Revisado em: 27/01/2026
Resuma este artigo com IA:
O transtorno borderline causa instabilidade emocional e impulsividade; medo intenso de abandono é uma característica central

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), também conhecido como Transtorno de Personalidade Limítrofe, é uma condição de saúde mental complexa. Sendo caracterizado por um padrão generalizado de instabilidade nas relações interpessoais, na autoimagem e nos afetos.
Além de impulsividade acentuada. Reconhecer os sintomas do transtorno borderline precocemente e as características centrais da disfunção é fundamental. A identificação correta é o primeiro passo para o diagnóstico e o tratamento adequados, que podem transformar a qualidade de vida do indivíduo.
Somente um especialista pode avaliar corretamente os sintomas. Agende sua consulta em um hospital da Rede Américas.
O termo borderline em inglês pode ser traduzido como ‘fronteiriço’ ou ‘limítrofe’. Ele surgiu na psicanálise para descrever pacientes que não se encaixavam claramente nas categorias de neurose ou psicose. Eles se localizam em um estado intermediário entre esses dois espectros.
O Transtorno de Personalidade Borderline é classificado no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR) como um transtorno de personalidade do Cluster B. Nessa categoria estão as condições caracterizadas por comportamentos dramáticos, emotivos ou erráticos (imprevisíveis).
A disfunção afeta a maneira como o indivíduo pensa e se sente sobre si mesmo e sobre os outros, o que resulta em uma instabilidade crônica. É comum que os pacientes sintam um medo intenso de serem abandonados.
Por isso podem gerar crises ou chegar a tentar o suicídio, como uma maneira de serem resgatados e cuidados pelas pessoas ao seu redor. O padrão de relacionamentos interpessoais é intenso e instável, alternando entre a idealização e a desvalorização (pensamento de “tudo ou nada”).
O paciente também tem uma instabilidade acentuada e persistente da percepção de si, com mudanças súbitas de objetivos, valores e opiniões. Além de flutuações extremas de humor que geralmente duram apenas algumas horas e comportamentos impulsivos.
Essa instabilidade gera um sofrimento significativo e prejudica a capacidade funcional em diversas áreas da vida.
Os sintomas do transtorno borderline não são atribuídos a uma única causa. Existe uma complexa interação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais que podem explicar o surgimento.
A genética pode influenciar bastante. Parentes de primeiro grau de pacientes com o transtorno são cerca de cinco vezes mais propensos a desenvolvê-lo do que a população em geral.
Existe também uma relação causal entre estresses e traumas durante a primeira infância. Indivíduos com borderline frequentemente possuem abuso físico e sexual, negligência, separação dos cuidadores e perda de um dos pais em seu histórico diagnóstico. As experiências traumáticas ao longo da vida também podem contribuir.
A causa também pode ser biológica. Sendo representada pelos distúrbios nas funções reguladoras dos sistemas cerebrais e de neuropeptídeos. Isso porque as desordens podem contribuir para a vulnerabilidade ao estresse e à desregulação emocional.
Os sintomas do transtorno borderline são definidos quando há um padrão persistente de instabilidade em quatro áreas principais: emoções, relacionamentos, autoimagem e impulsividade.
Para ter o diagnóstico fechado, o indivíduo deve apresentar pelo menos cinco dos nove critérios listados pelos DSM-5-TR. Veja a seguir.
A pessoa sente um medo intenso de ser rejeitado ou abandonado, seja de forma real ou imaginada. E por isso pode gerar crises (como tentativas suicidas) para que outros a resgate e cuide dela.
Existe um padrão nas relações interpessoais caracterizado pela alternância entre extremos de idealização (amor intenso) e desvalorização (ódio/raiva). O pensamento do paciente é bastante maniqueísta.
O transtorno borderline causa uma instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou da percepção de si. O indivíduo passa a ter mudanças súbitas de objetivos, valores, opiniões e até de carreira.
A impulsividade precisa estar presente em pelo menos duas áreas potencialmente destrutivas, como gastos excessivos, sexo desprotegido, abuso de substâncias, direção imprudente ou compulsão alimentar.
É possível apresentar de modo repetido, gestos, ameaças ou comportamentos suicidas ou comportamento de automutilação (se cortar ou se queimar, por exemplo). O risco de suicídio é consideravelmente maior nessa população.
A instabilidade afetiva pode estar entre os sintomas de borderline por causa da reatividade acentuada do humor (irritabilidade, ansiedade). Geralmente a duração da mudança abrupta de humor dura algumas horas, mas em alguns casos pode durar dias.
Pode existir uma sensação persistente de vazio. Muitas vezes ela é descrita como uma falta de existência, que não há alguém que se importe com o paciente.
A raiva intensa e inapropriada também caracteriza o transtorno. Assim como a dificuldade em controlá-la. Geralmente ela se manifesta por meio do sarcasmo, amargura ou explosões de raiva, sendo comum de serem direcionadas a quem é percebido como negligente pelo indivíduo.
