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Quais os sinais de dengue hemorrágica: quando buscar atenção médica

A fase mais crítica da dengue pode começar justamente quando a febre desaparece. Saiba identificar os sintomas de gravidade.

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A febre finalmente cedeu. Após dias de mal-estar, dor no corpo e cansaço, a temperatura volta ao normal e um sentimento de alívio começa a surgir. No entanto, é exatamente neste momento que a vigilância precisa ser redobrada, pois a aparente melhora pode mascarar o início da fase mais crítica da dengue.

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O que é a dengue grave?

Primeiramente, é importante esclarecer a terminologia. O termo "dengue hemorrágica" foi substituído por uma classificação mais ampla: dengue com sinais de alarme e dengue grave. Essa mudança ocorreu porque nem todos os casos graves da doença apresentam hemorragias visíveis.

A dengue grave é uma complicação da infecção pelo vírus da dengue. Ela ocorre quando há um extravasamento de plasma, que é a parte líquida do sangue, para fora dos vasos sanguíneos. 

O vazamento de plasma é um indicador crucial de risco, associado de forma independente à evolução para dengue grave. Esse fenômeno, associado à queda acentuada das plaquetas (células de coagulação), pode levar ao choque (colapso circulatório), sangramento excessivo e falência de órgãos importantes. Em casos mais severos, essas complicações podem ter consequências sérias para a saúde.

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Por que a fase após a febre é a mais crítica?

A evolução da dengue geralmente se divide em três fases: febril, crítica e de recuperação. A fase crítica costuma ocorrer entre o 3º e o 7º dia da doença, coincidindo com o desaparecimento da febre. É neste período, conhecido como fase afebril, que os sinais de alarme podem surgir.

Muitas pessoas interpretam o fim da febre como o fim da doença, relaxando os cuidados com hidratação e repouso. Contudo, é nesse intervalo de 24 a 48 horas que o quadro pode evoluir rapidamente para uma forma grave. 

Se, após a febre baixar, houver dor abdominal intensa ou vômitos persistentes, é crucial procurar uma emergência, pois são indicadores de que a doença pode se agravar rapidamente, exigindo intervenção médica imediata.

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Quais são os principais sinais de alarme da dengue?

De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil e protocolos internacionais, os sinais de que a dengue está se agravando precisam ser reconhecidos rapidamente. 

Fique atento se, após a febre baixar, um ou mais dos seguintes sintomas aparecerem:

  • Dor abdominal intensa e contínua: não é um simples desconforto. Trata-se de uma dor forte na barriga, que não cede. A dor abdominal intensa é um dos sinais de alerta mais frequentes, presente em 79% dos casos que evoluem para dengue grave. Este sintoma pode indicar sangramento ou inflamação de órgãos internos, como o fígado.
  • Vômitos persistentes: vomitar várias vezes ao dia impede a hidratação oral, que é fundamental para a recuperação. Vômitos persistentes são indicadores cruciais de que a doença pode evoluir para um quadro grave. Se os vômitos contiverem sangue, ou se as fezes estiverem escuras, há um risco significativamente alto de dengue grave, exigindo atenção médica imediata.
  • Sangramentos de mucosas: pequenos sangramentos no nariz (epistaxe) ou nas gengivas ao escovar os dentes são sinais importantes. A presença de qualquer tipo de sangramento é um indicador crucial de risco, associado de forma independente à evolução para dengue grave.
  • Hipotensão postural: sentir tontura, fraqueza ou quase desmaiar ao se levantar. Isso pode indicar uma queda na pressão arterial devido à perda de líquido dos vasos.
  • Letargia ou irritabilidade: sonolência excessiva, dificuldade para despertar ou, no caso de crianças, choro intenso e irritação constante são alterações neurológicas que merecem atenção. A inquietação é um sinal de alerta frequente, ocorrendo em 64,6% dos pacientes que progridem para a forma grave da doença.
  • Acúmulo de líquidos: pode se manifestar como inchaço nas pernas e pés. A dificuldade para respirar (dispneia) é um indicador crucial de risco, associado de forma independente à evolução para a dengue grave, indicando a presença de líquido nos pulmões.
  • Surgimento de manchas na pele: além das manchas vermelhas comuns da dengue (exantema), o aparecimento de pequenos pontos vermelhos que não somem ao pressionar a pele (petéquias) ou de manchas roxas (equimoses) pode indicar problemas de coagulação.

Como o diagnóstico da dengue grave é realizado?

diagnóstico da dengue é primariamente clínico, baseado na avaliação dos sinais e sintomas pelo profissional de saúde. Durante a consulta, o médico pode realizar a "prova do laço", um teste simples que ajuda a verificar a fragilidade dos vasos sanguíneos.

Além disso, exames de sangue são fundamentais. O hemograma avalia a contagem de plaquetas e o hematócrito. Uma queda acentuada nas plaquetas e um aumento no hematócrito (que indica a concentração do sangue) são fortes indicativos de extravasamento de plasma, confirmando a gravidade do quadro.

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O que fazer ao identificar um sinal de alarme?

A orientação é única e direta: procurar atendimento médico de emergência imediatamente. Não espere os sintomas piorarem e não tente manejar a situação em casa. A dengue grave é uma emergência médica que evolui rapidamente.

A hidratação e o monitoramento em ambiente hospitalar são cruciais para reverter o quadro e evitar complicações fatais. A detecção precoce e o manejo clínico adequado são os fatores que mais contribuem para a sobrevivência do paciente.

Existe tratamento para a dengue grave?

Não há um medicamento específico que cure a dengue. O tratamento para as formas graves é de suporte e focado em combater as consequências da doença no organismo. Em ambiente hospitalar, o pilar do tratamento é a hidratação venosa para repor o líquido perdido e manter a pressão arterial estável.

É fundamental também evitar o uso de medicamentos à base de ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroides, pois eles podem aumentar o risco de sangramentos. Apenas medicamentos prescritos por um profissional de saúde devem ser utilizados.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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