Revisado em: 12/01/2026
Resuma este artigo com IA:
Entenda as causas, os sintomas e a duração de cada quadro para saber como agir e quando procurar um especialista.

Aquela tosse persistente que aparece depois de um resfriado ou um chiado no peito que surge em contato com poeira pode gerar uma dúvida comum: será asma ou bronquite? Embora ambas as condições afetem as vias respiratórias e compartilhem sintomas, elas são doenças diferentes, com causas, durações e tratamentos específicos.
Compreender o que distingue uma da outra é o primeiro passo para buscar o cuidado adequado e garantir mais qualidade de vida. A confusão é compreensível, mas esclarecer os pontos-chave é fundamental para o manejo correto de cada quadro.
Em crianças, por exemplo, a bronquite pode ser mais frequentemente diagnosticada. Em uma população estudada, a bronquite foi identificada em 16,4% das crianças, enquanto a asma brônquica em 9,2% delas.
A asma é uma doença crônica caracterizada pela inflamação das vias aéreas. Em pessoas com asma, os brônquios são permanentemente mais sensíveis e reativos a determinados estímulos, conhecidos como gatilhos.
Quando o paciente se expõe a um gatilho, como poeira, pólen, pelos de animais ou ar frio, suas vias aéreas reagem de forma exagerada. Elas se contraem (broncoespasmo), incham e produzem mais muco, dificultando a passagem do ar. Isso resulta nas crises de asma, com sintomas de falta de ar, chiado, tosse e aperto no peito.
Essa sensibilidade torna as vias aéreas de crianças asmáticas mais frágeis, o que eleva o risco de desenvolver inflamações agudas como a bronquite. Isso ocorre porque a asma é um fator de risco significativo para infecções respiratórias.
Vale dizer que, por ser uma condição crônica, a asma acompanha o indivíduo por toda a vida. No entanto, com o tratamento adequado, é possível controlar a inflamação e viver sem sintomas ou crises.
Pneumologistas são os especialistas mais indicados para o acompanhamento de cada um desses quadros clínicos. A Rede Américas possui especialistas renomados atendendo em vários hospitais brasileiros.
Bronquite, por definição, é a inflamação dos brônquios, os tubos que levam o ar aos pulmões. Diferente da asma, a bronquite não é, em sua essência, uma doença crônica de fundo alérgico. Ela se divide em dois tipos principais, com causas e evoluções muito distintas.
A distinção entre os tipos de bronquite é crucial. A bronquite aguda é a forma mais comum. Geralmente é causada por uma infecção viral, como a mesma que causa gripes e resfriados. O quadro dura poucos dias ou semanas e se resolve completamente.
Já a bronquite crônica é uma condição séria e de longa duração, definida por uma tosse produtiva (com catarro) na maioria dos dias, por pelo menos três meses ao ano, durante dois anos consecutivos. A principal causa é o tabagismo, e ela é um dos componentes da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
É importante notar que, mesmo em pessoas que nunca fumaram, a bronquite crônica pode ser séria e está associada a problemas de saúde respiratória em adultos. Isso inclui uma forma de bronquite crônica não obstrutiva, que também exige atenção.
Leia também: Quando consultar um pneumologista?
A melhor forma de visualizar as diferenças é comparar as características de cada quadro lado a lado. Os sintomas podem ser parecidos, mas sua origem e comportamento contam histórias diferentes.
A bronquiolite é a inflamação dos bronquíolos, que são as ramificações menores dos brônquios. É uma condição que afeta principalmente bebês e crianças pequenas, sendo frequentemente causada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Embora também cause dificuldade para respirar, seu foco está nas vias aéreas mais finas e em uma faixa etária muito específica.
Você talvez já tenha ouvido o termo "bronquite asmática" ou "bronquite alérgica". Antigamente, essas nomenclaturas eram usadas para descrever quadros de asma. Hoje, a comunidade médica prefere usar apenas o termo "asma" para evitar confusão.
Essencialmente, o que se chamava de bronquite asmática é a própria asma. A denominação caiu em desuso para deixar claro que a asma é uma doença específica, e não um tipo de bronquite infecciosa.
Estudos mostram que crianças com bronquite recorrente e prolongada, caracterizada por tosse molhada que dura um mês ou mais, têm um risco 4,5 vezes maior de serem diagnosticadas com asma na vida adulta. Isso sugere que episódios graves na infância podem ser um indício para o desenvolvimento futuro da asma crônica. A bronquite asmática recorrente, frequente em crianças, pode evoluir para asma crônica, sendo essa transformação tipicamente irreversível.
Somente um médico, preferencialmente um pneumologista, pode diferenciar as condições e confirmar o diagnóstico. O processo geralmente envolve:
Como as causas são diferentes, os tratamentos também são. É fundamental não usar medicamentos por conta própria, pois o remédio para uma condição pode não ter efeito na outra.
O objetivo é controlar a inflamação crônica para prevenir as crises. O tratamento geralmente envolve dois tipos de medicamentos inalatórios ("bombinhas"): os de alívio (broncodilatadores), para uso durante as crises, e os de controle (corticosteroides), de uso contínuo para manter as vias aéreas desinflamadas. O plano de tratamento é sempre individualizado.
Na bronquite aguda, por ser majoritariamente viral, o tratamento foca no alívio dos sintomas com repouso, hidratação e, se necessário, medicamentos para tosse e febre. Antibióticos não são eficazes contra vírus. Já na bronquite crônica, o passo mais importante é cessar o tabagismo. O tratamento visa retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida, podendo incluir broncodilatadores e reabilitação pulmonar.
Sintomas respiratórios nunca devem ser ignorados. Procure atendimento médico imediato se você ou alguém próximo apresentar:
Mesmo em casos menos urgentes, uma tosse que dura mais de três semanas merece uma avaliação médica para investigar a causa e iniciar o tratamento correto.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
BALTE, P. P. et al. Association of nonobstructive chronic bronchitis with respiratory health outcomes in adults. JAMA Internal Medicine, 02 mar. 2020. Disponível: http://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/fullarticle/2762576. Acesso em: 08 jan. 2026.
PERRET, J. L. et al. Childhood ‘bronchitis’ and respiratory outcomes in middle-age: a prospective cohort study from age 7 to 53 years. BMJ Open Respiratory Research, 5 jun. 2022. Disponível: https://bmjopenrespres.bmj.com/content/9/1/e001212. Acesso em: 08 jan. 2026.
SUNG, F. C. et al. Acute bronchitis and bronchiolitis infection in children with asthma and allergic rhinitis: a retrospective cohort study based on 5,027,486 children in Taiwan. Viruses, v. 15, n. 3, 22 mar. 2023. Disponível: https://www.mdpi.com/1999-4915/15/3/810. Acesso em: 08 jan. 2026.
WU, M. et al. Diagnostic value of immunological biomarkers in children with asthmatic bronchitis and asthma. Medicina, v. 59, n. 10, out. 2023. Disponível: https://www.mdpi.com/1648-9144/59/10/1765. Acesso em: 08 jan. 2026.
WYPYCH-ŚLUSARSKA, A.; KRUPA-KOTARA, K.; NIEWIADOMSKA, E. Social inequalities: do they matter in asthma, bronchitis, and respiratory symptoms in children?. International Journal of Environmental Research and Public Health, [S.l.], v. 19, n. 22, nov. 2022. Disponível: https://www.mdpi.com/1660-4601/19/22/15366. Acesso em: 08 jan. 2026.
NAVEGUE PELAS NOSSAS UNIDADES