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Sintomas de ansiedade: como identificar e buscar ajuda

Conheça os sinais da ansiedade no corpo e na mente, saiba quando ela se torna um transtorno e veja como encontrar alívio.

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Saber identificar os sintomas de ansiedade é o primeiro passo para diferenciar uma reação natural do corpo de um quadro que exige atenção. Apesar de ser uma emoção comum, quando ela se torna uma presença constante e causa sofrimento, é hora de buscar ajuda profissional.

Quais são os sintomas físicos da ansiedade?

Muitas pessoas não associam seus desconfortos físicos à saúde mental, mas o corpo costuma ser o primeiro a reagir. A ansiedade dispara um alarme ancestral em nosso cérebro, o sistema de "luta ou fuga", que libera hormônios como adrenalina e cortisol. O objetivo é preparar o corpo para uma ameaça, mesmo que ela seja um pensamento e não um perigo real.

Essa reação hormonal é o que causa os sintomas de ansiedade mais comuns no corpo, e cada um tem uma explicação. Dessa forma, a adrenalina faz o coração bombear mais sangue para os músculos, o que leva a taquicardia (coração acelerado) e prepara o corpo para a ação. 

A respiração também fica mais curta e rápida para aumentar a oxigenação, podendo dar a sensação de falta de ar ou sufocamento.

Ao mesmo tempo, os músculos se contraem, prontos para lutar ou correr. Essa tensão muscular prolongada, principalmente no pescoço, ombros e mandíbula, pode causar dores e tremores. 

Em uma situação de perigo iminente, o corpo redireciona o fluxo de sangue do sistema digestivo para os membros. Por essa razão, a digestão fica mais lenta, o que pode causar náuseas, diarreia ou a clássica sensação de "nó" no estômago.

A resposta de "luta ou fuga" altera o ritmo da respiração, que se torna mais rápida e superficial (curta) simultaneamente. Essa hiperventilação leva a um desequilíbrio nos níveis de oxigênio e gás carbônico no sangue, o que resulta nas sensações de tontura e formigamento nas mãos e nos pés. 

Compreender que esses sintomas são uma reação fisiológica direta da ansiedade, e não um sinal de algo mais grave, é um passo importante para diminuir o medo durante uma crise.

Como a ansiedade afeta o sono e o apetite?

A ansiedade e o sono têm uma relação direta, pois é impossível relaxar com uma mente que não desliga. O excesso de pensamentos e preocupações com o futuro mantém o cérebro em estado de alerta, o que dificulta o processo de adormecer, pode causar despertares no meio da noite ou a sensação de acordar já cansado, como se o sono não tivesse sido reparador.

O apetite também é diretamente afetado, mas de formas opostas. Em uma crise aguda de ansiedade, o corpo desvia a energia de funções "não essenciais", como a digestão, para os músculos. Essa resposta fisiológica é o que causa a perda de fome em muitas pessoas.

Por outro lado, em quadros de estresse crônico, o corpo produz mais cortisol, um hormônio que pode aumentar o desejo por alimentos ricos em açúcar e gordura. A busca por conforto na comida, que funciona como uma forma de "recompensa" rápida para o cérebro, pode levar ao ganho de peso e a um ciclo vicioso com a própria ansiedade.

Ansiedade e dor no peito: como diferenciar?

A dor no peito é um dos sintomas de ansiedade mais assustadores, pois sua primeira associação é com um infarto. Essa preocupação é legítima, mas é importante saber que a dor torácica por causas não cardíacas é extremamente comum. 

De acordo com dados revisados pela American Heart Association, mais da metade dos pacientes que procuram a emergência com essa queixa não estão tendo um evento cardíaco, e os transtornos de ansiedade estão entre as causas mais frequentes.

Embora exista uma sobreposição, algumas características podem ajudar a diferenciar as duas condições. A dor de uma crise de ansiedade costuma ser mais aguda e localizada, como uma pontada ou agulhada, que dura alguns minutos e está frequentemente acompanhada de outros sintomas, como sensação de desespero, formigamento e respiração rápida.

