14/08/2025
Revisado em: 18/08/2025
Entenda o que o exame de sangue mais comum pode revelar sobre a sua saúde e por que ele sozinho não é suficiente para diagnosticar o câncer.
Você acabou de fazer seu check-up anual, e o médico solicitou uma bateria de exames, incluindo o famoso hemograma completo. É natural que, ao pegar o resultado, surjam dúvidas e até uma certa ansiedade, especialmente se você ou alguém da sua família tem histórico de câncer. Afinal, o hemograma, um dos exames mais comuns, consegue "ver" se há um câncer no corpo?
O hemograma completo é um exame de sangue rotineiro que fornece um panorama detalhado sobre as células presentes no seu sangue. Ele avalia três tipos principais de células: os glóbulos vermelhos (eritrócitos), os glóbulos brancos (leucócitos) e as plaquetas.
Cada um desses componentes desempenha funções vitais no organismo. Os glóbulos vermelhos transportam oxigênio, os glóbulos brancos combatem infecções e as plaquetas atuam na coagulação do sangue.
A avaliação da quantidade e das características dessas células pode indicar diversas condições de saúde, desde anemias e infecções até processos inflamatórios.
O hemograma fornece contagens e informações sobre:
A importância de cada marcador reside na sua capacidade de refletir o estado geral da saúde e levantar bandeiras vermelhas para investigações mais aprofundadas.
A resposta direta é: não, o hemograma completo por si só não é capaz de diagnosticar o câncer na maioria dos casos.
Ele não consegue identificar tumores sólidos nem diferenciar as causas das alterações celulares com precisão suficiente para um diagnóstico definitivo. Contudo, suas alterações podem ser um sinal de alerta.
O hemograma reflete a saúde do sangue, mas a maioria dos cânceres se origina em órgãos específicos (como mama, pulmão, cólon) e não diretamente no sangue. Nesses casos, o tumor pode não alterar o hemograma de forma detectável até um estágio mais avançado, ou as alterações são inespecíficas.
Por exemplo, a maioria dos parâmetros do hemograma completo pode permanecer dentro da faixa de referência normal mesmo em casos de câncer colorretal. Isso pode dificultar a detecção precoce apenas por esse exame.
Embora não seja diagnóstico, o hemograma pode apresentar certas alterações que levantam a suspeita de uma condição oncológica. É importante notar que essas alterações não são exclusivas do câncer e podem ser causadas por outras doenças.
As principais anomalias que podem gerar essa suspeita incluem:
Esses achados são indicativos da necessidade de investigação adicional, mas nunca são um diagnóstico final.
Certos tipos de câncer têm um impacto mais direto e visível nos resultados do hemograma, pois afetam diretamente a medula óssea, responsável pela produção das células sanguíneas.
Para os cânceres hematológicos, ou seja, aqueles que se originam na medula óssea ou nas células do sangue e da linfa, o hemograma é uma ferramenta essencial e muito mais relevante. Exemplos incluem:
Nesses casos, as alterações são mais específicas e direcionam a investigação para um diagnóstico hematológico.
Para a maioria dos cânceres sólidos (como câncer de mama, pulmão, cólon, próstata), o hemograma geralmente não apresenta alterações diretas ou específicas nos estágios iniciais. No entanto, em estágios mais avançados, ou devido a complicações do câncer, ele pode mostrar sinais indiretos, como:
Esses achados, quando presentes, reforçam a necessidade de investigação, mas sempre em conjunto com outros exames.
O hemograma completo é uma peça importante, mas não a única, no quebra-cabeça do diagnóstico oncológico. Seu papel é mais de triagem e acompanhamento.
Como exame de triagem, o hemograma pode identificar anormalidades que justificam uma investigação mais aprofundada.
No contexto de acompanhamento, em pacientes já diagnosticados com câncer, ele é crucial para monitorar a saúde geral, avaliar a resposta ao tratamento (quimioterapia ou radioterapia podem afetar a medula óssea) e detectar possíveis complicações ou recaídas.
Diante de um hemograma alterado, especialmente com achados que sugerem um problema mais sério, o médico solicitará exames complementares para confirmar ou descartar a suspeita de câncer. Essa investigação pode incluir exames de imagem, marcadores tumorais e, mais importante, a biópsia.
O diagnóstico definitivo do câncer depende de uma série de exames específicos, que vão além do hemograma e são escolhidos de acordo com o tipo de câncer suspeito e a área do corpo afetada.
A biópsia é considerada o "padrão ouro" para o diagnóstico de câncer. Nela, uma pequena amostra de tecido suspeito é removida do corpo e examinada por um patologista sob um microscópio.
Somente a análise histopatológica (das células e tecidos) pode confirmar a presença de células cancerosas, seu tipo e grau.
Exames de imagem fornecem visões detalhadas do interior do corpo, ajudando a localizar tumores, determinar seu tamanho, extensão e se houve disseminação.
Marcadores tumorais são substâncias (geralmente proteínas) produzidas por células cancerosas ou pelo corpo em resposta ao câncer. Eles podem ser detectados no sangue, urina ou tecidos.
Exemplos incluem:
É crucial entender que marcadores tumorais também podem estar elevados em condições não cancerosas, por isso não são usados como único meio de diagnóstico, mas sim como ferramenta auxiliar no rastreamento, monitoramento e avaliação do tratamento.
Em alguns casos, testes genéticos e moleculares são realizados para identificar mutações específicas em genes associados ao câncer.
Esses testes podem ajudar a determinar o risco de desenvolver certos tipos de câncer, guiar o tratamento (terapias-alvo) e monitorar a resposta à doença.
A detecção precoce do câncer é fundamental para o sucesso do tratamento. Conhecer os sinais de alerta e realizar exames de rotina é essencial.
Procure um médico se notar:
Esses sintomas podem ser de câncer ou de outras condições, mas exigem avaliação médica.
Sempre discuta os resultados dos seus exames, incluindo o hemograma, com seu médico. Ele é o profissional capacitado para interpretar os dados no contexto da sua saúde geral, histórico familiar e outros sintomas.
Somente um especialista pode solicitar os exames complementares necessários e chegar a um diagnóstico preciso. A automedicação ou a autoinvestigação baseada em informações da internet podem ser perigosas e atrasar um diagnóstico crucial.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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