Ícone
Logo Portal AméricasLogo Portal Américas Mobile
InícioSaúdeTratamentos

O que fazer quando a pressão está alta e quando buscar ajuda médica

Medir a pressão e encontrar um valor elevado pode gerar uma aflição imediata; saiba como agir nesses momentos e o que fazer para cuidar da sua saúde cardiovascular.

o que fazer quando a pressão estiver alta1.jpg

Um valor elevado no medidor de pressão pode ser assustador, e a dúvida sobre o que fazer quando a pressão estiver alta é imediata. A primeira atitude é ter calma, pois nem todo pico é uma emergência. Saber diferenciar os sinais de alerta é o que permite agir da forma correta para cuidar da sua saúde.

Como saber se a pressão está realmente alta?

Antes de interpretar qualquer resultado, é necessário garantir que a medição da pressão arterial seja feita corretamente. Isso porque fatores momentâneos podem elevar os números de forma artificial até mesmo em pessoas saudáveis. 

Para evitar distorções, a orientação é que a aferição ocorra em um ambiente calmo, com a pessoa sentada, pernas descruzadas e em repouso por pelo menos cinco minutos.

Também é recomendável não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas ou café e não praticar exercícios físicos nos 30 minutos anteriores. O braço deve estar apoiado na altura do coração, pois essa posição facilita uma leitura precisa. Quando todos esses cuidados são seguidos, o valor registrado no visor reflete de forma mais fiel a pressão arterial real de repouso.

Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a pressão arterial é considerada alta quando os valores são iguais ou superiores a 140 mmHg por 90 mmHg, o famoso “14 por 9”.

Porém, uma única medição elevada não confirma um diagnóstico de hipertensão, mas serve como um sinal de alerta para a necessidade de um monitoramento mais atento e uma conversa com seu médico.

Minha pressão está alta: o que fazer no momento da crise?

Se você se deparar com um valor de pressão elevado no aparelho, a primeira e mais importante recomendação é de não se desesperar. A ansiedade gerada pelo próprio resultado pode elevar ainda mais a pressão. Logo, o passo inicial é tentar se acalmar.

Procure um local confortável e tranquilo, sente-se e pratique a respiração lenta e profunda por alguns minutos. Inspire lentamente pelo nariz, segure o ar por um instante e solte-o suavemente pela boca. Essa técnica ajuda a diminuir a frequência cardíaca e a relaxar os vasos sanguíneos.

Após 10 a 15 minutos de repouso, afira a pressão novamente, lembrando de manter a postura correta, com o braço apoiado na altura do coração. Se os valores permanecerem elevados, mas você não estiver sentindo nenhum outro sintoma, a orientação é entrar em contato com seu médico para relatar o ocorrido e receber instruções. 

A atitude mais importante é não tomar medicamentos extras sem prescrição. Mas, se junto com a pressão alta você apresentar outros sintomas, como dor no peito ou dor de cabeça intensa, a situação muda. Nesse caso, pode se tratar de uma emergência, como detalharemos a seguir.

Quais são os sinais de uma emergência hipertensiva?

A situação muda completamente se a pressão alta vier acompanhada de outros sintomas. A presença de sinais de alerta indica que a pressão elevada pode estar causando danos agudos a órgãos-alvo, como o coração, o cérebro ou os rins. 

Essa é uma emergência hipertensiva, uma condição grave que exige atendimento médico imediato. É preciso procurar um pronto-socorro se a pressão alta estiver associada a qualquer um dos seguintes sinais que destacamos a seguir. 

Uma dor forte no peito, em aperto ou pressão, que pode se espalhar para o braço, costas ou pescoço, é um sinal clássico de que o coração está sob estresse extremo, podendo indicar um infarto em andamento.

Uma dor de cabeça súbita e muito intensa, diferente de qualquer dor que você já sentiu, especialmente se vier acompanhada de vômitos, confusão mental ou alterações na visão (como visão embaçada ou dupla), pode ser um sinal de que a pressão está afetando o cérebro.

