Água no pulmão: o que é, quais são os sintomas e como é feito o tratamento
Entenda as diferenças entre edema pulmonar e derrame pleural e saiba reconhecer os sinais que exigem atenção médica imediata
Resumo
O termo popular "água no pulmão" refere-se a duas condições médicas distintas: o edema pulmonar (líquido dentro dos pulmões) e o derrame pleural (líquido ao redor dos pulmões)
As causas são variadas, sendo as mais comuns a insuficiência cardíaca, pneumonias, insuficiência renal e certas doenças hepáticas
O sintoma mais característico é a falta de ar intensa, que pode piorar ao deitar, acompanhada de tosse e sensação de afogamento
O diagnóstico é confirmado por meio de exames de imagem, como radiografia de tórax e ultrassonografia, além da avaliação clínica
Trata-se de uma condição potencialmente grave que sempre exige avaliação e tratamento médico para corrigir a causa base e aliviar os sintomas
A sensação começa sutil, um cansaço que não passa. Subir um lance de escadas se torna um desafio e, ao deitar para dormir, parece que o ar não é suficiente, forçando o uso de mais travesseiros. Essa dificuldade para respirar pode ser um sinal de alerta para uma condição conhecida popularmente como "água no pulmão".
Embora seja uma expressão comum, ela descreve uma situação clínica séria que precisa de atenção. Compreender o que realmente acontece no corpo é o primeiro passo para buscar o cuidado adequado e evitar complicações. Os hospitais da Rede Américas estão preparados para cuidar da sua saúde respiratória. Marque sua consulta.
O termo popular "água no pulmão" é usado para descrever o edema pulmonar, que é um acúmulo grave e anormal de líquido dentro dos pulmões. Essa condição se manifesta como uma emergência médica, pois o líquido inunda os alvéolos, que são as pequenas bolsas de ar pulmonares.
Com isso, a capacidade de o corpo realizar a troca de oxigênio é prejudicada, o que pode causar falta de ar súbita e perigosa. Esse acúmulo pode ocorrer em dois locais diferentes, caracterizando duas condições médicas distintas, embora com sintomas parecidos.
Ambas as situações prejudicam a função principal dos pulmões: realizar a troca gasosa, ou seja, levar oxigênio para o sangue e remover o gás carbônico. Com o espaço para o ar reduzido pelo líquido, a respiração se torna difícil e ineficiente.
É fundamental distinguir as duas condições que o termo popular abrange para um diagnóstico e tratamento corretos.
Edema pulmonar: neste caso, o líquido se acumula dentro dos pulmões, mais especificamente nos alvéolos, que são pequenas bolsas de ar. Esse vazamento de líquido prejudica a respiração e a oxigenação sanguínea, impedindo a troca eficiente de oxigênio.
Derrame pleural: aqui, o líquido se acumula no espaço pleural, que fica entre o pulmão e a parede torácica. Esse acúmulo comprime o pulmão de fora para dentro, dificultando sua expansão completa durante a respiração.
Quais são as principais causas do acúmulo de líquido?
O acúmulo de líquido não é uma doença em si, mas um sinal de que algo no organismo não vai bem. As causas são divididas principalmente entre aquelas de origem cardíaca e as de outras origens.
Causas relacionadas ao coração (cardiogênicas)
A causa mais comum para o edema pulmonar é a insuficiência cardíaca. Quando o coração não consegue bombear o sangue eficientemente, a pressão aumenta nos vasos sanguíneos dos pulmões, forçando o líquido a extravasar para dentro dos alvéolos.
Causas não relacionadas ao coração
Diversas outras condições podem levar ao acúmulo de líquido nos pulmões ou na pleura, incluindo:
Infecções: Pneumonias bacterianas ou virais e tuberculose podem causar inflamação, levando ao derrame pleural
Insuficiência renal: Rins com funcionamento comprometido têm dificuldade em eliminar o excesso de fluidos, que podem se acumular nos pulmões
Condições renais específicas: Problemas como a estenose unilateral da artéria renal, especialmente quando um dos rins encolhe, podem causar episódios recorrentes de edema pulmonar súbito
Doenças hepáticas: A cirrose avançada pode desequilibrar proteínas e fluidos no corpo
Embolia pulmonar: Um coágulo sanguíneo no pulmão pode gerar aumento de pressão e acúmulo de líquido
Câncer: Tumores no pulmão ou que se espalham para a pleura podem provocar derrame pleural
Fatores gestacionais: Em gestações de gêmeos, mulheres com estatura abaixo de 154 cm podem ter um risco aumentado de edema pulmonar
Medicamentos específicos: Certos fármacos, como a ritodrina usada em obstetrícia, podem causar edema pulmonar em indivíduos com predisposições genéticas
Complicações de tratamento: Em alguns casos, o edema pulmonar pode ocorrer após o tratamento com diuréticos, exigindo vigilância
Hipoglicemia grave: Crises severas de baixo açúcar no sangue (hipoglicemia) podem, raramente, levar a um edema pulmonar não cardíaco, afetando a respiração e o cérebro
Como saber se estou com água no pulmão?
