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Medicação para gastrite: guia para alívio e tratamento

Saiba quais são os medicamentos mais eficazes para aliviar a queimação e a dor no estômago e por que a orientação médica é essencial.

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Aquele desconforto que começa como uma leve queimação e evolui para uma dor intensa no estômago, muitas vezes após as refeições ou em momentos de estresse, pode ser gastrite. Esta condição se caracteriza pela inflamação do revestimento interno do estômago, conhecido como mucosa gástrica, que pode ser confirmada por endoscopia ou biópsia.

A gastrite é uma condição muito comum. Em um estudo realizado na Coreia, por exemplo, foi observado que 85,9% das pessoas que realizaram exames de saúde apresentavam algum tipo de gastrite, sendo a gastrite superficial a mais frequente (31,3%). 

Se não for tratada adequadamente, a gastrite pode progredir para quadros mais graves, como úlceras e sangramentos, e até mesmo aumentar o risco de câncer de estômago em casos crônicos, especialmente quando há lesões pré-malignas como gastrite atrófica e metaplasia intestinal.

Sintomas comuns da gastrite

Os sintomas da gastrite variam de pessoa para pessoa e dependem da gravidade da inflamação. Os mais comuns incluem:

  • Dor ou queimação na parte superior do abdômen, que pode piorar ou melhorar após comer.
  • Sensação de inchaço ou plenitude após as refeições.
  • Náuseas e vômitos.
  • Perda de apetite.
  • Indigestão.

Em casos de gastrite relacionada a inibidores de checkpoint imunológico (uma condição que pode surgir em tratamentos de câncer), sintomas como náuseas (em 54% dos pacientes), vômitos e dor abdominal (em 53,1% dos pacientes) são frequentemente relatados. Em alguns casos, pode ocorrer melena (fezes escuras devido a sangramento).

Causas da gastrite

A gastrite pode ser aguda, surgindo de repente, ou crônica, desenvolvendo-se gradualmente ao longo do tempo. 

Diversos fatores contribuem para sua origem, como:

  • Infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori).
  • Uso prolongado de certos medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), a exemplo de ibuprofeno e naproxeno.
  • Consumo excessivo de álcool.
  • Estresse severo.
  • Doenças autoimunes, como a gastrite autoimune, que se caracteriza pela destruição progressiva das glândulas gástricas.
  • Refluxo biliar para o estômago, que pode ser tratado com algumas fórmulas da medicina tradicional chinesa.
  • Ações adversas de inibidores de checkpoint imunológico (ICIs), medicamentos usados no tratamento de câncer, que podem levar a uma inflamação gástrica autoimune.

Quais os principais tipos de medicação para gastrite?

O tratamento medicamentoso para gastrite visa principalmente reduzir a acidez estomacal, aliviar os sintomas e permitir a cicatrização da mucosa. A escolha do medicamento depende da causa e da gravidade da gastrite, sendo essencial a prescrição e acompanhamento médico.

Inibidores da bomba de prótons (IBPs)

Considerados os medicamentos mais eficazes para reduzir a produção de ácido no estômago, os IBPs são amplamente utilizados no tratamento da gastrite, úlceras e refluxo gastroesofágico.

Como funcionam os IBPs?

Esses medicamentos atuam bloqueando as "bombas de prótons" nas células do estômago. Essas bombas são as responsáveis por liberar ácido no estômago. Ao bloqueá-las, a produção de ácido diminui drasticamente, aliviando a irritação da mucosa gástrica e favorecendo sua recuperação.

Exemplos comuns de IBPs

Os IBPs mais conhecidos no mercado incluem omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, esomeprazol e rabeprazol. Eles geralmente são tomados uma vez ao dia, preferencialmente antes da primeira refeição.

Cuidados e uso de IBPs

Estudos indicam que o omeprazol, por exemplo, pode ser eficaz no tratamento da gastrite erosiva relacionada ao uso de AINEs. A administração de 20 mg de omeprazol por 8 semanas resultou em melhora em 83% dos casos de gastrite erosiva. 

