Qual a melhor atividade física para ansiedade? Aprenda a aliviar os sintomas
Entenda como o movimento pode ser um aliado poderoso na regulação do humor e na gestão dos sintomas do transtorno de ansiedade
Resumo
A atividade física regular é um tratamento coadjuvante eficaz para a ansiedade, atuando na regulação de neurotransmissores como serotonina e endorfina
Exercícios aeróbicos, como corrida e natação, são excelentes para reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse
Práticas mente-corpo, como yoga e Pilates, combinam movimento, respiração e foco, ajudando a acalmar o sistema nervoso
Não existe uma "melhor" atividade única; a escolha ideal depende da preferência pessoal, pois a consistência é o fator mais importante
É fundamental iniciar de forma gradual e sempre com a orientação de um profissional de saúde e de educação física
O coração dispara, a respiração fica curta e os pensamentos parecem correr uma maratona sem fim. Para quem convive com a ansiedade, essas sensações são familiares e desgastantes.
Em meio às opções de tratamento, a atividade física surge não apenas como uma recomendação, mas como uma ferramenta terapêutica validada pela ciência.
A prática regular de exercícios físicos é essencial para elevar a qualidade de vida, promovendo o bem-estar e auxiliando na manutenção da saúde mental, trazendo alívio de forma natural. Um profissional pode ajudar a indicar o melhor plano de cuidado para você. Agende sua consulta na Rede Américas.
Hospital
Localização
Agendamento
Hospital Nove de Julho Bela Vista
Rua Peixoto Gomide, 545 - Cerqueira César, São Paulo - SP
A relação entre mover o corpo e acalmar a mente não é uma mera percepção. Ela ocorre por meio de complexas reações bioquímicas que alteram positivamente o funcionamento cerebral.
O exercício físico age como um regulador natural do nosso estado de humor e estresse. Praticar exercícios físicos com propósito e movimentos planejados pode aumentar o sucesso de tratamentos de saúde e melhorar significativamente a funcionalidade física em poucas semanas.
Quando nos exercitamos, o corpo libera substâncias químicas que promovem uma sensação de calma e felicidade. Isso acontece principalmente por três vias:
Regulação de neurotransmissores: a prática eleva os níveis de serotonina e endorfinas, conhecidos como "hormônios do bem-estar", que têm um efeito direto na melhora do humor e na redução da percepção da dor
Redução do cortisol: atividades aeróbicas, em especial, ajudam a diminuir os níveis de cortisol, o principal hormônio associado ao estresse crônico e à ansiedade
Estímulo à neuroplasticidade: o exercício regular incentiva a criação de novas conexões neurais, tornando o cérebro mais resiliente e adaptável aos gatilhos de estresse
Atividades aeróbicas supervisionadas são uma intervenção fundamental para reduzir sintomas psicológicos negativos e aumentar o bem-estar, impactando positivamente a qualidade de vida.
Embora qualquer movimento seja melhor que nenhum, algumas modalidades se destacam pelos benefícios diretos no controle da ansiedade. A melhor escolha será sempre aquela que você sente prazer em praticar, pois a adesão ao tratamento é fundamental.
Exercícios aeróbicos: o poder do movimento contínuo
Também conhecidos como exercícios "cardio", eles aumentam a frequência cardíaca e a respiração de forma sustentada. São eficazes para "queimar" a adrenalina e o cortisol excedentes, comuns em quadros de ansiedade.
A prática regular de exercícios aeróbicos, como o ciclismo, ajuda a regular o humor e a superar o desânimo causado por transtornos emocionais.
Caminhada e corrida: especialmente quando praticadas ao ar livre, combinam os benefícios do exercício com a exposição à natureza, o que comprovadamente reduz os sintomas de estresse
Natação: o ambiente aquático promove relaxamento muscular e o ritmo da respiração ajuda a focar a mente, diminuindo a ruminação de pensamentos ansiosos
Ciclismo e dança: são atividades lúdicas que exigem coordenação e foco, desviando a atenção das preocupações e liberando endorfinas
Práticas mente-corpo: a união entre foco e respiração
Essas atividades integram movimento, controle respiratório e meditação ou foco atencional. Elas são particularmente úteis para reduzir a reatividade do sistema nervoso e aumentar a consciência corporal.