Os sintomas podem se desenvolver de forma gradual ou surgir subitamente, em casos agudos. O sinal mais importante e universal é a dificuldade para respirar (dispneia).
Fique atento a estes sinais:
Falta de ar intensa, que piora com esforço físico ou ao se deitar (ortopneia)
Sensação de afogamento ou sufocamento
Tosse persistente, que pode vir com uma secreção espumosa ou rosada
Chiado ou borbulhas no peito ao respirar
Ansiedade, inquietação e suor excessivo
Lábios ou pontas dos dedos com coloração azulada (cianose), um sinal de baixa oxigenação
Inchaço nas pernas e tornozelos
Quando devo procurar ajuda médica de emergência?
O acúmulo de líquido nos pulmões é uma emergência médica. Se você ou alguém próximo apresentar um ou mais dos seguintes sintomas, procure atendimento médico imediatamente:
Dificuldade respiratória extrema e súbita
Sensação de asfixia
Tosse com expectoração rosada e espumosa
Dor no peito intensa
Confusão mental ou diminuição do nível de consciência
Atrasar a busca por ajuda pode levar a complicações graves, incluindo insuficiência respiratória.
Como é feito o diagnóstico e tratamento?
O diagnóstico correto é fundamental para iniciar o tratamento adequado o mais rápido possível. O processo envolve a avaliação dos sintomas, histórico clínico e exames complementares.
Exames para diagnóstico
Após a avaliação física, na qual o médico ausculta os pulmões, podem ser solicitados exames como:
Radiografia de tórax: é um dos primeiros exames a serem feitos, pois pode mostrar claramente a presença de líquido nos pulmões ou no espaço pleural
Eletrocardiograma (ECG): avalia a atividade elétrica do coração, ajudando a identificar problemas cardíacos
Ecocardiograma: um ultrassom do coração que verifica sua estrutura e capacidade de bombeamento
Tomografia computadorizada: fornece imagens mais detalhadas do tórax e pode ajudar a identificar a causa do problema, como coágulos ou tumores
Toracocentese: em caso de derrame pleural, uma agulha fina é inserida no espaço pleural para retirar uma amostra do líquido. Essa amostra é analisada em laboratório para determinar a causa (infecção, câncer, etc.)
Abordagens de tratamento
O tratamento tem dois objetivos principais: remover o excesso de líquido para aliviar os sintomas e tratar a doença que causou o problema.
As medidas imediatas geralmente incluem:
Oxigenoterapia: fornecer oxigênio suplementar por meio de uma máscara ou cânula nasal para melhorar a oxigenação do sangue
Diuréticos: são medicamentos que ajudam os rins a eliminar o excesso de líquido e sal do corpo através da urina
Medicamentos para o coração: se a causa for insuficiência cardíaca, são usados remédios para fortalecer o músculo cardíaco e melhorar sua função
Drenagem do líquido: no caso de um grande derrame pleural, pode ser necessária a realização de uma toracocentese terapêutica ou a inserção de um dreno torácico para remover o líquido acumulado
Água no pulmão tem cura?
A possibilidade de cura ou controle da "água no pulmão" depende inteiramente da sua causa subjacente. Quando o acúmulo de líquido é causado por uma condição tratável, como uma pneumonia, a resolução completa é possível com o tratamento adequado da infecção.
Em casos de doenças crônicas, como a insuficiência cardíaca ou renal, o tratamento visa controlar a condição de base e gerenciar os sintomas a longo prazo. Assim, é possível evitar novos episódios de acúmulo de líquido e garantir uma boa qualidade de vida para o paciente.
Portanto, o acompanhamento médico contínuo é essencial para monitorar a condição e ajustar o tratamento conforme necessário.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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