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Enxaqueca: sintomas e causas mais comuns

Entenda o que diferencia a enxaqueca de uma dor de cabeça comum, aprenda a identificar os gatilhos e saiba quando é a hora de procurar ajuda para ter mais qualidade de vida.

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Nem toda dor de cabeça é igual. Quando ela é pulsátil, incapacitante e vem acompanhada de náuseas ou sensibilidade à luz, é necessário entender os sintomas e causas da enxaqueca. Longe de ser um desconforto comum, trata-se de uma doença neurológica séria, e reconhecer seus sinais é o primeiro passo para o tratamento correto.

Quais são os sintomas mais comuns da enxaqueca?

 

A enxaqueca se manifesta de forma complexa e vai muito além de uma simples dor de cabeça. O quadro pode ser dividido em fases, e a mais conhecida é a da cefaleia, caracterizada por uma dor latejante e pulsante, geralmente em um lado da cabeça. A intensidade costuma ser de moderada a forte, a ponto de piorar com atividades rotineiras como subir escadas ou caminhar.

Junto com a dor, os sintomas mais comuns são a náusea, que pode evoluir para vômitos, e uma extrema sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia), o que explica a necessidade que muitas pessoas em se recolher em um ambiente escuro e sem barulho.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), cerca de 20% a 30% das pessoas com enxaqueca podem experimentar a aura, um fenômeno que geralmente antecede a dor. 

O sintoma mais comum da aura é visual, como a visão de pontos de luz, flashes ou linhas em zigue-zague. De forma menos frequente, a aura pode ainda se manifestar com formigamento em um lado do corpo ou dificuldade para falar.

Como diferenciar enxaqueca de outros tipos de dor de cabeça?

Para entender a diferença entre a enxaqueca e a cefaleia tensional, o tipo mais comum de dor de cabeça, a chave é observar todo o cenário que acompanha a dor.

A dor de cabeça está frequentemente ligada à contração dos músculos do pescoço e da cabeça. Por essa razão, a dor é descrita como uma pressão ou um aperto, como se uma faixa estivesse amarrada ao redor da cabeça. 

A intensidade costuma ser de leve a moderada e ela não piora com atividades físicas rotineiras e não vem acompanhada de outros sintomas, como náuseas.

Já a enxaqueca raramente vem sozinha. Ela é frequentemente acompanhada de náuseas, que podem evoluir para vômitos, e uma extrema sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia), o que explica a necessidade de se isolar em um ambiente escuro e silencioso durante uma crise.

Quais são os gatilhos mais frequentes de enxaqueca?

As pessoas que sofrem de enxaqueca têm um cérebro que é mais sensível a certas mudanças internas e externas. Essas mudanças, conhecidas como gatilhos, não causam a doença, mas podem disparar uma crise em quem já tem a predisposição. Por isso é importante aprender a identificar os próprios gatilhos para o autogerenciamento do problema.

O estresse é, de longe, o gatilho mais comum. A liberação de hormônios como o cortisol e a adrenalina em períodos de tensão pode iniciar uma cascata de eventos no cérebro que leva à crise. 

Curiosamente, o relaxamento após um período de estresse intenso também pode ser um gatilho, o que explica a "enxaqueca de fim de semana".

As alterações na rotina de sono também são um fator de risco importante. Tanto dormir pouco quanto dormir demais podem desregular os neurotransmissores que controlam a dor e o humor, como a serotonina, abrindo a porta para uma crise. Para quem sofre da doença, o ideal é manter horários regulares para deitar e levantar. 

O jejum prolongado é outro gatilho clássico. Ficar muitas horas sem comer causa uma queda nos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia), o que pode ser um forte estímulo para o início de uma crise de enxaqueca.

Muitos pacientes ainda são sensíveis a fatores ambientais, como a exposição a luzes fortes ou piscantes, a cheiros intensos (como perfumes ou produtos de limpeza) e até mesmo a mudanças bruscas de temperatura ou pressão atmosférica.

Por fim, certos alimentos e bebidas, como queijos envelhecidos, chocolate, embutidos, cafeína em excesso e o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente o vinho tinto, podem atuar como desencadeadores em pessoas sensíveis. 

Por isso, a melhor abordagem é observar e, se necessário, manter um diário para identificar quais alimentos podem estar associados às suas crises.

A enxaqueca pode ter causas hormonais?

As flutuações hormonais são um dos gatilhos mais bem estabelecidos para as crises de enxaqueca, especialmente no caso das mulheres. A forte ligação com os hormônios femininos explica por que, segundo o Ministério da Saúde, a doença é até três vezes mais comum nelas. 

O cérebro de quem tem a doença é particularmente sensível às variações do estrogênio, o principal hormônio feminino, que interage diretamente com os sistemas de controle da dor. 

A manifestação mais clara dessa conexão é a chamada enxaqueca menstrual. A crise costuma ocorrer no período que antecede ou durante a menstruação, e a causa está na queda brusca nos níveis de estrogênio que acontece nessa fase do ciclo.

Em contraste, períodos de maior estabilidade hormonal, como durante a gravidez, podem trazer uma melhora ou até o desaparecimento completo das crises. O motivo para isso está no fato de que os níveis de estrogênio se mantêm elevados e constantes nessa época, o que tem um efeito protetor sobre os gatilhos neurológicos da enxaqueca.

O uso de contraceptivos hormonais e a terapia de reposição na menopausa também podem influenciar no padrão das crises. Por isso, a conversa com o ginecologista e o neurologista é importante para que a mulher entenda seu próprio ritmo hormonal e encontre a melhor estratégia de cuidado.

Embora os homens também tenham flutuações hormonais, como as de testosterona, a ligação direta entre esses ciclos e o desencadeamento de crises de enxaqueca não é tão clara e estabelecida como no caso do estrogênio para as mulheres. Por isso, a investigação dos gatilhos em homens costuma focar mais em outros fatores, como estresse, sono e alimentação.

Quando procurar um médico para enxaqueca?

A enxaqueca é uma condição tratável, e a avaliação médica se torna necessária quando as crises começam a impactar sua qualidade de vida. Dessa forma, a orientação é procurar um clínico geral ou, preferencialmente, um neurologista, se as dores se tornam frequentes (mais de duas a três crises por mês) ou se os analgésicos comuns já não são suficientes para controlar a dor.

Porém, existem sinais de alerta que indicam a necessidade de um atendimento de emergência. Se a dor de cabeça for súbita, "explosiva" e descrita como a "pior da sua vida", ou se vier acompanhada de febre, rigidez na nuca, fraqueza em um lado do corpo, alterações na visão ou dificuldade para falar, a busca por um pronto-socorro deve ser imediata.

É importante entender que a enxaqueca é uma doença crônica, mas isso não significa que você precisa viver refém da dor. A conversa com um médico é o que permite um diagnóstico correto e a criação de um plano de cuidado, que pode incluir desde a identificação de gatilhos e mudanças no estilo de vida até o uso de medicamentos preventivos. 

O objetivo é que você saiba como melhorar a enxaqueca e ter mais dias bons, com menos crises, recuperando o controle da sua rotina.

Referências bibliográficas:

MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Enxaqueca: causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/e/enxaqueca. Acesso em: 05 ago. 2025.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CEFALEIA (SBCe). Enxaqueca. São Paulo: SBCe, [s.d.]. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/dores-de-cabeca/enxaqueca. Acesso em: 05 ago. 2025.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CEFALEIA (SBCe). Enxaqueca com Aura. São Paulo: SBCe, 2017. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=351. Acesso em: 05 ago. 2025.