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Daltonismo em mulheres: por que é raro, mas possível de acontecer?

A condição genética que afeta a percepção das cores é muito mais comum em homens, mas pode sim se manifestar no sexo feminino.

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A cena pode ser familiar: você tenta combinar peças de roupa e alguém aponta que as cores não conversam entre si. Ou talvez, ao ajudar sua filha com uma lição de casa, percebe que ela pintou o céu de verde e a grama de marrom. Essas situações, embora comuns, podem ser um sinal de daltonismo.

O que é exatamente o daltonismo?

O daltonismo, tecnicamente chamado de discromatopsia, é uma alteração na capacidade de enxergar e diferenciar cores. Não se trata de enxergar em preto e branco, como muitos imaginam, mas sim de uma dificuldade em distinguir certas tonalidades, principalmente o vermelho e o verde, e com menos frequência, o azul e o amarelo.

Essa condição ocorre devido a uma anomalia nos cones, que são células fotorreceptoras localizadas na retina, responsáveis pela percepção das cores. A grande maioria dos casos tem origem genética e hereditária.

Oftalmologistas são os especialistas indicados para o acompanhamento desse tipo de quadro. A Rede Américas conta com profissionais renomados atendendo em vários hospitais do Brasil.

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Qual a diferença entre daltonismo e discromatopsia?

Na prática clínica, os termos são frequentemente usados como sinônimos. "Daltonismo" é o nome popular, em homenagem ao químico John Dalton, que foi um dos primeiros a estudar a própria dificuldade com cores. "Discromatopsia" é o termo técnico que descreve qualquer alteração na visão de cores, seja ela congênita ou adquirida por outros fatores.

Por que o daltonismo é mais comum em homens?

A resposta está na genética. O tipo mais comum de daltonismo, que afeta a percepção do vermelho e do verde, está ligado a um gene recessivo presente no cromossomo X.

Funciona da seguinte forma:

  • Mulheres possuem dois cromossomos sexuais X (XX).
  • Homens possuem um cromossomo X e um Y (XY).

Para um homem ser daltônico, ele precisa apenas herdar um cromossomo X com o gene alterado, vindo de sua mãe. Como ele não tem outro cromossomo X para compensar essa alteração, a condição se manifesta. Globalmente, o daltonismo afeta cerca de 8,3% dos homens (aproximadamente um em cada 12).

Já para uma mulher, a situação é diferente. A condição é muito mais rara nelas, pois o daltonismo está ligado ao cromossomo X e é recessivo. Ter dois cromossomos X permite uma "compensação de dose" genética, o que diminui o risco de desenvolver a deficiência. 

Assim, se uma mulher recebe um cromossomo X com o gene do daltonismo, o outro X, geralmente normal, compensa a alteração e sua visão de cores permanece intacta. Em nível mundial, a deficiência de visão de cores afeta apenas 0,5% das mulheres (cerca de uma em cada 200). 

O daltonismo vermelho-verde, que é o tipo genético mais comum, afeta aproximadamente 8% dos homens e apenas cerca de 0,4% das mulheres.

O que significa ser uma mulher "portadora"?

Quando uma mulher possui um cromossomo X com o gene do daltonismo e outro normal, ela não manifesta a condição, mas é considerada "portadora". Isso significa que ela pode transmitir esse cromossomo X alterado para seus filhos. Se tiver um filho homem, ele terá 50% de chance de ser daltônico.

Então, como é possível uma mulher ser daltônica?

É totalmente possível, embora estatisticamente muito mais raro. Para que uma mulher manifeste o daltonismo, ela precisa herdar não apenas um, mas dois cromossomos X com o gene alterado. Isso exige um cenário genético específico:

  • O pai precisa ser daltônico (seu único X carrega o gene).
  • A mãe precisa ser, no mínimo, portadora (carrega o gene em um de seus cromossomos X).

Nessa combinação, a filha herda o X daltônico do pai e tem 50% de chance de herdar o X daltônico da mãe, resultando em um par XX com o gene alterado em ambos. Por essa razão, a prevalência do daltonismo em mulheres é muito baixa, estimada em cerca de 0,5% da população feminina.

A raridade da condição é observada desde a infância: o daltonismo congênito afeta apenas 0,16% das meninas, em comparação com 2,81% dos meninos. Em algumas regiões, como na África, a condição é significativamente mais rara em mulheres, afetando aproximadamente uma em cada 300, enquanto em homens a proporção é de um em cada 35.

Quais são os tipos de daltonismo que podem afetar as mulheres?

Assim como nos homens, as mulheres podem apresentar diferentes tipos de discromatopsia. Os principais são:

  • Protanopia: dificuldade ou ausência na percepção da cor vermelha.
  • Deuteranopia: dificuldade ou ausência na percepção da cor verde. É o tipo mais comum.
  • Tritanopia: dificuldade em diferenciar tons de azul e amarelo. Este tipo é mais raro e não está ligado ao cromossomo X, afetando homens e mulheres na mesma proporção.
  • Acromatopsia: forma mais rara de daltonismo, em que a pessoa enxerga apenas em tons de cinza, preto e branco, geralmente acompanhada de alta sensibilidade à luz.

Como identificar os sinais de daltonismo em uma mulher ou menina?

Os sinais são sutis e podem passar despercebidos por muito tempo, já que a pessoa aprende a conviver com sua percepção de mundo. 

Fique atento a dificuldades como:

  • Confundir cores em roupas, objetos e materiais escolares.
  • Ter problemas para identificar se carnes ou frutas estão maduras pela cor.
  • Apresentar dificuldade em interpretar gráficos e mapas coloridos.
  • Usar combinações de cores "estranhas" em desenhos e pinturas.
  • Dificuldade em distinguir as luzes de um semáforo sem se basear na posição.

Caso observe esses sinais em si mesma ou em uma criança, o ideal é buscar orientação profissional.

Qual profissional procurar e como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do daltonismo deve ser feito por um médico oftalmologista. O profissional realiza uma avaliação clínica e aplica testes específicos para a visão de cores.

O mais conhecido é o Teste de Ishihara, que consiste em uma série de cartões com círculos de cores e tamanhos variados. Dentro dos círculos, há números ou padrões que uma pessoa com visão normal consegue identificar, mas que são difíceis ou impossíveis de ver para alguém com daltonismo.

O daltonismo tem tratamento ou cura?

Por ser uma condição de origem genética, o daltonismo não tem cura. No entanto, ele não impede que a pessoa leve uma vida normal e plena. O mais importante é o diagnóstico precoce, que ajuda na adaptação, principalmente durante a fase escolar.

Existem tecnologias que podem auxiliar, como lentes de óculos com filtros especiais e aplicativos de celular que ajudam a identificar cores. Contudo, a eficácia dessas ferramentas varia para cada pessoa e devem ser vistas como auxílios, não como um tratamento. O acompanhamento com um oftalmologista é essencial para orientação.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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