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Sinais de depressão pós-parto que merecem atenção

13% das mulheres que acabaram de dar à luz enfrentam algum transtorno mental, principalmente depressão

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Trazer um bebê ao mundo costuma ser descrito como um momento de alegria, mas nem sempre é assim que a mãe se sente. Muitas mulheres passam por uma tristeza profunda logo após o parto, que não melhora com o tempo. Quando isso acontece, pode se tratar de sinais de depressão pós-parto. Esse quadro não é falta de amor pelo filho. É uma condição de saúde que merece atenção e tratamento.

Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostraram que essa condição afeta milhões de famílias globalmente, e, no Brasil, outro levantamento aponta prevalência similar. O impacto atinge não só a mãe, mas também o desenvolvimento da criança e a dinâmica da família. Reconhecer os sinais cedo ajuda a procurar ajuda no momento certo.

O que causa os sintomas de depressão pós-parto?

O corpo da mulher passa por mudanças intensas depois do nascimento. A queda rápida de hormônios, junto da privação de sono e da rotina exaustiva com o bebê, aumenta o risco de depressão. Também temos que levar em conta os fatores emocionais e sociais que pesam: medo de não dar conta, cobrança para “ser uma mãe perfeita” e falta de apoio da família.

Mulheres que já tiveram episódios de depressão ou ansiedade antes da gravidez também apresentam maior vulnerabilidade. Complicações durante o parto ou dificuldades na amamentação podem agravar o quadro.

Quais são os sinais de depressão pós-parto?

A depressão pós-parto não se resume à tristeza. Essa condição aparece de várias formas e, muitas vezes, passa despercebida. Entre os sinais mais comuns estão:

Humor depressivo

A mãe sente tristeza constante, chora sem saber o motivo ou vive com uma sensação de vazio. Também podem surgir pensamentos indesejados, como o medo de algo ruim acontecer com o bebê ou até a ideia de não ser uma boa mãe. 

Esses pensamentos causam culpa e afetam a autoestima, mesmo quando a mãe está se esforçando ao máximo.

Perda de interesse

Coisas que antes davam prazer deixam de fazer sentido. Ver amigos, assistir a uma série ou até mesmo brincar com o bebê pode não despertar vontade. Isso aumenta a sensação de afastamento de tudo ao redor.

Insônia ou sono intenso

Mesmo exausta, a mãe não consegue dormir. Ou, ao contrário, dorme demais e ainda assim não se sente descansada. 

Essas alterações no sono aumentam o cansaço, o que dificulta o cuidado com o bebê e consigo mesma.

Alteração de apetite

O apetite pode desaparecer ou, em alguns casos, a mãe passa a comer em excesso, usando a comida como escape. Nos dois extremos, o corpo sofre. 

A alimentação desequilibrada atrapalha a recuperação física e emocional no pós-parto.

Sentimento de sobrecarga

As tarefas do dia a dia parecem impossíveis de serem concluídas. Cuidar do bebê, da casa ou até mesmo de si se torna pesado demais. 

Esse cansaço não é apenas físico, mas emocional. Muitas mães relatam sentir que estão “afundando” em responsabilidades sem apoio.

Ansiedade e irritabilidade

A ansiedade chega de forma intensa: preocupação exagerada com o bebê, medo constante de algo dar errado. 

A irritabilidade também aumenta, levando a explosões de choro ou raiva. Depois, vem a culpa por reagir dessa forma.

Existem outros sintomas?

A resposta é que sim, existem mais sinais de depressão pós-parto. Algumas mulheres têm pensamentos assustadores, como a ideia de se machucar ou de que algo terrível vai acontecer. Isso cria certo medo, mas não significa que ela deseja agir dessa forma. Esses pensamentos são sintomas da doença e precisam ser levados a sério.

Outros sinais diferentes incluem sensação de estar “desconectada” do bebê, falta de vontade de segurá-lo ou dificuldade para criar vínculo. Crises de choro sem motivo também podem ser sinal de alerta.

Quando procurar um médico por sinais de depressão pós-parto?

O ideal é buscar ajuda quando os sinais duram mais de duas semanas e atrapalham a rotina. Porém, se a mãe não consegue cuidar do bebê ou pensa em se machucar, precisa de apoio profissional imediato para evitar consequências. 

Ginecologistas, psiquiatras e psicólogos podem indicar o melhor tratamento. Muitas vezes, a psicoterapia já traz melhora que as mães buscam. Em alguns casos, o médico pode recomendar antidepressivos seguros durante a amamentação, como sertralina ou escitalopram. 

Se houver risco de vida, é essencial procurar um pronto-socorro ou ligar para serviços de emergência. Não espere passar sozinho.

Como ajudar alguém com depressão pós-parto?

Quem está ao lado da mãe tem papel fundamental. Algumas atitudes fazem diferença, como ouvir sem julgar. Evite frases como “isso passa” ou “outras mães também aguentam”. Prefira dizer “estou aqui com você” ou “me conta o que está sentindo”.

É muito importante também ajudar na prática. Cozinhar, cuidar do bebê por algumas horas ou dividir tarefas da casa alivia a carga emocional.

E, claro, incentivar o tratamento tem o maior valor durante esse apoio. Lembrar que não é fraqueza, é uma doença que precisa de cuidado.

Acima de tudo, é importante mostrar que a mãe não está sozinha. Depressão pós-parto tem tratamento e melhora com acompanhamento adequado. Com apoio, a mulher recupera a energia, o vínculo com o bebê e a confiança em si mesma.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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BRASIL. Ministério da Saúde. Depressão pós-parto. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/depressao-pos-parto. Acesso em: 18 ago. 2025.

MOLDENHAUER, Julie S.; GOJE, Oluwatosin. Depressão pós-parto. In: Manual MSD — Versão Saúde para a Família. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-saúde-feminina/cuidados-pós-parto/depressão-pós-parto#Tratamento_v811911_pt. Atualizado em: ago. 2024. Acesso em: 18 ago. 2025.

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