Ícone
InícioSaúdeSintomas

Resuma este artigo com IA:

Ícone

Gordura no fígado: sintomas iniciais, diagnóstico e possíveis tratamentos

A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, é uma condição que pode evoluir silenciosamente. Entenda os sinais que seu corpo pode enviar e por que a avaliação médica é essencial.

Gordura no fígado_ sintomas1.jpg

Imagine que, mesmo após uma boa noite de sono, a sensação de fadiga persiste. Ou talvez um desconforto leve e constante na parte superior do abdômen, que você ignora, atribuindo ao estresse ou à má digestão. Esses podem ser alguns dos sinais discretos de uma condição séria: a gordura no fígado, clinicamente chamada de esteatose hepática.

A esteatose hepática é o acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. É uma condição cada vez mais comum, especialmente em um cenário de aumento da obesidade e do sedentarismo. 

Por ser, em muitos casos, uma doença "silenciosa" em seus estágios iniciais, seus sintomas podem ser facilmente negligenciados.

Hepatologistas são os profissionais indicados para o acompanhamento desse tipo de quadro. A Rede Américas conta com especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.

Hospital

Endereço

Agendamento

Hospital Nove de Julho Bela Vista

Rua Peixoto Gomide, 263

Agende sua consulta com um hepatologista em São Paulo.

Hospital Brasília

SHIS QI 15

Consulte um hepatologista em Brasília.

Encontre hepatologistas perto de você.

O que é a esteatose hepática?

O fígado é um dos órgãos mais vitais do corpo humano, responsável por centenas de funções, desde a desintoxicação até a produção de proteínas e armazenamento de energia. Quando há um acúmulo de gordura que excede 5% do peso do órgão, é diagnosticada a esteatose hepática.

A esteatose hepática não alcoólica (NAFLD) é a doença hepática crônica mais comum em todo o mundo. Estima-se que afete entre 25% e 30% da população global, com uma prevalência de 25% em países ocidentais e 34% na Ásia, tornando-se um problema de saúde pública emergente. 

Essa condição pode ser classificada em dois tipos principais: a esteatose hepática alcoólica (causada pelo consumo excessivo de álcool) e a esteatose hepática não alcoólica (NAFLD), mais comum e associada a fatores como obesidade, diabetes, colesterol alto e resistência à insulina. 

A esteatose hepática não alcoólica é considerada uma doença multissistêmica, fortemente ligada a distúrbios metabólicos como diabetes tipo 2, obesidade e doenças cardiovasculares. 

Em pacientes com obesidade, a esteatose hepática não alcoólica pode ocorrer em quase 90% dos casos, e em pessoas com diabetes tipo 2, a prevalência varia entre 50% e 70%. Se não tratada, a esteatose pode progredir para inflamação (esteato-hepatite ou NASH), fibrose, cirrose e, em casos mais graves, câncer de fígado.

Leia também: Saiba o que é a esteatose hepática grau 1

Quais são os principais sintomas da gordura no fígado?

É fundamental compreender que, na maioria dos casos, a gordura no fígado não apresenta sintomas, especialmente em suas fases iniciais. 

Quando surgem, os sinais são frequentemente inespecíficos e podem ser confundidos com outras condições, o que reforça a necessidade de investigação médica.

Sintomas iniciais e mais comuns

Estes são os sinais que, embora leves, podem indicar que a gordura no fígado está começando a causar algum impacto no organismo:

  • Fadiga e cansaço excessivo: uma sensação constante de esgotamento e falta de energia, mesmo com repouso adequado. A esteatose hepática pode contribuir independentemente para a fadiga e a redução da capacidade física, devido ao papel crucial do fígado no metabolismo energético.
  • Mal-estar geral: uma indisposição persistente e uma sensação de que algo não está bem no corpo.
  • Dor ou desconforto abdominal: geralmente localizada na parte superior direita do abdômen, onde o fígado está situado. Pode ser descrita como uma sensação de peso, pressão ou dor leve e constante.
  • Inchaço abdominal: uma sensação de barriga estufada, que pode ser acompanhada de gases.
  • Perda de apetite: diminuição do desejo de comer ou sensação de saciedade precoce.
  • Náuseas: sensação de enjoo, que pode ser intermitente.
  • Dor de cabeça: dores de cabeça frequentes sem uma causa aparente.

