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Quando a pressão alta é preocupante? Entenda os sinais de alerta e saiba o que fazer

Saber quando a pressão arterial elevada representa um risco real para a saúde é crucial para a prevenção de complicações graves.

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Você já aferiu sua pressão em casa e se deparou com um número um pouco acima do usual, gerando aquela dúvida: "Será que isso é preocupante?" Entender os valores da pressão arterial é o primeiro passo para saber quando algo merece sua atenção.

Entenda os níveis da pressão arterial

A pressão arterial é medida em milímetros de mercúrio (mmHg) e possui dois números: a pressão sistólica (o primeiro, maior, quando o coração contrai) e a diastólica (o segundo, menor, quando o coração relaxa). Conforme as diretrizes médicas, os valores são classificados da seguinte forma:

  • Pressão normal: Geralmente, abaixo de 120/80 mmHg (doze por oito).
  • Pré-hipertensão: Valores entre 121/81 mmHg e 139/89 mmHg. Embora não seja hipertensão, indica um risco aumentado para o desenvolvimento da doença, exigindo mudanças no estilo de vida.
  • Hipertensão (pressão alta): Quando os valores são iguais ou superiores a 140/90 mmHg (quatorze por nove) em medições repetidas. A partir deste ponto, o diagnóstico de hipertensão é estabelecido.

Por que a pressão alta crônica é um risco?

A hipertensão arterial é conhecida como "inimigo silencioso" porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas claros em suas fases iniciais. No entanto, mesmo sem sintomas, a pressão elevada constantemente danifica artérias e órgãos vitais como coração, cérebro, rins e olhos.

A longo prazo, a hipertensão não controlada pode levar a complicações sérias. Entre elas, estão o acidente vascular cerebral (AVC), infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, aneurismas e doença renal crônica. A hipertensão é a doença crônica mais comum em todo o mundo, e seu manejo adequado é fundamental para a saúde geral.

É importante notar que nem toda elevação da pressão arterial tem o mesmo impacto. 

Um estudo recente com mais de 1.600 participantes, publicado na Clinical Cardiology, sugeriu que a hipertensão diastólica isolada (quando apenas o segundo número da pressão está elevado, mas o primeiro permanece normal, como 120/85 mmHg) pode não estar significativamente associada a danos em órgãos-alvo, ao contrário da hipertensão combinada ou sistólica isolada.

A hipertensão é um fator de risco cardiovascular conhecido, não apenas para insuficiência cardíaca, mas também para o desenvolvimento de doenças coronarianas e cerebrovasculares. 

Além disso, a hipertensão tem sido observada como um efeito colateral e um fator de risco para a cardiotoxicidade de certas terapias contra o câncer, conforme apontado em um estudo publicado na Hypertension (Dallas, Tex. : 1979).

Quais sintomas indicam uma emergência hipertensiva?

Embora a hipertensão seja muitas vezes assintomática, existem situações em que a pressão sobe a níveis perigosos e sintomas começam a surgir, indicando uma emergência médica. Nessas ocasiões, a procura por atendimento hospitalar deve ser imediata.

Sinais de alerta que exigem atenção médica imediata

Se a sua pressão arterial estiver muito alta e você apresentar um ou mais dos seguintes sintomas, procure um pronto-socorro imediatamente:

  • Dor no peito: Especialmente se for uma dor tipo aperto ou que irradia para o braço, pescoço ou costas.
  • Falta de ar: Dificuldade para respirar, mesmo em repouso.
  • Dor de cabeça intensa e súbita: Diferente do usual, muitas vezes acompanhada de tontura.
  • Alterações visuais: Visão turva, embaçada, dupla ou a percepção de "pontos de luz" ou flashes.
  • Fraqueza ou dormência: Especialmente em um lado do corpo (braço, perna, rosto).
  • Dificuldade para falar ou entender: Fala arrastada ou confusão mental.
  • Agitação ou sonolência: Mudanças abruptas no estado de consciência.
  • Náuseas e vômitos: Persistentes e sem causa aparente.

