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A condição genética que afeta a percepção das cores é muito mais comum em homens, mas pode sim se manifestar no sexo feminino.

A cena pode ser familiar: você tenta combinar peças de roupa e alguém aponta que as cores não conversam entre si. Ou talvez, ao ajudar sua filha com uma lição de casa, percebe que ela pintou o céu de verde e a grama de marrom. Essas situações, embora comuns, podem ser um sinal de daltonismo.
O daltonismo, tecnicamente chamado de discromatopsia, é uma alteração na capacidade de enxergar e diferenciar cores. Não se trata de enxergar em preto e branco, como muitos imaginam, mas sim de uma dificuldade em distinguir certas tonalidades, principalmente o vermelho e o verde, e com menos frequência, o azul e o amarelo.
Essa condição ocorre devido a uma anomalia nos cones, que são células fotorreceptoras localizadas na retina, responsáveis pela percepção das cores. A grande maioria dos casos tem origem genética e hereditária.
Oftalmologistas são os especialistas indicados para o acompanhamento desse tipo de quadro. A Rede Américas conta com profissionais renomados atendendo em vários hospitais do Brasil.
Na prática clínica, os termos são frequentemente usados como sinônimos. "Daltonismo" é o nome popular, em homenagem ao químico John Dalton, que foi um dos primeiros a estudar a própria dificuldade com cores. "Discromatopsia" é o termo técnico que descreve qualquer alteração na visão de cores, seja ela congênita ou adquirida por outros fatores.
A resposta está na genética. O tipo mais comum de daltonismo, que afeta a percepção do vermelho e do verde, está ligado a um gene recessivo presente no cromossomo X.
Funciona da seguinte forma:
Para um homem ser daltônico, ele precisa apenas herdar um cromossomo X com o gene alterado, vindo de sua mãe. Como ele não tem outro cromossomo X para compensar essa alteração, a condição se manifesta. Globalmente, o daltonismo afeta cerca de 8,3% dos homens (aproximadamente um em cada 12).
Já para uma mulher, a situação é diferente. A condição é muito mais rara nelas, pois o daltonismo está ligado ao cromossomo X e é recessivo. Ter dois cromossomos X permite uma "compensação de dose" genética, o que diminui o risco de desenvolver a deficiência.
Assim, se uma mulher recebe um cromossomo X com o gene do daltonismo, o outro X, geralmente normal, compensa a alteração e sua visão de cores permanece intacta. Em nível mundial, a deficiência de visão de cores afeta apenas 0,5% das mulheres (cerca de uma em cada 200).
O daltonismo vermelho-verde, que é o tipo genético mais comum, afeta aproximadamente 8% dos homens e apenas cerca de 0,4% das mulheres.
Quando uma mulher possui um cromossomo X com o gene do daltonismo e outro normal, ela não manifesta a condição, mas é considerada "portadora". Isso significa que ela pode transmitir esse cromossomo X alterado para seus filhos. Se tiver um filho homem, ele terá 50% de chance de ser daltônico.
É totalmente possível, embora estatisticamente muito mais raro. Para que uma mulher manifeste o daltonismo, ela precisa herdar não apenas um, mas dois cromossomos X com o gene alterado. Isso exige um cenário genético específico:
Nessa combinação, a filha herda o X daltônico do pai e tem 50% de chance de herdar o X daltônico da mãe, resultando em um par XX com o gene alterado em ambos. Por essa razão, a prevalência do daltonismo em mulheres é muito baixa, estimada em cerca de 0,5% da população feminina.
A raridade da condição é observada desde a infância: o daltonismo congênito afeta apenas 0,16% das meninas, em comparação com 2,81% dos meninos. Em algumas regiões, como na África, a condição é significativamente mais rara em mulheres, afetando aproximadamente uma em cada 300, enquanto em homens a proporção é de um em cada 35.
Assim como nos homens, as mulheres podem apresentar diferentes tipos de discromatopsia. Os principais são:
Os sinais são sutis e podem passar despercebidos por muito tempo, já que a pessoa aprende a conviver com sua percepção de mundo.
Fique atento a dificuldades como:
Caso observe esses sinais em si mesma ou em uma criança, o ideal é buscar orientação profissional.
O diagnóstico do daltonismo deve ser feito por um médico oftalmologista. O profissional realiza uma avaliação clínica e aplica testes específicos para a visão de cores.
O mais conhecido é o Teste de Ishihara, que consiste em uma série de cartões com círculos de cores e tamanhos variados. Dentro dos círculos, há números ou padrões que uma pessoa com visão normal consegue identificar, mas que são difíceis ou impossíveis de ver para alguém com daltonismo.
Por ser uma condição de origem genética, o daltonismo não tem cura. No entanto, ele não impede que a pessoa leve uma vida normal e plena. O mais importante é o diagnóstico precoce, que ajuda na adaptação, principalmente durante a fase escolar.
Existem tecnologias que podem auxiliar, como lentes de óculos com filtros especiais e aplicativos de celular que ajudam a identificar cores. Contudo, a eficácia dessas ferramentas varia para cada pessoa e devem ser vistas como auxílios, não como um tratamento. O acompanhamento com um oftalmologista é essencial para orientação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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