Sintomas que indicam maior gravidade ou progressão

Quando a gordura no fígado evolui e começa a causar inflamação significativa (esteato-hepatite) ou danos mais severos ao tecido hepático, como a fibrose ou cirrose, os sintomas tendem a se tornar mais evidentes e preocupantes. 

Nesses estágios avançados, o fígado já pode estar comprometido em suas funções. 

Os sinais de alerta incluem:

  • Icterícia: amarelamento da pele e da parte branca dos olhos, um sinal clássico de que o fígado não está processando a bilirrubina adequadamente.
  • Urina escura: a urina pode adquirir uma tonalidade mais escura, semelhante à cor de Coca-Cola, devido ao excesso de bilirrubina.
  • Fezes claras ou esbranquiçadas: indicam que a produção ou o fluxo da bile (substância produzida pelo fígado para digestão de gorduras) está comprometido.
  • Inchaço nas pernas e tornozelos (edema): acúmulo de líquido devido à má circulação e ao desequilíbrio na produção de proteínas pelo fígado.
  • Ascite: acúmulo de líquido na cavidade abdominal, resultando em uma barriga visivelmente inchada e endurecida.
  • Perda de peso inexplicável: emagrecimento significativo sem mudança na dieta ou rotina de exercícios.
  • Confusão mental ou dificuldade de concentração: conhecida como encefalopatia hepática, ocorre quando toxinas não são filtradas pelo fígado e chegam ao cérebro.
  • Coceira intensa na pele: causada pelo acúmulo de substâncias que deveriam ser eliminadas pelo fígado.

Leia também: Veja o que a gordura no fígado pode causar

Quando a gordura no fígado causa sintomas?

A esteatose hepática, como mencionado, é traiçoeira por ser frequentemente assintomática em seus estágios iniciais (Grau 1 e, muitas vezes, Grau 2). 

Os sintomas começam a aparecer quando a condição progride para estágios mais avançados, onde já existe inflamação (esteato-hepatite) e, em alguns casos, início de fibrose ou cirrose.

Essa progressão ocorre de forma gradual e varia de pessoa para pessoa. A fibrose em pacientes com NAFLD geralmente piora um estágio a cada 14 anos, enquanto em casos de NASH, essa progressão pode ser mais rápida, ocorrendo a cada sete anos. 

Fatores como a persistência de maus hábitos de vida, a presença de doenças crônicas não controladas (como diabetes tipo 2 e hipertensão) e a predisposição genética podem acelerar o aparecimento dos sintomas e o avanço da doença.

Por que é importante identificar os sintomas precocemente?

O diagnóstico precoce da gordura no fígado é crucial porque, nos estágios iniciais, a condição é reversível. Entre os tratamentos para a esteatose hepática estão as intervenções no estilo de vida, como mudanças na dieta e prática de exercícios físicos, podem eliminar a gordura e restaurar a saúde do fígado. 

Ignorar os sintomas ou a ausência deles pode levar a complicações graves, incluindo:

  • Esteato-hepatite não alcoólica (NASH): inflamação do fígado que pode levar a danos celulares.
  • Fibrose e cirrose: cicatrizes permanentes no fígado que comprometem suas funções e podem ser fatais. A cirrose relacionada à NAFLD e o carcinoma hepatocelular (câncer de fígado) tornaram-se as principais indicações para transplante de fígado nos EUA.
  • Câncer de fígado (Carcinoma Hepatocelular): um risco aumentado para pacientes com cirrose, com 1% a 2% dos pacientes com cirrose por NASH desenvolvendo HCC anualmente.
  • Doenças cardiovasculares: a doença cardiovascular é a causa mais comum de morte em pacientes com NAFLD, superando a mortalidade relacionada ao fígado.
  • Doença renal crônica e diabetes tipo 2: a NAFLD também aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e, se já presente, dificulta o controle. Além disso, eleva o risco de problemas renais.

Identificar os sintomas precocemente permite iniciar o tratamento da gordura do fígado antes que danos irreversíveis ocorram, preservando a função hepática e a qualidade de vida do paciente.

Como é feito o diagnóstico da esteatose hepática?