A imaginação paranoide provisória associada ao estresse ou sintomas dissociativos intensos, como as alucinações, podem fazer parte do quadro clínico. Elas costumam ser desencadeadas pelo medo do abandono.
O diagnóstico do Transtorno de Personalidade Borderline é complexo e deve ser realizado por um profissional especializado em saúde mental, como um psicólogo ou psiquiatra. Eles são os responsáveis por realizar uma avaliação clínica e emocional detalhada.
Não existe um exame laboratorial específico para o transtorno. O processo diagnóstico envolve a observação do padrão de sintomas ao longo do tempo. Além de ser feita uma análise da intensidade com que esses sintomas afetam a rotina e as relações do indivíduo.
Os critérios do DSM-5-TR são utilizados para a realização da confirmação diagnóstica. O diagnóstico só é possível de ser fechado após os 20 anos de idade. Mas sinais não conclusivos podem surgir na infância ou adolescência, como descontrole de impulsos, irritabilidade e dificuldade em construir boas relações.
É comum que o borderline coexista com outros transtornos como a depressão e os transtornos de ansiedade. O que exige uma avaliação ainda mais cuidadosa para diferenciar e tratar as comorbidades.
A desregulação é altamente tratável. O tratamento não tem o objetivo de levar a cura, mas sim a remissão e melhora significativa da qualidade de vida. A psicoterapia é a base da terapêutica e medicamentos para tratar sintomas específicos podem ser utilizados.
A psicoterapia foca no descontrole emocional e na falta de habilidades sociais. Existem várias abordagens recomendadas. Confira abaixo:
O tratamento medicamentoso só é adotado para tratar sintomas associados e as comorbidades. Podem ser utilizados estabilizadores de humor, para controlar a instabilidade emocional e a impulsividade.
Além de antidepressivos, com o objetivo de tratar a depressão e a ansiedade coexistentes. Os antipsicóticos também podem ser uma opção. Em doses baixas eles podem ajudar a controlar a raiva, ansiedade e os sintomas paranoicos e dissociativos.
O Transtorno de Personalidade Borderline e o Transtorno Bipolar costumam ser confundidos, pois envolvem alterações de humor. Mas a distinção já começa no gênero deles. O borderline é uma desregulação de personalidade, enquanto o transtorno bipolar é uma desordem de humor.
O borderline possui um padrão persistente de pensamento e comportamento, já a bipolaridade é caracterizada por episódios distintos de humor.
As mudanças de humor para o primeiro caso são rápidas e imprevisíveis, podendo durar horas e raramente alguns dias. As oscilações geralmente são desencadeadas por eventos estressantes, principalmente em relações interpessoais (medo de abandono, rejeição).
No segundo caso as mudanças de humor são cíclicas, com episódios de depressão, mania e hipomania que duram dias ou semanas. As oscilações ocorrem de forma mais espontânea, como parte da alternância de fases da doença.
Uma outra diferença está no foco principal. O transtorno de borderline se debruça sobre problemas em relacionamentos pessoais e instabilidade de autoimagem. Enquanto o foco do transtorno bipolar é a variação entre os extremos de humor (euforia/mania e depressão).
É possível considerar de uma maneira mais objetiva que a instabilidade do humor no borderline é mais rápida e reativa. Já no indivíduo bipolar as alterações de humor são mais prolongadas e cíclicas.
O Transtorno de Personalidade Borderline é uma condição séria, mas gerenciável. A identificação precoce dos sintomas e o diagnóstico correto são a chave para iniciar o tratamento e alcançar a remissão.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
CNN BRASIL. Borderline: entenda o que é o transtorno e principais sintomas. CNN Brasil – Saúde, s. d. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/borderline-entenda-o-que-e-o-transtorno-e-principais-sintomas/. Acesso em: 21 jan. 2026.
GLOBO. Borderline: veja sintomas, causas e tratamentos. O Globo – Saúde, s. d. Disponível em: https://oglobo.globo.com/saude/guia/borderline-veja-sintomas-causas-e-tratamentos.ghtml. Acesso em: 21 jan. 2026.
IFPR – Instituto Federal do Paraná. Borderline (PDF). Quedas do Iguaçu, 2022. Disponível em: https://ifpr.edu.br/quedas-do-iguacu/wp-content/uploads/sites/24/2022/05/BORDERLINE.pdf. Acesso em: 21 jan. 2026.
MSD MANUALS. Transtorno de personalidade borderline: tratamento e abordagem clínica. Em: Transtornos de personalidade, s. d. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/transtornos-psiquiátricos/transtornos-de-personalidade/transtorno-de-personalidade-borderline#Tratamento_v25246848_pt. Acesso em: 21 jan. 2026.
NAV DASA. Borderline: causas, sintomas e o que você precisa saber. Nav Dasa – Blog, s. d. Disponível em: https://nav.dasa.com.br/blog/borderline. Acesso em: 21 jan. 2026.
NAVEGUE PELAS NOSSAS UNIDADES