Falta de ar ou dificuldade para respirar também é um sinal de alerta importante, pois pode indicar que a pressão alta está sobrecarregando o coração a ponto de causar um acúmulo de líquido nos pulmões.

Ainda, sintomas neurológicos súbitos, como tontura, fraqueza em um lado do corpo ou do rosto, ou dificuldade para falar, são os sinais clássicos de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que pode ser desencadeado por uma crise hipertensiva.

Alimentos e hábitos que ajudam a controlar a pressão a longo prazo

O controle da pressão arterial a longo prazo é a verdadeira chave para a prevenção das doenças do sistema cardiovascular. A Sociedade Brasileira de Cardiologia afirma que as mudanças de hábitos são tão importantes quanto os medicamentos e têm um impacto imenso na saúde do coração.

A principal medida é a redução do consumo de sódio, presente no sal de cozinha e "escondido" em alimentos ultraprocessados, como embutidos, temperos prontos e macarrão instantâneo. O excesso de sódio faz com que o corpo retenha mais líquido, aumentando o volume de sangue na circulação e a pressão dentro das artérias.

Além da redução de sódio, é importante incluir no cardápio alimentos ricos em potássio, como banana, feijão, abacate e vegetais de folhas escuras. O potássio ajuda a equilibrar os efeitos do sódio, favorecendo sua eliminação e contribuindo para a saúde dos vasos sanguíneos.

Adotar padrões alimentares ricos em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e pobres em sódio e gorduras saturadas, é um passo importante para manter a pressão sob controle e proteger o coração.

A prática regular de atividade física é um dos pilares para manter a pressão arterial em níveis saudáveis. Exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida e natação, fortalecem o músculo cardíaco, permitindo que ele bombeie o sangue de forma mais eficiente, com menos esforço. 

A atividade física também estimula a dilatação dos vasos sanguíneos, melhora a circulação, contribui para o controle do peso e reduz o estresse, todos fatores que ajudam a manter a pressão sob controle.

Outros hábitos importantes consistem em limitar o consumo de álcool, evitar o tabagismo e buscar maneiras equilibradas de lidar com o estresse. A nicotina presente no cigarro contrai os vasos sanguíneos e eleva a pressão, enquanto o excesso de álcool pode prejudicar o funcionamento do coração. Já o estresse não controlado leva à liberação de hormônios que aumentam a pressão arterial. 

Quando devo procurar um cardiologista?

A hipertensão é uma doença crônica e silenciosa, por isso o acompanhamento com um cardiologista é a atitude mais segura para o seu controle. A orientação é procurar o especialista se você tem medido sua pressão e notado valores consistentemente acima do normal, para que um diagnóstico correto seja feito.

Na consulta, o médico irá avaliar seus fatores de risco para doenças cardiovasculares, como histórico familiar e hábitos de vida, e poderá solicitar exames complementares, como o eletrocardiograma e análises de sangue, para ter um panorama completo da sua saúde. A partir dessa avaliação, ele definirá a necessidade de iniciar um tratamento com medicamentos.

Para quem já tem o diagnóstico de hipertensão, as consultas regulares são igualmente importantes para ajustar as medicações e monitorar a resposta do corpo ao tratamento, prevenindo complicações futuras.

A mensagem principal é que a pressão alta não deve ser ignorada ou temida, mas sim gerenciada. O acompanhamento regular com seu médico é o que permite um controle eficiente da doença, com o objetivo de prevenir complicações como o infarto e o AVC e manter sua qualidade de vida a longo prazo.

Referências bibliográficas:

MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: hipertensão arterial sistêmica. Cadernos de Atenção Básica, n. 37. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estrategias_cuidado_pessoa_doenca_cronica_hipertensao.pdf. Acesso em: 14 ago. 2025.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC). Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 116, n. 3, p. 516-658, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/x8Bqf3tNq8X96R7X7G5G9pF. Acesso em: 14 ago. 2025.