19/08/2025
Revisado em: 21/08/2025
Entenda o que diferencia a enxaqueca de uma dor de cabeça comum, aprenda a identificar os gatilhos e saiba quando é a hora de procurar ajuda para ter mais qualidade de vida.
A enxaqueca se manifesta de forma complexa e vai muito além de uma simples dor de cabeça. O quadro pode ser dividido em fases, e a mais conhecida é a da cefaleia, caracterizada por uma dor latejante e pulsante, geralmente em um lado da cabeça. A intensidade costuma ser de moderada a forte, a ponto de piorar com atividades rotineiras como subir escadas ou caminhar.
Junto com a dor, os sintomas mais comuns são a náusea, que pode evoluir para vômitos, e uma extrema sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia), o que explica a necessidade que muitas pessoas em se recolher em um ambiente escuro e sem barulho.
Para entender a diferença entre a enxaqueca e a cefaleia tensional, o tipo mais comum de dor de cabeça, a chave é observar todo o cenário que acompanha a dor.
A dor de cabeça está frequentemente ligada à contração dos músculos do pescoço e da cabeça. Por essa razão, a dor é descrita como uma pressão ou um aperto, como se uma faixa estivesse amarrada ao redor da cabeça.
A intensidade costuma ser de leve a moderada e ela não piora com atividades físicas rotineiras e não vem acompanhada de outros sintomas, como náuseas.
Já a enxaqueca raramente vem sozinha. Ela é frequentemente acompanhada de náuseas, que podem evoluir para vômitos, e uma extrema sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia), o que explica a necessidade de se isolar em um ambiente escuro e silencioso durante uma crise.
As pessoas que sofrem de enxaqueca têm um cérebro que é mais sensível a certas mudanças internas e externas. Essas mudanças, conhecidas como gatilhos, não causam a doença, mas podem disparar uma crise em quem já tem a predisposição. Por isso é importante aprender a identificar os próprios gatilhos para o autogerenciamento do problema.
O estresse é, de longe, o gatilho mais comum. A liberação de hormônios como o cortisol e a adrenalina em períodos de tensão pode iniciar uma cascata de eventos no cérebro que leva à crise.
Curiosamente, o relaxamento após um período de estresse intenso também pode ser um gatilho, o que explica a "enxaqueca de fim de semana".
As alterações na rotina de sono também são um fator de risco importante. Tanto dormir pouco quanto dormir demais podem desregular os neurotransmissores que controlam a dor e o humor, como a serotonina, abrindo a porta para uma crise. Para quem sofre da doença, o ideal é manter horários regulares para deitar e levantar.
O jejum prolongado é outro gatilho clássico. Ficar muitas horas sem comer causa uma queda nos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia), o que pode ser um forte estímulo para o início de uma crise de enxaqueca.
Muitos pacientes ainda são sensíveis a fatores ambientais, como a exposição a luzes fortes ou piscantes, a cheiros intensos (como perfumes ou produtos de limpeza) e até mesmo a mudanças bruscas de temperatura ou pressão atmosférica.
Por fim, certos alimentos e bebidas, como queijos envelhecidos, chocolate, embutidos, cafeína em excesso e o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente o vinho tinto, podem atuar como desencadeadores em pessoas sensíveis.
Por isso, a melhor abordagem é observar e, se necessário, manter um diário para identificar quais alimentos podem estar associados às suas crises.
As flutuações hormonais são um dos gatilhos mais bem estabelecidos para as crises de enxaqueca, especialmente no caso das mulheres. A forte ligação com os hormônios femininos explica por que, segundo o Ministério da Saúde, a doença é até três vezes mais comum nelas.
O cérebro de quem tem a doença é particularmente sensível às variações do estrogênio, o principal hormônio feminino, que interage diretamente com os sistemas de controle da dor.
A manifestação mais clara dessa conexão é a chamada enxaqueca menstrual. A crise costuma ocorrer no período que antecede ou durante a menstruação, e a causa está na queda brusca nos níveis de estrogênio que acontece nessa fase do ciclo.
Em contraste, períodos de maior estabilidade hormonal, como durante a gravidez, podem trazer uma melhora ou até o desaparecimento completo das crises. O motivo para isso está no fato de que os níveis de estrogênio se mantêm elevados e constantes nessa época, o que tem um efeito protetor sobre os gatilhos neurológicos da enxaqueca.
O uso de contraceptivos hormonais e a terapia de reposição na menopausa também podem influenciar no padrão das crises. Por isso, a conversa com o ginecologista e o neurologista é importante para que a mulher entenda seu próprio ritmo hormonal e encontre a melhor estratégia de cuidado.
Embora os homens também tenham flutuações hormonais, como as de testosterona, a ligação direta entre esses ciclos e o desencadeamento de crises de enxaqueca não é tão clara e estabelecida como no caso do estrogênio para as mulheres. Por isso, a investigação dos gatilhos em homens costuma focar mais em outros fatores, como estresse, sono e alimentação.
A enxaqueca é uma condição tratável, e a avaliação médica se torna necessária quando as crises começam a impactar sua qualidade de vida. Dessa forma, a orientação é procurar um clínico geral ou, preferencialmente, um neurologista, se as dores se tornam frequentes (mais de duas a três crises por mês) ou se os analgésicos comuns já não são suficientes para controlar a dor.
Porém, existem sinais de alerta que indicam a necessidade de um atendimento de emergência. Se a dor de cabeça for súbita, "explosiva" e descrita como a "pior da sua vida", ou se vier acompanhada de febre, rigidez na nuca, fraqueza em um lado do corpo, alterações na visão ou dificuldade para falar, a busca por um pronto-socorro deve ser imediata.
É importante entender que a enxaqueca é uma doença crônica, mas isso não significa que você precisa viver refém da dor. A conversa com um médico é o que permite um diagnóstico correto e a criação de um plano de cuidado, que pode incluir desde a identificação de gatilhos e mudanças no estilo de vida até o uso de medicamentos preventivos.
O objetivo é que você saiba como melhorar a enxaqueca e ter mais dias bons, com menos crises, recuperando o controle da sua rotina.
Referências bibliográficas:
MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Enxaqueca: causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/e/enxaqueca. Acesso em: 05 ago. 2025.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CEFALEIA (SBCe). Enxaqueca. São Paulo: SBCe, [s.d.]. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/dores-de-cabeca/enxaqueca. Acesso em: 05 ago. 2025.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CEFALEIA (SBCe). Enxaqueca com Aura. São Paulo: SBCe, 2017. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=351. Acesso em: 05 ago. 2025.
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