Embora sejam seguros para a maioria das pessoas, o uso prolongado de IBPs (por meses ou anos) pode estar associado a alguns riscos, como deficiência de vitamina B12, maior risco de infecções intestinais e, em alguns casos, osteoporose. 

Por isso, a duração do tratamento deve ser sempre definida por um médico, que avaliará a necessidade e monitorará os efeitos.

Antagonistas dos receptores H2 (Bloqueadores H2)

Os bloqueadores H2 também diminuem a produção de ácido, mas por um mecanismo diferente dos IBPs. Eles são uma opção eficaz, embora geralmente menos potentes que os IBPs na supressão de ácido.

Como funcionam os bloqueadores H2?

Esses medicamentos atuam bloqueando os receptores de histamina tipo 2 (H2) nas células do estômago. A histamina é uma substância que estimula a produção de ácido gástrico. Ao bloquear seus receptores, a secreção de ácido é reduzida.

Exemplos comuns de bloqueadores H2

Cimetidina, ranitidina (cuja comercialização foi suspensa em alguns países devido a questões de segurança) e famotidina são exemplos de bloqueadores H2. Eles podem ser usados para aliviar sintomas leves a moderados ou como alternativa aos IBPs em alguns casos.

Antiácidos

Os antiácidos são medicações de ação rápida que neutralizam o ácido já presente no estômago, proporcionando alívio imediato dos sintomas de azia e queimação.

Como funcionam os antiácidos?

Eles contêm substâncias alcalinas, como hidróxido de alumínio, hidróxido de magnésio ou carbonato de cálcio, que reagem quimicamente com o ácido clorídrico do estômago, elevando o pH e diminuindo a acidez.

Exemplos comuns de antiácidos

Muitos antiácidos estão disponíveis sem receita e vêm em diferentes formas, incluindo líquidos (muitas vezes os “remédios líquidos para gastrite” procurados) e comprimidos mastigáveis. Embora ofereçam alívio rápido, seu efeito é de curta duração e não tratam a causa subjacente da gastrite.

Protetores da mucosa gástrica

Alguns medicamentos formam uma barreira protetora sobre a mucosa do estômago, ajudando a defendê-la do ácido e de outras substâncias irritantes.

Como funcionam os protetores gástricos?

Eles criam uma camada protetora que adere às áreas inflamadas ou ulceradas, promovendo a cicatrização e prevenindo danos adicionais.

Exemplo comum: Sucralfato

O sucralfato é um exemplo de protetor da mucosa. Ele é ativado pelo ácido estomacal e forma um gel viscoso que se liga às proteínas das úlceras e inflamações, agindo como um "curativo" local. 

No entanto, estudos indicam que agentes mucoprotetores, como o sucralfato, podem não apresentar uma diferença estatisticamente significativa na taxa de cicatrização ou melhora das erosões gástricas em comparação com um placebo.

Antibióticos (em casos de H. pylori)

Quando a gastrite é causada pela infecção da bactéria Helicobacter pylori, o tratamento inclui uma combinação de antibióticos.

Quando antibióticos são necessários?

O médico pode solicitar um teste para detectar a presença da H. pylori. Se o resultado for positivo, um esquema de tratamento com dois ou mais antibióticos, geralmente associados a um IBP, é prescrito para erradicar a bactéria. 

A erradicação da H. pylori é crucial para a cura da gastrite em muitos casos e é recomendada para prevenir o câncer gástrico.

Uma meta-análise de sete estudos revelou que a erradicação da H. pylori diminuiu a incidência de câncer gástrico em cerca de 46% e a mortalidade relacionada a ele em aproximadamente 39%, conforme publicado no Journal of Korean Medical Science. Além disso, a erradicação da H. pylori pode levar à melhora da gastrite atrófica, uma condição pré-maligna, embora não seja recomendada apenas para a melhora da metaplasia intestinal.