Se você suspeita de gordura no fígado, ou apresenta fatores de risco, o primeiro passo é procurar um médico, seja um clínico generalista, gastroenterologista ou hepatologista. 

O diagnóstico geralmente envolve:

  • Histórico clínico e exame físico: o médico avaliará seus hábitos, doenças pré-existentes e realizará um exame físico, que pode incluir a palpação do abdômen para verificar o tamanho do fígado.
  • Exames de sangue: análises de enzimas hepáticas (TGO, TGP, Gama-GT), bilirrubina e outros marcadores que podem indicar inflamação ou dano hepático. 

É importante notar que o grau de elevação das enzimas hepáticas nem sempre reflete a gravidade da lesão. Testes não invasivos baseados em sangue, como o FIB-4 e o NAFLD Fibrosis Score (NFS), são amplamente utilizados para estimar o risco de fibrose avançada.

  • Ultrassonografia de abdômen: é a modalidade de primeira linha, amplamente disponível e custo-efetiva. É confiável para identificar esteatose moderada a grave (acima de 33% de gordura nas células do fígado), mas pode não detectar graus leves.
  • Ressonância Magnética (RM) com fração de gordura por densidade de prótons (MRI-PDFF): Considerada a técnica mais precisa para diagnosticar e quantificar a gordura no fígado, com alta acurácia para todos os graus de esteatose.
  • Tomografia Computadorizada (TC): pode ser usada para diagnosticar esteatose, mas é menos adequada para avaliação primária e acompanhamento devido à exposição à radiação e menor sensibilidade para esteatose leve.
  • Elastografia hepática: um exame não invasivo que avalia o grau de rigidez do fígado, que se correlaciona com a fibrose. 

A elastografia por ressonância magnética (MRE) é considerada a mais precisa para diagnosticar a fibrose hepática, enquanto a elastografia transitória controlada por vibração (VCTE), como o Fibroscan, é recomendada como primeiro teste para avaliar fibrose avançada.

  • Biópsia hepática: embora seja o "padrão ouro" para o diagnóstico de NASH e estadiamento da NAFLD, é um procedimento invasivo com riscos. 

É reservada para casos específicos, quando outros testes não são conclusivos ou para confirmar a gravidade da doença.

Como prevenir e tratar a gordura no fígado?

A boa notícia é que a prevenção e o tratamento da gordura no fígado, especialmente a não alcoólica, dependem em grande parte de mudanças no estilo de vida. O objetivo principal é reduzir o acúmulo de gordura e evitar a progressão da doença. 

As principais recomendações de alimentos que podem ajudar o fígado incluem:

  • Alimentação saudável: adotar uma dieta balanceada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras. 

Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares adicionados (especialmente de bebidas açucaradas), gorduras saturadas e carboidratos refinados. 

A dieta mediterrânea, rica em azeite de oliva, vegetais, frutas, nozes, legumes, grãos integrais, peixes e frutos do mar, e com baixo consumo de carne vermelha e alimentos processados, é fortemente recomendada e pode reduzir a gordura hepática mesmo sem perda de peso.

  • Controle do peso: a perda de peso é um tratamento eficaz. Uma redução de mais de 5% do peso corporal já pode diminuir a gordura no fígado. 

Para melhorar a inflamação hepática, uma perda de 7% a 10% é geralmente necessária, e para melhorar a fibrose, mais de 10% de redução de peso é indicada.

  • Atividade física regular: a prática de exercícios aeróbicos e de força ajuda a queimar gordura, melhorar a sensibilidade à insulina e promover a saúde geral. 

Recomenda-se mais de 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada, distribuídos em 3 a 5 sessões, combinando exercícios aeróbicos e de resistência. O comportamento sedentário é um fator de risco independente para a NAFLD.

  • Controle de doenças associadas: gerenciar diabetes, hipertensão, colesterol alto e triglicerídeos elevados é crucial, pois essas condições estão intimamente ligadas à esteatose hepática.
  • Evitar o consumo excessivo de álcool: embora a NAFLD não seja causada pelo álcool, o consumo elevado pode agravar a condição. Pacientes com cirrose devem evitar completamente o álcool para reduzir o risco de câncer de fígado.
  • Não se automedicar: muitos medicamentos e suplementos podem sobrecarregar o fígado. Sempre consulte um médico antes de iniciar qualquer tratamento.