Crise hipertensiva: urgência x emergência

Quando a pressão arterial atinge níveis muito elevados (acima de 180/120 mmHg ou 18 por 12), estamos diante de uma crise hipertensiva. Ela pode ser classificada em dois tipos:

  • Urgência hipertensiva: A pressão está muito alta, mas não há sinais de dano agudo a órgãos vitais. O paciente pode ou não sentir sintomas leves. O tratamento geralmente é ambulatorial, com redução gradual da pressão em horas ou dias, sob supervisão médica.
  • Emergência hipertensiva: A pressão está extremamente alta e há evidências de dano agudo a órgãos como coração, cérebro, rins ou pulmões. Os sintomas graves listados anteriormente estão presentes. Esta é uma condição grave que exige tratamento imediato em ambiente hospitalar, com medicação intravenosa para baixar a pressão rapidamente e evitar lesões permanentes.

O que fazer diante de uma pressão alta preocupante?

Ao se deparar com uma aferição de pressão elevada ou o surgimento de sintomas preocupantes, é fundamental saber como agir para proteger sua saúde.

Medidas imediatas e quando procurar o pronto-socorro:

Se você aferiu sua pressão e os valores estão muito altos, especialmente se acompanhados de sintomas, siga estas orientações:

  1. Mantenha a calma: O estresse pode elevar ainda mais a pressão. Respire fundo e tente relaxar.
  2. Repouse: Sente-se ou deite-se em um local tranquilo.
  3. Reafira a pressão: Após alguns minutos de repouso, meça a pressão novamente para confirmar os valores.
  4. Não se automedique: Nunca tome medicamentos de terceiros ou aumente a dose de seus remédios sem orientação médica. Isso pode causar uma queda brusca e perigosa na pressão.
  5. Procure atendimento de emergência: Se os valores persistirem muito altos (acima de 180/120 mmHg) ou se você apresentar qualquer um dos sintomas de emergência hipertensiva, dirija-se imediatamente ao pronto-socorro mais próximo.

A importância do acompanhamento médico regular:

Mesmo que não haja sintomas, o acompanhamento médico regular é a chave para o diagnóstico precoce e o controle da hipertensão. 

Um cardiologista ou clínico geral pode monitorar seus níveis de pressão, avaliar fatores de risco e prescrever o tratamento adequado, que pode incluir mudanças no estilo de vida e, se necessário, medicamentos.

Ajustes na medicação e monitoramento contínuo são essenciais para manter a pressão sob controle e prevenir complicações a longo prazo. Converse abertamente com seu médico sobre seu histórico familiar e hábitos de vida.

Como prevenir e controlar a pressão alta no dia a dia?

A melhor forma de lidar com a pressão alta é prevenindo-a ou controlando-a eficazmente. Um estilo de vida saudável é a base para manter os níveis de pressão arterial em patamares seguros.

Adote um estilo de vida saudável:

Muitas das medidas preventivas também são parte do tratamento da hipertensão. Veja como cuidar de você:

  • Alimentação equilibrada: Reduza o consumo de sal e alimentos processados. Priorize frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras e laticínios com baixo teor de gordura. A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) é um exemplo eficaz.
  • Atividade física regular: Pratique exercícios aeróbicos moderados por pelo menos 150 minutos por semana, como caminhada, natação ou ciclismo. Consulte seu médico antes de iniciar qualquer programa de exercícios.
  • Controle do peso: Manter um peso saudável ou perder o excesso de quilos ajuda significativamente a reduzir a pressão arterial.
  • Redução de álcool e tabagismo: O consumo excessivo de álcool e o tabagismo são fatores de risco importantes para a hipertensão e doenças cardiovasculares.
  • Manejo do estresse: Técnicas de relaxamento, meditação e atividades prazerosas podem ajudar a controlar o estresse, que também pode impactar a pressão arterial.

Fatores de risco e grupos especiais:

Alguns grupos de pessoas têm maior risco de desenvolver hipertensão ou de ter complicações em níveis considerados menos graves para outros. 

Isso inclui indivíduos com histórico familiar de hipertensão, obesidade, diabetes e idosos. Para esses grupos, a monitorização da pressão e o acompanhamento médico são ainda mais cruciais, pois os limiares de preocupação podem ser diferentes e mais rigorosos.

Além disso, a hipertensão primária é cada vez mais compreendida como uma síndrome complexa, não uma única doença. 

Pesquisas genéticas têm revelado que genes específicos podem estar associados a quase metade dos casos de hipertensão primária, destacando a importância da hereditariedade e da avaliação individualizada.

O conhecimento sobre os níveis e sintomas de alerta da pressão alta é uma ferramenta poderosa para a sua saúde. Esteja atento aos sinais do seu corpo e sempre busque orientação médica para qualquer dúvida ou preocupação. A prevenção e o controle adequados podem garantir uma vida longa e saudável.

 

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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