Já a dor cardíaca, na maioria das vezes, é descrita como uma pressão, aperto ou queimação no centro do peito, que pode se espalhar para o braço esquerdo, costas ou pescoço. Diferente da dor de ansiedade, que pode surgir em repouso, a dor do infarto muitas vezes piora com o esforço físico.

Apesar das diferenças, é impossível para um leigo ter certeza da origem da dor e as consequências de ignorar um infarto são muito graves. Por isso, na dúvida, procure sempre um atendimento médico de emergência. 

Quando os sintomas de ansiedade indicam um transtorno?

A ansiedade é uma emoção humana normal e até protetiva. O que diferencia a reação comum de um transtorno é a intensidade, a frequência e, principalmente, o impacto que ela causa na vida da pessoa. Sendo assim, ela se torna um problema de saúde quando o "alarme" do corpo fica disparado constantemente, mesmo sem um perigo real.

O principal indicador de um transtorno é o prejuízo funcional, ou seja, quando os sintomas de ansiedade começam a atrapalhar as rotinas diárias. Isso pode se manifestar na dificuldade de se concentrar no trabalho por causa das preocupações, no ato de evitar encontros sociais por medo ou no surgimento de conflitos por uma irritabilidade constante.

Essa ansiedade disfuncional é um grande problema de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é um dos países com a maior prevalência desse transtorno. Além disso, o quadro pode evoluir para condições específicas que exigem tratamento, como:

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), caracterizado por uma preocupação excessiva e incontrolável com diversos aspectos da vida;
  • Transtorno do Pânico, que envolve crises súbitas e intensas de medo, acompanhadas de fortes sintomas físicos;
  • Fobia Social (ou Transtorno de Ansiedade Social), que causa medo intenso de situações sociais ou de desempenho;
  • Fobias específicas, ligadas a objetos ou situações particulares, como altura, animais ou aviões;
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), que pode surgir após vivenciar ou testemunhar eventos traumáticos.

Cabe destacar que esses diagnósticos seguem critérios estabelecidos por manuais internacionais de saúde mental, como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

O que fazer para aliviar a ansiedade no dia a dia?

Existem estratégias que ajudam a regular a resposta do corpo à ansiedade e a diminuir a intensidade dos sintomas no cotidiano. Uma delas é a respiração diafragmática, na qual você inspira lentamente pelo nariz, sentindo a barriga expandir, e expira devagar pela boca, o que ajuda a acalmar o sistema nervoso.

A prática regular de atividade física também é um pilar no controle da ansiedade, pois libera endorfinas e ajuda a regular os hormônios do estresse. Além disso, a higiene do sono, com horários regulares para dormir e acordar, e uma alimentação equilibrada, que evite o excesso de cafeína e açúcar, são importantes para o bem-estar mental.

Essas mesmas estratégias são úteis para prevenir os sintomas de burnout, que muitas vezes caminham lado a lado com a ansiedade. Porém, quando os sintomas são persistentes e causam sofrimento, a atitude mais importante é procurar ajuda profissional.

É fundamental entender que a ansiedade, mesmo quando se torna um transtorno, tem tratamento e cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física. 

A conversa com um psicólogo ou um psiquiatra é o que permite um diagnóstico correto e um plano de cuidado seguro para transformar a jornada em um caminho de recuperação e bem-estar.

Referências bibliográficas:

AMERICAN HEART ASSOCIATION. Noncardiac Chest Pain. Dallas: AHA, 2023. Disponível em: https://www.heart.org/en/health-topics/heart-attack/angina-chest-pain/noncardiac-chest-pain. Acesso em: 05 ago. 2025.

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. Disponível em: https://www.psychiatry.org/psychiatrists/practice/dsm. Acesso em: 05 ago. 2025.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS) apud JORNAL DA USP. Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS. São Paulo: USP, 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/brasil-e-o-pais-mais-ansioso-do-mundo/. Acesso em: 05 ago. 2025.