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Caneta emagrecedora: riscos e porquê é necessário ter receita médica para usar

Canetas emagrecedoras imitam hormônios que reduzem o apetite; o uso sem prescrição aumenta riscos e complicações graves

Resumo
  • Canetas emagrecedoras usam análogos de GLP-1 e GIP para reduzir apetite
  • Foram desenvolvidas para diabetes tipo 2 e também promovem perda de peso
  • Podem causar náuseas, hipoglicemia, pancreatite e outros efeitos graves
  • Uso sem prescrição aumenta risco de complicações e produtos irregulares
  • Tratamento seguro exige acompanhamento médico e mudança de estilo de vida
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O interesse pelas chamadas “canetas para emagrecer” cresceu nos últimos anos, mas é fundamental saber os riscos antes de iniciar qualquer tratamento. Esses medicamentos injetáveis passaram a ser utilizados também para a perda de peso.

O que ocorre devido à sua ação sobre hormônios como o GLP-1 e o GIP, que regulam a glicemia e a sensação de saciedade. O uso não está isento de efeitos colaterais e complicações potencialmente graves. 

Náuseas, vômitos e alterações gastrointestinais estão entre as reações mais comuns, mas há relatos de eventos mais sérios, como pancreatite, alterações metabólicas e até complicações neurológicas. É importante sempre buscar um profissional de saúde especializado antes de fazer uso da medicação. Faça a sua avaliação com em um hospital da Rede Américas.

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O que são canetas emagrecedoras?

As canetas emagrecedoras são dispositivos injetáveis que administram medicamentos análogos ao GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon) e ao GIP. 

O GLP-1 é um hormônio liberado naturalmente pelo intestino. Ele estimula o pâncreas a produzir mais insulina quando a glicose no sangue está elevada. E atua no sistema nervoso central, ajudando a regular o apetite e promovendo a sensação de saciedade.

Quando administrado juntamente com o GIP, potencializa o processo de emagrecimento. Eles foram estudados originalmente para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2, mas demonstraram um potente efeito na redução do peso corporal. 

As substâncias mais conhecidas incluem a liraglutida e a semaglutida. A liraglutida presente no Saxenda e Victoza e a semaglutida sendo o princípio ativo do Ozempic e Wegovy. Também existe a tirzepatida (mounjaro), que combina a ação do GLP-1 e do GIP.

Também é possível encontrar alguns desses componentes químicos em formato de comprimido. A administração deles exige uma avaliação clínica rigorosa.

Leia também: Quem pode receitar Mounjaro? Veja quais são os especialistas

Como funcionam no organismo?

O mecanismo de ação das canetas baseia-se na imitação da função dos hormônios GLP-1 e GIP, produzidos naturalmente pelo intestino. Eles atuam de diversas formas no organismo. Veja a seguir:

  • Agem diretamente no cérebro, especificamente no hipotálamo e no sistema de recompensa, sinalizando a saciedade e reduzindo o desejo de comer
  • Diminuem a velocidade de esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de saciedade e contribuem para reduzir a quantidade de alimentos ingeridos
  • Aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas quando os níveis de açúcar no sangue estão altos (hiperglicemia)
  • Suprimem a secreção de glucagon, reduzindo os picos de glicemia após as refeições

A diferença entre os medicamentos está principalmente na potência e na frequência de administração. A liraglutida, por exemplo, tem um tempo de ação de aproximadamente 13 horas. O que exige uma aplicação diária.

Já a semaglutida é mais potente e permanece no organismo por até sete dias, permitindo que a aplicação do produto seja feita semanalmente.

Leia também: Como funciona a caneta emagrecedora e para quem é indicada

Caneta emagrecedora: riscos e efeitos colaterais

O uso da caneta emagrecedora está associado a riscos e efeitos colaterais que podem ser graves. Por isso é importante que os fármacos sejam utilizados somente com indicação clínica e acompanhamento médico.

Entre os efeitos colaterais mais comuns estão náuseas, vômitos, diarreia, desidratação e constipação. Os riscos da caneta emagrecedora podem ser mais sérios, podendo levar a pancreatite aguda. Uma inflamação do pâncreas que pode levar à destruição do tecido do órgão e à morte, em casos extremos.

O indivíduo pode apresentar uma queda acentuada dos níveis de açúcar no sangue. A queda é mais comum em pacientes diabéticos ou em uso de outros medicamentos. 

Uma pesquisa publicada em 2026 pela Universidade de São Paulo (USP), mostra que a longo prazo pode haver alterações no comportamento alimentar, dependência emocional do medicamento e medo de recuperar o peso.

Os medicamentos injetáveis dessa classe também pode causar perda de visão irreversível. E quando associados à anestesia ou sedação profunda, é possível que eleve o risco de pneumonia.

