25/08/2025
Revisado em: 25/08/2025
Saiba quais são os medicamentos mais eficazes para aliviar a queimação e a dor no estômago e por que a orientação médica é essencial.
.
Aquele desconforto que começa como uma leve queimação e evolui para uma dor intensa no estômago, muitas vezes após as refeições ou em momentos de estresse, pode ser gastrite. Esta condição se caracteriza pela inflamação do revestimento interno do estômago, conhecido como mucosa gástrica, que pode ser confirmada por endoscopia ou biópsia.
A gastrite é uma condição muito comum. Em um estudo realizado na Coreia, por exemplo, foi observado que 85,9% das pessoas que realizaram exames de saúde apresentavam algum tipo de gastrite, sendo a gastrite superficial a mais frequente (31,3%).
Se não for tratada adequadamente, a gastrite pode progredir para quadros mais graves, como úlceras e sangramentos, e até mesmo aumentar o risco de câncer de estômago em casos crônicos, especialmente quando há lesões pré-malignas como gastrite atrófica e metaplasia intestinal.
Os sintomas da gastrite variam de pessoa para pessoa e dependem da gravidade da inflamação. Os mais comuns incluem:
Em casos de gastrite relacionada a inibidores de checkpoint imunológico (uma condição que pode surgir em tratamentos de câncer), sintomas como náuseas (em 54% dos pacientes), vômitos e dor abdominal (em 53,1% dos pacientes) são frequentemente relatados. Em alguns casos, pode ocorrer melena (fezes escuras devido a sangramento).
A gastrite pode ser aguda, surgindo de repente, ou crônica, desenvolvendo-se gradualmente ao longo do tempo.
Diversos fatores contribuem para sua origem, como:
O tratamento medicamentoso para gastrite visa principalmente reduzir a acidez estomacal, aliviar os sintomas e permitir a cicatrização da mucosa. A escolha do medicamento depende da causa e da gravidade da gastrite, sendo essencial a prescrição e acompanhamento médico.
Considerados os medicamentos mais eficazes para reduzir a produção de ácido no estômago, os IBPs são amplamente utilizados no tratamento da gastrite, úlceras e refluxo gastroesofágico.
Esses medicamentos atuam bloqueando as "bombas de prótons" nas células do estômago. Essas bombas são as responsáveis por liberar ácido no estômago. Ao bloqueá-las, a produção de ácido diminui drasticamente, aliviando a irritação da mucosa gástrica e favorecendo sua recuperação.
Os IBPs mais conhecidos no mercado incluem omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, esomeprazol e rabeprazol. Eles geralmente são tomados uma vez ao dia, preferencialmente antes da primeira refeição.
Estudos indicam que o omeprazol, por exemplo, pode ser eficaz no tratamento da gastrite erosiva relacionada ao uso de AINEs. A administração de 20 mg de omeprazol por 8 semanas resultou em melhora em 83% dos casos de gastrite erosiva.
Embora sejam seguros para a maioria das pessoas, o uso prolongado de IBPs (por meses ou anos) pode estar associado a alguns riscos, como deficiência de vitamina B12, maior risco de infecções intestinais e, em alguns casos, osteoporose.
Por isso, a duração do tratamento deve ser sempre definida por um médico, que avaliará a necessidade e monitorará os efeitos.
Os bloqueadores H2 também diminuem a produção de ácido, mas por um mecanismo diferente dos IBPs. Eles são uma opção eficaz, embora geralmente menos potentes que os IBPs na supressão de ácido.
Esses medicamentos atuam bloqueando os receptores de histamina tipo 2 (H2) nas células do estômago. A histamina é uma substância que estimula a produção de ácido gástrico. Ao bloquear seus receptores, a secreção de ácido é reduzida.
Cimetidina, ranitidina (cuja comercialização foi suspensa em alguns países devido a questões de segurança) e famotidina são exemplos de bloqueadores H2. Eles podem ser usados para aliviar sintomas leves a moderados ou como alternativa aos IBPs em alguns casos.
Os antiácidos são medicações de ação rápida que neutralizam o ácido já presente no estômago, proporcionando alívio imediato dos sintomas de azia e queimação.
Eles contêm substâncias alcalinas, como hidróxido de alumínio, hidróxido de magnésio ou carbonato de cálcio, que reagem quimicamente com o ácido clorídrico do estômago, elevando o pH e diminuindo a acidez.
Muitos antiácidos estão disponíveis sem receita e vêm em diferentes formas, incluindo líquidos (muitas vezes os “remédios líquidos para gastrite” procurados) e comprimidos mastigáveis. Embora ofereçam alívio rápido, seu efeito é de curta duração e não tratam a causa subjacente da gastrite.
Alguns medicamentos formam uma barreira protetora sobre a mucosa do estômago, ajudando a defendê-la do ácido e de outras substâncias irritantes.
Eles criam uma camada protetora que adere às áreas inflamadas ou ulceradas, promovendo a cicatrização e prevenindo danos adicionais.
O sucralfato é um exemplo de protetor da mucosa. Ele é ativado pelo ácido estomacal e forma um gel viscoso que se liga às proteínas das úlceras e inflamações, agindo como um "curativo" local.
No entanto, estudos indicam que agentes mucoprotetores, como o sucralfato, podem não apresentar uma diferença estatisticamente significativa na taxa de cicatrização ou melhora das erosões gástricas em comparação com um placebo.
