], 28 ago. 2024. Disponível em: https://karger.com/dig/article/105/6/480/912462/Evidence-Based-Clinical-Guidelines-for-Chronic. Acesso em: 9 dez. 2025.
PARVIN, I. et al. Characteristics and outcomes of children 2–23 months of age with prolonged diarrhoea: A secondary analysis of data from the ‘Antibiotics for Children with Diarrhea’ trial. Journal of Global Health, [S. l.], 2024. Disponível em: https://jogh.org/2024/jogh-14-04196. Acesso em: 9 dez. 2025.