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Com o tratamento de imunoterapia, cai o cabelo? Veja efeitos colaterais

Entenda por que este tratamento oncológico moderno age de forma diferente da quimioterapia e quais são seus efeitos colaterais.

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O diagnóstico de câncer chega e, com ele, um turbilhão de dúvidas. Uma das primeiras imagens que vem à mente é a da perda de cabelo, um efeito colateral marcante associado à quimioterapia. Se o seu plano de tratamento inclui a imunoterapia, é natural que essa preocupação também apareça. Mas será que ela se justifica?

A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, a resposta é não. Diferente de outros tratamentos, a imunoterapia tem um mecanismo de ação distinto que geralmente poupa os folículos capilares.

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Por que a quimioterapia causa queda de cabelo e a imunoterapia não?

Para entender a diferença, é preciso saber como cada tratamento funciona. A confusão entre os efeitos dos dois tratamentos é comum, mas seus alvos dentro do corpo são completamente distintos.

O mecanismo da quimioterapia

A quimioterapia utiliza medicamentos potentes para destruir células que se dividem rapidamente. Essa é uma característica central das células cancerígenas. Contudo, outras células saudáveis do corpo também possuem essa alta taxa de proliferação, como as dos folículos capilares, da medula óssea e do revestimento do trato digestivo.

Ao atacar todas as células de crescimento rápido sem distinção, a quimioterapia acaba causando efeitos colaterais conhecidos, como a queda de cabelo (alopecia), náuseas e baixa imunidade. A quimioterapia é frequentemente associada a náuseas e vômitos intensos, que afetam significativamente a qualidade de vida do paciente.

O mecanismo da imunoterapia

A imunoterapia, por sua vez, não ataca o tumor diretamente. Seu objetivo é "ensinar" ou "reativar" o sistema imunológico do próprio paciente para que ele reconheça e combata as células cancerígenas. Ela age de forma mais específica, estimulando as defesas naturais do corpo.

Como o foco não são as células de divisão rápida, mas sim a regulação da resposta imune, os folículos capilares não são afetados da mesma maneira. Por isso, a queda de cabelo não é um efeito colateral esperado deste tratamento quando administrado de forma isolada.

Leia também: Quais são os tipos de imunoterapia?

A queda de cabelo pode ocorrer em algum caso de imunoterapia?

Embora seja raro, alguns pacientes podem notar um afinamento ou uma leve queda de cabelo. Segundo estudos, a incidência de alopecia em pacientes que utilizam inibidores de ponto de controle imunológico (um tipo comum de imunoterapia) é muito baixa, estimada entre 1% e 2%.

A imunoterapia, quando usada sozinha, apresenta uma baixa incidência de efeitos colaterais graves. Para se ter uma ideia, apenas cerca de 11% dos pacientes que recebem imunoterapia (como o nivolumabe em monoterapia) relatam eventos adversos severos, um percentual menor se comparado aos 17% observados com a quimioterapia. É importante ressaltar que a queda de cabelo não é um desses eventos adversos comuns da imunoterapia.

A principal situação em que a queda de cabelo se torna mais provável é quando a imunoterapia é combinada com outros tratamentos, especialmente a quimioterapia. Nesse cenário, o efeito é causado pela quimio, e não pela imunoterapia em si.

É essencial que o paciente comunique qualquer alteração à sua equipe oncológica para que a causa seja corretamente identificada.

Leia também: Para que serve a imunoterapia?

Quais são os efeitos colaterais mais comuns da imunoterapia?

Se a queda de cabelo é rara, quais são os efeitos adversos mais frequentes? Em geral, a imunoterapia demonstra um perfil de segurança favorável. Estudos mostram que ela é frequentemente melhor tolerada que a quimioterapia tradicional, com eventos adversos relatados em apenas cerca de 12,4% dos pacientes tratados, por exemplo, com avelumabe.

Como a imunoterapia estimula o sistema de defesa, os efeitos colaterais geralmente se assemelham a reações inflamatórias, pois o sistema imunológico pode, por engano, atacar células saudáveis. A intensidade e o tipo variam muito conforme o medicamento e o organismo de cada pessoa.

Ao contrário da quimioterapia, a imunoterapia, como os inibidores de checkpoint imune, está associada a um risco mínimo de náuseas e vômitos. Os principais efeitos colaterais gastrointestinais da imunoterapia estão mais relacionados à inflamação intestinal.

Os efeitos mais relatados incluem:

  • Fadiga: uma sensação de cansaço extremo é bastante comum.
  • Reações cutâneas: coceira (prurido), erupções na pele (rash cutâneo) e vitiligo (perda de pigmentação da pele) podem ocorrer.
  • Sintomas gastrointestinais: diarreia e inflamação do intestino (colite) são possíveis.
  • Alterações endócrinas: a inflamação pode afetar glândulas como a tireoide, a hipófise e as adrenais, alterando sua produção hormonal.
  • Dores articulares: pode ocorrer inflamação nas articulações, causando dor e rigidez.

Os eventos mais comuns relatados incluem fadiga, diarreia e disfunção da tireoide, mas não a queda de cabelo, que é frequentemente associada a outros tipos de tratamento. Terapias que combinam imunoterapia com outras abordagens, como as que visam a morte celular inflamatória (piroptose), podem ser eficazes, mas exigem atenção especial ao risco de inflamação sistêmica.

A maioria desses efeitos é de grau leve a moderado e pode ser manejada com acompanhamento médico adequado. O monitoramento constante é importante para intervir rapidamente caso surja uma reação mais severa.

Como é feito o manejo dos efeitos adversos?

O manejo dos efeitos colaterais é uma parte central do tratamento com imunoterapia. A equipe de saúde monitora o paciente de perto para identificar qualquer sinal de reação adversa logo no início.

O tratamento pode envolver desde cremes e medicamentos para reações cutâneas até o uso de corticoides para controlar inflamações mais significativas, como a colite ou a hepatite. Em alguns casos, pode ser necessário pausar a imunoterapia temporariamente até que o efeito colateral seja controlado.

A comunicação aberta com o médico e a equipe de enfermagem é a melhor ferramenta para garantir a segurança e o bem-estar durante todo o processo.

Posso fazer quimioterapia e imunoterapia juntas?

Sim, a combinação de quimioterapia e imunoterapia é uma estratégia cada vez mais utilizada para tratar diversos tipos de câncer. A ideia é que os tratamentos atuem de forma complementar: a quimioterapia reduz a carga tumoral rapidamente, enquanto a imunoterapia estimula uma resposta de defesa duradoura.

Nesses casos, é esperado que o paciente vivencie efeitos colaterais de ambos os tratamentos. Portanto, a queda de cabelo, náuseas e outras reações da quimioterapia podem ocorrer juntamente com os efeitos inflamatórios da imunoterapia.

Seu oncologista explicará detalhadamente o que esperar do regime de tratamento combinado e como manejar os possíveis efeitos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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