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Queimação no estômago frequente: o que pode causar e qual o tratamento

Esse desconforto persistente pode indicar desde hábitos alimentares inadequados até condições que exigem atenção médica.

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A cena é familiar para muitos: após uma refeição ou mesmo durante a noite, uma sensação de ardência começa na parte superior do abdômen e, por vezes, sobe em direção ao peito. Quando esse evento deixa de ser esporádico e passa a fazer parte da rotina, ele se torna um sinal de que algo no sistema digestivo precisa de atenção.

O que é a queimação no estômago e por que ela se torna frequente?

A queimação no estômago, tecnicamente conhecida como pirose, é um sintoma causado pela irritação da mucosa do esôfago ou do próprio estômago. Geralmente, essa irritação ocorre devido ao contato com o ácido gástrico, uma substância altamente corrosiva produzida para digerir os alimentos.

Quando o sintoma se torna frequente, significa que essa exposição ao ácido está acontecendo de forma repetitiva. Isso pode ocorrer por uma produção excessiva de ácido, por uma falha nas barreiras de proteção do sistema digestivo ou pelo retorno do conteúdo estomacal para o esôfago. 

A queimação frequente no peito ou abdômen superior é um sintoma chave, sendo a Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e a Dispepsia Funcional as causas mais prevalentes para esse desconforto. Marque a sua consulta com um especialista da Rede Américas.

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Quais são as principais causas da queimação no estômago frequente?

Diversas condições de saúde podem estar por trás do desconforto persistente. Ignorar o sintoma pode permitir que a causa subjacente evolua. As mais comuns são:

Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)

DRGE ocorre quando o esfíncter esofágico inferior, uma válvula muscular entre o esôfago e o estômago, não fecha corretamente. Isso permite que o ácido do estômago retorne para o esôfago, um órgão que não está preparado para essa acidez, causando a sensação de queimação característica.

Gastrite

Trata-se da inflamação da mucosa que reveste o estômago. A gastrite pode ser aguda ou crônica e enfraquece essa barreira protetora, deixando a parede do órgão vulnerável à ação do próprio suco gástrico. Muitas vezes, a gastrite crônica está associada à infecção pela bactéria Helicobacter pylori.

Úlcera péptica

Uma úlcera é uma ferida aberta que se forma na parede do estômago (úlcera gástrica) ou na parte inicial do intestino (úlcera duodenal). A dor da úlcera é frequentemente descrita como uma queimação que pode piorar com o estômago vazio e ser temporariamente aliviada pela ingestão de alimentos ou antiácidos.

Dispepsia funcional

É um diagnóstico comum para pacientes com desconforto na parte superior do abdômen, incluindo queimação, sem que haja uma causa orgânica identificável por exames como a endoscopia. 

Fatores como a motilidade gástrica alterada e a hipersensibilidade do estômago podem estar envolvidos. Se a queimação frequente no estômago não cessa, isso pode ser sinal de hipersensibilidade do esôfago (hiperalgesia), e não apenas excesso de ácido estomacal.

Como o estilo de vida e os hábitos alimentares influenciam o sintoma?

Além das condições médicas, fatores comportamentais desempenham um papel central no surgimento e na piora da queimação no estômago. Ajustes no dia a dia podem trazer alívio significativo.

Alimentação inadequada

Certos alimentos e bebidas são conhecidos por relaxar o esfíncter esofágico ou aumentar a produção de ácido. Os principais gatilhos incluem:

  • Alimentos gordurosos e frituras
  • Pratos muito condimentados ou picantes
  • Frutas cítricas (laranja, abacaxi) e tomate
  • Chocolate, café e bebidas com cafeína
  • Bebidas alcoólicas e refrigerantes

Além disso, fazer refeições muito volumosas, especialmente antes de deitar, aumenta a pressão dentro do estômago e favorece o refluxo.

Estresse e ansiedade

A conexão entre o cérebro e o intestino é bem estabelecida. Períodos de estresse e ansiedade podem aumentar a sensibilidade à dor no estômago e alterar a produção de ácido, intensificando a sensação de queimação mesmo sem um aumento real da acidez. 

Se a queimação no estômago for frequente, é crucial investigar a qualidade do sono, ansiedade e depressão, pois esses fatores psicológicos e distúrbios do sono podem agravar ou manter o desconforto gástrico.

Outros hábitos de risco

O tabagismo compromete a função do esfíncter esofágico e pode reduzir a produção de saliva, que ajuda a neutralizar o ácido. A obesidade, por sua vez, aumenta a pressão intra-abdominal, empurrando o conteúdo do estômago para cima.

Quando a queimação no estômago é um sinal de alerta?

Embora comum, a queimação frequente não deve ser normalizada. É fundamental procurar um gastroenterologista se o sintoma ocorrer duas ou mais vezes por semana. Além disso, alguns sinais exigem uma avaliação médica urgente:

  • Dificuldade ou dor para engolir (disfagia ou odinofagia)
  • Perda de peso não intencional e sem motivo aparente
  • Vômitos frequentes, especialmente com a presença de sangue
  • Fezes escuras, com aspecto de borra de café (melena)
  • Sensação de saciedade precoce, mesmo comendo pouco
  • Dor intensa e persistente que não melhora

Como é feito o diagnóstico da causa da queimação?

O diagnóstico correto começa com uma conversa detalhada com o médico sobre seus sintomas, histórico de saúde e hábitos de vida. A partir daí, o especialista pode solicitar exames para confirmar a suspeita.

O exame mais comum é a endoscopia digestiva alta. Ele permite visualizar o interior do esôfago, estômago e duodeno com uma microcâmera, identificando inflamações, úlceras ou outras anormalidades. Durante o procedimento, é possível coletar pequenas amostras de tecido (biópsias) para análise, como a pesquisa da bactéria H. pylori.

O que pode ser feito para aliviar a queimação no estômago frequente?

O tratamento depende diretamente da causa diagnosticada pelo médico. A automedicação com antiácidos pode mascarar um problema mais sério e não deve ser uma prática de longo prazo.

As estratégias geralmente envolvem uma combinação de medidas:

  1. Mudanças na dieta: evitar os alimentos e bebidas que desencadeiam os sintomas é o primeiro passo. Dar preferência a refeições menores e mais frequentes também ajuda.
  2. Ajustes no estilo de vida: não se deitar logo após as refeições, elevar a cabeceira da cama, controlar o peso, parar de fumar e gerenciar o estresse são ações com grande impacto positivo.
  3. Tratamento medicamentoso: quando necessário, o médico pode prescrever medicamentos para neutralizar ou reduzir a produção de ácido gástrico, como os inibidores de bomba de prótons (IBPs), ou antibióticos para erradicar a H. pylori. É importante notar que esses medicamentos costumam atingir seu efeito máximo entre 5 e 14 dias de uso. Se a dor persistir ou se a queimação frequente não desaparecer na última semana de um tratamento de 14 dias, pode ser sinal de uma condição mais séria que exige investigação médica, aumentando o risco de recorrência dos sintomas.

A queimação no estômago frequente é um sinal de que seu corpo pede atenção. Ouvir esse sinal e buscar orientação profissional é o caminho mais seguro para recuperar o bem-estar e a qualidade de vida.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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