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O que é tuberculose peritoneal, sintomas e por que é difícil diagnosticar

A tuberculose peritoneal é uma forma rara e grave de TB extrapulmonar; afeta o peritônio e apresenta sintomas abdominais inespecíficos

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A tuberculose peritoneal é uma manifestação rara, mas potencialmente grave, da tuberculose (TB). Ela é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis

O microrganismo tem a capacidade de se disseminar para outras partes do corpo, dando origem às chamadas tuberculoses extrapulmonares. O tipo peritoneal é justamente essa forma extrapulmonar que afeta o peritônio. O peritônio é a membrana que reveste a cavidade abdominal e envolve órgãos vitais como o intestino, o fígado e o estômago.

Ela apresenta um desafio diagnóstico considerável. Sua sintomatologia é inespecífica e se confunde com a de outras condições abdominais, como cirrose hepática, câncer ou infecções intestinais.

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O que é tuberculose peritoneal?

A tuberculose (TB) peritoneal é um processo inflamatório crônico que se desenvolve no peritônio. O peritônio é uma camada fina e dupla que protege e sustenta os órgãos abdominais. É causada pela infecção do Mycobacterium tuberculosis nessa membrana. 

A doença é rara, sendo uma forma de tuberculose que se desenvolve fora dos pulmões (tuberculose extrapulmonar). Sua apresentação clínica é pouco clara, o que a torna um desafio diagnóstico. 

Costuma se manifestar de forma lenta e silenciosa (insidiosa), o que dificulta ainda mais que seja identificada em suas fases iniciais. O principal achado clínico é a ascite (acúmulo de líquido na cavidade abdominal), um sintoma bastante comum a diversas outras patologias como a cirrose. 

Quais são as causas e fatores de risco?

A causa direta da doença é a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis. O processo infeccioso não costuma ser primário, mas sim o resultado de uma reativação ou disseminação de um foco tuberculoso anterior no organismo.

Acredita-se que a principal causa seja a reativação de focos latentes do bacilo que foram implantados no peritônio durante uma disseminação sanguínea. E assim permaneceram inativos por anos.

Outra via de infecção é a propagação da doença a partir de uma tuberculose intestinal adjacente ou a disseminação pelas vias linfáticas.

A prevalência da infecção costuma ser maior em regiões com alta incidência de tuberculose e em países em desenvolvimento. Os grupos que costumam ser mais vulneráveis a ela são os indivíduos com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com HIV.

Eles têm uma maior chance de serem acometidos pela reativação da doença. Ter cirrose é um fator de risco significativo para a doença. E a ascite, típica da cirrose, pode esconder os sintomas da tuberculose peritoneal. O que dificulta o diagnóstico.

Outro fator de risco conhecido é o alcoolismo. Sendo a infecção mais comum em pessoas alcoólatras entre 40 e 60 anos. Em algumas regiões, as mulheres negras entre 20 e 40 anos também podem fazer parte do grupo de risco.

O histórico de contato com pacientes com tuberculose ativa ou exposição a ambientes de alto risco (como prisões) também deixam os indivíduos mais expostos. 

Como ocorre a transmissão?

Por ser uma forma extrapulmonar, a tuberculose peritoneal não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa através do peritônio. A transmissão da bactéria costuma ocorrer pela via respiratória, quando uma pessoa com o tipo pulmonar ativo tosse, espirra ou fala, liberando os bacilos no ar.

O tipo peritoneal é uma consequência dessa infecção primária. Após a inalação e o estabelecimento da doença, o bacilo pode se espalhar pelo corpo através da corrente sanguínea ou linfática, alcançar o peritônio e permanecer latente. 

A doença se manifesta quando o sistema imunológico do indivíduo está comprometido e o foco latente é reativado.

Tuberculose peritoneal: sintomas

A sintomatologia da tuberculose peritoneal é inespecífica e de início insidioso, o que contribui para o atraso no diagnóstico. 

Os sintomas podem se desenvolver ao longo de semanas ou meses. O paciente também pode manifestar uma dor abdominal, que geralmente é contínua, difusa e de intensidade moderada.

Também pode haver distensão abdominal, com uma sensação de inchaço ou aumento do volume do abdômen. Sintomas sistêmicos como febre baixa, sudorese noturna, perda de peso, anorexia e sensação de cansaço ou fadiga também podem estar presentes.

A presença de ascite, dor abdominal e perda de peso em um paciente deve levantar a suspeita de TB peritoneal, especialmente se houver fatores de risco associados.