Yoga: combina posturas físicas (ásanas), técnicas de respiração (pranayamas) e meditação, promovendo um estado de relaxamento profundo e equilíbrio do sistema nervoso autônomo
Pilates: focado no fortalecimento do core (centro de força do corpo) e na precisão dos movimentos, exige grande concentração, o que ajuda a silenciar a mente e aliviar a tensão muscular
Tai Chi Chuan: arte marcial chinesa praticada em câmera lenta, é descrita como "meditação em movimento". Melhora o equilíbrio, a flexibilidade e promove uma calma mental duradoura
Cardio ou musculação: o que é melhor para a ansiedade?
Essa é uma dúvida comum, e a resposta é: ambos são benéficos. A escolha pode depender do seu perfil e do momento.
A combinação dos dois tipos de treino, com musculação e exercícios aeróbicos de intensidade moderada, tem se mostrado a estratégia mais eficaz para fortalecer o organismo e elevar a qualidade de vida.
Liberação imediata de endorfinas e redução de cortisol, gerando alívio rápido dos sintomas agudos de estresse.
Musculação (força)
Melhora da autoestima e da percepção de capacidade física, além de ajudar a regular o sono, um fator crucial na saúde mental.
Sessões de cardio podem ser mais eficazes durante um pico de ansiedade, enquanto o treino de força constrói uma base de resiliência física e mental a longo prazo. O ideal é conversar com um profissional de educação física para montar um plano que intercale as duas modalidades.
Como começar a se exercitar mesmo com ansiedade?
A própria ansiedade pode ser uma barreira para iniciar uma rotina de exercícios, gerando pensamentos como "não vou conseguir" ou "todos vão me observar". Vencer essa inércia inicial é o passo mais importante.
Comece pequeno: não se cobre para correr uma maratona. Uma caminhada de 15 minutos no quarteirão já é uma grande vitória
Escolha algo que goste: se você odeia academia, tente dançar na sala ou fazer uma aula de yoga online. O prazer na prática garante a continuidade
Crie uma rotina: defina um horário fixo para a atividade, como se fosse um compromisso inadiável. Isso ajuda o cérebro a automatizar o hábito
Encontre companhia: treinar com um amigo ou familiar pode aumentar a motivação e diminuir a sensação de auto-observação
Seja gentil com você: haverá dias em que a ansiedade estará mais forte. Nesses dias, opte por algo mais leve, como um alongamento. O importante é não parar
Quando devo procurar ajuda profissional?
A atividade física é um pilar fundamental no tratamento da ansiedade, mas não substitui o acompanhamento especializado. Ela deve ser vista como parte de um cuidado integral que pode incluir psicoterapia e, se necessário, acompanhamento psiquiátrico.
É fundamental procurar um médico ou psicólogo se os sintomas de ansiedade forem persistentes, intensos e estiverem atrapalhando sua vida diária, trabalho ou relacionamentos. Um profissional poderá realizar o diagnóstico correto e indicar o plano de tratamento mais adequado para o seu caso.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
PAGE, M. J. et al. Manual therapy and exercise for rotator cuff disease. The Cochrane Database of Systematic Reviews, [S. l.], 10 jun. 2016. DOI: https://doi.org/10.1002/14651858.CD012224. Disponível em: https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD012224/full. Acesso em: 11 fev. 2026.
RIDGEL, A. L. et al. Enhanced exercise therapy in Parkinson’s disease: a comparative effectiveness trial. Journal of Science and Medicine in Sport / Sports Medicine Australia, [S. l.], fev. 2015. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jsams.2015.01.005. Disponível em: https://www.jsams.org/article/S1440-2440(15)00008-0/fulltext. Acesso em: 11 fev. 2026.
SHAO, W. et al. The effects of exercise on body composition of prostate cancer patients receiving androgen deprivation therapy: an update systematic review and meta-analysis. PLoS ONE, [S. l.], 15 fev. 2022. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0263918. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0263918. Acesso em: 11 fev. 2026.
USSING, A. et al. Supervised exercise therapy compared with no exercise therapy to reverse debilitating effects of androgen deprivation therapy in patients with prostate cancer: a systematic review and meta-analysis. Prostate Cancer and Prostatic Diseases, [S. l.], 06 set. 2021. DOI: https://doi.org/10.1038/s41391-021-00450-0. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41391-021-00450-0. Acesso em: 11 fev. 2026.
WILHELM, M. et al. The combined effects of manual therapy and exercise on pain and related disability for individuals with nonspecific neck pain: a systematic review with meta-analysis. The Journal of Manual & Manipulative Therapy, [S. l.], 2023. DOI: https://doi.org/10.1080/10669817.2023.2202895. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10669817.2023.2202895. Acesso em: 11 fev. 2026.