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Entenda a ação do álcool no sistema nervoso central, desde a desinibição inicial até os danos estruturais crônicos

Uma taça de vinho para relaxar após um dia de trabalho ou um brinde com amigos no fim de semana são cenas comuns na vida de muitas pessoas.
A sensação de relaxamento e euforia que o álcool proporciona é bem conhecida, mas por trás desses efeitos iniciais, uma complexa reação química está ocorrendo dentro do cérebro. Identificar os riscos a tempo pode evitar sequelas neurológicas. Agende sua consulta em um hospital Rede Américas.
O álcool, ou etanol, é uma substância psicoativa que atravessa facilmente a barreira hematoencefálica, uma estrutura que protege o cérebro. Uma vez lá, ele atua como um depressor do sistema nervoso central (SNC), o que significa que ele desacelera as funções cerebrais.
Essa ação ocorre principalmente pela alteração no equilíbrio de dois neurotransmissores chave: o GABA (ácido gama-aminobutírico) e o glutamato.
A intensidade dos efeitos imediatos depende da quantidade consumida, da velocidade da ingestão e de fatores individuais como peso e metabolismo. As áreas do cérebro são afetadas progressivamente.
Esta é uma das primeiras áreas a serem afetadas. Responsável pelo julgamento, raciocínio e controle de impulsos, sua inibição causa a desinibição social e a tomada de decisões de risco. O consumo exagerado de álcool pode ativar processos químicos que destroem neurônios nesta região, levando a lesões cerebrais permanentes e acelerando a morte celular.
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Com o aumento da concentração de álcool, o cerebelo, que controla a coordenação motora e o equilíbrio, é atingido. O álcool provoca a morte de neurônios e inflamação nesta parte do cérebro. Isso resulta na diminuição da massa cerebral, comprometendo a coordenação motora, os reflexos e dificultando o andar, além de causar tontura e perda de precisão nos movimentos.
A área crucial para a formação de novas memórias é altamente sensível ao álcool. A sua supressão pode causar os chamados "apagões" ou lapsos de memória, nos quais a pessoa não se lembra de eventos ocorridos durante o período de intoxicação.
Em casos de intoxicação alcoólica grave, o tronco cerebral pode ser afetado. Essa área controla funções vitais básicas, como respiração e frequência cardíaca, e sua depressão pode levar ao coma e à morte.
O consumo crônico e excessivo de álcool provoca danos estruturais e funcionais duradouros no cérebro. Diferentemente dos efeitos agudos, essas alterações podem ser permanentes.
O consumo crônico e excessivo de álcool causa o encolhimento físico do cérebro, conhecido como atrofia cerebral. O alcoolismo crônico está associado de forma consistente a uma redução significativa do volume cerebral.
Essa atrofia afeta tanto a substância cinzenta, composta por corpos de neurônios, quanto a substância branca, formada pelas vias de comunicação neuronal. A perda de tecido cerebral está diretamente ligada ao declínio de funções cognitivas, como memória, capacidade de planejamento e resolução de problemas.
O consumo de álcool também prejudica a memória ao ativar inflamações que danificam as células nervosas. E pode causar danos tóxicos ao cérebro, reduzindo a espessura do córtex e diminuindo o metabolismo de energia essencial para o seu funcionamento.
A atrofia resultante do consumo crônico de álcool afeta áreas cerebrais essenciais, prejudicando permanentemente a memória, a coordenação motora e a capacidade de raciocínio.
O dano cerebral induzido pelo álcool é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de diversos tipos de demência. O consumo nocivo de álcool contribui para a carga de doenças neuropsiquiátricas, incluindo a demência alcoólica, cujos sintomas podem se assemelhar aos da doença de Alzheimer.
Além do declínio cognitivo geral, o alcoolismo é a causa direta de síndromes neurológicas específicas e graves.
Esta é uma das consequências neurológicas mais severas do alcoolismo. Trata-se de duas condições relacionadas, causadas por uma deficiência grave de tiamina (vitamina B1), comum em pessoas com dependência de álcool devido à má nutrição e à má absorção do nutriente.
O álcool também danifica os nervos periféricos, que conectam a medula espinhal aos músculos e órgãos sensoriais. Isso pode causar dor, formigamento, fraqueza e sensações de queimação, principalmente nas mãos e nos pés.
O cérebro possui uma notável capacidade de recuperação, conhecida como neuroplasticidade. Com a abstinência total, parte dos danos estruturais pode ser revertida. A espessura cortical pode aumentar e o volume cerebral pode se recuperar parcialmente após meses ou anos sem beber.
No entanto, a recuperação funcional varia de pessoa para pessoa e depende da gravidade e duração do consumo. Danos severos, como os observados na Síndrome de Korsakoff, geralmente são permanentes. O processo de interrupção do consumo deve ser sempre acompanhado por uma equipe de saúde qualificada.
Reconhecer a necessidade de ajuda é um passo fundamental. Procure um médico ou especialista se você ou alguém próximo apresentar os seguintes sinais:
O acompanhamento profissional é essencial para garantir uma abordagem segura e eficaz para o tratamento da dependência e para mitigar os danos ao cérebro e a outros órgãos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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