Diagnóstico de tuberculose peritoneal

O diagnóstico é estabelecido a partir da combinação de achados clínicos, radiológicos e laboratoriais, devido à baixa sensibilidade individual dos testes. O atraso no diagnóstico é uma realidade.

A investigação começa pela história clínica e exame físico. É feita uma avaliação de antecedentes epidemiológicos (exposição) e patológicos (alcoolismo, imunidade baixa). Além de exames de imagem como a ultrassonografia e a tomografia

Eles podem evidenciar a ascite, o espessamento peritoneal e o aumento dos gânglios linfáticos (linfonodomegalias). Sendo evidenciada a ascite, a paracentese (drenagem do líquido) é fundamental. O líquido ascítico na tuberculose peritoneal tem uma característica inflamatória e exsudativa (que extravasa), com predomínio de linfócitos.

Um marcador importante é a Adenosina Deaminase (ADA). Ao dosá-la, quando está elevada é bastante sugestiva de tuberculose. A investigação direta do bacilo de Koch (BAAR) e a cultura no líquido ascítico costumam apresentar um resultado negativo. Esse fator dificulta ainda mais o diagnóstico. 

Para fechar o diagnóstico, a laparoscopia com biópsia peritoneal é o exame mais indicado. Ele permite a visualização direta do peritônio (que pode apresentar nódulos característicos) e a coleta de material para exame histopatológico. 

Qual é o tratamento?

O protocolo adotado para outros tipos de tuberculose é o mesmo adotado nesse tipo da doença. É utilizado um esquema combinado de antibióticos específicos (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol - RIPE) por um período prolongado.

O tempo é de geralmente seis meses ou mais, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. A chave para o sucesso do terapêutico é o início precoce do tratamento. Quando a infecção é diagnosticada e tratada corretamente, a TB peritoneal é curável. 

Mas a demora pode levar a complicações graves, como obstrução intestinal e infecções generalizadas. Elas podem exigir intervenção cirúrgica e comprometer a resposta dos medicamentos. 

A tuberculose peritoneal é uma doença infecciosa rara, mas séria, que afeta o peritônio, a membrana que reveste a cavidade abdominal. Sua natureza extrapulmonar e a inespecificidade de seus sintomas tornam o diagnóstico um verdadeiro desafio.  

É fundamental reforçar que ela é tratável e curável quando identificada a tempo. O diagnóstico definitivo é a porta de entrada para um tratamento eficaz baseado em um esquema de antibióticos. 

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia 

RESIDÊNCIA MÉDICA UFES. Rossoni, Roberta Leal Silva. Tuberculose peritoneal: diagnóstico e desafios clínicos. Trabalho de Conclusão de Curso (Residência Médica) — Universidade Federal do Espírito Santo, s. d. Disponível em: https://residenciamedica.ufes.br/sites/residenciamedica.ufes.br/files/field/anexo/roberta_leal_silva_rossoni_02.pdf. Acesso em: 19 jan. 2026.

RMMG – RMMG: Revista Médica de Minas Gerais. Peritonite tuberculosa: desafio diagnóstico. RMMG – Rev. Méd. Minas Gerais, s. d. Disponível em: https://rmmg.org/artigo/detalhes/266. Acesso em: 19 jan. 2026.

SCIENCEDIRECT. Peritoneal tuberculosis: a challenging diagnosisAnaerobe (Artigo), s. d. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1413867024000928. Acesso em: 19 jan. 2026.

G1. Tuberculose peritoneal: entenda a doença rara responsável pela morte do jornalista Erlan Bastos. O Globo – Saúde, 18 jan. 2026. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/01/18/tuberculose-peritoneal-entenda-a-doenca-rara-responsavel-pela-morte-do-jornalista-erlan-bastos.ghtml. Acesso em: 19 jan. 2026.

GOVERNADOR FEDERAL – BRASIL. Tuberculose. Ministério da Saúde – Saúde de A a Z, s. d. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/tuberculose. Acesso em: 19 jan. 2026.

METRÓPOLES. Tuberculose peritoneal e a morte de Erlan Bastos. Metrópoles – Saúde, s. d. Disponível em: https://www.metropoles.com/saude/tuberculose-peritoneal-morte-erlan-bastos. Acesso em: 19 jan. 2026.

NSC TOTAL. O que é tuberculose peritoneal: causas da morte de Erlan Bastos aos 32 anos. NSC Total – Notícias, s. d. Disponível em: https://www.nsctotal.com.br/noticias/o-que-e-tuberculose-peritoneal-causa-da-morte-do-jornalista-erlan-bastos-aos-32-anos. Acesso em: 19 jan. 2026.

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