Revisado em: 21/01/2026
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A tuberculose peritoneal é uma forma rara e grave de TB extrapulmonar; afeta o peritônio e apresenta sintomas abdominais inespecíficos

A tuberculose peritoneal é uma manifestação rara, mas potencialmente grave, da tuberculose (TB). Ela é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis
O microrganismo tem a capacidade de se disseminar para outras partes do corpo, dando origem às chamadas tuberculoses extrapulmonares. O tipo peritoneal é justamente essa forma extrapulmonar que afeta o peritônio. O peritônio é a membrana que reveste a cavidade abdominal e envolve órgãos vitais como o intestino, o fígado e o estômago.
Ela apresenta um desafio diagnóstico considerável. Sua sintomatologia é inespecífica e se confunde com a de outras condições abdominais, como cirrose hepática, câncer ou infecções intestinais.
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A tuberculose (TB) peritoneal é um processo inflamatório crônico que se desenvolve no peritônio. O peritônio é uma camada fina e dupla que protege e sustenta os órgãos abdominais. É causada pela infecção do Mycobacterium tuberculosis nessa membrana.
A doença é rara, sendo uma forma de tuberculose que se desenvolve fora dos pulmões (tuberculose extrapulmonar). Sua apresentação clínica é pouco clara, o que a torna um desafio diagnóstico.
Costuma se manifestar de forma lenta e silenciosa (insidiosa), o que dificulta ainda mais que seja identificada em suas fases iniciais. O principal achado clínico é a ascite (acúmulo de líquido na cavidade abdominal), um sintoma bastante comum a diversas outras patologias como a cirrose.
A causa direta da doença é a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis. O processo infeccioso não costuma ser primário, mas sim o resultado de uma reativação ou disseminação de um foco tuberculoso anterior no organismo.
Acredita-se que a principal causa seja a reativação de focos latentes do bacilo que foram implantados no peritônio durante uma disseminação sanguínea. E assim permaneceram inativos por anos.
Outra via de infecção é a propagação da doença a partir de uma tuberculose intestinal adjacente ou a disseminação pelas vias linfáticas.
A prevalência da infecção costuma ser maior em regiões com alta incidência de tuberculose e em países em desenvolvimento. Os grupos que costumam ser mais vulneráveis a ela são os indivíduos com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com HIV.
Eles têm uma maior chance de serem acometidos pela reativação da doença. Ter cirrose é um fator de risco significativo para a doença. E a ascite, típica da cirrose, pode esconder os sintomas da tuberculose peritoneal. O que dificulta o diagnóstico.
Outro fator de risco conhecido é o alcoolismo. Sendo a infecção mais comum em pessoas alcoólatras entre 40 e 60 anos. Em algumas regiões, as mulheres negras entre 20 e 40 anos também podem fazer parte do grupo de risco.
O histórico de contato com pacientes com tuberculose ativa ou exposição a ambientes de alto risco (como prisões) também deixam os indivíduos mais expostos.
Por ser uma forma extrapulmonar, a tuberculose peritoneal não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa através do peritônio. A transmissão da bactéria costuma ocorrer pela via respiratória, quando uma pessoa com o tipo pulmonar ativo tosse, espirra ou fala, liberando os bacilos no ar.
O tipo peritoneal é uma consequência dessa infecção primária. Após a inalação e o estabelecimento da doença, o bacilo pode se espalhar pelo corpo através da corrente sanguínea ou linfática, alcançar o peritônio e permanecer latente.
A doença se manifesta quando o sistema imunológico do indivíduo está comprometido e o foco latente é reativado.
A sintomatologia da tuberculose peritoneal é inespecífica e de início insidioso, o que contribui para o atraso no diagnóstico.
Os sintomas podem se desenvolver ao longo de semanas ou meses. O paciente também pode manifestar uma dor abdominal, que geralmente é contínua, difusa e de intensidade moderada.
Também pode haver distensão abdominal, com uma sensação de inchaço ou aumento do volume do abdômen. Sintomas sistêmicos como febre baixa, sudorese noturna, perda de peso, anorexia e sensação de cansaço ou fadiga também podem estar presentes.
A presença de ascite, dor abdominal e perda de peso em um paciente deve levantar a suspeita de TB peritoneal, especialmente se houver fatores de risco associados.
O diagnóstico é estabelecido a partir da combinação de achados clínicos, radiológicos e laboratoriais, devido à baixa sensibilidade individual dos testes. O atraso no diagnóstico é uma realidade.
A investigação começa pela história clínica e exame físico. É feita uma avaliação de antecedentes epidemiológicos (exposição) e patológicos (alcoolismo, imunidade baixa). Além de exames de imagem como a ultrassonografia e a tomografia.
Eles podem evidenciar a ascite, o espessamento peritoneal e o aumento dos gânglios linfáticos (linfonodomegalias). Sendo evidenciada a ascite, a paracentese (drenagem do líquido) é fundamental. O líquido ascítico na tuberculose peritoneal tem uma característica inflamatória e exsudativa (que extravasa), com predomínio de linfócitos.
Um marcador importante é a Adenosina Deaminase (ADA). Ao dosá-la, quando está elevada é bastante sugestiva de tuberculose. A investigação direta do bacilo de Koch (BAAR) e a cultura no líquido ascítico costumam apresentar um resultado negativo. Esse fator dificulta ainda mais o diagnóstico.
Para fechar o diagnóstico, a laparoscopia com biópsia peritoneal é o exame mais indicado. Ele permite a visualização direta do peritônio (que pode apresentar nódulos característicos) e a coleta de material para exame histopatológico.
O protocolo adotado para outros tipos de tuberculose é o mesmo adotado nesse tipo da doença. É utilizado um esquema combinado de antibióticos específicos (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol - RIPE) por um período prolongado.
O tempo é de geralmente seis meses ou mais, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. A chave para o sucesso do terapêutico é o início precoce do tratamento. Quando a infecção é diagnosticada e tratada corretamente, a TB peritoneal é curável.
Mas a demora pode levar a complicações graves, como obstrução intestinal e infecções generalizadas. Elas podem exigir intervenção cirúrgica e comprometer a resposta dos medicamentos.
A tuberculose peritoneal é uma doença infecciosa rara, mas séria, que afeta o peritônio, a membrana que reveste a cavidade abdominal. Sua natureza extrapulmonar e a inespecificidade de seus sintomas tornam o diagnóstico um verdadeiro desafio.
É fundamental reforçar que ela é tratável e curável quando identificada a tempo. O diagnóstico definitivo é a porta de entrada para um tratamento eficaz baseado em um esquema de antibióticos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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