Quando a gastrite é causada pela infecção da bactéria Helicobacter pylori, o tratamento inclui uma combinação de antibióticos.
O médico pode solicitar um teste para detectar a presença da H. pylori. Se o resultado for positivo, um esquema de tratamento com dois ou mais antibióticos, geralmente associados a um IBP, é prescrito para erradicar a bactéria.
A erradicação da H. pylori é crucial para a cura da gastrite em muitos casos e é recomendada para prevenir o câncer gástrico.
Uma meta-análise de sete estudos revelou que a erradicação da H. pylori diminuiu a incidência de câncer gástrico em cerca de 46% e a mortalidade relacionada a ele em aproximadamente 39%, conforme publicado no Journal of Korean Medical Science. Além disso, a erradicação da H. pylori pode levar à melhora da gastrite atrófica, uma condição pré-maligna, embora não seja recomendada apenas para a melhora da metaplasia intestinal.
A duração do tratamento com medicação para gastrite é altamente variável e depende da causa, do tipo de gastrite (aguda ou crônica) e da resposta individual ao tratamento. Não existe uma regra única para todos os casos.
Um diagnóstico preciso é o ponto de partida para qualquer tratamento de gastrite. O médico gastroenterologista, após avaliação e, se necessário, exames como endoscopia e biópsia, determinará a causa da inflamação. Com base nisso, será definida a medicação adequada e o tempo necessário para o uso.
É importante notar que, para o diagnóstico de gastrite atrófica ou metaplasia intestinal, os achados da endoscopia de luz branca por si só podem não ser suficientes para decidir sobre a necessidade de biópsia, devido à baixa precisão diagnóstica.
Para pacientes com gastrite atrófica ou metaplasia intestinal, a classificação do risco (por exemplo, estágios OLGA ou OLGIM) é importante, pois pacientes de alto risco (estágios III e IV) podem ter um risco até 28 vezes maior de desenvolver tumores gástricos em comparação com os de baixo risco. Nesses casos, um acompanhamento mais próximo é necessário.
É fundamental evitar a automedicação, especialmente com medicamentos para gastrite. O uso indiscriminado ou prolongado sem orientação médica pode mascarar sintomas importantes, retardar o diagnóstico de condições mais graves e, em alguns casos, causar efeitos colaterais indesejados.
Por exemplo, a supressão excessiva de ácido pode interferir na absorção de nutrientes ou favorecer o crescimento de certas bactérias.
Embora a medicação seja um pilar fundamental no tratamento da gastrite, as mudanças no estilo de vida desempenham um papel igualmente importante. Elas complementam a ação dos remédios, ajudam a prevenir recorrências e promovem uma recuperação mais completa.
A dieta é crucial para quem tem gastrite. Recomenda-se evitar alimentos que irritam a mucosa gástrica, como:
Priorize uma alimentação leve, com alimentos cozidos, assados e de fácil digestão. A hidratação adequada com água é igualmente importante.
O estresse é um fator conhecido por agravar os sintomas da gastrite e, em alguns casos, até desencadear crises. Técnicas de relaxamento, como meditação, ioga, exercícios físicos regulares e hobbies, podem ajudar a gerenciar o estresse e melhorar a saúde digestiva.
Além dos alimentos, outros hábitos podem irritar o estômago:
Se você apresenta sintomas de gastrite, mesmo que leves, é fundamental procurar um médico. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações.
Procure um especialista imediatamente se:
Apenas um profissional de saúde pode determinar a causa exata da gastrite e prescrever o tratamento mais seguro e eficaz para o seu caso específico.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
CHEN, K.; et al. Uncovering the Mechanisms and Molecular Targets of Weibing Formula 1 against Gastritis: Coupling Network Pharmacology with GEO Database. BioMed Research International, 2021. Disponível em:https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8405302/ . Acesso em: 24 maio 2024.
FARHA, N.; et al. Characteristics of Immune Checkpoint Inhibitor-Associated Gastritis: Report from a Major Tertiary Care Center. The Oncologist, 2023. Disponível em:https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10400162/ . Acesso em: 24 maio 2024.
KANG, S. J.; et al. Clinical Practice Guideline for Gastritis in Korea. Journal of Korean Medical Science, v. 38, e115, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10070048/. Acesso em: 24 maio 2024.
REN, H.; et al. Deciphering the chemical profile and pharmacological mechanism of Jinlingzi powder (金铃子散) against bile reflux gastritis using ultra-high performance liquid chromatography coupled with Q exactive focus mass spectrometry, network pharmacology, and molecular docking. Journal of Traditional Chinese Medicine, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37946483/. Acesso em: 24 maio 2024.
SU, F.; et al. A systematic review of gastritis as an immune-related adverse event in clinical interventions. Human Vaccines & Immunotherapeutics, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39434209/. Acesso em: 24 maio 2024.
POPULARES EM TRATAMENTOS
Os conteúdos mais buscados sobre Tratamentos
Tratamento da pele oleosa envolve rotina de limpeza, hidratação e protetor solar, além de ácidos e procedimentos indicados por dermatologistas.
Leia maisVeja como é feito o transplante de medula óssea e as chances de sucesso.
Leia maisEntenda como a imunoterapia revoluciona o tratamento do câncer, usando seu próprio corpo para combater a doença. Saiba mais!
Leia mais