20/08/2025
Revisado em: 25/08/2025
Entenda o que pode estar por trás daquele incômodo na coluna, aprenda a diferenciar os tipos de dor e saiba quando o sintoma exige uma avaliação médica.
A dor na coluna é tão comum que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), representa a principal causa de incapacidade no mundo. Porém, o mais importante a se saber é que na grande maioria dos casos a origem desse incômodo não está em uma doença grave, mas sim no resultado do desgaste e da sobrecarga da nossa rotina.
As distensões e contraturas musculares são as causas mais comuns. Elas ocorrem quando um esforço excessivo, como levantar um objeto pesado de forma inadequada, causa microrrupturas nas fibras dos músculos ou ligamentos que sustentam a coluna. O corpo responde a essa lesão com uma inflamação localizada, que gera dor aguda e muitas vezes espasmos musculares.
Diferente de uma lesão causada por um único movimento, a sobrecarga contínua é outra causa comum. A repetição de movimentos no trabalho ou a prática de esportes pode levar à fadiga e a uma inflamação crônica da musculatura. Esse mesmo desgaste progressivo pode ser resultado de hábitos diários, como dormir em um colchão inadequado ou passar horas na mesma posição ao dirigir.
Outro fator de grande impacto é o estresse. Em períodos de tensão, a contração involuntária e constante da musculatura dos ombros, do pescoço e da lombar acaba por gerar pontos de tensão dolorosos, o que demonstra a forte ligação entre a saúde mental e o bem-estar da coluna.
Embora a maioria dos casos de dor na coluna seja de origem muscular ou postural, é muito importante saber reconhecer quando ela pode ser um sinal de alerta para condições mais sérias. A presença de alguns sintomas associados, conhecidos pelos médicos como "bandeiras vermelhas", indica a necessidade de uma avaliação médica imediata.
Esses sinais de alerta sistêmicos afetam o corpo todo e incluem febre e calafrios, que podem indicar um processo infeccioso na coluna, ou a perda de peso inexplicada, que é sempre um sintoma que exige investigação em qualquer contexto de saúde.
Outro ponto de atenção é quando a dor na coluna vem acompanhada de sintomas neurológicos. Isso ocorre quando uma estrutura da coluna, como uma hérnia de disco, comprime um nervo de forma mais severa. Essa compressão pode se manifestar como fraqueza progressiva, formigamento ou dormência que irradiam para as pernas.
Em situações mais raras, a compressão pode ser tão grave a ponto de causar a perda de controle do intestino ou da bexiga. Esse é o sinal mais importante de uma condição chamada síndrome da cauda equina e representa uma emergência médica que exige atendimento imediato.
O comportamento da dor também oferece pistas. Uma dor que piora à noite, que não alivia com o repouso ou que chega a acordar a pessoa, não segue o padrão da dor mecânica comum. Da mesma forma, uma dor que surge após um trauma, como uma queda ou acidente, ou em um paciente com histórico de câncer, deve ser sempre investigada por um especialista.
Um dia a dia marcado pelo sedentarismo, pelo estresse e pelo sobrepeso cria o cenário perfeito para o surgimento da dor na coluna. Por isso, compreender a relação de cada um desses fatores com o desconforto ajuda a construir um estilo de vida que ofereça mais bem-estar.
A relação entre o sedentarismo e a dor na coluna é direta e muito bem estabelecida. A nossa coluna vertebral não se sustenta sozinha, ela é suportada por um conjunto de músculos profundos no abdômen, na região lombar e no assoalho pélvico, que formam o nosso "core" ou centro de força.
Uma rotina inativa leva ao enfraquecimento e ao encurtamento progressivo dessa musculatura de sustentação. Sem o suporte adequado, a carga que deveria ser distribuída entre os músculos é transferida para as estruturas da coluna, como os discos e as vértebras, o que gera uma sobrecarga prejudicial.
O estresse crônico também tem uma influência notável. Em períodos de tensão, é comum contrairmos de forma involuntária a musculatura dos ombros, do pescoço e da lombar. Essa contração constante e prolongada gera pontos de tensão dolorosos e diminui a circulação de sangue na região, o que pode cronificar a dor muscular.
Por sua vez, o sobrepeso altera o centro de gravidade do corpo e aumenta a carga sobre a coluna lombar. Essa pressão contínua sobre os discos intervertebrais pode acelerar seu processo de degeneração e aumentar o risco de problemas como a hérnia de disco.
Para dores de origem muscular e postural, algumas medidas simples feitas em casa podem trazer um alívio significativo.
A aplicação de calor local, com uma bolsa de água morna ou uma toalha aquecida por 15 a 20 minutos, é uma excelente primeira atitude, pois ajuda a relaxar a musculatura tensa e a aumentar a circulação de sangue na região, o que acelera o processo de reparo.
Nas primeiras 48 horas de uma dor aguda, alternar o calor com compressas frias também pode ser benéfico. O frio ajuda a reduzir a inflamação local, enquanto o calor relaxa os músculos.
É importante também praticar o repouso relativo. A ideia de que é preciso ficar completamente deitado na cama está ultrapassada. O mais indicado é evitar as atividades e posições que claramente pioram a dor, mas manter-se em movimento de forma gentil. Isso pode ser feito através de caminhadas leves pela casa ou alongamentos suaves, como deitar de costas e abraçar os joelhos em direção ao peito.
A principal orientação é ouvir o seu corpo: evite qualquer movimento que cause uma dor aguda ou pontada. Essas medidas são paliativas e, se a dor na coluna não melhorar em poucos dias, a avaliação de um especialista se torna necessária.
Quando a dor na coluna se torna persistente ou crônica, a avaliação de um médico ortopedista é o caminho mais seguro para um diagnóstico preciso. O tratamento será direcionado para a causa do problema, com o objetivo de aliviar a dor e também corrigir os desequilíbrios que a causaram.
A base do tratamento para a maioria dos casos é a fisioterapia. Ela atua na raiz da dor por meio de exercícios de fortalecimento e alongamento, que recuperam a força da musculatura que dá suporte à coluna e corrige os padrões de postura.
Em conjunto, o médico pode prescrever medicamentos para o controle da dor na fase aguda, como analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares. Para casos mais específicos, como na dor de origem nervosa (neuropática), que não responde bem a esses remédios, podem ser utilizados medicamentos de outras classes, como certos antidepressivos e anticonvulsivantes, que atuam diretamente na modulação dos sinais de dor no sistema nervoso.
Além da abordagem medicamentosa, terapias complementares também podem ser excelentes no processo de recuperação. Práticas como a acupuntura e a Reeducação Postural Global (RPG) tendem a ser indicadas para auxiliar no alívio da dor e na correção de desequilíbrios posturais.
A mensagem final é que você não precisa se acostumar a viver com dor. A persistência do sintoma é um sinal de que seu corpo precisa de atenção. A avaliação de um especialista é o que define a causa e traça o caminho para a recuperação, para que você retome suas atividades e volte a se movimentar sem medo.
Referências bibliográficas:
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Dor Lombar. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/low-back-pain. Acesso em: 08 ago. 2025.
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