Atualmente, não existem medicamentos especificamente aprovados para tratar a NAFLD. No entanto, algumas drogas usadas para outras condições, como pioglitazona (para diabetes) e liraglutida/semaglutida (para diabetes e obesidade), mostraram alguma eficácia na melhora da NASH em estudos. 

A cirurgia bariátrica é uma opção para perda e manutenção de peso em pacientes com obesidade grave, podendo levar à melhora das lesões hepáticas, incluindo a redução da fibrose.

Quando procurar um médico?

Não espere os sintomas graves aparecerem. Se você se enquadra nos grupos de risco (tem sobrepeso, obesidade, diabetes, colesterol e triglicerídeos altos) ou notou algum dos sintomas descritos, mesmo que leves e inespecíficos, é fundamental procurar um profissional de saúde. 

Um diagnóstico precoce e a implementação de um plano de tratamento adequado podem fazer toda a diferença para a sua saúde hepática e bem-estar geral.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia
  • FRANCQUE, SM; et al. Non-alcoholic fatty liver disease: A patient guideline. JHEP Reports. 3. 6; 100322, 2021. Disponível em:https://www.jhep-reports.eu/article/S2589-5559(21)00098-7/fulltext . Acesso em: 17 set. 2021.
  • MARTINOU, E; et al. Diagnostic Modalities of Non-Alcoholic Fatty Liver Disease: From Biochemical Biomarkers to Multi-Omics Non-Invasive Approaches. Diagnostics. 12. 2; 407, 2022. Disponível em:https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35204498/ . Acesso em: 4 fev. 2022.
  • PANDEY, H; et al. Gut microbiota in non-alcoholic fatty liver disease: Pathophysiology, diagnosis, and therapeutics. World Journal of Hepatology. 17. 6; 106849, 2025. Disponível em:https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40606926/ . Acesso em: 27 jun. 2025.

UNIDADES ONDE ESPECIALISTAS ATENDEM

NAVEGUE PELAS NOSSAS UNIDADES

Foto do Hospital Nossa Senhora do Carmo

Hospital Nossa Senhora do Carmo

Localização

Rua Jaguaruna, 105 – Campo Grande

Telefone(21) 3316-2900

Foto do Hospital Brasília

Hospital Brasília

Localização

St. de Habitações Individuais Sul QI 15 - Lago Sul, Brasília - DF, 71681-603

Telefone(61) 4020-0057

Foto do Hospital Santa Paula

Hospital Santa Paula

Localização

Av. Santo Amaro, 2468 - Brooklin, São Paulo - SP

Telefone(11) 3040-8000

Foto do Hospital São Lucas Copacabana

Hospital São Lucas Copacabana

Localização

Tv. Frederico Pamplona, 32 - Copacabana, Rio de Janeiro - RJ, 22061-080

Telefone(21) 2545-4000

Foto do AMO - Feira de Santana

AMO - Feira de Santana

Localização

Ed. Meddi - Av. Getúlio Vargas, 844 - 3 andar - Centro, Feira de Santana - BA, 44001-525

Telefone(71) 4020-5599

Foto do Hospital da Bahia

Hospital da Bahia

Localização

Av. Prof. Magalhães Neto, 1541 - Pituba, Salvador - BA, 41810-011

Telefone(71) 4020-0057

Foto do Maternidade Brasília

Maternidade Brasília

Localização

St. Sudoeste QMSW 4 - Cruzeiro / Sudoeste / Octogonal, Brasília - DF, 70680-400

Telefone(61) 2196-5300

Foto do Hospital Samaritano Higienópolis

Hospital Samaritano Higienópolis

Localização

R. Conselheiro Brotero, 1486 - Higienópolis, São Paulo - SP

Telefone(11) 3821-5300

Foto do CHN - Complexo Hospitalar de Niterói

CHN - Complexo Hospitalar de Niterói

Localização

Tv. Lasalle, 12 - Centro, Niterói - RJ, 24020-096

Telefone(21) 2729-1000

Ícone do WhatsAppÍcone médicoAgende sua consulta