Ícone
Logo Portal AméricasLogo Portal Américas Mobile
InícioSaúdeCondições de saúde

Dor na coluna: causas, sintomas e quando procurar ajuda médica

Entenda o que pode estar por trás daquele incômodo na coluna, aprenda a diferenciar os tipos de dor e saiba quando o sintoma exige uma avaliação médica.

Dor na coluna1.jpg

Poucas dores são tão comuns e, ao mesmo tempo, tão incapacitantes quanto a dor na coluna. Ela pode surgir de repente, após um mau jeito, ou se instalar aos poucos, limitando a rotina. Longe de ser apenas "coisa da idade" ou cansaço, a dor tem causas que precisam ser entendidas para que o tratamento seja adequado e a qualidade de vida recuperada.

Quais são as principais causas de dor na coluna?

A dor na coluna é tão comum que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), representa a principal causa de incapacidade no mundo. Porém, o mais importante a se saber é que na grande maioria dos casos a origem desse incômodo não está em uma doença grave, mas sim no resultado do desgaste e da sobrecarga da nossa rotina.

As distensões e contraturas musculares são as causas mais comuns. Elas ocorrem quando um esforço excessivo, como levantar um objeto pesado de forma inadequada, causa microrrupturas nas fibras dos músculos ou ligamentos que sustentam a coluna. O corpo responde a essa lesão com uma inflamação localizada, que gera dor aguda e muitas vezes espasmos musculares.

Diferente de uma lesão causada por um único movimento, a sobrecarga contínua é outra causa comum. A repetição de movimentos no trabalho ou a prática de esportes pode levar à fadiga e a uma inflamação crônica da musculatura. Esse mesmo desgaste progressivo pode ser resultado de hábitos diários, como dormir em um colchão inadequado ou passar horas na mesma posição ao dirigir.

Outro fator de grande impacto é o estresse. Em períodos de tensão, a contração involuntária e constante da musculatura dos ombros, do pescoço e da lombar acaba por gerar pontos de tensão dolorosos, o que demonstra a forte ligação entre a saúde mental e o bem-estar da coluna.

Como saber se a dor na coluna é muscular ou nervosa?

Para entender o que seu corpo está sinalizando, o primeiro passo é saber diferenciar a origem da dor na coluna. As características da dor, a sua localização e se ela "caminha" para outras partes do corpo são as principais pistas para essa distinção. 

O mais comum é a dor muscular, que tem origem na inflamação ou fadiga das fibras que sustentam a coluna. Ela se manifesta como um desconforto persistente e localizado, que deixa a musculatura da região afetada, seja o pescoço, o meio das costas ou a dor lombar, com uma sensação de cansaço e peso, que piora com o movimento e melhora com o repouso.

Já a dor de origem nervosa (neuropática) tem uma assinatura bem diferente. Ela surge quando uma raiz nervosa é comprimida ou irritada, como acontece em uma hérnia de disco. Como os nervos são "fios" que levam informação para outras partes do corpo, a dor não fica restrita à coluna; ela irradia, seguindo o trajeto do nervo afetado.

Essa dor irradiada costuma ser aguda, como um choque, uma agulhada ou uma queimação que "desce" pelo membro. Se a compressão é na coluna cervical (pescoço), a dor pode irradiar para os ombros e braços; se for na lombar, para as nádegas e pernas. Frequentemente, ela vem acompanhada de outros sinais neurológicos, como formigamento, dormência ou até perda de força no braço ou na perna correspondente.

Quando a dor na coluna pode indicar um problema grave?

Embora a maioria dos casos de dor na coluna seja de origem muscular ou postural, é muito importante saber reconhecer quando ela pode ser um sinal de alerta para condições mais sérias. A presença de alguns sintomas associados, conhecidos pelos médicos como "bandeiras vermelhas", indica a necessidade de uma avaliação médica imediata.

Esses sinais de alerta sistêmicos afetam o corpo todo e incluem febre e calafrios, que podem indicar um processo infeccioso na coluna, ou a perda de peso inexplicada, que é sempre um sintoma que exige investigação em qualquer contexto de saúde.

Outro ponto de atenção é quando a dor na coluna vem acompanhada de sintomas neurológicos. Isso ocorre quando uma estrutura da coluna, como uma hérnia de disco, comprime um nervo de forma mais severa. Essa compressão pode se manifestar como fraqueza progressiva, formigamento ou dormência que irradiam para as pernas.

Em situações mais raras, a compressão pode ser tão grave a ponto de causar a perda de controle do intestino ou da bexiga. Esse é o sinal mais importante de uma condição chamada síndrome da cauda equina e representa uma emergência médica que exige atendimento imediato.