Medicação para gastrite: por quanto tempo devo tomar?

A duração do tratamento com medicação para gastrite é altamente variável e depende da causa, do tipo de gastrite (aguda ou crônica) e da resposta individual ao tratamento. Não existe uma regra única para todos os casos.

A importância do diagnóstico correto

Um diagnóstico preciso é o ponto de partida para qualquer tratamento de gastrite. O médico gastroenterologista, após avaliação e, se necessário, exames como endoscopia e biópsia, determinará a causa da inflamação. Com base nisso, será definida a medicação adequada e o tempo necessário para o uso.

É importante notar que, para o diagnóstico de gastrite atrófica ou metaplasia intestinal, os achados da endoscopia de luz branca por si só podem não ser suficientes para decidir sobre a necessidade de biópsia, devido à baixa precisão diagnóstica. 

Para pacientes com gastrite atrófica ou metaplasia intestinal, a classificação do risco (por exemplo, estágios OLGA ou OLGIM) é importante, pois pacientes de alto risco (estágios III e IV) podem ter um risco até 28 vezes maior de desenvolver tumores gástricos em comparação com os de baixo risco. Nesses casos, um acompanhamento mais próximo é necessário.

Riscos da automedicação e uso prolongado

É fundamental evitar a automedicação, especialmente com medicamentos para gastrite. O uso indiscriminado ou prolongado sem orientação médica pode mascarar sintomas importantes, retardar o diagnóstico de condições mais graves e, em alguns casos, causar efeitos colaterais indesejados. 

Por exemplo, a supressão excessiva de ácido pode interferir na absorção de nutrientes ou favorecer o crescimento de certas bactérias.

O tratamento da gastrite vai além dos remédios: mudanças de estilo de vida

Embora a medicação seja um pilar fundamental no tratamento da gastrite, as mudanças no estilo de vida desempenham um papel igualmente importante. Elas complementam a ação dos remédios, ajudam a prevenir recorrências e promovem uma recuperação mais completa.

Alimentação e hidratação

A dieta é crucial para quem tem gastrite. Recomenda-se evitar alimentos que irritam a mucosa gástrica, como:

  • Alimentos muito ácidos (frutas cítricas em excesso, vinagre).
  • Alimentos picantes e condimentados.
  • Alimentos muito gordurosos ou fritos.
  • Bebidas gaseificadas, café e chá preto em excesso.
  • Chocolate.

Priorize uma alimentação leve, com alimentos cozidos, assados e de fácil digestão. A hidratação adequada com água é igualmente importante.

Gestão do estresse

O estresse é um fator conhecido por agravar os sintomas da gastrite e, em alguns casos, até desencadear crises. Técnicas de relaxamento, como meditação, ioga, exercícios físicos regulares e hobbies, podem ajudar a gerenciar o estresse e melhorar a saúde digestiva.

Evitar irritantes gástricos

Além dos alimentos, outros hábitos podem irritar o estômago:

  • Álcool: O consumo de bebidas alcoólicas agride diretamente a mucosa gástrica.
  • Tabagismo: Fumar pode piorar a inflamação e dificultar a cicatrização.
  • Certos medicamentos: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) devem ser usados com cautela e sempre sob orientação médica, pois são uma causa comum de gastrite.

Quando procurar um médico?

Se você apresenta sintomas de gastrite, mesmo que leves, é fundamental procurar um médico. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações. 

Procure um especialista imediatamente se:

  • Os sintomas forem intensos ou persistentes.
  • Houver vômitos com sangue ou fezes escuras (melena), indicando sangramento.
  • Você sentir dor abdominal forte e súbita.
  • Houver perda de peso inexplicável.
  • Os sintomas não melhorarem com as mudanças de estilo de vida ou medicação inicial.

Apenas um profissional de saúde pode determinar a causa exata da gastrite e prescrever o tratamento mais seguro e eficaz para o seu caso específico.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

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