Um caso grave noticiado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) envolveu uma mulher que desenvolveu a Síndrome de Guillain-Barré (doença autoimune rara) após usar a caneta para emagrecer sem indicação médica.

reganho de peso após a interrupção do tratamento também é uma possibilidade. O peso perdido pode ser recuperado em 1 a 3 anos, com um ganho médio de 0,8 kg por mês. A recuperação acontece porque a obesidade é uma doença crônica e a interrupção ativa mecanismos de defesa que aumentam o apetite e reduzem o gasto energético.

Por que os riscos aumentam sem acompanhamento médico?

A falta de prescrição, exames prévios e monitoramento contínuo pode levar ao diagnóstico incorreto. O medicamento pode não ser adequado para a condição de saúde do indivíduo, mascarando problemas subjacentes ou agravando-os.

Sem a falta de prescrição, a dosagem administrada pode ser inadequada. Erros na dose podem intensificar os efeitos colaterais e aumentar as chances de complicações graves. Sem o conhecimento do histórico de saúde e outros medicamentos utilizados, há risco de interações medicamentosas.

O perigo à saúde é ainda maior ao utilizar as canetas sem receitas, porque muitos produtos não têm o registro sanitário ou são manipulados irregularmente. Oferecendo um risco elevado à saúde devido à falta de comprovação de segurança, eficácia e qualidade.

O uso indiscriminado também pode retardar o reconhecimento e tratamento de eventos adversos graves, como a pancreatite. De acordo com o estudo da USP, o uso off-label (para finalidades não previstas na bula) é uma prática que exige acompanhamento adequado, justificativa clínica e avaliação rigorosa dos riscos.

Como minimizar os riscos?

Para minimizar os perigos e garantir a segurança e eficácia do tratamento, é fundamental seguir estritamente as orientações médicas e regulatórias.

A aplicação dos medicamentos deve ser feita exclusivamente sob prescrição médica e acompanhamento contínuo de um profissional de saúde, como um endocrinologista ou nutrólogo. A compra dos medicamentos deve ser feita apenas em farmácias e drogarias legalizadas. 

O indivíduo deve exigir a nota fiscal e evitar comprar em canais informais, como redes sociais e links suspeitos. O recomendado é que o aumento da dose seja feito de forma gradual, sob orientação médica. O que ajuda a minimizar os efeitos colaterais iniciais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação.

Para minimizar os riscos, o tratamento deve ser feito aliado a uma dieta hipocalórica e à prática regular de exercícios físicos. Sem essas mudanças, os resultados podem ser limitados e a probabilidade de haver efeito rebote aumenta significativamente.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
  • UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). Pesquisa inédita da USP aponta riscos do uso de canetas emagrecedoras por pessoas sem indicação clínica. FMUSP Notícias. Disponível em: https://fm.usp.br/fmusp/noticias/pesquisa-inedita-da-usp-aponta-riscos-do-uso-de-canetas-emagrecedoras-por-pessoas-sem-indicacao-clinica. Acesso em: 24 fev. 2026.
  • GOVERNO DO ESTADO DE SERGIPE. SES reforça alerta sobre os riscos à saúde do uso indiscriminado de canetas emagrecedoras. Saúde SE. Disponível em: https://saude.se.gov.br/ses-reforca-alerta-sobre-os-riscos-a-saude-do-uso-indiscriminado-de-canetas-emagrecedoras/. Acesso em: 24 fev. 2026.
  • SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE PORTO VELHO. Alerta: canetas emagrecedoras oferecem riscos à saúde. Disponível em: https://semusa.portovelho.ro.gov.br/artigo/53881/alerta-canetas-emagrecedoras-oferecem-riscos-a-saude. Acesso em: 24 fev. 2026.
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG). Canetas emagrecedoras: “É preciso do remédio correto usado do modo correto”, explica professor da Faculdade de Medicina da UFMG Felipe Leão. Rádio UFMG Educativa. Disponível em: https://www.ufmg.br/comunicacao/radio-ufmg-educativa/publicacoes/saude/canetas-emagrecedoras-e-preciso-do-remedio-correto-usado-do-modo-correto-explica-professor-da-faculdade-de-medicina-da-ufmg-felipe-leao/. Acesso em: 24 fev. 2026.
  • AGÊNCIA BRASIL / EBC. Anvisa alerta para risco no uso de caneta emagrecedora sem prescrição. Rádio Agência Nacional – Saúde. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2026-02/anvisa-alerta-para-risco-no-uso-de-caneta-emagrecedora-sem-prescricao. Acesso em: 24 fev. 2026.
  • SAÚDE AMÉRICAS. Como usar a caneta emagrecedora. Disponível em: https://www.saudeamericas.com.br/post/como-usar-a-caneta-emagrecedora/index.html. Acesso em: 24 fev. 2026.

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