O comportamento da dor também oferece pistas. Uma dor que piora à noite, que não alivia com o repouso ou que chega a acordar a pessoa, não segue o padrão da dor mecânica comum. Da mesma forma, uma dor que surge após um trauma, como uma queda ou acidente, ou em um paciente com histórico de câncer, deve ser sempre investigada por um especialista.

Dor na coluna e estilo de vida: qual a relação?

Um dia a dia marcado pelo sedentarismo, pelo estresse e pelo sobrepeso cria o cenário perfeito para o surgimento da dor na coluna. Por isso, compreender a relação de cada um desses fatores com o desconforto ajuda a construir um estilo de vida que ofereça mais bem-estar.

A relação entre o sedentarismo e a dor na coluna é direta e muito bem estabelecida. A nossa coluna vertebral não se sustenta sozinha, ela é suportada por um conjunto de músculos profundos no abdômen, na região lombar e no assoalho pélvico, que formam o nosso "core" ou centro de força.

Uma rotina inativa leva ao enfraquecimento e ao encurtamento progressivo dessa musculatura de sustentação. Sem o suporte adequado, a carga que deveria ser distribuída entre os músculos é transferida para as estruturas da coluna, como os discos e as vértebras, o que gera uma sobrecarga prejudicial. 

O estresse crônico também tem uma influência notável. Em períodos de tensão, é comum contrairmos de forma involuntária a musculatura dos ombros, do pescoço e da lombar. Essa contração constante e prolongada gera pontos de tensão dolorosos e diminui a circulação de sangue na região, o que pode cronificar a dor muscular.

Por sua vez, o sobrepeso altera o centro de gravidade do corpo e aumenta a carga sobre a coluna lombar. Essa pressão contínua sobre os discos intervertebrais pode acelerar seu processo de degeneração e aumentar o risco de problemas como a hérnia de disco.

O que fazer para aliviar a dor na coluna em casa?

Para dores de origem muscular e postural, algumas medidas simples feitas em casa podem trazer um alívio significativo. 

A aplicação de calor local, com uma bolsa de água morna ou uma toalha aquecida por 15 a 20 minutos, é uma excelente primeira atitude, pois ajuda a relaxar a musculatura tensa e a aumentar a circulação de sangue na região, o que acelera o processo de reparo.

Nas primeiras 48 horas de uma dor aguda, alternar o calor com compressas frias também pode ser benéfico. O frio ajuda a reduzir a inflamação local, enquanto o calor relaxa os músculos.

É importante também praticar o repouso relativo. A ideia de que é preciso ficar completamente deitado na cama está ultrapassada. O mais indicado é evitar as atividades e posições que claramente pioram a dor, mas manter-se em movimento de forma gentil. Isso pode ser feito através de caminhadas leves pela casa ou alongamentos suaves, como deitar de costas e abraçar os joelhos em direção ao peito. 

A principal orientação é ouvir o seu corpo: evite qualquer movimento que cause uma dor aguda ou pontada. Essas medidas são paliativas e, se a dor na coluna não melhorar em poucos dias, a avaliação de um especialista se torna necessária. 

Quais são os tratamentos indicados para dor na coluna persistente?

Quando a dor na coluna se torna persistente ou crônica, a avaliação de um médico ortopedista é o caminho mais seguro para um diagnóstico preciso. O tratamento será direcionado para a causa do problema, com o objetivo de aliviar a dor e também corrigir os desequilíbrios que a causaram.

A base do tratamento para a maioria dos casos é a fisioterapia. Ela atua na raiz da dor por meio de exercícios de fortalecimento e alongamento, que recuperam a força da musculatura que dá suporte à coluna e corrige os padrões de postura.

Em conjunto, o médico pode prescrever medicamentos para o controle da dor na fase aguda, como analgésicos, anti-inflamatórios ou relaxantes musculares. Para casos mais específicos, como na dor de origem nervosa (neuropática), que não responde bem a esses remédios, podem ser utilizados medicamentos de outras classes, como certos antidepressivos e anticonvulsivantes, que atuam diretamente na modulação dos sinais de dor no sistema nervoso.

Além da abordagem medicamentosa, terapias complementares também podem ser excelentes no processo de recuperação. Práticas como a acupuntura e a Reeducação Postural Global (RPG) tendem a ser indicadas para auxiliar no alívio da dor e na correção de desequilíbrios posturais.

A mensagem final é que você não precisa se acostumar a viver com dor. A persistência do sintoma é um sinal de que seu corpo precisa de atenção. A avaliação de um especialista é o que define a causa e traça o caminho para a recuperação, para que você retome suas atividades e volte a se movimentar sem medo.

Referências bibliográficas:

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Dor Lombar. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/low-back-pain. Acesso em: 08 ago. 2025.